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:: dez/2019

NOVO SÓ MESMO O CALENDÁRIO

Logo mais as luzes e os shows encantadores do Natal da Cidade de Vitória da Conquista se desligam e se apagam, e entram os fogos do Ano Novo, que não tem nada de novo, a não ser o calendário que vai marcar os meses e os dias para o próximo chegar. Nada muda, nada se transforma e tudo continua em seu lugar, como as paixões, os amores e as desilusões. Não é o ano que pode ser ruim ou bom, mas você que vai dar o tom e o seu toque especial para que sua vida seja diferente para melhor. Não adianta só pedir.

Mais um final de correrias, de gastanças e consumismo exagerados. O alvo foram os presentes da cultura tupiniquim do Papai Noel do Polo Norte. Conquista se iluminou para receber seus moradores, namorados e visitantes que foram às praças e avenidas com suas famílias para festejar o Natal. O Espaço Glauber Rocha recebeu milhares para ouvir as lindas canções das bandas musicais, com artistas locais e de fora. Todos desejaram um Feliz Natal e Boas Festas. O show acabou.

NO SEU ESPÍRITO

As festas dos comes e bebes estão chegando ao fim, para dar entrada à ressaca das noites etílicas e das despesas. As doações vão minguar e as barrigas pobres voltam a roncar de fome. O novo não está dentro do ano, mas dentro do seu espírito, de suas ideias e do seu pensamento. Os caras lá do Planalto serão os mesmos das falas exóticas e bizarras, atentando contra a nossa democracia através de suas atitudes autoritárias. Não é o ano que vai tirar o Brasil das profundezas das desigualdades sociais.

Não peça mudanças para o ano que está a bater em sua porta. Ele não tem esse dom de transformação. O tempo prossegue com seus mistérios e seus enigmas. Siga seu caminho correto, reforçando seus princípios de bom caráter, para desvendá-los, ou tome cuidado para não ser por ele (o tempo) devorado. As mortes, as tragédias e as catástrofes vão acontecer, e somente a consciência humana ambientalista pode mudar algum rumo do aquecimento global.

Não é o ano que vai reverter o retrocesso político e melhorar o nível da nossa combalida educação. Os corredores dos hospitais vão continuar no mesmo vale de lágrimas por falta de atendimento médico. Os bandidos vão estar lá na esquina e no asfalto de armas na mão. Os militares atirando para abater, inclusive cidadãos inocentes, e mais gente vai rogar por justiça, sem ser escutado.

É o ano de mais eleições municipais para você carimbar sua cidadania democrática, seu direito de escolher, como prega os chavões da mídia e dos políticos, correndo como loucos atrás dos votos, não importando os meios empregados. O corrupto vai continuar roubando e dizendo para os investigadores que é apenas inocente. Que nada fez.

Não é o ano que vai ter a magia de mudar a mentalidade comodista e individualista do brasileiro. Só o senso de coletividade é que pode mudar a cara do ano, e não ele que vai acalmar as águas turbulentas com seu santo cajado. O milagre está dentro de cada um, sendo mais unido e com mais tolerância e menos ódio. Nada adianta fazer doações e ser solidário de campanhas maquinais de final de ano.

Não adianta programar um monte de metas, ou fazer uma extensa lista de planos para realizar, se seu espírito não tiver a força de vontade para dizer que o novo é você, e não o ano. O calendário passa depressa como o ponteiro do relógio, tocando o “tic, tac, tic, tac” no compasso do tempo, que é cruel e não para. Ele não dá a chance do recomeço.

Sem essa de que existe ano novo. É uma pura ilusão. As perguntas vão continuar sem respostas. O fundamentalismo radical vai engrossar o caldo, se as pessoas não respeitarem as escolas dos outros. Seu calendário pode ser seu carrasco, e não o ano, que nada tem a ver com isso. A saída é o conhecimento e o saber que podem fazer com que seu ano seja bom. Nada é novo. Tudo se copia. Seja você mesmo e tente acertar mais ainda as arestas.

