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:: 10/out/2019 . 22:38

SOU MAIS AS CAPELAS

Como bem diz o título, sou mais as capelas do que as catedrais. Nas capelas habita a simplicidade das pessoas que são mais autênticas e sinceras, enquanto as catedrais são mais frequentadas por gentes pedantes, hipócritas, moralistas e falsas que aparentam ser uma coisa, mas no fundo são outra. Nas catedrais existem mais lobos com peles de carneiros. Muitos nem são religiosos, e vão atrás de outros interesses, como acontece com os políticos, visando angariar votos. Só aparecem em épocas de festas. Quanto as capelas, são visitadas por pessoas honestas, mais fervorosos e que têm fé. Nelas pode-se confiar e ainda são prestativas e ajudam o próximo, sem outros interesses individuais. Nelas, existe o sentido de coletividade e irmandade. A foto desta capela, num povoado de Itaberaba, é mais uma, entre outras, do jornalista Jeremias Macário.

A ALMA DA NOITE

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Laboratório de câmaras escuras,

a noite revela cenas existenciais,

dos negativos da luz do dia,

feitos de efeitos, olhar e juras,

de alma de gente doída e ferida,

entrecortada de medo e de poesia,

nos fleches de nossos manuais.

 

Com seus cabelos negros e soltos,

a noite é face de candura e prantos,

navegando no além mares revoltos,

nas ondas de desencantos e encantos,

encontros e desencontros que se vão

no orvalho da fumaça da manhã,

que isala o cheiro do meu chão.

 

Sua alma vaga na trama do enredo,

na crença e no engano da ilusão,

nos becos do dilacerado medo,

que não se rende na prece bendita,

do poeta surreal bruxo-maldito,

que se disfarça até de rei Salomão

e desaparece na estrela infinita.

 

A noite é caverna de etílico porre,

de boemia e trago de sal sagrado,

do segredo jamais aqui revelado,

da angústia que nunca morre,

por mais que a canção console,

e o riso dê uma risada amorosa

como faz a minha carinhosa rosa.

 

Sou a alma desta noite aflita,

que pede a ti o meu perdão;

sou espírito que chora e grita

pela tua bondade e gratidão,

que não me deixe tão sozinho,

como um acuado ferido animal,

na embriaguez visceral do vinho.

 

A minha alma é peregrina noite,

do dia e da penada escuridão,

que aparece repente na esquina,

para pedir o amparo de tua mão,

e sentir teu semblante de menina;

clarear-me na tua réstia de luz,

que o santo guerreiro te conduz.

 

A alma da noite me atormenta,

chicoteia os meus pensamentos,

tragando os goles do meu passado,

ora aliviando com seus unguentos,

os ferrões doídos desse presente,

de insetos que se passam por gente,

que de poder e usura se alimenta.

 

 

 





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