Olha o balanço das árvores,

que o vento dá,

balança pra lá, balança pra cá,

depois começa tudo,

como nas ondas do mar.

 

Olha o tempo passando,

ligeiro e devagar;

olha a morte chegando,

com a sentença de Alá.

 

Parte rasgando o avião,

lotado de gente zumbi;

criaturas saem da terra,

e aparecem como saci.

 

Olha a dança das folhas,

girando pra lá e pra cá,

levando saudades no ar.

 

Na avenida zunem os tiros;

balas voam perdidas;

criança tomba no asfalto,

no ataque dos vampiros.

 

Carnaval de sunga suada;

empurra pra lá e pra cá;

pula, pula a pipocada,

no axé de arrocha cambada.

 

Vadia a bela, ou a feia,

na orgia da bundada;

balança pra lá e pra cá,

pra gringo e nativo

namorar sua sereia.

 

No sol do meu sertão,

balança o pau-de-arara,

cortando o cinzento chão

de espinho, fogo e vara,

na poeira da estrada.

 

Virgulino, meu capitão,

que diz dessa nossa vida,

e da traiçoeira morte,

sem aviso e sem razão;

que diz da canção,

de Vandré que chora,

mandando fazer a hora.