Depois de ter governado por mais de 40 anos, Augusto morreu no ano 14 da nossa era. Considerava o principado como uma instituição permanente. O primeiro dos herdeiros era o sobrinho Marcelo, casado com Júlia, a filha do imperador, mas morreu cedo em 23 a.C. O herdeiro seguinte foi Agripa, que se casou com Júlia, mas cedeu para Caio e Lúcio, seus filhos com Júlia, mas também morreram.

Então, Augusto foi obrigado, por influência da esposa Lívia, a adotar Tibério Cláudio Nero, filho da mulher com o primeiro marido, como único membro da família. A vontade de Augusto era que fosse Germânico, o sobrinho de Tibério, irmão de Druso, mas não deu. Para manutenção da paz, todos concordavam que o principado era indispensável. Sem luta, Tibério tomou as rédeas do governo.

O exército o reconheceu como imperador, e o Senado conferiu-lhe todos os poderes especiais que haviam feito a Augusto. Até o suicídio de Nero, o trono foi ocupado por membros da Casa Cláudia, dos quais os dois primeiros foram adotados pela família dos Júlios.

OS FLÁVIOS

Tudo sobre os membros dessa família e os incidentes nos reinados foram descritos pelo historiador Tácito, em seus Anais. Suas Histórias contam a queda daquele poder e o período de confusão que terminou com a ascensão dos Flávios, que não tinham parentesco com Augusto.

Nenhum deles tinham carisma, mas herdaram a popularidade de Augusto e isso justificava a posição que ocupavam. Tibério era um general competente, rigoroso e dedicado ao país. Mostrava as mesmas virtudes como estadista, mas não possuía a energia do seu predecessor. Ao seu lado estava a imponente figura de Lívia a quem devia a subida ao trono. Muitos que ocuparam postos de destaque no reinado anterior lhe eram hostis. Não gostavam do seu orgulho e frieza.

A vida na corte tornou-se impossível quando seu sobrinho Germânico morreu no Oriente. Muitos achavam que ele foi vítima de uma trama de Tibério e Lívia. Por tudo isso, Tibério deixou Roma e foi morar em Capri. De lá, o único homem em que confiava era Sejano, prefeito da guarda pretoriana, a quem deixou como seu representante em Roma. Sejano tornou-se governador da cidade.

AS INTRIGAS PALACIANAS

Enquanto isso, as intrigas palacianas continuavam, e Sejano resolveu aproveitar. Houve uma longa série de crimes sombrios, como o assassinato de Druso (filho de Tibério) envenenado pela esposa, que fora seduzida por Sejano. Os filhos de Agripina foram mortos, e ela foi exilada e morta. Depois foi descoberto que Sejano conspirava contra o imperador. Por isso, ele foi executado, seguido de um período de terror com a morte de inocentes.

Calígula sucedeu a Tibério e reinou de 37 a 41 da nossa era. Filho de Germânico, cresceu cercado de jovens helênicos corrompidos, temendo perder a vida por causa das brigas palacianas. Era único membro da família Juliana e, em seu reinado, deu prova de insanidade mental.

O louco Calígula destruía, sem piedade, todos aqueles que lhe inspiravam medo. Educado entre príncipes jovens do Oriente, exigia que lhe fossem prestadas honras divinas e declarou-se senhor e deus (dominus et deus). Provocou a ira de seu povo, introduzindo na corte costumes helênicos. Calígula teve ligações abertas com suas irmãs e proclamou uma delas sua mulher e deusa. Os conspiradores da guarda pretoriana deram-lhe um fim violento.

A GUARDA PRETORIANA

 Cláudio, seu sobrinho, veio depois através do aval da guarda pretoriana e reinou de 41 a 54 d.C. Pertencia à família Cláudia e tinha intenções patrióticas tradicionais, mas era fraco de corpo e espírito, tanto que tornou-se joguete nas mãos de suas mulheres Messalina e Agripina.

A sua esposa Messalina era frívola e corrompida. Mais tarde, receando que a mulher colocasse no trono Sílio, um dos seus amantes, permitiu a morte dela. Tornou-se um títere nas mãos da outra mulher, sua sobrinha Agripina. Seu objetivo para casar-se com ele foi o de despachá-lo para um mundo melhor e colocar seu jovem filho Nero no trono.

Nero, filho de Agripina com o primeiro marido Domício (segunda mulher de Cláudio envenenado por ela), foi o último imperador ligado a Augusto e reinou de 54 a 68 a.C. Tinha um caráter muito complexo, e para conservar o  poder, teve que eliminar seu meio-irmão Britânico (filho de Cláudio com Messalina) e sua mãe. Libertar-se da mãe passou a ser uma ideia fixa de Nero, e seus favoritos o estimulavam a fazer isso. É perturbado por Sêneca e Burro que o haviam educado. Foram depois afastados, e Nero entra em choque com as hostilidades.

OS EXÉRCITOS

Foi um reinado de terror e sangue com a matança de todos os suspeitos e daqueles que não concordavam com seus métodos de governo. Ele confiava cegamente na guarda pretoriana e nunca inspecionou os exércitos nas províncias. As legiões estavam descontentes e havia uma forte oposição contra as frivolidades da corte. Sua paixão pelo teatro e a sua preferência a favor dos gregos despertaram a ira dos romanos.

