Os sucessores de Augusto na era cristã procuraram manter uma paz permanente, sem guerra externa e revolução interna na Itália e nas províncias. Com base na Idade Helênica, de acordo com o autor de “História de Roma”, M. Rostovtzeff, Roma teve a missão de receber o maior número de povos na civilização plantada pelo Oriente, regada pelos gregos.

Nos dois séculos de paz (1 e 11), Espanha, Grã-Bretanha, Gália, parte da Germânia, norte da península balcânica e litoral norte da África absorveram tal civilização em sua forma ocidental. “O Império Romano nunca tentou ser um Estado mundial do tipo nacional. Houve sempre a busca por manter a estrutura, mesmo durante os choques do III século. Essa cultura era a mesma  toda parte, a de associação de homens com hábitos e interesses comuns.

Base da vida social e econômica

No Império, as cidades tornaram-se a base da vida social e econômica em todas as partes, inclusive onde as populações nativas levavam uma vida tribal, e na Espanha onde só existiam cidades gregas ou fenícias no litoral e leste. O mesmo acontecia na África nas cidades fenícias pertencentes ao período da supremacia cartaginesa. Poucas foram fundadas por colonos italianos, e sim pela população nativa, viando pertencer a um Estado organizado.

No fim da guerra social de 89 a.C., todas as cidades italianas eram habitadas por cidadãos romanos e todas possuíam um governo próprio com relações idênticas com Roma. A forma habitual de comunidade nas províncias era a cidade habitada pelos provinciais, sob a supervisão de um governador romano que pagava impostos sobre a terra a Roma.

As cidades aliadas de Roma gozavam de privilégios assegurado pelos tratados, como a isenção de imposto (immunitas). Qualquer comunidade provincial tinha três possibilidades, tais como, ser colocada no nível das comunidades aliadas e um autogoverno; receber direitos de colônia romana ou latina; ou ser incluída na categoria de “municipia romanos”. O Império tornou-se, aos poucos, uma vasta federação de cidades, num Estado Único.

Quatro partes

O Império podia ser dividido em quatro partes, com base no histórico das diferentes províncias. Primeiro, um grupo celta (Gália, Espanha, Grã-Bretanha e as áreas alpinas). Em seguida, Cartago (Sardenha, África, Numídia e Mauritânia). Terceiro lugar, a região do Danúbio (ilírios, trácios e celtas). E, Finalmente, a Ásia Menor e Síria.

No caso dos celtas, antes da conquista predominava um sistema tribal, governado pelas famílias nobres. A primeira região celta anexada foi a costa sul da Espanha e da Gália. Nela foi feita a instalação de colônias (cidades fortificadas habitadas por romanos, principalmente soldados). Esses postos atraíram as classes superiores das populações nativas e parte dos menos favorecidos (artesãos, pequenos comerciante e trabalhadores do transporte e da construção).

 Anexações mais amplas foram feitas depois por César (Espanha) e por Augusto na região alpina, enquanto a Grã-Bretanha era conquistada por Cláudio e seus sucessores. César dividiu os territórios em distritos administrativos (aldeias) onde a população pudesse se concentrar para o culto da deusa Roma e do imperador romano.

A aristocracia também dirigia, como dominante, a vida local das tribos, sob controle dos governadores romanos, legados do imperador. Aos poucos, os centros se transformaram em cidades, parecendo com as gregas e italianas, adquirindo as formas externas e a substância de autogoverno, como o sistema social da Cidade-Estado. As civitas celtas evoluíram para a cidade romana, podendo receber títulos e privilégios de um municipium.

A colonização na África

A África também foi passível de colonização. Colonos italianos reuniram-se aos poucos nas cidades fenícias e berberes já existentes. Durante as guerras civis e no Império, algumas delas foram colonizadas com veteranos romanos, aos quais o governo fez consideráveis doações de terras. A população aumentou, a aldeia se organizou como cidade e tornou-se centro natural de um território.

Após a anexação de Cartago e suas aliadas, a nova província da África atraiu a atenção dos grandes capitalistas romanos, que cultivavam parte das terras com o trabalho escravo, tal como na Itália. Empregavam também os nativos e os colonos italianos, para os quais concediam arrendamentos temporários ou permanentes, desde que transformassem o solo inculto em cereais e hortas.

Os maiores proprietários foram os chefes revolucionários durante as guerras civis, e depois os imperadores. No início do Império, o conflito com o Senado transferiu para o imperador as vastas propriedades dos senadores condenados e executados, até que ele chegou a possuir grande parte do território africano.

O desenvolvimento do litoral ilírio-adriático foi igual ao da Espanha e Gália. O ilírico foi uma das mais antigas províncias romanas, pois cidades gregas já existiam ali muito antes. Quanto aos trácios, a população possuía em comum a terra cultivada.

Fronteiras militares

Todos territórios estavam cercados por uma série de fronteiras militares, formando uma linha do Mar Negro ao longo do Danúbio, e dali ao Reno até o mar do Norte. Uma fronteira semelhante defendia a Grã-Bretanha romana da Escócia independente, e a província da África dos nômades do deserto e das tribos selvagens das montanhas do Marrocos.

Cerca de meio milhão de homens, recrutados da Itália e suas províncias para um serviço militar de 20 a 25 anos, estava acampado nos diferentes pontos dessa linha em campos fortificados permanentes, numa vida de soldados em quartéis. Havia mulheres, algumas casadas regularmente ou irregular, pois os casamentos no exército, embora ilegais, eram tolerados.

A canabae se transformava em aldeia, e esta em cidade, origem de muitas que hoje conhecemos no Reno e no Danúbio, como Colônia, Mogúncia, Estrasburgo, Viena e Budapeste.

Mais complicado no Oriente

No Oriente, a vida era mais complicada. O Império  Romano nada de novo introduziu na Grécia, exceto a pobreza e a paralização de toda atividade política. A Grécia continuava como território de muitas cidades. O Império não fez muito também pela Ásia Menor e a Síria. Nelas existiam três espécies de comunidades.

A cidade grega, o templo grego-oriental, proprietários de terras, escravos e servos e grande número de distritos, pertencentes ao senhor do Oriente.Na Síria e Palestina, o habitante típico da aldeia não era o escravo nem o servo, mas o pequeno proprietário livre. Muitos templos foram transformados em cidades gregas. O Egito continuou nos mesmos moldes dos Ptolomeus, mas o imperador era dono absoluto. Alexandria permaneceu como a única grande cidade, a segunda do Império. Imitando Ptolomais, Adriano fundou Antinópolis, em memória de seu favorito Antino, afogado no Nilo.

No Egito houve rápido crescimento dos proprietários, comerciantes, industriais e empreiteiros. Todos exploravam a população nativa, os felás que, na maioria, viviam nas terras pertencentes ao Estado e aristocratas. Em geral, a massa do povo vivia sob o jugo romano, como nos tempos dos faraós e dos Ptolomeus.