COISAS DO SERTÃO

Os garranchos secos cinzentos num traçado com os cactos transmitem uma imagem poética da terra árida nordestina, numa paisagem singular e única do nosso bioma. São coisas  do nosso sertão forte como o homem que nele habita com dureza, sempre esperando a chuva cair para plantar sua lavoura. É bonito e, ao mesmo tempo, triste, porque o nosso sertanejo sofre e ainda acredita nas promessas dos políticos e governantes, de que um dia as coisas vão melhorar. Reza a Deus sempre, numa reza penosa, e nunca perde a fé e a esperança. “Coisas do Sertão” foi captada pelas lentes do jornalista Jeremias Macário.

NA ESTRADA

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, inserido no livro “ANDANÇAS”

que pode ser encontrado na Livraria Nobel e na Banca Central

Na estrada cigana galante

Anavalhada, livre e longa

De uma vida curta e pouca

Sou sereno, frio e vento

Sol a pino de cara ardente

Poeira lá do horizonte

E ando com tanta gente

De senso santo e louca

Que comove e engana

Na procura daquela fonte

Que mata sede do andante.

 

É uma via do mal e do bem

De sina divina e satânica

Em toda extensão da pista

Com aviso em cada esquina

Riscos da liberdade proibida

Esculpidos por um artista

Com entrada, meio e saída.

Gira e muda como enigma

O sentido finito da vida

Com face suave e tirânica

Sem decifrar o rosto do além.

A BANALIZAÇÃO DO ANORMAL E DA MORTE NUM PAÍS SEM INDIGNAÇÃO

Feliz natal e boas festas já virou uma saudação maquinal no país que institucionalizou a banalização do mal, do anormal, da contravenção, do imoral, do crime e do ilegal. Com rimas fracas, não é uma linguagem redacional apropriada e recomendada nas escolas, mas é a força da minha profunda indignação para justificar e expressar meu sentimento com o que vem acontecendo de violência, injustiças sociais, atitudes e atos de barbáries contra o povo que, infelizmente, só tem demonstrado passividade e submissão.

Sei que meus textos são um brotar de revolta com tintas vermelhas, e confesso que tenho tentado me calar diante de tanto fanatismo e fundamentalismo de extrema que só tem engrossado o caldo que queima como soda cáustica a imagem do Brasil lá fora como um país do retrocesso e da desconstrução dos grandes pensadores das ideias libertárias no campo da cultura, da educação e da ciência. Até o meio ambiente tem sido dessa agressão criminal.

NÃO POSSO FICAR AQUI PARADO

Não consigo ver tanta gente morrendo nos hospitais por falta de atendimento médico, tanta gente a derramar lágrimas pedindo justiça para uma Justiça que não faz justiça, tantas chacinas de inocentes pelos brutos das botas de ferro, tanta misoginia, tantas agressões homofóbica e racistas, tantos conceitos medievais inquisitoriais, tanta destruição da natureza, tantas chamas da esperança e da fé se apagarem, tanto assassinato da cultura e da educação e ficar aqui “parado com a boca escancarada esperando a morte chegar”.

Difícil desejar a todos um feliz natal, quando nestes tempos sombrios e obscuros, as ” boas ações” de presentes e cestas básicas de final de ano soam como hipócritas diante do gosto amargo das desigualdades sociais tão alarmantes e que tendem a se agravar com o aumento da concentração de renda egoísta do capitalismo. Parafraseando o poeta “Boca do Inferno”, triste Brasil, oh quão dessemelhante!

Em um ano o país avançou numa linha do fascismo retrógrado, com manifestações integralistas do Plínio Salgado, numa falsa moral de pátria, família e tradição, num governo que joga na fogueira a ciência e a cultura, com pronunciamentos e palavras exóticas e bizarras nunca vistos na nossa história, “mas tiramos o PT” – foi o contra-argumento chulo de uma pessoa com quem falava semana passada. Essa cabeça e tantas outras irracionais querem dizer que pouco importa o Brasil regredir no conhecimento e no saber, daí a banalização do anormal numa mídia acrítica. Quo Vadis? Para aonde vamos?

