Poema de autoria de Jeremias Macário

Meu poema não fala de libido e amor,

Lembra de um gado em disparada,

Como no verso galopeiro de Vandré;

Ele é mais de dor ferida que de flor;

É cálice amargo, vida de caça fuzilada,

Como na angústia do Drumond de José.

 

Não quero esta assassina lição,

De esquecer a milenar sabedoria;

Não quero soldado para abater,

Fazendeiro com guia pra matar,

Brasileiro comer pedra pra viver,

No país de um futuro sem razão.

 

Quando a mente vira aço se cala,

E o artista se quebra em pedaços;

Não protesta contra esta estupidez,

Em nossos peitos o cara mira a bala;

Voltam-se aos tempos dos cangaços;

E o povo freguês nunca tem sua vez.

 

A mídia quer mesmo é bajulação,

Como o profeta Raul Seixas anuncia;

Fazer sua média atrás do capital vil,

E os canalhas encurtam nossa educação;

Querem um povo de cangalhas e servil;

Negam a ditadura e cospem democracia.

 

Como no rasgo da viola do vate,

Não quero aprender esta lição

Dos inimigos da nossa cultura;

Sou menino e visto o rosa;

Sou a menina desse céu azul;

Quero o saber da Sociologia,

De toda parte, do norte ao sul,

O livre pensar da nossa filosofia,

E gritar bem alto a minha prosa;

Marchar firme contra esta loucura

Da apologia a essa arte do descarte.