Cresceu entre as classes dirigentes do império, depois de Augusto, uma forte oposição ao principado como instituição, tudo por causa das intrigas, crimes e escândalos de seus sucessores, conforme relata o autor de “História de Roma”, M. Rostovtzeff.

Para os estoicos era falso considerar o principado como algo que pretendesse apenas gratificar a ambição pessoal, ou como um despotismo baseado na violência e na força, como no caso de Nero.

O governante não era um senhor, mas um servo da humanidade e devia trabalhar para o bem de todos, e não em prol de seus interesses próprios e de sua manutenção no poder, de acordo com a concepção estoica, teoria sustentada pelos cínicos da Idade Helênica.

A Monarquia e o “melhor homem”

Os acontecimentos que se seguiram depois de Nero provaram, porém, que a monarquia era inevitável, e que só essa forma de governo era reconhecida pela massa do povo e pelo exército. Daí, o surgimento de uma nova dinastia no trono não chegou a provocar protestos da sociedade romana. Os homens esperavam um principado regenerado nas mãos do melhor entre os melhores senadores, dentro da Constituição, mas sem prejuízos para as classes superiores.

Os reinados de Vespasiano e do seu filho Tito por doze anos procuraram seguir o principado de Augusto e tentaram recuperar o Estado, principalmente as finanças, arruinadas pelas extravagâncias de Nero e pelo custo da guerra civil de 69 e 70 da nossa era.

Domiciano, entretanto, filho mais novo de Vespasiano rejeitou a teoria do “Melhor homem” e imprimiu em todo os seus atos a natureza absoluta do poder e a condição sagrada de sua pessoa. Confiava apenas no exército, que subornou com um aumento considerável de salários.

O descontentamento do Senado foi esmagado com crueldade, sob alegação de combate aos filósofos, ou seja, a todos aqueles que apoiavam e pregavam uma nova teoria de relação adequada entre os governantes e seus súditos. Os filósofos, como Dion Crisóstomo, expulsos de Roma, atacavam a tirania.

Vítima de uma conspiração palaciana, Domiciano foi morto num acidente provocado. Para sucedê-lo, o Senado e os exércitos proclamaram Caio Coceio Nerva, pertencente à antiga e nobre família romana, que reinou de 96 a 98 (já era idoso). Uma de suas primeiras ações foi adotar Marco Úlpio Trajano, de família romana residente na Espanha.

Com Nerva e Trajano tem início um novo capítulo da história do principado, com harmonia entre a autoridade suprema e a comunidade. Em troca, os princeps aceitavam a teoria estoica do poder imperial, se comprometendo a respeitar os sentimentos e a manter os privilégios da classe dominante. O Senado aceitou tornar-se apenas num órgão consultivo do imperador.

A adoção substituiu a herança e os imperadores tentavam, honestamente, escolher para seus sucessores os melhores homens, ou os jovens mais promissores da aristocracia. Deu bons resultados, e Roma nunca teve uma sucessão de governantes capazes, honestos, trabalhadores e patriotas como nos primeiros 75 anos do século II. Os imperadores diferiam da nobreza pelo caráter, temperamento e origem. Colocaram em prática o bem-estar de seus súditos.

Trajano reinou de 98 a 117 e foi o mais notável, depois de Augusto. Foi grande gênio militar, um estadista de visão e grande administrador. O Império era próspero e seus recursos inesgotáveis, mas a pátria sofria com as lutas dinásticas e, ao se helenizar, perdia a antiga força militar e a unidade. Na Trácia, a Dácia representava uma cunha no coração da Germânia. Precisava-se de uma política de ataque combinada com a defesa.

Trajano levou isso em consideração. Suas campanhas na Dácia e na Pártia constituíram avanços, com objetivo de estender as fronteiras até o limite máximo. Venceu a Dácia que se transformou numa província romana.

No Oriente anexou a Arábia e obteve duas grandes vitórias sobre os partos que lhe permitiram a conquista da Armênia, Assíria e a Babilônia. Seus planos foram interrompidos por uma rebelião na Mesopotâmia e um levante dos judeus na Síria e no Egito.

Trajano foi substituído por Públio Élio Adriano, também um espanhol, e reinou de 117 a 138, mas tinha estilo diferente. Trajano foi defensor rígido das antigas tradições romanas e seguiu os passos de Augusto, enquanto Adriano foi mais cosmopolita e grande viajante. Onde ia procurava estudar as ruínas das antiguidades e tentou dominar os mistérios do Egito. Viveu por longo tempo em Atenas e na Ásia Menor, inteirado com as classes cultas da Grécia. Exigia alto padrão e disciplina do exército romano, e ampliou os direitos e melhorar as finanças das províncias.