QUEM É MESMO O ENERGÚMENO?

Quem é este cara que chama o educador e pensador Paulo Freire, cultuado pelas melhores universidades do mundo, de energúmeno? Donde vem este cara psicopata destrambelhado que demite um cientista renomado do Inpe, de reconhecimento internacional, só porque revelou o tamanho abismal do desmatamento da Amazônia? Quem é este, e de qual planeta saiu, que chama a menina ativista Greta, pejorativamente, de pirralha? Não esperava que depois desta idade fosse ver meu país tão achincalhado lá fora!

Quem é mesmo o energúmeno, o idiota e imbecil? Quem é este cara sem compostura que agride outros povos irmãos, dizendo que eles votam errado? Quem é este cara que chama a mulher de um presidente de feia? Que trata os negros de arroba que não servem nem para reproduzir? Quem é este cara que não mais reconhece a profissão de jornalista e manda extinguir o seu registro? Quem é este estrume que quer acabar com a União dos Estudantes e com os sindicatos, escravizando ainda mais os trabalhadores? Quem é este elemento que está plantando ervas venenosas em terreno árido? Quem é este cara que está aos poucos matando a democracia para implantar seu autoritarismo medieval?

Como este cara vai ser recebido nos países mais civilizados? Vai entrar pelas portas do fundo e sair escondido como persona non grata? Que país é este de mortos-vivos que não reage e só faz chorar pelas misérias, matanças, tragédias e apelar a Deus, como se Ele fosse responsável e culpado por tudo de ruim? Que nação é esta que incorpora cada vez mais o fundamentalismo, e as religiões de varejo se apropriam dos ignorantes, pobres e incultos para fazer neles a lavagem cerebral do ódio e da intolerância?

Estamos virando monstros insensíveis que só sabem dizer “feliz Natal e boas festas”? Banalizaram também o Feliz Natal, quando só se fala em Papai Noel, em noite de comilanças e empanturramento. Banalizaram a morte com requintes bárbaros. A violência virou coisa banal, comum e natural nos noticiários do dia a dia. O tempo não para, e as barbaridades aumentam em escala matemática. Infelizmente, não dá para falar coisas bonitas e de próspero ano novo. No momento, não consigo ser otimista no sentido da elevação humana, se nossa liberdade sofre ameaças.

“VIVA O POVO BRASILEIRO”

Para encerrar meu desabafo, cito aqui um trecho do livro “Viva o Povo Brasileiro”, do baiano intelectual e imortal João Ubaldo, que já foi e deve estar horrorizado com o que está vendo lá do além. “Faço revolução, meu pai –respondeu Lourenço – desde minha mãe, desde antes de minha mãe até, que buscamos uma consciência do que somos. Antes não sabíamos nem que estávamos buscando alguma coisa, apenas nos revoltávamos. Mas à medida que o tempo passou, acumulamos sabedoria pela prática e pelo pensamento e hoje sabemos que buscamos essa consciência e estamos encontrando essa consciência (-).

Nosso objetivo não é bem a igualdade, é mais a justiça, a liberdade, o orgulho, a dignidade, a boa convivência. Isto é uma luta que trespassará os séculos, porque os inimigos são muito fortes. A chibata continua, a pobreza aumenta, nada mudou. A Abolição não aboliu a escravidão, criou novos escravos. A República não aboliu a opressão, criou novos opressores. O povo não sabe de si, não tem consciência e tudo que faz não é visto e somente lhe ensinam desprezo para si mesmo, por sua fala, por sua aparência, pelo que come, pelo que veste, pelo que é”.

