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:: 4/set/2019 . 22:33

AINDA AS MULTAS GERARAM POLÊMICAS NA SESSÃO DA CÂMARA

Um bate-boca entre o presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, Luciano Gomes e o vereador David Salomão abriu os debates na sessão de ontem (dia 04/09) do legislativo sobre a questão das indicações feitas pela Casa nos três últimos anos e não cumpridas pelo poder público, mas as multas de trânsito ainda foram motivo de polêmicas, como nas reuniões passadas.

Na maioria dos pronunciamentos dos vereadores, percebe-se uma inversão das funções do legislativo, cujo principal papel é fiscalizar o executivo. Nessa troca de valores, o parlamentar passou mais a se preocupar em construir e mostrar obras para seus eleitores do que fiscalizar as ações do governo. Com o passar do tempo, implantou-se no Brasil a cultura do assistencialismo onde o parlamentar está mais preocupado em propor indicações e cobrar emendas do que fiscalizar o executivo.

AS MULTAS

O primeiro a falar foi o decano Álvaro Phiton que fez referência ao trabalho do ex-prefeito já falecido José Pedral no distrito José Gonçalves, numa forma de chegar ao que Hérzem Gusmão vem realizando lá no seu atual governo, mas veio à tona o assunto das multas quando o parlamentar desmentiu e desafiou quem provasse as notícias de que a Secretaria de Mobilidade Urbana estivesse aplicando multas no local contra motoristas.

Ai o colega Edmilson Pereira usou a palavra para comprovar, através de imagens de celular e notificações, que os agentes da Secretaria fizeram diversas autuações no distrito de José Gonçalves, conforme foi noticiado. Álvaro afirmou que as informações chegadas se tratavam de boatos. Foi o bastante para o parlamentar Rodrigo Moreira também criticar a ação da prefeitura, condenando a intenção de assim agir para aumentar a arrecadação.

Na ocasião, Moreira anunciou que entrará com um pedido de requerimento para que o secretário da pasta compareça à Câmara para explicar possíveis declarações suas de que existe uma meta para atingir nas cobranças das multas no município. Em sua opinião, deve haver uma orientação humana e educacional, e não o intuito de transformar o processo numa “indústria das multas”. Existem 22 câmaras vigiando o trânsito na cidade.

O vereador Sidney Oliveira voltou a tratar do problema da rotatória do aeroporto Glauber Rocha, na BR-116, de acordo com ele, uma “rotatória da morte”, onde em pouco tempo já ocorreram dois acidentes. Disse que o Governo do Estado precisa com urgência construir um viaduto no local antes que aconteça uma tragédia.

INDICAÇÕES E LITÍGIO

Sobre a discussão entre o presidente da Câmara e David Salomão, o assunto girou em torno das indicações. Salomão queria que a Casa incluísse as indicações de obras não concretizadas pelo atual prefeito na lei orçamentária para 2020, no que Luciano Gomes rebateu que não seria possível fazer isso. O debate se acirrou, e Salomão ameaçou entrar com um pedido de impeachment contra o executivo, no que Luciano respondeu que estava no seu direito.

Outro problema levantado pelos vereadores Coriolano Moraes e Bibia foi quanto o litígio entre os municípios de Conquista e Anagé no que diz respeito ao limite de fronteiras onde estão situados mais de 30 povoados, os quais podem ficar com Anagé pelo andamento das discussões na Assembleia Legislativa do Estado. Os parlamentares defenderam que haja um plebiscito entre os habitantes locais para se chegar a um consenso.

Na sessão de ontem, o presidente da Associação dos Moradores de Lagoa das Flores, Marcelo Brito, usou a Tribuna Livre para reivindicar melhorias para o bairro, maior produtor de horticultura do município. Ele listou ruas esburacadas, falta de drenagem (alagamentos nas casas quando chove), iluminação precária, deficiência dos serviços nas áreas da saúde e na educação, dentre outras necessidades, que o poder público tem deixado de realizar.

 

A MOSTRA DE CINEMA CONQUISTA CONTINUA RESISTINDO POR 14 ANOS

Como na frase de Curisco “Eu não me entrego não”, assim tem sido a nossa expressão cultural no Brasil diante das intempéries, dificuldades e retrocessos de muitos governantes como do atual que já fala em censura e até em acabar com a Ancine. Uma das resistências tem sido o cinema e, no caso específico, a 14a Mostra de Cinema de Conquista, que está sendo realizada no Centro Cultural Camilo de Jesus Lima, de 1º a 6 de setembro, com curtas, longas, mesas temática, oficinas, conferências, homenagens e artes.

Nesta Mostra, o homenageado é o baiano de Vitória da Conquista, cineasta Glauber Rocha, que estaria completando 80 anos se vivo estivesse com apresentação de muitos mais filmes em sua trajetória de transformação, com uma máquina e uma ideia na cabeça. O que ele hoje estaria dizendo e esbravejando sobre este governo que se posiciona como inimigo da cultura, cortando verbas da educação e falando impropérios contra os nossos artistas? Talvez fazendo outra versão de Terra em Transe, ou Deus e o Diabo na Terra do Sol.

UMA REPÚBLICA LIVRE

Ontem, no documentário “1798 – Revolta dos Búzios”, de Antônio Olavo, onde retrata fato histórico que aconteceu na Bahia no final do século XVIII, quando centenas de negros, inspirados na Revolução Francesa de 1789, conspiraram para derrubar o Governo Colonial, proclamar a independência e implantar um República livre no Brasil, abolindo a escravatura, centenas de estudantes ocuparam o Centro de Cultura para conhecer este episódio, há séculos desconhecido dos alunos e por muita gente. Quem não conhece sua história e seu passado é um submisso da ignorância, e é utilizado como massa de manobra.

Outros filmes nacionais de importância seguem até o dia 6 na programação da 14ª Mostra de Cinema Conquista, que tem o apoio cultural do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia, da Diretoria Audiovisual do Estado, do Centro de Cultura, da TV Sudoeste, da Cervejaria Devassa e do restaurante  Mário do Sertão. Conta também com apoio institucional da UESB -Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. É uma produção do Movimento Cultural e Arte e realização do Instituto Mandacaru de Inclusão Sociocultural. Tem ajuda financeira da Prefeitura Municipal de Conquista e do Governo do Estado.

A Mostra não está sendo realizada apenas no Centro de Cultura, mas também conduzida para outros cantos do município, como aos distritos de Baté-Pé, Iguá, Inhobim, Pradoso e São Sebastião, e ao Bairro da Urbis VI, com entrada franca. Na sua 14ª edição, a Mostra já é um evento consolidado que acontece todos os anos em Conquista, que sempre prestigiou o cinema nacional de autores baianos e brasileiros, na terra de Glauber, que transpôs fronteiras e tem reconhecimento internacional, com suas obras provocativas e polêmicas, típicas do seu temperamento explosivo e até mesmo imprevisível em muitos momentos da sua história.

É, sem dúvida, uma iniciativa louvável, mas Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, carece de outras atividades culturais que contemplem as demais linguagens artísticas, como a literatura, a música, as artes plásticas, a dança e o teatro, principalmente, isto girando em torno da implantação de uma política cultural planejada. Precisamos, por exemplo de uma feira do livro, de um festival da música e de uma exposição de artes plásticas que prestigiem e estimulem os talentos da terra e da região.





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