Do seu sucessor Antonino Pio, segundo o autor do livro, pouco se sabe, mas dizem historiadores que foi um homem dedicado ao progresso do Estado. Reinou de 138 a 161 e deixou o trono para Marco Aurélio que governou de 161 a 180 da nossa era.

Marco Aurélio e seu filho Cômodo

Quando a ameaça externa às fronteiras pareceu colocar em segundo plano os outros assuntos, e quando a peste enfraqueceu o poder dos romanos, ele surge como o mais autêntico defensor da teoria estoica, de que a condição real é um dever e algo como um martírio.

Reservou sua atenção aos problemas da filosofia, especialmente às questões com a moral e a religião. Dedicou-se à salvação e fortalecimento do Império. Em “Meditações’ deixou um quadro vivo da sua vida interior. Seus maiores problemas foram sua esposa, seu indolente colega Lúcio Vero e seu filho Cômodo.

Marco Aurélio marchou em pessoa contra os germanos e sármatas. Vencendo batalhas após batalha, conseguiu expulsá-los para o outro lado da fronteira e desfechar uma série de golpes no Danúbio e na Dácia. Um motim chefiado por Ávido Cassio na Síria e complicações militares na África impediram de completar a tarefa. Além do mais, estourou novamente uma guerra no Danúbio, iniciando uma exaustiva luta, mas Marco Aurélio não conseguiu levá-la até o fim, pois morreu no Danúbio no ano de 180.

Seu principal erro foi entregar o reino para seu filho que não tinha simpatia pelo ideal paterno e dos predecessores do pai. Reinou de 180 a 192 e repetiu os excessos das más épocas antigas, como o despotismo do primeiro século e o absolutismo de Domiciano.

A árdua empresa de estender as fronteiras foi rejeitada pelo seu filho Cômodo, que preferiu sacrificar os interesses da pátria e fazer a paz com os germanos. Isso só fez adiar por pouco tempo a luta.

A idade dos Antoninos se caracterizou por uma interrupção na política externa, do tipo defensiva sem ser passiva, mesmo anexando novos territórios capazes de receber a civilização greco-romana.

Germanos e partos

O trabalho iniciado por Sila, Pompeu, César e Augusto, que era transformar Roma num Estado mundial dividido em distritos militares, chegava ao seu fim. O Império estava cercado por um anel de fortalezas, na Grã-Bretanha, no Reno, Danúbio, Eufrates, na África, no Egito e na Arábia. No entanto, as relações entre Roma, os germanos e os partos não eram boas.

Diz o autor do livro que os germanos haviam aprendido muito com os romanos, copiado suas táticas militares e conheciam tanto os pontos fracos como os fortes no sistema romano de fronteiras armadas. Os partos achavam que Roma não era invencível, e o Eufrates não era barreira intransponível.

As tribos germânicas (Reno e Danúbio) já haviam intensificado uma pressão no reinado de Domiciano que deu tratamento especial aos seus exércitos. Como o serviço militar tornou-se mais difícil, caiando o número de voluntários, o império teve que tornar mais atraente o serviço, com o aumento dos salários. O domínio na Germânia se mostrava uma tarefa complicada. A opção era voltar a uma política apenas defensiva, ou continuar com as ações de César e Augusto, mostrando aos vizinhos o poder das armas romanas.

Na defensiva

Adriano, no entanto, preferiu a defensiva à ofensiva e tentou a diplomacia com o povo vizinho. Devolveu à Pártia quase todas as conquistas orientais de Trajano, com exceção da Arábia. Como defesa, construiu fortalezas armadas na maioria das fronteiras.

A conquista da Germânia teria levado a um choque com os eslavos e finlandeses, e a da Pártia teria lançado Roma contra iranianos e mongóis. Adriano conseguiu notar que a força criadora do velho mundo estava em decadência, daí ter adotado uma política defensiva, assegurando um período de paz.

Os problemas voltaram a ocupar Marco Aurélio, pois a conquista da Germânia não foi consolidada. A política pacífica de Adriano e Antonino foi interpretada pelos germanos como sinal de fraqueza e como um convite à invasão. Foi isso que ocorreu no reinado de Marco Aurélio. Ele caíram obre a fronteira do Danúbio com uma força total e rolaram qual onda até a fronteira italiana. Os exércitos romanos estavam ocupados no Eufrates e ainda trouxeram consigo de volta uma peste que devastou a Itália e algumas províncias por muitos anos.

Após a brilhante era dos Flávios, houve uma esterilidade na literatura e na arte. As décadas que se seguiram deixaram de produzir um único grande escritor. Adriano era um grande conhecedor e amante da arte. Construiu muito, inclusive edificações esplêndidas em Atenas. Com seu etilo clássico e arcaísmo eclético, fez monumentos em honra a Trajano na Itália, como o Templo de Vênus, o Fórum e a magnífica vila em Tívoli.