O CINZENTO DO AGRESTE

Como o próprio título já diz, a paisagem cinzenta do agreste, de galhos retorcidos pela sequidão do sertão nordestino, retrata o sofrimento do sertanejo que labuta o ano todo e sempre está à espreita de uma chuva para salvar sua lavoura. Fica na espera da graça com as mãos postas para o alto. Quando perde as esperanças se retira com a família para outras terras estranhas. Já ouvi dizer que é uma paisagem “bonita”, mas não é não. É triste. Bonito é quando tudo está verde. A imagem saiu das lentes do jornalista Jeremias Macário lá em Carnaíba, Juazeiro da Bahia.

OH TEMPO, TEMPO, TEMPO!

Tempo, tempo, tempo!

Sempre me pedem um momento;

Do sofrimento, sou curandeiro,

Risco e rugas da sua lisa face;

Dos deuses suprema criatura;

Tempo da criança que nasce;

Procura na corrida do dinheiro;

Dono senhor de seus sinais;

Amor e ódio na jura dos casais.

 

Tempo, tempo, tempo!

Desse povo a me decifrar,

Que louco quer só me devorar;

Sou o vento que chega e vai;

Mandamentos do Monte Sinai.

 

Tempo, tempo, tempo!

Dos reis filhos dos sumérios;

Carrasco dos gregos e romanos;

Das lendas, mitos e mistérios;

Cruel dos sanguinários tiranos;

Inspiração dos poetas cantadores;

Chibata nas costas do escravo!

Tempo do tinteiro dos escritores;

Coragem libertária do bravo.

 

Tempo, tempo dos escândalos!

Roda sideral que nunca para!

Cadê o tempo do viver e amar?

Cadê o tempo do sentido do existir?

Tão levando o meu ar de respirar!

Não deixe o “Velho Chico” sumir!

Degole as cabeças desses vândalos;

Enterre na Vala dos Desconhecidos

Essa gente de tanta cara e tanta tara.

 

O CRUZAMENTO MAIS LOUCO QUE JÁ VI

Estava eu ali, por acaso, em Marrakechi ou em Casa Blanca, no Marrocos, Islamabad, no Paquistão, Cabul, no Afeganistão, em Nova Délhi, na Índia dos coches de três rodas entre aquela multidão, em Bangcoc, na Tailândia, em Bangladesh, em Colombo, no Siri Lanka, em Cairo, no Egito, em Mianmar, na Ásia, ou em outros países árabes e africanos onde o tráfego é um samba de crioulo doido e de equilibristas numa corda bamba?

De Vitória da Conquista atravessei vários sertões secos entre mandacarus, cactos e quiabentos até chegar em Juazeiro da Bahia, terra do “Velho Chico, das frutas irrigadas e também do bode. Era final de tarde da última quarta-feira, num calor preguento insuportável de rachar a cuca, depois de viajar mais de 800 quilômetros. Suado e “morto de cansado” fui logo colocando o carro na garagem do hotel.

É uma luta constante por espaço no cruzamento mais perigoso e  maluco. Fotos de Jeremias Macário

O corpo pedia uma gelada, mas a primeira obrigação era visitar minha filha Cíntia. Lá pelas 18 horas sai cheirando e farejando um boteco qualquer para refrescar o esqueleto. Não é que me deparei num barzinho no cruzamento da Avenida Adolfo Viana com as transversais da rua Antônio Pedro e da Henrique Rocha, no centro! Estava armado o meu palco e pedi logo aquela “loira”.

É aqui que vou me abancar para relaxar um pouco, e claro, tomar aquela cerveja gelada – pensei. Da lateral observei o trânsito engrossar o caldo na hora do rach no asfalto ainda quente. Com ainda minha sensibilidade jornalística, apesar de meio enferrujado, descobri que estava em frente de um cruzamento mais maluco e louco do Brasil, quiçá do mundo.

Aqui é um verdadeiro laboratório de erros, infrações, imprudências e em meio a todos os riscos de acidentes, batidas e atropelamentos – imaginei comigo mesmo. Lamentei não estar com a minha companheira máquina fotográfica para registrar aquela maluquice.

