Dentre os sucessores de Augusto que mantiveram o Império mais metódico nos dois primeiros séculos da era cristã, Cláudio, Vespasiano e Adriano realizaram um trabalho mais frutífero. Tudo se concentrava nas mãos do imperador através de um Escritório Central (editos, cartas, finanças, petições), e os chefes de departamento assumiam o caráter de ministros. As decisões dos tribunais eram presididas pelo imperador, funcionando como juiz de apelação.

Para os diferentes ramos dos assuntos, o Escritório Central dividia-se em departamentos, e cada um era supervisionado por um chefe ( liberto ou servo pessoal). A partir de Oto passou a ser por um funcionário (rationibus) da classe equestre. O mais importante era o departamento das finanças, incluindo as propriedades do imperador (rationes).

O papel dos magistrados

O súdito comum, com exceção do habitante da capital, estava muito menos em contato com os representantes do governo do que em qualquer Estado moderno. Os magistrados eletivos da comunidade faziam a ponte entre o homem da rua e o Estado. Eles tinham completo controle da cidade e seus assuntos. Eram juízes de primeira instancia e davam ordens à polícia.

Atuavam ainda como agentes do governo na estipulação e coleta dos impostos, e impunham ao povo outras obrigações, como a construção e a conservação das estradas, o transporte dos funcionários, dos bens e do correio do governo. O imperador vigiava todos os atos dos governadores e estes sabiam que nas reuniões anuais estavam sujeitos a queixas contra atos violentos e ilegais praticados por eles no poder.

Neste período, grandes números das cidades estavam mergulhados em dívidas, incapazes de administrar suas finanças. Então, foram criadas comissões para estudar os fatos. No tempo de Trajano, inspetores (curatores) passaram a exercer tal função, cobrando providências das autoridades municipais. Só uns poucos departamentos eram controlados pelos imperadores, que cuidavam de suas imensas fortunas.

Além dos agentes, outro grande número de procuradores, atuando nas provinciais, recolhia também impostos diretos e supervisionava as receitas e as despesas, incluindo o pagamento do exército e o custo da administração do domínio estatal. Eles eram numerosos e ricos no Egito. Com o tempo, os imperadores resolveram estender a cobrança de impostos sobre heranças, escravos libertados, leilões e sobre importações e exportações. A princípio, eram fiscais especiais e depois a tarefa passou a ser exercida por funcionário nomeados pelos imperadores.

Exército de soldados e funcionários

Com o tempo, o imperador viu-se não só à frente de um exército de soldados, mas também de funcionários nomeados, pagos e julgados por ele. Em épocas remotas, os postos mais altos pertenciam às classes equestres (vir egregius, ou vir perfectissimus), e as funções inferiores exercidas pelos libertos e escravos. O título de vir claríssimus era reservado aos senadores.

Os equestres recebiam entre 60 mil a 300 mil sestércios e podiam tornar-se  comandantes da guarda pretoriana (praefctus praetorio), ou governador do Egito, e até mesmo controlador do fornecimento de cereais (paefectus annonae). Podiam ainda comandar o corpo de bombeiros, ou servir como procuradores nas províncias.

Como pontifex máximo, o imperador era o chefe da região estatal, sendo venerado em todo o Império. No entanto, a vida religiosa de seus súditos não era afetada pelo Estado. Ele não tinha ligação direta com a administração da Justiça e com a codificação do Direito Civil ou Criminal. Essas funções eram dos tribunais locais, tanto na Itália como nas províncias. O Direito Romano e os códigos penais por vezes entravam, em conflito, especialmente na Grécia.

Como governador de muitas províncias, o imperador no papel de apelação, proferia sentenças nos casos mais importantes. Como chefe do exército, elaborava as principais regras do Direito Militar e, como chefe da administração financeira, fazia com que os procuradores elaborassem um esquema de relações legais.

O Direito Romano

Assim foi se formando a estrutura geral do Direito Romano sob o império, e foi codificado mais tarde por dois imperadores, Teodósio  e Justiniano. A responsabilidade do imperador se limitava à defesa das fronteiras e ao policiamento dos mares.

A ordem dentro do Estado era mantida pelas organizações municipais através da polícia local. A segurança e a ordem das estradas militares eram garantidas pelos destacamentos de soldados e a uma polícia militar estacionada nos pontos mais perigosos. Os soldados também vigiavam as pessoas com atuação política suspeita. A polícia secreta aumentou bastante no governo de Adriano.

Rede de estradas

Os imperadores criaram uma rede de estradas como a humanidade não havia nunca sonhado. Era dever da autoridade locai abrir estradas menos importantes, e o imperador o mantinha em observação. Roma era a filha mimada, com fóruns espaçosos, cercados de esplendidos templos e edifícios públicos.

Distribuição gratuita de pão

Seguindo o passo de Pompeu, os novos senhores de Roma transformaram o Campo de Marte numa fileira de majestosos edifícios em memória dos mortos, cercados de parques. Os imperadores puseram em prática uma série de medida sistemáticas de higiene e controle policial. Controlavam e supervisionavam os aquedutos e canais de drenagem para proteger as cidades das enchentes. Reforçaram as margens do Tibre e construíram um cais de pedra. Determinaram que as ruas fossem varridas e mantidas a ordem. Organizaram o abastecimento de alimento e regulamentaram a distribuição gratuita de pão, como instituição permanente.

Outra preocupação dele era no sentido de que o povo tivesse diversão permanente e mantidos os estabelecimentos de banho para a hora de lazer. No entanto, o governo imperial pouco e preocupava com a educação popular, como há muitos anos acontece no Brasil e na América de hoje. O povo tinha que cuidar da educação de seus filhos.

Todas escolas possuíam ginásios, nos quais os jovens recebiam preparo físico e mentais, bem como biblioteca pública com livros em números suficientes. Os fóruns, edifícios públicos e os templos eram verdadeiros museus de escultura e pintura. Os jogos e competições mantinham o interesse dos jovens pelo atletismo, música e dança.

Essas vantagens, entretanto, se limitavam às classes superiores e à cidade. As autoridades municipais davam pouca atenção às aldeias e ao filho do pobre. Os imperadores pouco faziam pela educação dos jovens. Mantinham em Roma algumas bibliotecas. Financiavam a biblioteca e o museu de Alexandria, Patrocinavam somente os homens de destaque na ciência, literatura e na arte

Eles mantinham esses homens isolados da vida intelectual, com uma rigorosa censura sobre todos escritos considerados sediciosos. Somente quando a pobre começou a colocar em perigo as instituições, os imperadores começaram a se preocupar  e a pagar certo número de metres e professores. Era esse o sistema de governo do Império Romano. Dava incentivo à unidade local (cidade de governo próprio). Porém, aos poucos, isso foi substituído  pelo agente e servo do imperador  Esse processo teve início  nos dois primeiros séculos da era cristã, e não foi muito adiante com os problemas políticos  e sociais que Roma passou a atravessar no século III.