Mais um debate polêmico foi colocado em discussão na noite do último dia 05/10 (sábado) pelo Sarau Colaborativo, realizado no Espaço Cultural A Estrada, com a participação de artistas, professores e interessados que sempre têm prestigiado nossos momentos culturais, recheados também de declamações de poemas, causos e até de encenação teatral.

Dessa vez, o tema foi “Inquisição, ou Tribunal do Santo Ofício”, cujo palestrante foi o advogado Evandro Gomes Brito, uma autoridade no assunto em Vitória da Conquista, que não deixou escapar datas e nomes de inquisidores, uma passagem tenebrosa da Igreja Católica que pediu perdão à humanidade na pessoa do Papa João Paulo II.

Os trabalhos foram abertos pelo jornalista e escritor Jeremias Macário, que determinou tempo ao expositor, colocando as pontuações e considerações para o final, feitas pelo professor Itamar Aguiar, Alex Baducha, Jovino Moreira e outras pessoas. Na ocasião, o próximo evento, no início de dezembro, encerrando o ano, será “A História da Música Brasileira”, tema escolhido pela maioria.

NO CONCÍLIO DE VERONA

De maneira brilhante e com uma memória invejável, Evandro Gomes afirmou que a Inquisição da Igreja Católica Apostólica Romana teve início no Concílio de Verona, na Itália, pelo Papa Lúcio III, em 1184, com a finalidade de julgar e condenar as pessoas que não aceitassem os ensinamentos da Igreja, as quais poderiam ser queimadas nas fogueiras, ou serem presas, tendo seus bens confiscados em qualquer hipótese.

O Papa Inocêncio III, em 1198, colocou a inquisição em prática, através de São Domingos de Gusmão, que dizimou os albigeneses, no sul da França, incluindo mulheres, velhos e crianças. Quando alguém era acusado e preso por heresia, seria ouvido, sem defesa. O suposto herege sofria vários tipos de tortura.

“Concluído o inquérito, havia o auto de fé, com desfile dos condenados, todos vestidos de Sambenito, traje que identificava os hereges. O desfile seguia a um templo religioso. Após o sermão, os condenados eram conduzidos a uma grande praça, onde as fogueiras acesas os esperavam” – destacou o palestrante.

Evandro ainda citou os termos técnicos da inquisição, como Termo de Graça – edital convocando o povo para confessar suas culpas, ou denunciar terceiros, sob pena de serem punidos; renunciar aos crimes graves; abjurar de Levi – renunciar à sodomia, bruxaria e bigamia; e Termo de Segredo, onde o preso assinava o processo, comprometendo-se a nada revelar sobre o que passou com ele. O Papa Inocêncio IV (1243-1254) com a Bula “Ad Extirpanda” permitiu a tortura, em 1252.

Gomes ainda falou da Inquisição em Portugal, no início de maio de 1536 pela Bula do Papa Paulo III, na Espanha, em 1478 pelo Papa Sisto IV, com final em 1834. “Ai aparece o maior monstro do mundo, Dom Frei Tomás de Torquemada, que sentia o maior prazer em torturar e queimar um herege”. Teve ainda a Inquisição Medieval (do século XII ao XV) e a Moderna.

De acordo com ele, a inquisição e a tortura ainda continuam nos tempos atuais, ao citar o coronel Carlos Brilhante Ustra, inquisidor e torturador nos tempos da ditadura civil-militar de 1964. Muitas mulheres foram vítimas, como Joana D´Arc. No Brasil, os acuados eram lavados para Portugal, para serem punidos. Ressaltou também que a Igreja Católica chegou a canonizar muitos santos adeptos da tortura, como Santo Tomás de Aquino.

A atriz Edna Brito nos brindou com a encenação do belo poema “Tapiá”, de autoria de Carlos Jehovah, fazendo o papel de uma velha.  Jeremias Macário fez um comentário sobre o livro “No Armário do Vaticano – poder, hipocrisia e homossexualidade”, de Frédéric Martel, falando da rigidez dos prelados e cardeais que fazem cerrada oposição ao Papa Francisco, que deseja realizar aberturas na Igreja com relação a diversas questões, como o aborto, o celibato dos padres e o próprio homossexualismo, descrito na obra pelo autor. O professor Jovino fez uma breve apresentação do seu no livro L.I.D.E;R – Ideias e Princípios, lançado recentemente.

O professor Itamar fez algumas considerações sobre o assunto, descrevendo o histórico da religião católica até os nossos tempos atuais, concordando com os pontos apresentados por Evandro Gomes. O Sarau Colaborativo contou ainda com as presenças de Rozânia Gomes Brito, Tânia, Léu, Regina, Rosângela Oliveira, João Bezerra, Francisco, Graça Araújo, Dalva Magalhães, Clóvis Carvalho e Vandilza Gonçalves, a nossa anfitriã que nos serviu, no final, um saboroso ensopado de carneiro, acompanho de um vinho e uma geladas.