O trabalhador comum labuta o ano todo como burro de cangalha e muitos nem têm férias, principalmente depois da reforma escravagista onde o cara depende do patrão para lhe liberar por uns dias, e outros são obrigados a ficar em atividade, sem bater o ponto, para driblar a fiscalização de um Ministério que nem mais existe. Estamos vivendo numa “Sociedade Caranguejo” onde o povo prefere andar pra trás e apoiar os retrocessos sociais.

Enquanto isso, somos obrigados a conviver e alimentar as castas parlamentar e judiciária que têm três meses de férias durante o ano, chamadas pelo pomposo nome de recessos, porque eles “merecem” por serem os privilegiados gênios superiores aos mortais, mas dizem que são “ossos do ofício”. Nada disso existia no mundo antigo greco-romano e nem nos países mais civilizados de hoje. Acrescente a tudo isso os “feriadões” de semana e os carnavais dos bacanais.

Se estou enganado e equivocado que me digam, mas nunca ouvi e vi um político sério apresentar um projeto-de-lei para acabar com esses recessos de meio e final de ano e se igualar ao povo trabalhador que dá duro para ganhar o pão suado de cada dia. Quem fizer isso pode ser execrado do grupo. Isso não é nenhuma espécie de socialismo ou comunismo, mas simplesmente dar o exemplo de cidadania e respeito ao povo que paga caros tributos para sustentar as mordomias.

Sem falar nos outros tantos privilégios e penduricalhos destas castas brasileiras, incluindo o executivo, acabar com os recessos (existem os dos tempos eleitorais) seria apenas um ponto mínimo de partida moral dessas classes, para recuperar junto à população um pouco de credibilidade que anda tão perdida ao longo dos últimos anos. Como pode uma nação crescer e se desenvolver social e economicamente quando existe tanta diferenciação entre categorias? Como lutar todos por uma mesma causa, diante de tantas injustiças e excrecências? Nosso país está podre e fede, meus amigos!

DUAS SESSÕES

Pela “liberdade da economia”, agora o capitão-presidente formaliza que o patrão pode requisitar os serviços do seu empregado aos sábados e aos domingos, tendo ele direito apenas a uma folga do domingo no mês. Mais uma chibata no lombo do trabalhador nesse universo de mais de 13 milhões de desempregados. Quem haverá de reagir, se lá fora tem uma multidão querendo tomar o seu lugar? Estamos retornando aos tempos do mourão e das correntes. É muito triste o que vem ocorrendo em termos de absurdos!

Além dos recessos e feriadões, o Congresso Nacional (513 deputado e 81 senadores) esvaia Brasília a partir da quinta-feira, sob o pretexto banal de que tem as bases para visitar e dar “assistência”, quando cada um já tem mais de 20 cabos eleitorais espalhados em seus estados e municípios à sua disposição. O mesmo acontece nas assembleias legislativa e nas 5.570 câmaras de vereadores, com suas regalias de um monte de “funcionários” para zelar pelas suas plataformas e regar seus lotes todos os dias.

Aqui mesmo em Vitória da Conquista são 21 vereadores com apenas duas sessões por semana só no turno da manhã, com seus gabinetes e verbas para receber seus eleitores. Muitos deles são profissionais liberais que passam, mais tempo cuidando de seus negócios em seus escritórios do que na Câmara que realiza duas sessões, a maioria para aprovar indicações, títulos e moções de aplausos, com poucos projetos em benefício da comunidade e quase nenhuma fiscalização do poder executivo, sua principal função que ficou na teoria. A Casa entrou em recesso durante todo mês de julho.

Nos outros municípios brasileiros, o quadro não difere do de Conquista, apenas estou colocando como exemplo por estar próximo a nós cidadãos, que pagamos o maior e o mais caro “pelotão” de parlamentares do mundo, num Brasil abarrotado de misérias, com a mais profunda desigualdade social e gente catando comida nos caminhões de lixões.

UMA REFORMA “TORRE DE BABEL”

 O judiciário é outra casta que vive bem distante do povo brasileiro, governado agora por militares sob o comando dos capitães coronéis e generais, como assim pediu nas ruas boa parte da “Sociedade Caranguejo”  que se iludiu  que os privilégios iriam se acabar, mas só está vendo regressão    através das ideias velhas e arcaicas, contrárias à evolução.

Agora o moço, que antes prometeu levar em conta a meritocracia para ocupação de cargos no seu governo, quer nomear seu filho para ser embaixador nos Estados Unidos porque ele fala inglês e é amigo do filho do maluco do Trump. O que seus adeptos seguidores dizem disso?

O Brasil sofre e está sendo visto lá fora no exterior como um país símbolo do atraso. Colocaram nas cabeças das pessoas, a maioria uma massa ignorante, de que a reforma da previdência, uma Torre de Babel, onde ninguém entende, é a salvação quando tudo é ledo engano. Para sua aprovação estão sendo utilizados os mesmos truques e métodos do troca-troca parlamentar como numa bolsa de leilões.

Já ouviu coisa mais chata do que a narrativa da votação da reforma na Câmara feita pela mídia televisada? Uma repórter passa o tempo todo falando dos trâmites, dos cálculos, das condições, pontos ganhos, pontos perdidos, deduções e você fica ali sem nada entender, nem os especialistas no assunto que vão ter que estudar cada trecho. Nem os mais instruídos, quanto mais o resto da população. Parece narração de esporte norte-americano. Não consigo compreender essa diferenciação entre homem e mulher, se é sempre o homem que morre primeiro, e se fala tanto em igualdade de gênero!

Só sei que o corporativismo separa as categorias privilegiadas dos trabalhadores comuns que vão pagar o peso e o preço alto da mercadoria empacotada. Ela é tão intricada e cheia de nós que nem os maias esclarecidos conseguem decifrar seu enigma, mas uma coisa é certa que ela vai devorar a maioria que representa a menor renda, enquanto a minoria abastada (a classe dominante) é a dona de quase toda riqueza do país. Esta vai continuar intocável.