Vamos aterrar o Pantanal para fazer pastagens, plantar soja, milho e criar boi; derrubar toda floresta amazônica; transformar Angra dos Reis numa Cancun mexicana; colocar uma arma na mão de cada cidadão para se proteger dos bandidos; pegar o Fundo da Amazonas para indenizar terras dos invasores de reservas de proteção ambiental; mudar as estatísticas do Inpe; colocar coronéis e fazendeiros à frente das principais instituições de pesquisa para alterar os dados; desmentir a ditadura e negar tudo que aconteceu de ruim nela, como as torturas, desaparecimentos e mortes; e ensinar o brasileiro a fazer cocô dia sim, dia não.

Oh, Senhor, quanta mediocridade e incapacidade num país de tanta vitalidade e infinitas possibilidades de se tornar uma grande nação desenvolvida, sem tantas desigualdades sociais, pobreza e miséria! Terminamos um ciclo prolongado de Fernando Henrique e Lula, e entramos agora noutro bem pior, de retrocessos e atrasos, onde um projeto neoliberal atabalhoado de mente colonial se faz prevalecer com maior ênfase. A reforma da Previdência Social é colocada como salvação, e depois vamos esquartejar as estatais e vender aos capitalistas estrangeiros a preço de banana.

No lugar disso, o BNDES, que possui ações em milhares de empresas nacionais e multinacionais poderia vender suas participações e, com esse dinheiro, o governo poderia investir em milhares de obras que estão paradas pelo Brasil por falta de recursos. Além de concluir a construção dessas obras, muitas das quais em estado de sucateamento, esse investimento alavancaria o mercado e geraria milhões de empregos, tirando o país da estagnação econômica.

Sem clima para investidores

Nesse marasmo de mediocridades, no qual navega o Brasil, existe clima para atrairmos investidores de fora? Não é favorecendo o patronato, massacrando os trabalhadores, abolindo as leis de proteção ao meio ambiente, expandindo o uso de agrotóxicos nas lavouras e acabando com os quilombolas e as reservas indígenas que vamos tornar o Brasil competitivo em relação às outras nações desenvolvidas.

Ainda não saímos da dependência dos produtos primários (cereais, ferro, grãos e outros) para conseguirmos saldos na balança comercial (Exportações e importações). Somos grandes fornecedores de tecidos, sapatos, algodão, soja, milho, café, carnes, petróleo cru e outros alimentos, para adquirirmos produtos industrializados, sobretudo da química fina, como nos tempos coloniais.

Somos um poço de incapacidade, com uma educação inadequada e caduca, que nos impede planejar e projetar o país no panteão das outras nações bem mais adiantadas e competitivas. Temos muitas cabeças pensantes e talentos adormecidos porque pouco investimos e pesquisas, sem contar a preferência pela mediocridade, principalmente agora que entramos no vão seco do retrocesso de extrema-direita que manda destruir o que aos poucos estava sendo construído, por pura birra ideológica. Nesse ritmo de ciclos tortuosos para o pior, estamos todos perdidos, ou somos uma nação perdida, sem futuro?

Alianças monstruosas

Entre mais de vinte anos tivemos ciclos alternados de poder entre dois partidos (PSDB e o PT), que só fizeram brigar entre si e se aliaram com o que existia da pior espécie, de mais sinistro, monstruoso e bizarro. Nunca pensaram, em termos coletivos, construir um Brasil que não fosse hoje um símbolo de retrocesso lá no exterior. A nossa educação, a saúde e o saneamento básico só fizeram regredir. A pobreza extrema e a miséria crescem.

Estamos nesse buraco profundo graças ao oportunismo e a picaretagem individualista deles que só pensaram em tirar proveito próprio para se locupletarem e se manterem no poder. Tudo isso gerou o que é de pior. Continuamos com mente colonial de péssimo gosto, e a plateia ignara só faz aplaudir e a xingar a outra parte de satanás, sem cair na consciência política de que somos, na verdade, um poço de mediocridade e incapacidade num Brasil tão grandioso. Não passamos de bucha de canhão.

Enquanto isso, o povo briga nas ruas, ao invés de se unir, dando um aval para que este poder de retrocesso se perpetue. Sem a capacidade do pensar coletivo, grupos e indivíduos se fecham num discurso e numa retórica pragmática, sem perspectivas de mudanças. Não temos oposição e lideranças fortes para reverter este quadro de mediocridade e incapacidade. Como se não bastasse o risco de um autoritarismo, estamos alimentando este ciclo do pior para que ele perdure por mais tempo.