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:: 19/jan/2019 . 0:20

OS QUE SE FORAM PERMANECEM VIVOS EM NOSSA MEMÓRIA CULTURAL

Nos últimos anos, principalmente do ano passado para cá, muitos incentivadores, pensadores e defensores da nossa cultura se foram, deixando uma lacuna em Vitória da Conquista, mas essas pessoas vão permanecer vivas em nossas mentes, com mais forças para continuarmos firmes nesta jornada que, infelizmente, conta com poucos apoiadores.

Com seus passos de sabedoria e desapego, essa gente deixou suas marcas registradas num trabalho incansável de promoção da cultura, por amor, sem interesses pecuniários. Mesmo sem o devido reconhecimento de gratidão de boa parte da sociedade, devemos seguir suas pegadas e nunca negar aos outros o conhecimento que aprendemos da escola acadêmica e da vida, esta a mais consistente e duradoura. Têm muitos que morrem como fantasmas.

A lição que nos deixam é nunca sermos egoístas, mas persistentes nos momentos mais críticos e difíceis, porque não faltam aqueles que torcem a cara e acham que os fazedores de cultura não passam de idealistas sonhadores, desprovidos de bens materiais e sem futuro. São os mais ricos e os menos valorizados. Nessa caminhada, são muitos os que só dão espinhos e poucos os que oferecem flores. Uma só pétala já basta para superar sacrifícios e não ser apenas um vulto nesta multidão.

Já dizia um filósofo que a vida é um bem incerto, e que a morte um mal certo. Mas, do incerto você pode fazer muitas coisas certas e tornar a morte um bem para cada alma que fica. Fizeram-nos bem as últimas pessoas que se foram, como o jornalista e historiador Luis Fernandes que sempre se mostrou preocupado em resgatar a nossa memória cultural, pesquisando e levantado dados da nossa história.

Há cerca de um ano, ou pouco mais que isso, partiu para o além o meu amigo e companheiro poliglota e intelectual Sérgio Fonseca, com o qual convivi no jornal “A Tarde” e tive a honra de substituí-lo na chefia da Sucursal desse impresso em Vitória da Conquista. Quando se foi, infelizmente era pouco conhecido, inclusive de grande parte da mídia, mas, com seus serviços prestados, nos deixou um grande cabedal. Pouco foi homenageado em vida e na morte.

Infelizmente, nosso sistema social e político tem como uma de suas péssimas características não valorizar a meritocracia. As pessoas mais preparadas são pouco aproveitadas. Recentemente, partiu também para o outro lado, a nossa guerreira e professora do projeto Proler, Heleusa Câmara, uma insistente na luta pela alfabetização de detentos e de todos aqueles que viviam à margem do ensino. Foi uma grande incentivadora da leitura, justamente nesses tempos tecnológicos da internet em que poucos têm o hábito de ler.

Quantas pessoas Heleusa tirou da escuridão da vida, para ver o mundo de outra forma, através do conhecimento! Não somente isso, ela com sua crença naquilo que fazia, devolveu à comunidade muita gente que vivia fora dela. Lembro dela em minhas entrevistas jornalísticas quando detalhava minuciosamente, com sua paciência, suas propostas de tornar as pessoas mais humanas e educadas.

Nesta semana, lá se foi, mas continua conosco, o nosso “Fera”, como assim tratava os amigos, o ator Gildásio Leite. Minha aproximação com ele não tinha muito tempo, mas foi o bastante para aprender com Gildásio muita coisa, como bondade e generosidade, sem falar na sua ponderação na análise de certos problemas.

Há uns três anos, viajei com ele e o professor Itamar Aguiar, para uma feira do livro em Lençóis, na Chapada Diamantina, onde ele aproveitou para realizar uma série de entrevistas com o cineasta Orlando Sena. Foi quando trocamos muitas ideias tomando umas geladas e passei a chama-lo de grande garimpeiro. Não se queixava, e sempre estava otimista com a vida. Na última vez em que nos falamos, pediu meu livro “Uma Conquista Cassada” para extrair alguns subsídios para um documentário que estava elaborando. Não me recordo agora o assunto. Gildásio divulgou muito Conquista nos filmes e nas peças em que participou.

 

 





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