Como na frase de Curisco “Eu não me entrego não”, assim tem sido a nossa expressão cultural no Brasil diante das intempéries, dificuldades e retrocessos de muitos governantes como do atual que já fala em censura e até em acabar com a Ancine. Uma das resistências tem sido o cinema e, no caso específico, a 14a Mostra de Cinema de Conquista, que está sendo realizada no Centro Cultural Camilo de Jesus Lima, de 1º a 6 de setembro, com curtas, longas, mesas temática, oficinas, conferências, homenagens e artes.

Nesta Mostra, o homenageado é o baiano de Vitória da Conquista, cineasta Glauber Rocha, que estaria completando 80 anos se vivo estivesse com apresentação de muitos mais filmes em sua trajetória de transformação, com uma máquina e uma ideia na cabeça. O que ele hoje estaria dizendo e esbravejando sobre este governo que se posiciona como inimigo da cultura, cortando verbas da educação e falando impropérios contra os nossos artistas? Talvez fazendo outra versão de Terra em Transe, ou Deus e o Diabo na Terra do Sol.

UMA REPÚBLICA LIVRE

Ontem, no documentário “1798 – Revolta dos Búzios”, de Antônio Olavo, onde retrata fato histórico que aconteceu na Bahia no final do século XVIII, quando centenas de negros, inspirados na Revolução Francesa de 1789, conspiraram para derrubar o Governo Colonial, proclamar a independência e implantar um República livre no Brasil, abolindo a escravatura, centenas de estudantes ocuparam o Centro de Cultura para conhecer este episódio, há séculos desconhecido dos alunos e por muita gente. Quem não conhece sua história e seu passado é um submisso da ignorância, e é utilizado como massa de manobra.

Outros filmes nacionais de importância seguem até o dia 6 na programação da 14ª Mostra de Cinema Conquista, que tem o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia, da Diretoria Audiovisual do Estado, do Centro de Cultura, da TV Sudoeste, da Cervejaria Devassa e do restaurante  Mário do Sertão. Conta também com apoio institucional da UESB -Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É uma produção do Movimento Cultural e Arte e realização do Instituto Mandacaru de Inclusão Sociocultural. Tem ajuda financeira da Prefeitura Municipal de Conquista e do Governo do Estado.

A Mostra não está sendo realizada apenas no Centro de Cultura, mas também conduzida para outros cantos do município, como aos distritos de Baté-Pé, Iguá, Inhobim, Pradoso e São Sebastião, e ao Bairro da Urbis VI, com entrada franca. Na sua 14ª edição, a Mostra já é um evento consolidado que acontece todos os anos em Conquista, que sempre prestigiou o cinema nacional de autores baianos e brasileiros, na terra de Glauber, que transpôs fronteiras e tem reconhecimento internacional, com suas obras provocativas e polêmicas, típicas do seu temperamento explosivo e até mesmo imprevisível em muitos momentos da sua história.

É, sem dúvida, uma iniciativa louvável, mas Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, carece de outras atividades culturais que contemplem as demais linguagens artísticas, como a literatura, a música, as artes plásticas, a dança e o teatro, principalmente, isto girando em torno da implantação de uma política cultural planejada. Precisamos, por exemplo de uma feira do livro, de um festival da música e de uma exposição de artes plásticas que prestigiem e estimulem os talentos da terra e da região.