Sem semáforo, e só com uma faixa de pedestre na Adolfo Viana, os veículos pequenos, caminhões, ônibus, carroças, motos, bicicletas, pedestres, praticantes de coper, de skeite e caminhadas entram em cena em todas as direções e embola tudo, cada um procurando se defender e driblar a confusão. Em frente, direita, esquerda e até os motoqueiros se aventuram na contramão pela rua Antônio Pedro.

Cada passagem de pedestre para atravessar o cruzamento maluco é um lance de filme de suspense de um atropelamento a qualquer minuto, ou uma batida de veículo. Cada um faz sua manobra e seu malabarismo mais arriscados de superações, e os “atletas” do exercício físico correm no meio da avenida entre os carros. Nunca tinha visto tanta loucura num lugar só, como num circo de equilibristas no globo da morte. Não conseguia parar de olhar o show de perigos, e até a gelada esquentava no copo.

SÓ COM SERRA OU DINAMITE

Depois de um dia sem almoçar e comer direito, batendo volante, deu aquela fome e ai pedi mais uma à mulher do bar e um tira-gosto de moela. Enquanto isso, me fixava no “espetáculo” daquela balbúrdia onde até cachorros e gatos faziam suas demonstrações no cruzamento mais doido que já vi. A fome apertava, e a moela nada de sair.

A dona do estabelecimento explicou ter faltado gás, mas que aguentasse um pouco e logo o pedido estaria pronto. Mais uns 20 minutos de espera e chegou o petisco, só que tomei um susto danado quando vi aquela moela sapecada na fritura, mais dura que lajedo de bater roupa suja ensaboada.

Tentei cortar com a faca aquela iguaria que sempre é cozida por sua formação natural, para ficar mais mole e palatável. Desisti de brigar com a moela que só poderia ser cortada com uma serra, ou dinamitada. Para não perder a parada, tracei a farofa e o vinagrete. Nunca tinha visto uma moela fritada daquele jeito. Impossível de comer, principalmente na minha idade. Uma covardia! Imaginei que fazia parte do trânsito maluco. Solicitei um serrote, mas ela nada entendeu.

Bem, como sou teimoso e não sou de deixar trabalho inacabado, voltei no outro dia ao mesmo bar, no mesmo horário, com minha máquina fotográfica para registrar a lambança, mas nada de moela. Para completar, ainda convidei minhas sobrinhas Iana (jornalista) e Jaissa para testemunhar e assistir ao show do trânsito naquele cruzamento infernal e deixar meu recado para o senhor prefeito, de que faça alguma coisa para que prejuízos e vidas sejam poupados. Evite uma tragédia, senhor prefeito!

O que presenciei é simplesmente uma vergonha para uma cidade do porte de Juazeiro, cidade produtiva de João Gilberto, onde já fiz muitas noitadas de curtições com companheiros amigos, e adoro abraçar o “Velho Chico”, mesmo maltratado pelos homens, que sempre sugaram de suas riquezas sem revitalizá-lo.

OS BISCOITOS QUE CORREM MUNDO

Vitória da Conquista já foi chamada de a capital das flores, do frio, da cultura que não tem tido o incentivo merecido, a Suíça Baiana e até, negativamente, dos quebra-molas, mas uma vem se consolidando como grandiosa nas mãos de artistas da culinária, que é a “capital dos biscoitos” que tem atraídos moradores de variadas regiões e corrido o mundo pela suas diversidades e sabor.

Tudo começou com poucas barracas há cerca de 40 ou 50 anos na feira do Ceasa, no centro da cidade, e sempre ia lá comprar minhas guloseimas quando aqui cheguei em 1991. Outros falam que o processo de fabricação veio das gomas de beijus das casas-de-farinha, no Bairro do Campinhos. Não importa. Só sei que gostei das iguarias deliciosas, principalmente no café da manhã.