Como todos os outros depois de Augusto, Nero se preocupava em firmar sua posição. Todos temiam os rivais e as tentativas do Senado de se reafirmar e recuperar a antiga posição. Sua existência foi cheia de intrigas. As mulheres da sua família desempenharam papéis decisivos entre conspirações e crimes.

Os generais tinham forte influência, e logo na Gália irrompeu uma rebelião contra Nero. O grito de guerra foi “Abaixo o Tirano”.  As legiões esmagaram o movimento dos rebeldes porque atingia Roma, mas elas não queriam que Nero continuasse reinando. Por fim, o imperador foi obrigado a suicidar-se.

OS QUATRO IMPERADORES

Com sua morte, surgiu o problema sobre quem deveria governar, se sob o comando da guarda pretoriana, ou dos exércitos. Virgínio Rufo, comandante das legiões na Germânia recusou o trono. Então, Galba foi proclamado imperador pelo exército da Espanha e até reconhecido pelo Senado.

Ao chegar a Roma, os pretorianos, temendo perder seus privilégios, desfizeram-se dele e colocaram Vitélio que marchou sobre Roma e dominou a guarda. No entanto, surgiu um quarto candidato que foi Flávio Vespasiano, apoiado pelos exércitos do Oriente. Assim, 69 d.C. foi considerado o ano dos quatro imperadores..

Com sua experiência e frieza fundou uma dinastia que durou um bom tempo. O principado triunfou novamente como instituição viva e como ideia. O governante, porém, teria que ser constitucional. Uma lei proposta por Vespasiano, a lex de império Vespasiani, definia seus poderes.

Os direitos e deveres do governante, baseados na supremacia de Augusto, foram relacionados um por um. Foi, então, restabelecido o principado como Augusto idealizara.  Somente Calígula tentou transformar o império numa monarquia absoluta. Os outros mantiveram fiéis à política de Augusto, tanto nos assuntos internos como externos, com uma política defensiva nas fronteiras, na Germânia, no Danúbio e no Eufrates. Tibério, por exemplo, manteve como objetivo criar uma fronteira militar forte, com uma cadeia de legiões.

Entre a Grécia e a Dalmácia formou-se a nova província do Epiro, durante o reinado de Nero. Ao norte, Cláudio iniciou a conquista da Grã-Bretanha, com a intenção de colocar todos os povos celtas no Império. Entretanto, no Oriente a coisa se complicou. Ali, a tarefa dos imperadores foi fortalecer a fronteira do Eufrates.

Essa política foi enfatizada durante os reinados de Cláudio e Nero e levou, no reinado deste último, a um demorado e sangrento conflito na Judéia, cuja conquista foi continuada por Vespasiano e depois pelo seu filho Tito. Nero chegou a sonhar com a realização de um plano de César que era a anexação de todo litoral do mar Negro e a transformação da Armênia, Geórgia e Criméia em províncias romanas.

Na África, a preocupação principal foi a segurança da fronteira nas províncias (Numídia e Mauritânia – Marrocos). Foi fortalecido o controle pessoal do governante através de seus agentes financeiros. Um ponto de importância foi o desaparecimento das companhias de recolhimento de impostos. Em seus lugar, passaram a agir os funcionários imperiais, ou procuradores, quase todos escravos e libertos. A administração financeira transformou-se numa complicada máquina burocrática, comandada pelos imperadores.

AUMENTO DAS ATIVIDADES

Convencidos de que o sistema idealizado por Augusto funcionava, o resultado foi o aumento da atividade em todos os setores da vida econômica e intelectual. A educação nunca foi tão ambicionada no mundo antigo nessa época. Milhares de professores ensinavam o Latim e o Grego às crianças das cidades, tanto no Ocidente como no Oriente.

A cultura do império tornou mais uniforme, e a Itália permaneceu sendo o principal centro de produção literária. O Oriente recuperou-se mais lentamente, e um dos principais homens de letras era Dion, natural da Bitínia, conhecido como “Boca de Ouro”, que participou diretamente da resistência contra a tirania de Domiciano.

O Ocidente produziu grandes poetas e filósofos, como Sêneca, Pérsio, o satírico, Lucano, autor de um poema épico sobre a guerra civil e condenado à morte por Nero. Petrônio foi outra vítima dele, mesmo sendo seu favorito escritor. Na arte, especialmente na arquitetura, também houve grande desenvolvimento. Foi erguida uma série de imponentes edifícios em Roma e nas províncias. Podemos mencionar os colossais thermae (estabelecimentos de banhos de Nero e Tito), com enormes salões e luxuosas colunatas, imensas cúpulas e tetos arqueados. Citamos ainda o Coliseu, com o nobre anfiteatro dos Flávios. Temos ainda os notáveis arcos triunfais, cobertos de baixos-relevos históricos e alegóricos, e coroados pela estátua de um imperador a cavalo, ou num carro.

Os relevos do arco de Tito, representando uma procissão triunfal após a conquista da Judéia, classificam-se entre as mais altas realizações da arte imperial romana. São exuberantes também as esculturas do Altar da Paz, com os arcos triunfais dos imperadores das dinastias Cláudia e Flávia.