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:: 22/abr/2019 . 23:06

A DITADURA DE CÉSAR E A ACUMULAÇÃO DE PODERES

No ano de 48 a.C. César tornou-se o chefe do Estado romano, posição que manteve até 44 a.C. Não procurou destruir todos os que haviam lutado contra ele. Julgou que o reino de terror era um meio inadequado para sustentar o poder. Convocou a cooperação de todos os adversários, como alguns políticos atuantes, como Cícero, Cássio, Marco Antônio e Décimo Bruto.

O novo chefe nunca pensou em restaurar o poder do Senado, nem reconhecer a soberania da plebe. Sua atividade durou menos de dois anos e foi interrompida pela campanha espanhola de 45 a.C. Estava convencido de que era preciso proteger as fronteiras contra os inimigos externos antes de lançar as bases de um novo sistema de governo.

As fronteiras das novas províncias orientais da Síria, Palestina e da Bitínia tinham de ser garantidas contra os trácios, ilírios e celtas. Crescia no Danúbio um novo reino trácio que ameaçava engolir as cidades gregas na costa oriental do Mar Negro. Na Mesopotâmia, os romanos sofreram uma derrota dos partos.

Com uma grande expedição, estava disposto a pôr em prática o plano de Mário quanto à composição do exército romano. Como Estado mundial incluiu soldados de todos os povos capazes de lutar, como da Gália, da Espanha e da Ásia Menor. Em Roma deixou apenas pequeno destacamento da guarda pretoriana.

César considerava a Constituição existente como inútil e obsoleta e pretendia fazer modificações radicais. As formas externas e as denominações foram conservadas, mas o Estado romano por ele governado era diverso do Estado governado pelo Senado. Seu poder supremo lhe conferia o título de ditador que usou em 49 e 47 a.C. Os gregos chamavam de tirania e o Oriente de monarquia.

Colocou em prática a ocupação de vários cargos, como fez Pompeu em 52. A partir de 48 a.C. foi eleito cônsul, anualmente, e recebia do povo o poder tribunício, ou seja, sem ser tribuno, gozava de todos os direitos do posto, inclusive das imunidades que o povo lhe concedera por uma resolução de 47. Em 63 fora eleito pontífice máximo e em 48, membro de todos os colégios sacerdotais patrícios. A acumulação de títulos era contrária às políticas romanas, mas o povo tem o direito de criar novas formas de poder. Muitos outros poderes foram criados. Uma lei especial dava a ele a supervisão dos costumes morais (praefectura morum), que era função dos censores. Nomeava magistrados para as províncias. Podia concluir a paz e declarar guerra; votar em primeiro lugar no Senado; comandar o exército e dispor dos fundos públicos.

O Senado passou a funcionar como um conselho. A assembleia popular reunia-se apenas para votar leis antecipadamente aceitas. O tribunato do povo não mostrava sinais de vida. César era de fato um monarca e podia até aceitar o título de rei.

Acreditava-se que ele queria mudar a capital de Roma para o Oriente. Os boatos corriam que desejava desposar Cleópatra, a rainha do Egito, e adotar Cesarion, o filho que dela tivera. Trouxe Cleópatra de Alexandria pra Roma, dando-lhe uma residência.

Ele considerava seu poder hereditário, tanto que, poucos antes de partir para o Oriente fez um testamento, adotando o sobrinho Caio Otávio, legando-lhe o maior poder de sua fortuna. Otávio estivera com César na Espanha e foi depois enviado à Ilíria para completar sua educação geral e preparo militar.

Para as massas, César não era apenas um gênio militar, mas um ser superior, um super-homem, um herói no antigo sentido religioso. César gostava e estimulava o endeusamento do culto à personalidade. Construiu um templo a César e à deusa Clemência, com um sacerdote especial para o novo culto, modificando o nome do mês Quintilis para Iulius, ou Julho.

Noutro aspecto, pretendia estender a cidadania romana e latina a todos habitantes das províncias. A Gália Cisalpina e a Narbonense deveriam tornar-se parte da Itália. Colônias romanas foram fundadas na Espanha e África. A cidadania latina era concedida às comunidades provinciais, como na Sicília. Restaurou Cartago, na África e Corinto, na Grécia.

O considerado ditador queria acabar de vez com a distinção entre Itália e as províncias, e criar em todas as partes do império uma classe que gozasse dos mesmos direitos dos cidadãos romanos na Itália. O Senado deveria representar todo o império. Corrigiu o calendário; reformou parte dos tribunais civis e criminais; e instituiu uma lei regulamentando a organização do governo local.

A nomeação de arrivistas para o Senado, a generosa distribuição da cidadania romana, a recusa em reconhecer os privilégios das classes dominantes, segundo o autor do livro, contribuiu em proporções para o fim de César. Os senadores nobres não aceitaram abandonar sem luta os privilégios que a classe desfrutava há séculos e terminaram vencendo esta luta.

A CONSPIRAÇÃO

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