Hoje as casas, ou lojas de biscoitos, estão espalhadas por toda parte da cidade, especialmente no centro, e tem de ximango (pequenos e grandes), avoador, com temperos de coco, goiaba, pimentinhas, sequilhos, crocantes, amendoins, salgados e doces e tantas outras variedades para todos os gostos. Tem os tradicionais beijus temperados, com preços de cinco reais o saquinho e a quilos para quem quer comprar em quantidades para revender lá fora, ou oferecer aos amigos como presentes.

Para onde viajo sempre me pedem para levar os biscoitos de Conquista e faço com prazer quando sobra uma graninha, que o dinheiro anda muito escasso nesses dias difíceis do Brasil. Eles foram sendo divulgados de boca em boca e hoje são levados por visitantes e turistas de outros estados e até do exterior. Os produtos correm mundo, mas ainda precisam de mais propaganda e um selo de qualidade reconhecido pelos órgãos do poder público.

A grande maioria dos biscoitos, ou, na sua quase totalidade, é comercializado por micros e pequenas empresas, como os de dona Isalda que há 36 anos vende seus produtos tão procurados no Ceasa. Tem também a barraca da Zinha. O negócio tem sustentado muitas famílias e gerado emprego, sem contar que divulga a capital do sudoeste baiano lá fora. Tem de todo sabor, e cada vez mais aparecem novas fórmulas para agradar o paladar dos consumidores. O certo é que os biscoitos de Conquista se tornaram famosos.

LUZES DA CIDADE ENCANTAM CONQUISTA

Não é nenhuma Paris milenar das luzes que inspiraram poetas, escritores e filósofos conhecidos no mundo inteiro, mas a iluminação poética de Natal da Praça Tancredo Neves (antiga Praça das Borboletas), em Vitória da Conquista, superou as expectativas dos moradores e visitantes. Verdade seja feita, porque nos três últimos anos foi um fracasso, e nem merecia ser mencionada.

Para abrilhantar a festa teve ainda o “Toque Brasileiro”, na Praça 9 de Novembro, com shows musicais, projeto realizado pela TV Sudoeste todos os anos. Foi mais um sucesso, e na semana do Natal entra a programação de shows da Prefeitura Municipal com artista da terra.

Quanto a iluminação, o que mais chamaram a atenção foi a técnica empregada no jogo de luzes com várias cores nas árvores e a ocupação em locais mais vazios, com enfeites deslumbrantes. O final de tarde, com o pôr-do-sol refletindo no jardim, deixa tudo mais encantado, e as opiniões são unânimes sobre o trabalho da Prefeitura Municipal. Logo ao cair da noite vão chegando as famílias com as crianças, e a “princesa” faz sua pose de menina bonita para os fleches dos celulares e das máquinas fotográficas profissionais.

Não vou aqui fazer comparação com outros governos passados para não abrir espaços para politicagens baratas que o Brasil já está cheio disso, mas visitem a Praça Tancredo Neves, se deleitem e façam seus comentários. A mudança do presépio para o novo calçadão em frente da Catedral foi outra inovação digna de elogios onde as pessoas circulam livremente.

Não importam as milhares de lâmpadas colocadas na praça, se não houver criatividade de encantar e tornar tudo mais poético e emocionar os corações de quem passa pelo local, a quantidade passa despercebida. Vamos esperar que no próximo ano saia ainda melhor, como aquele saudoso conjunto de Salvador “Para o ano sai Mió”. Se houve um concurso de praças mais bem iluminadas da Bahia, talvez Conquista fosse o destaque, junto com o Campo Grande de Salvador.

CONTRASTES

Sobre os calçadões, sempre tenho dito que o centro da cidade deveria receber esta pavimentação para dar espaço de vida para o ser humano, e banir a circulação de carros nas imediações. A parte baixa da praça merecia ser calçada para fechar o jardim como um todo. Outros locais que poderiam ser fechados são o beco da Lotérica com o extinto Hotel Livramento e toda a Praça Barão do Rio Branco com aquele amontoado de carros que impedem as pessoas circularem livremente. Como está hoje, a praça é feia e ingrata.

