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ACADEMIA COMPLETA 10 ANOS E HOMENAGEIA MACHADO DE ASSIS

Ao completar 10 anos de atuação no dia 29 de setembro, a Academia de Letras de Vitória da Conquista prestou uma homenagem ao grande escritor e clássico na literatura brasileira e universal Machado de Assis (1839-1908) que escreveu 10 romances além de contos e poemas. O evento aconteceu no dia 28/09 (sexta-feira) e compareceram membros da entidade, poetas, escritores e convidados.

O secretário da Academia, Evandro Brito, falou do homenageado dizendo que Machado, de cor negra, tinha tudo para não dar certo porque nasceu pobre, era pessimista e para se sustentar vendia balas nas ruas do Rio de Janeiro. Não fez curso superior e era discriminado pelas elites da época imperial.

O fundador da Academia Brasileira de letras foi funcionário público até o fim da sua vida, mas se destacou como o maior escritor, conforme lembrou o acadêmico Aldaci Ferreira da Cruz que discorreu sobre sua vida e seu amor pela esposa Carolina Xavier que morreu antes dele. Destacou como uma das suas maiores obras, