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:: 12/jul/2019 . 23:44

OS GRANDES RECESSOS DAS CASTAS

O trabalhador comum labuta o ano todo como burro de cangalha e muitos nem têm férias, principalmente depois da reforma escravagista onde o cara depende do patrão para lhe liberar por uns dias, e outros são obrigados a ficar em atividade, sem bater o ponto, para driblar a fiscalização de um Ministério que nem mais existe. Estamos vivendo numa “Sociedade Caranguejo” onde o povo prefere andar pra trás e apoiar os retrocessos sociais.

Enquanto isso, somos obrigados a conviver e alimentar as castas parlamentar e judiciária que têm três meses de férias durante o ano, chamadas pelo pomposo nome de recessos, porque eles “merecem” por serem os privilegiados gênios superiores aos mortais, mas dizem que são “ossos do ofício”. Nada disso existia no mundo antigo greco-romano e nem nos países mais civilizados de hoje. Acrescente a tudo isso os “feriadões” de semana e os carnavais dos bacanais.

Se estou enganado e equivocado que me digam, mas nunca ouvi e vi um político sério apresentar um projeto-de-lei para acabar com esses recessos de meio e final de ano e se igualar ao povo trabalhador que dá duro para ganhar o pão suado de cada dia. Quem fizer isso pode ser execrado do grupo. Isso não é nenhuma espécie de socialismo ou comunismo, mas simplesmente dar o exemplo de cidadania e respeito ao povo que paga caros tributos para sustentar as mordomias.

Sem falar nos outros tantos privilégios e penduricalhos destas castas brasileiras, incluindo o executivo, acabar com os recessos (existem os dos tempos eleitorais) seria apenas um ponto mínimo de partida moral dessas classes, para recuperar junto à população um pouco de credibilidade que anda tão perdida ao longo dos últimos anos. Como pode uma nação crescer e se desenvolver social e economicamente quando existe tanta diferenciação entre categorias? Como lutar todos por uma mesma causa, diante de tantas injustiças e excrecências? Nosso país está podre e fede, meus amigos!

DUAS SESSÕES

Pela “liberdade da economia”, agora o capitão-presidente formaliza que o patrão pode requisitar os serviços do seu empregado aos sábados e aos domingos, tendo ele direito apenas a uma folga do domingo no mês. Mais uma chibata no lombo do trabalhador nesse universo de mais de 13 milhões de desempregados. Quem haverá de reagir, se lá fora tem uma multidão querendo tomar o seu lugar? Estamos retornando aos tempos do mourão e das correntes. É muito triste o que vem ocorrendo em termos de absurdos!

Além dos recessos e feriadões, o Congresso Nacional (513 deputado e 81 senadores) esvaia Brasília a partir da quinta-feira, sob o pretexto banal de que tem as bases para visitar e dar “assistência”, quando cada um já tem mais de 20 cabos eleitorais espalhados em seus estados e municípios à sua disposição. O mesmo acontece nas assembleias legislativa e nas 5.570 câmaras de vereadores, com suas regalias de um monte de “funcionários” para zelar pelas suas plataformas e regar seus lotes todos os dias.

Aqui mesmo em Vitória da Conquista são 21 vereadores com apenas duas sessões por semana só no turno da manhã, com seus gabinetes e verbas para receber seus eleitores. Muitos deles são profissionais liberais que passam, mais tempo cuidando de seus negócios em seus escritórios do que na Câmara que realiza duas sessões, a maioria para aprovar indicações, títulos e moções de aplausos, com poucos projetos em benefício da comunidade e quase nenhuma fiscalização do poder executivo, sua principal função que ficou na teoria. A Casa entrou em recesso durante todo mês de julho.

Nos outros municípios brasileiros, o quadro não difere do de Conquista, apenas estou colocando como exemplo por estar próximo a nós cidadãos, que pagamos o maior e o mais caro “pelotão” de parlamentares do mundo, num Brasil abarrotado de misérias, com a mais profunda desigualdade social e gente catando comida nos caminhões de lixões.

UMA REFORMA “TORRE DE BABEL”

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“0 VELHO CHICO” MINGUANDO

Esta foto do jornalista Jeremia Macário mostra tudo sobre o depredado  “Velho Chico”, como chamam o Rio São Francisco, que está minguando em seu leito de morte. A imagem em pleno agreste baiano foi clicada da gruta de Bom Jesus da Lapa e retrata a ponte sobre o “Velho Chico”, que tanto sustentou e ainda sustenta seu povo que vive ao seu redor. Prometeram revitalizá-lo, mas o plano não saiu do papel, e ele cada vez mais se estreita com suas margens desmatadas, cortando o sertão de terra forte. Os governantes ignoram seu apelo e só dele retiram água e mais água. Os ribeirinhos olham ele com lágrima nos olhos e uma dor atravessada no peito, de ver seu rio definhando aos poucos.

SAMOS O QUE SAMOS

Poema inédito e mais novo de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Somos volúpias carnais infernais,

Ternos, tiranos irracionais radicais,

Hienas caçadoras carniceiras,

Águias de garras traiçoeiras,

Gaviões famintos nos galinheiros,

Gafanhotos destruindo plantações,

Mandacarus sobreviventes do sertão

Fogo e fumaça em erupção.

 

Somos água seca da cacimba,

O cangaço retorcido de aço,

O silêncio que vem lá de cima

Do universo sideral dos céus,

Gentes inocentes incoerentes,

Com a mente que sempre mente

Sentados nos bancos dos réus.

 

Somos feiticeiros de religiões,

Arrastando legiões carneiras;

Somos todos paus de atiradeiras,

Fingindo ser o que não somos

Nesta vereda de tantos ramos,

Em noites embriagadas de vinhos,

Tentado arrancar nossos espinhos.

 

Somos aves, passarinhos gigantes,

O céu e o inferno de Dantes,

O vento forte que vem do norte,

Madeira de ferro pra toda obra,

Que vive correndo atrás da hora,

Ora rir feliz e ora triste chora,

Sofrendo com o aqui e o agora.





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