setembro 2019
D S T Q Q S S
« ago   out »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

:: 9/set/2019 . 22:10

A DERROCADA DE UM IMPÉRIO QUE DOMINOU O MUNDO POR MIL ANOS

A escorcha dos impostos para sustentar os soldados mercenários; um exército corrompido que indicava e derrubava imperadores; a divisão do reino em dois, Oriente e Ocidente; o desgaste do povo (não mais acreditava no estoicismo racional greco-romano)  com os governos e os deuses que não mais satisfaziam seus desejos, preferindo aderir à pregação de uma nova religião chamada cristianismo que prometia vida e esperança além-túmulo; a debandada dos grandes proprietários de terras levando a agricultura ao atraso; a rebeldia de muitas províncias se tornando independentes; as lutas entre tribos e as invasões de bárbaros,  foram, entre outros, os principais fatores que contribuíram para o declínio do Império Romano a partir do século III da era cristã.

O livro “História de Roma”, do autor M. Rostovtzeff, faz uma análise profunda sobre o Império Romano, desde a sua formação tribal com lendas, mitologias e verdades, a época dos grandes reis, o tempo republicano, a revolução dos irmãos Gracos que buscaram implantar uma reforma agrária e foram assassinados, a tomada do poder imperial pelo grande general Caio Júlio César, a consolidação do império por Augusto, o chamado divino filho de César, as depravações e tiranias cometidas por imperadores como Calígula, Nero, Cômodo, Domiciano e outros, as divisões, a escravidão cruel imposta por Roma, a bonança nos séculos I e II, a evolução religiosa e a vida nas províncias até o declínio do Império e suas causas.

O DECLÍNIO

Destaca o escritor no final da sua obra que, após a época de Diocleciano e Constantino, o Império Romano continuou existindo por muitos séculos, dividido, porém, em duas partes, o Ocidental, tendo como capital Roma, e o Oriental, comumente chamado “Bizantino”, porque sua capital Constantinopla, ou Roma dos romaioi, fora fundada por Constantino no local da antiga Bizâncio. A estrutura que esses dois imperadores construíram era nova em seu todo, diferente das concepções greco-romanas, e mais de acordo com as teorias políticas do Oriente iraniano e semita.

Relata Rostovtzeff, que o Império Ocidental foi gradualmente se fragmentando em várias partes, que eram a Itália e as antigas províncias, governadas, em alguns casos, por chefes de diferentes tribos germânicas que haviam tomado alguma parte do mundo romano. Na época de Diocleciano, Constantino e seus sucessores, os germanos se sobressaiam no exército e na corte imperial. No Oriente, o processo de dissolução é mais lento e as velhas tradições são mantidas. A influência do Oriente é mais forte, e o governo tende a adaptar-se aos regimes mais despóticos. O centro de gravidade passa da península balcânica para a Ásia Menor.

QUEDA NA TÉCNICA AGRÍCOLA

Os países, de acordo com o autor, que haviam sido os principais centros da política entram em decadência, sendo substituídos pelas regiões da Ásia e Europa, com importância decisiva na história da humanidade. Antes desempenhavam papel secundário. Os antigos centros começam a entrar em declínio. As condições mais primitivas no âmbito social, econômico e intelectual tomam lugar das velhas instituições. Há modificação dos métodos agrícolas, passando do capital e do científico para rotinas primitivas do atraso. O solo passa a ser tratado por pequenos proprietários, cultivadores ou arrendatários.

Naquela época, o Império possuía muitas terras, mas o problema era encontrar agricultores que pagassem arrendamento, e trabalhadores que cultivassem o solo. A escassez de mão-de-obra era uma prova de que a população deixara de crescer. O baixo índice de natalidade e extinção das famílias se estendiam a outras camadas sociais. A migração da força de trabalho foi interrompida pelo declínio do comércio e da indústria. O lugar era preenchido por estrangeiros do Reno, do Danúbio, germanos, iranianos e eslavos. A inundação da força de trabalho de fora penetrou nas partes centrais do Império, aumentando ainda mais a queda da técnica agrícola e da produtividade.

A atividade industrial que abastecia o mercado local diminuiu sua produção, enfraqueceu e acabou morrendo, e com ela desapareceu o intercâmbio dentro do Império. Embora o Estado cuidasse do transporte do que era necessário à corte, o comércio se ocupava de vender artigos de luxo importados do Oriente, passando às mãos dos mercadores daquela região (sírios, levantinos e judeus). O esplendor oriental tinha grande atração para os germanos e iranianos que ocupavam altas camadas da sociedade.

A prosperidade das cidades foi minada por essas condições econômicas. As grandes resistiram por mais tempo. Ainda no século IV eram erguidos grandes edifícios em Roma, mas no século seguinte acontece a decadência. A nova capital, Bizâncio-Constantinopla, transformou-se na capital do mundo, de luxo abundante, adornada de uma arquitetura imponente nos palácios e igrejas. Alexandria, Cartago, Éfeso, Antioquia ainda sobreviviam, bem como Ravena, Mediolano (Milão),Trèves, Nicomédia e Nicéia, onde os coparticipantes do poder real mantinham suas cortes.

Desaparecimento da classe média

As igrejas cristãs e os mosteiros eram os únicos prédios novos. O mato começou a crescer nas cidades e os antigos edifícios entraram em deterioração. O aspecto social e econômico permaneceu o mesmo dos tempos de Diocleciano e Constantino, ou seja, conservou as mesmas feições do século III. O imperador com sua família e cortesãos, oficiais, altos prelados e a burocracia constituíam as classes superiores. Todos tinham bens, em proporções variáveis, principalmente de terras.

Na escala social vinham depois os negociantes e especuladores, na maioria semitas. A classe média urbana estava desaparecendo com suas antigas famílias se misturando à ralé que trabalhava para o Estado, ou entre a população rural (serva do poder ou dos grandes senhores). A escravidão, mesmo como instituição, foi perdendo sua importância econômica.

Cita o autor do livro, que a capacidade de trabalho decaiu, os gostos se vulgarizaram e um pequeno grupo de privilegiados foi entrando em decadência, como o nível intelectual. As escolas existiam, mas já não atraiam quase ninguém, a não ser entre as classes superiores que cuidavam de preparar seus alunos para o serviço público. A educação básica se resumia no aprendizado do grego, do latim e do conhecimento dos principais clássicos. Uma educação superior incluía a retórica (falar, escrever e estudar assuntos jurídicos).

A LEI DO MUNDO

:: LEIA MAIS »





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia