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:: 6/set/2019 . 23:18

UMA DEMOCRACIA DO MEDO E UMA OPOSIÇÃO COM PALAVRAS DE ORDEM

Reage Brasil! Nossa pátria está sendo desmantelada e estamos na boca de uma ditadura, num governo civil mais militar da sua história, como assinalou o escritor Luiz Veríssimo, ao fazer um veemente apelo para esquecermos nossas diferenças, porque isso é uma zona de guerra.

Ao ataque contra os brasileiros, o Brasil precisa repetir os movimentos organizados do tipo das “Diretas Já”, a “Passeata dos 100 Mil”, na Cinelândia, “Os Caras Pintadas dos Jovens”, e outros tantos que marcaram nossa história mais recente, num palanque unido de lideranças políticas progressistas, estudantes, professores, operários, intelectuais e artistas para, numa só voz, dar um basta nessas agressões ao nosso povo e às instituições democráticas, as quais estão ameaçadas de sucumbir, para dar lugar a um totalitarismo tupiniquim.

Todos têm que caminhar juntos porque “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, como alerta a canção do poeta. Não mais funciona esses protestos desorganizados com palavras soltas de ordem, nem bravatas nas redes sociais com xingamentos. Para ele, qualquer adversário é um comunista potencial de alta periculosidade que merece ser eliminado, e vai continuar nos ofendendo e nos chamando de vagabundos, como fez com o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que teve seu pai Fernando Santa Cruz morto pela ditadura civil-militar em 1974. Como se não bastasse, atacou a Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, cujo pai, Alberto Bachelet, foi morto pelo sanguinário Augusto Pinochet, elogiado pelo dito cujo capitão-presidente.

O AVANÇO DA EXTREMA

Primeiro foi o avanço conservador dos evangélicos na política, uma bancada ruralista gananciosa em destruir o meio ambiente e uma corja da bala engatilhada para matar, todos destilando ódio. Para representar essa mistura indigesta de ultradireita nazifascista, aparece na plateia uma figura inexpressiva, mas raivoso, homofóbico e misógino o suficiente para agredir mulheres, gays, ativistas sociais, defensores da liberdade e dos direitos humanos, vítimas da ditadura e se posicionar a favor dos torturadores, pregando soberania nacional e patriotismo. Na sua visão maluca moralista, como se estivesse ainda numa guerra fria, onde o comunismo era e ainda é para ele o satanás, todos são vagabundos e inimigos da nação, uma terra fértil para semear suas ideias.

Do outro lado, uma esquerda desvairada com  palavras de ordem de é “nós contra eles” (ainda continua até hoje), que se juntou a uma escória da pior espécie e confabulou para roubar e tirar proveito próprio, colocando como escudo de proteção para montar suas tramas em nome do poder, as políticas públicas e os programas sociais de melhorias das camadas mais pobres.

No início, todos confiaram no altruísmo de tudo mudar através da ética, da transparência, da honestidade, do combate aos corruptos e aos oportunistas safados da política. No entanto, houve uma explosão de escândalos e desmandos. Os ratos aliados deixaram o barco, e o mingau desandou de vez. O ciclo ruiu, o castelo desmoronou e o reino se dividiu com rangeres de dentes caninos.

O BRASIL EXCLUÍDO

Nesse cenário de desordenamento político, onde o bem do Brasil foi o maior excluído, em detrimento da individualidade ideológica e do interesse partidário corrompido, era previsível e estava notório que a extrema-direita estava ocupando seus espaços. Desenhei este quadro há anos, embora ninguém acreditasse, alegando que não havia clima para tanto, que as instituições estavam fortes e firmes para afastar qualquer lunático.

Como num filme de terror, o cara se apresentou com sua motosserra destruidora de ataques à liberdade, prometendo “limpar a área” no que ele mesmo classificou de lixo e vagabundos os ativistas da igualdade de gênero, da preservação do meio ambiente e da elevação do nível de conhecimento através da educação, da cultura e da pesquisa científica.

Praticamente, ninguém acreditou no doido, nem que a extrema chegasse ao poder, mas o país inculto, dividido e cheio de ódio, resolveu dar uma resposta ao outro lado através do voto, como forma de vingança contra aquele que se dizia uma jararaca, e que para matá-la tinha que pisar em sua cabeça. A esquerda (uma parte continua no seu próprio pedestal) ainda insiste manter suas palavras de ordem, enquanto o Brasil do “Bozó”, eleito numa democracia do medo, está sendo constantemente atacado com os cortes na educação e na pesquisa.

TERRA ARRASADA

Este Brasil assiste triste a negação da ditadura, e ouve elogios aos torturadores. Tem que aturar todos os dias o seu discurso nacional fascista de desmantelamento das instituições, desrespeitando e colocando nelas nomes da sua linha extremista e sem mérito. Este Brasil está sendo massacrado pela sua política de terra arrasada ao meio ambiente, em favor dos ruralistas, e seus filhos, que ainda não optaram pelo silêncio, sendo chamados de bandidos comunistas.

Assim, o cara despreparado e imbecil vai encontrando terreno para atacar de todos os lados, sem encontrar resistência da oposição que se fecha em suas quadras individuais, com palavras de ordem. Ninguém quer falar num pacto democrático para repudiar e combater o autoritarismo que vai avançando com sua tropa de armas nas mãos, que já anuncia a censura, o fim da Ancine, como ocorreu com a Embrafilme no tempo de Collor, e inclui todos progressistas de esquerda como adversários comunistas vagabundos que precisam ser torturados e morrer.

ESMAGADOS PELO RETROCESSO

O cara está transformando o Brasil numa republiqueta primitiva, símbolo do atraso, com uma “democracia” ao seu estilo, e não se sabe quando seus seguidores vão despertar para a realidade do mal, se isso vai acontecer um dia. Aos poucos, os brasileiros vão sendo esmagados e triturados pela máquina do retrocesso, caindo na miséria intelectual, social e política. É como se fosse a invasão de um extraterreno tomando nosso planeta particular, roubando as esperanças do viver livre.

Em oito meses de destruição (a Amazônia em Chamas), ele e sua tropa, nomeada pela sua linha extremista, já adotaram atos de censura, como agora com uma revista no Rio de Janeiro; indicaram, sem consulta, um Procurador Geral da República e o filho do chefe para a Embaixada dos Estados Unidos; pretendem fechar a UNE -União Nacional dos Estudantes e a Ancine (Agência de Cinema); querem expulsar os indígenas de suas reservas;  cortaram verbas da educação e da pesquisa, sem contar as inúmeras barbaridades proferidas contra nossa gente que ainda acredita num Brasil melhor.

No exterior, a imagem do nosso Brasil, tão admirado pelo seu futebol, seu samba e um povo alegre e acolhedor, é a pior possível, devido à sua política retrógrada e as ofensas preconceituosas contra a esposa do presidente francês e a primeira ministra da Alemanha, Ângela Merkel. Em sua cabeça doentia psicopata, ditadura só existe de esquerda, e ainda propaga que seu governo não tem ideologia. De tanto falar da Venezuela, o Brasil está virando uma, só que às avessas, por uma trilha fascista de ultradireita, conservadora e primitiva, onde já estamos na etapa da democracia do medo, com uma oposição  que insiste em flutuar nas palavras de ordem.

 

 

SUSPENSO NO AR

De um lado, a tecnologia destrói o ser humano quando este se deixa levar pelo vazio material do simples prazer egoísta, mas, do outro lado, leva conforto, conhecimento e lazer quando é bem utilizada com sabedoria, como no bonde do Corcovado, no Rio de Janeiro – um flagrante do jornalista Jeremias Macário em suas andanças da vida – que suspenso no ar nos oferece uma bela vista da cidade maravilhosa. Pena que do alto podemos ver outra triste realidade dos morros violentos onde manda a lei do fuzil e da metralhadora. Lá embaixo temos paisagens lindas e feias, infelizmente, um retrato do contraste do nosso Brasil, tão desigual, e agora sendo atacado pelo retrocesso de um maluco desembestado que quer crivar nossa democracia de balas.

MEMÓRIA

De algum lugar da selva,

de gente pobre submissa,

o guerrilheiro firme resiste

redigindo sua carta,

para sua adorada Marta,

acreditando na vitória,

de construir uma justiça,

para mudar nossa história.

 

De algum lugar da selva,

vive uma senhora lenhadora,

onde as réstias da luz do sol,

disputam espaços nas folhas,

revigorando o social ideário,

de um guerrilheiro solitário,

que foi crivado de balas

pela traiçoeira metralhadora.

 

Veio a fúria do vento forte,

cuspindo fogo pelas ventas,

no disfarce de uma chicória,

que com seu cutelo da morte,

devorou a nossa memória.

 

Sem o direito de nem pensar,

quanto mais de se expressar,

os contras foram torturados

e levados ao sacrifício do altar.

 

Os sobreviventes dos horrores,

ainda temem seus algozes,

como os cães mais raivosos

que ainda causam as dores,

ultrajando a nossa memória.

 

De uma noite para o dia,

a lua cheia ficou vazia;

foi-se embora toda ternura,

porque o carrasco teve anistia,

e a família do desaparecido

ficou sem fazer sua sepultura.

 

Pior ainda é perdurar as trevas,

sem a punição dos assassinos,

que executaram os meninos,

e agora querem outra vez voltar,

para massacrar e humilhar

quem já foi arrastado do seu lar.

 

Está entalado em nossa garganta,

o grito proibido da verdade

dessa memória ultrajada,

que ainda não saiu do porão,

para punir toda brutalidade,

dos generais de plantão.





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