De algum lugar da selva,

de gente pobre submissa,

o guerrilheiro firme resiste

redigindo sua carta,

para sua adorada Marta,

acreditando na vitória,

de construir uma justiça,

para mudar nossa história.

 

De algum lugar da selva,

vive uma senhora lenhadora,

onde as réstias da luz do sol,

disputam espaços nas folhas,

revigorando o social ideário,

de um guerrilheiro solitário,

que foi crivado de balas

pela traiçoeira metralhadora.

 

Veio a fúria do vento forte,

cuspindo fogo pelas ventas,

no disfarce de uma chicória,

que com seu cutelo da morte,

devorou a nossa memória.

 

Sem o direito de nem pensar,

quanto mais de se expressar,

os contras foram torturados

e levados ao sacrifício do altar.

 

Os sobreviventes dos horrores,

ainda temem seus algozes,

como os cães mais raivosos

que ainda causam as dores,

ultrajando a nossa memória.

 

De uma noite para o dia,

a lua cheia ficou vazia;

foi-se embora toda ternura,

porque o carrasco teve anistia,

e a família do desaparecido

ficou sem fazer sua sepultura.

 

Pior ainda é perdurar as trevas,

sem a punição dos assassinos,

que executaram os meninos,

e agora querem outra vez voltar,

para massacrar e humilhar

quem já foi arrastado do seu lar.

 

Está entalado em nossa garganta,

o grito proibido da verdade

dessa memória ultrajada,

que ainda não saiu do porão,

para punir toda brutalidade,

dos generais de plantão.