O fundo do poço do Brasil deve ser no fim do mundo, lá do outro lado do Japão, porque é uma crise interminável, sem recomeço de recuperação. Dizem que depois da tempestade vem a bonança, mas desde 2014 vivemos em plena tormenta. É um mar agitado, sem calmaria, e o navio continua à deriva. O quadro se apresenta como recomeço de tudo entre os chamados “coxinhas amarelos” contra os “mortadelas”. Foi uma manifestação inusitada.

Os protestos contra os cortes na educação, com a participação, principalmente, de professores e estudantes, foram violentamente agredidos pelo capitão Bozó como de massa de manobra e turma de inocentes úteis (termo da esquerda em referência à direita). Agora ele considera que as manifestações dos “amarelinhos” foram atos conscientes dos brasileiros que querem as reformas e um Brasil melhor.

Para contrariar, os camisas amarelas da seleção de futebol saíram às ruas para apoiar o capitão-presidente, defender a reforma da previdência e o pacote anticorrupção de Sérgio Moro (sem prestígio). Nada falaram dos decretos que colocam armas nas mãos dos brasileiros, que destroem o meio ambiente, que liberam a caça ao caçador, sem falar na pretensão de transformar o paraíso de Angra dos Reis numa Cancun mexicana.

Saímos das trapalhadas de Dilma e caímos nas mãos do Mordomo de Drácula, que já foi preso duas vezes, e agora estamos sendo comandados por um incompetente e despreparado ainda pior. Seis meses e nada mudou, mesmo com a melhor arrecadação de impostos nos últimos cinco anos. O governo corta verbas de quem precisa, retira remédios e aposentadorias.

O interesse tem sido liberar armas pesadas, mais venenos para o campo, encobrir a corrupção, inclusive do seu filho senador, dar mais lucros aos bancos, viajar para a terra do Tio Sam e pagar robôs para comentar na internet. De acordo com parecer da Procuradoria da República, o decreto do armamento mantém brecha para aquisição de fuzis por qualquer cidadão, assim como espingardas e carabinas. Qualquer um vai puder manter armas de alto poder destrutivo em sua residência.

Enquanto isso, a vida do brasileiro só faz piorar, e os fogões a gás estão sendo substituídos pelos que queimam lenha. A revolta e a raiva contra o PT, misturados com a ignorância política, levaram o povo a votar no pior É tragédia atrás de tragédias, como agora a da penitenciária da Amazônia. A situação de superlotação nos presídios continua, sem providências.

Muitos dos manifestantes de domingo pediram o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, isso depois do capitão ter dito que o problema do Brasil é a classe política. Que manifestação consciente é essa? Agora o foco é a defesa da reforma, a segurança pública de arma na mão e o pacote anticrime do Moro. Estão, mais uma vez, enganando a todos, dizendo que a reforma da previdência é a salvação, e o povo entrando nessa.

A REFORMA TRABALHISTA

Está completando um ano e meio a reforma trabalhista do Mordomo de Drácula, aplaudida pelos patrões capitalistas, e não foram criados novos empregos, conforme o prometido. Mais um conto do vigário, do qual o brasileiro foi vítima. A reforma que escravizou mais o trabalhador e alterou 200 dispositivos da CLT, só fez aumentar a informalidade, segundo os estudiosos do assunto.

De acordo com o procurador-chefe do Ministério do Trabalho na Bahia, Luis Carneiro, a reforma não avançou em nada, sobretudo quanto ao número de acidentes fatais em serviço. Afirmou que a reforma é uma via de mão única que não proporcionou nenhuma vantagem para o explorado trabalhador.

Em sua análise, a medida não representou uma transformação e nem atendeu a nenhum anseio da sociedade, mas exclusivamente ao capital. Em um ano foram perdidos mais de 300 mil empregos formais com carteira assinada. Existe um milhão de crianças e adolescentes em situação irregular no trabalho.

Carneiro citou que a reforma nasceu em dezembro de 2016 como uma minirreforma para alterar menos de dez artigos, mas em seis meses transformou-se em um monstro jurídico. O sociólogo e professor titular da Unicamp, Ricardo Antunes, destacou que a mudança tinha a clara intenção de atender a imposições históricas dos organizados setores econômicos.

Em governos anteriores, estes segmentos do capital pressionavam pela flexibilização dos direitos do trabalho, ampliação total das terceirizações e pela desregulamentação das relações entre capital e trabalho, como o intermitente que passou a ser uma exigência. Nesta modalidade, o trabalhador fica disponível para realizar o serviço, como massa suplementar.

Outra aberração foi fazer com que o negociado prevalecesse sobre o legislado, levado às últimas consequências. Foi o fim da regulamentação social do trabalho. Com a eliminação dos direitos e, diante de uma grande massa de gente disponível para servir o capital, criou-se a exploração do trabalho e mais desempregos. O setor de serviços tornou-se altamente lucrativo