Os calçadões, bem urbanizados e arborizados dão outra vida à cidade e beneficiam, não somente os visitantes e moradores, mas também os lojistas, principalmente os mais resistentes às mudanças, que vão ter mais clientes passeando e comprando, com mais tranquilidade. Quem tiver seus carros que se virem nos estacionamentos, ou em outras vagas um pouco mais distantes. As pessoas precisam caminhar mais, se descontrair e apreciar as belezas da cidade, sem a fumaça dos infernais veículos.

Podem me chamar de morde e assopra, mas, a verdade deve ser dita. Como contraste da cidade, fica aqui, lamentavelmente, minha crítica ao “Cabeça de Porco” do Terminal Lauro de Freitas, com aquela poluição visual, sonora e o fumacê dos carros com a fuligem sufocando os usuários de ônibus e os passantes. Aquilo ali é a pior imagem de Conquista e não deveria mais existir.

Em seu lugar, deveria ser construído outro calçadão com quiosques e espaços para os artistas expressarem seus trabalhos, com exposições de livros, declamações de poemas e cantorias diversas, principalmente da cultura popular do cordel e outras linguagens. Tenho horror passa por ali, e só o faço quando não tenho outro jeito.

Outra praga de Conquista são os quebra-molas que atormentam os motoristas, e o pior de tudo é que cada vez aparecem mais. Em seu lugar existem os semáforos, radares e sinalizações. Os chamados redutores de velocidade, nome mais decente para não falar em quebra-molas, são coisas antigas banidas pelo Código Nacional de Trânsito.

Conquista já foi chamada de capital das flores e agora dos biscoitos, mas, infelizmente, é também a capital dos quebra-molas, que irritam, e mais servem para quebrar os carros, como o próprio nome já diz tudo. Basta haver um acidente numa rua ou transversal, e lá vem a prefeitura com aquelas barras de concreto armado. Enfeiam as avenidas, especialmente as mais novas e reformadas. Passar, por exemplo, nas avenidas Integração e Juracy Magalhães é um tormento.

VELHO CHICO

Para variar minha crônica, estou nesta semana em Juazeiro-Petrolina, e a primeira coisa que fiz foi visitar de perto o meu abençoado “Velho Chico” e fazer uma prece para que este moribundo não morra. Quando ali estava no cais, perto da ponte que liga as duas cidades, encontrei com um paraibano da cidade de Souza que também estava apreciando suas belezas, apesar de tão maltratado pelos vândalos que deveriam ter suas cabeças degoladas e enterradas numa vala dos esquecidos.

Vi esgotos, lixos e muito mato em suas margens, e suas águas baixas correndo sem as forças de antigamente. Pensei com o novo companheiro paraibano o quanto o São Francisco já deu e sustentou o povo nordestino. Nos últimos anos só fizeram sugar mais e mais dele, que nem mais dá peixes e não apresenta aquela exuberância da mata ciliar e a limpeza para o habitat dos peixes. Os ribeirinhos o olham com lágrimas nos olhos, lembrando dos velhos tempos de abundância.

Não adianta universidades, biólogos e cientistas zerem pesquisas, se os resultados negativos não forem corrigidos com a revitalização do rio em estado terminal, estupidamente agora com um governo imbecil que não importa com o meio ambiente. O beócio chama a menina ativista de pirralha, e assim o Brasil vai se isolando do resto do mundo. Aliás, este governo é uma piada que envergonha o país e o mundo.

 

LUZES DAS BORBOLETAS

As imagens já dizem tudo, mas a praça me deu a graça de flagrar com minhas lentes esta rede de poesia bordada pela natureza e os homens que ainda têm momento de sensatez e iluminação. São fotos das luzes das borboletas de variadas cores em Vitória da Conquista. É ó apreciar e curtir a sinfonia das luzes com o balançar das folhas das árvores. O mais é com você no refletir do espírito.





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