Está muito difícil falar em alimentação saudável no Brasil, o país campeão do mundo no uso de agrotóxicos, embora membros do atual governo contestem os dados, argumentando que isto é em razão da sua extensão territorial, e da grande área agricultável. Rebatem que, quando se compra o uso por hectare, o Brasil cai para o sétimo lugar e, por tonelada, para o 13º.

A nutricionista Sandra Chaves diz desconhecer esses indicadores, e confirma que o Brasil é o líder mundial no consumo de agrotóxicos, cerca de sete quilos por ano, “o que é um escândalo”. Comemos sete quilos de agrotóxicos por ano!  Para se ter uma ideia, em Barreiras, as lavouras de algodão são pulverizadas 35 vezes em um mês. “Isso se espalha no ar”.

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Ex-integrante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), extinto pelo novo governo destruidor, em 1º de janeiro deste ano, Sandra afirma que esteve em Mato Grosso e constatou casos de famílias inteiras intoxicadas. Não vi a mídia comentar nada sobre o Dia Mundial da Alimentação, no último 1º de outubro.

A verdade é que estamos nos alimentando de agrotóxicos, e ficam as pessoas e a própria imprensa recomendando que devemos ter uma alimentação saudável. Como? É até uma incoerência. Além desse absurdo, a nutricionista alerta que o Brasil pode voltar ao mapa da fome, denunciando violações quanto ao direito humano à alimentação.

Os alimentos no Brasil estão se tornando em verdadeiras drogas no organismo, talvez mais perigosos que a poluição do ar. No entanto, o cigarro é sempre o vilão da história. Em oito meses este governo liberou 353 agrotóxicos, verdadeiras bombas que matam em pouco tempo. Isso viola o direito a uma alimentação adequada.

A nutricionista destaca que existem 614 substâncias usadas como agrotóxicos no mundo. Dessas, apenas 97 estão proibidas no Brasil, e 517 venenos estão liberados. Muitas substâncias tóxicas não são mais aplicadas lá fora. A extinção do Consea, tal como de proteção e evolução dos direitos humanos.

No Conselho estavam presentes movimentos da agroecologia, da agricultura familiar e do pequeno produtor. De acordo com Sandra, suas demandas não estão presentes no legislativo, porque a bancada ruralista é a favor dos agrotóxicos. Pena que nada foi feito para que o Conselho voltasse a existir. Aos poucos estão nos retirando benefícios sociais e direitos adquirido e vamos aceitando passivamente, num caminho de retrocesso do país, quando deveria evoluir.

Somos mesmos submissos, individualistas e conformistas. Verdadeiramente, perdemos o senso de coletividade, deixando uma terrível herança para as novas gerações que já vivem alienadas há anos, deitadas em berço esplêndido.