Do jornalista Carlos Gonzalez

Amigo e colega Jeremias, felicito-o pela precisão do artigo que você assina no blog “aestrada”, analisando o que o futuro reserva ao Brasil nos próximos anos. O brasileiro, lamentavelmente, não descobriu que está sendo contaminado com o mesmo vírus inoculado há 80 anos no povo alemão, que se empolgou com as promessas feitas por um cabo do exército.

Peço licença para inserir em seu comentário umas poucas palavras sobre o período ditatorial espanhol, implantado após três anos de uma Guerra Civil, que causou 400 mil mortes e um país esfacelado, com o ódio se alastrando entre pais, filhos e irmãos.

.”Caudillo de España por la gracia de Dios”. Assim se proclamava um dos ditadores mais sanguinários da História. Aliado do fascismo de Benito Mussolini e do nazismo de Adolf Hitler, o Generalíssimo Francisco Franco impôs durante 36 anos (de 1939 a 1975) um duro regime aos espanhóis, após derrubar o governo republicano constituído, tendo o apoio dos déspotas italiano e alemão.

Com as bênçãos da Igreja, dos grandes produtores rurais, do Exército e da sociedade conservadora, Franco reuniu em torno da sua figura, de apenas 1,63 de altura, os falangistas e nacionalistas, incutindo neles o ódio pelos republicanos e comunistas. Preservou, no entanto, a monarquia, trazendo de volta do exílio o rei Afonso XIII, que havia sido deposto em 1931 pelos republicanos.

Religioso, Franco pronunciava com frequência o nome do Senhor. Costumava dizer que somente a História e Deus poderiam julgá-lo. Seu maior admirador entre os ditadores sul-americanos foi o general chileno Augusto Pinochet,

Nota do autor de “Como Nasce o Fascismo em um País”:

Agradeço sua prestigiosa e inteligente colaboração e acrescento ao primeiro texto minha opinião, se me permite, de que hoje já estamos surfando na onda militar e evangélica. Sem o pensar, tudo pode acontecer com o fanatismo.

Entre outros regimes de opressão que todo povo deve estar atento e repudiar, cito ainda o stalinismo que provocou um tremendo estrago de matanças e atrocidades das piores já vistas pela humanidade. Todos são condenáveis e detestáveis.

Faltou também assinalar que o tom violento de moralidade, em nome da pátria, da família e da religião desses regimes, levaram, sem muito esforço de seus líderes, grupos de seguidores, principalmente de jovens, à prática de atos de repressão e terror contra qualquer opositor. Seus alvos são sempre as minorias excluídas e aqueles que contestam o regime.

Um exemplo foram as SS de Hitler e os franquistas. São as tropas defensoras das ideias dos seus chefes, ou como queiram, os guardas da esquina da ditadura no Brasil, que saíram pelas ruas e campos destilando todo seu ódio represado em suas mentes.

Na maioria das vezes, esses grupos surgem espontaneamente, por conta própria, cometendo seus crimes porque se sentem protegidos pela couraça do poder em vigor.