dezembro 2018
D S T Q Q S S
« nov   jan »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

:: 15/dez/2018 . 11:53

A LUZ OCULTA DA POESIA

Este poema fala da seca e do sofrimento do sertanejo que, diante das adversidades, é obrigado a partir para outras terras e lá se torno um escravo com a saudade de retornar ao seu lugar de origem.

A DOR DO RETIRANTE

De Jeremias Macário

Ai, meu Deus!

O açude secou,

e só ficou o mandacaru,

nessa solidão do tempo,

sem o sapo cururu,

nem o sinal do vento,

nem no campo uma flor.

 

Ai, meu Deus!

Vou embora do Nordeste,

vou deixar o meu sertão,

pedir a benção da minha mãe,

pra noutra terra ser peão,

cortar cana nos canaviais,

ser escravo de bacana,

e vagar nas transversais.

 

Ai, meu Deus!

Que dor doída danada,

misturada com lamento,

ver toda a minha gente,

partir como retirante,

sem água, sem lavoura,

perder todo alimento,

o rebanho e a semente,

nesse sol escaldante,

sem nascer um rebento.

 

Ai, meu Deus!

Tudo aqui virou ruínas,

de famílias amontoadas,

filhos soltos desgarrados,

vivendo como marginais,

nas esquinas das esmolas,

como alvo das chacinas,

sujos e cheirando colas,

nas cidades infernais.

 

Aí, meu Deus!

Proteja nosso povo,

para um dia nós voltar,

quando o tempo melhorar;

cuidar das nossas roças;

fartura para vender e dar;

aumentar nossos ganhos,

sem nunca mais  na vida,

em terras de estranhos,

viver de mendigar.

 

 

 

DE OLHO NA MAGIA DAS LENTES

Foto de Jeremias Macário.  A nossa natureza é sábia e todos fazem suas funções para a devida harmonia, como os urubus que cuidam da limpeza dos seres mortos e do lixo orgânico. O homem, no entanto, é perverso e suja o meio ambiente com todo tipo de porcarias, e ainda mata os animais. Aqui, uma cena na Barragem de Anagé, no sudoeste da Bahia.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia