JUÍZA PROIBIU O ABATE NA BAHIA. VAMOS APOIAR ESTA CAUSA E DEFENDER ESTES ANIMAIS, SIMBOLOS DO NORDESTE.

Matéria publicada pelo jornalista Mário Bittencourt em 4 de dezembro deste ano apurou que pelo ritmo atual de abates, a população de jumentos no Nordeste do Brasil, onde estão concentrados esses animais, será extinta em até quatro anos, conforme previsão da juíza Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal, em Salvador, que dia 30 de novembro proibiu o abate de jumentos no estado, devido aos casos de maus-tratos.

O diretor de um frigorífico se posicionou contra a liminar e disse que a atividade é legal. Em minha opinião, pode ser legal, como matar gado, mas, no caso dos jumentos, símbolos do Nordeste que tanto serviram aos sertanejos no transporte de mercadorias, água e até lenha para gerar o fogo nas cozinhas, quando não havia gás e energia elétrica nas casas, é um ato insano contra um animal tão dócil. Não justifica o lucro e o pequeno número de empregos.

Os nossos jumentos, ou jegues, como também são conhecidos, precisam de ações fortes e ativas tanto quanto as dos defensores e protetores das baleias, das tartarugas, dos cachorros e de outros animais que “brigam” e lutam pela causa. Precisamos de movimentos mais fortes na Bahia e em todo Nordeste para por fim a esta crueldade do abete de jumentos.

BAHIA E PERNAMBUCO

De acordo com o texto de Bittencourt, a decisão da magistrada, em caráter liminar (temporária), relata que, segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia, o efetivo de equídeos (equinos, asininos e muares) no Brasil teve queda de 2,7% entre 2011 e 2012. O Nordeste foi a região que registrou a maior queda de 4,7%, sendo Bahia e Pernambuco os estados que mais contribuíram para isso, com destaque para o plantel de jumentos, que teve redução de 7,4% no mesmo período.

Foto divulgação da Polícia Civil. Juíza concede liminar para acabar com o abate

“Todos os estados da região registraram queda, sendo as mais acentuadas nos na Bahia (-9,3%) e em Pernambuco (-22,7%), informa o documento que consta nos autos do processo. “Este cenário já é esperado, e vem acontecendo em outros países por conta da evolução tecnológica no campo e, com isso, da diminuição da utilização destes animais para carga e transporte”, escreveu a juíza federal Arali Maciel Duarte” – assinala a reportagem do jornalista.

Segundo sua apuração, na Bahia, os abates ocorrem desde julho de 2017, e o estado é o único do Brasil que possui frigoríficos autorizados pelo Ministério da Agricultura a realizar o serviço.  As empresas estão situadas em Amargosa, Simões Filho e Itapetinga. Os jumentos são abatidos para atender a China, que extrai da pele e couro do animal uma substância para fazer o “ejiao”, remédio que promete combater o envelhecimento, aumentar a libido nas mulheres e reduzir doenças do órgão reprodutor feminino.

Na avaliação da ONG britânica The Donkey Sanctuary, que atua globalmente em defesa do bem-estar dos jumentos, os abates no Nordeste são consequência da busca por esses animais por parte da China no mundo. Em relatório de janeiro de 2017, a ONG constatou que nos últimos 20 anos houve redução de 11 milhões para 6 milhões de jumentos na China. Hoje, o país asiático busca esses animais, sobretudo, na África, Tanzânia, Colômbia e México.

Na pesquisa feita pelo jornalista Mário Bittencourt, o trabalho da The Donkey Sanctuary traz relatos diversos sobre animais que estão sendo esfolados para retirada da pele nesses países. Há ainda casos de roubos em comunidades agrícolas que usam jumentos para transporte, ou como tração.

“Segundo informações da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), no estado estão sendo abatidos de 300 a 400 jumentos por semana nos três frigoríficos. Na contagem oficial, a Bahia possui 96 mil asininos cadastrados”- descreve o repórter.

Prossegue a matéria de que somado aos animais da espécie que vivem soltos, estima-se que essa quantia chegue a 200 mil, e no Nordeste a projeção é de 800 mil jumentos. Mas, segundo a juíza federal Arali Maciel Duarte, os frigoríficos baianos se preparam “para atingirem a capacidade de abate de 200.000 animais/ano”.

Somente no Frinordeste, em Amargosa, conforme a magistrada, já foram mortos 44 mil jumentos de agosto de 2017 a setembro de 2018.  “Estes dados alertam sobre o risco iminente de extinção do jumento nordestino, espécie nativa brasileira, pois se trata de uma ação extrativista e de extermínio anunciado”, escreve Arali Maciel Duarte.

Até o dia 3 de dezembro o Governo da Bahia ainda não havia sido  comunicado pela Justiça Federal da decisão liminar, mas informou que deve recorrer da mesma após analisar melhor o assunto. O Ministério da Agricultura declarou que não se pronunciará sobre a decisão. A Advocacia Geral da União (AGU) e a Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri) não se posicionaram, conforme relata matéria do jornalista.

Os frigoríficos Cabra Forte (Simões Filho) e Sudoeste (Itapetinga) disseram que irão acatar a decisão judicial. O Frinordeste (Amargosa) não respondeu. “Queremos que o Governo da Bahia recorra da decisão, afinal de contas são empregos que estão em risco”, disse o diretor do Frigorífico Sudoeste Eder Resende, que destacou trabalhar dentro da legali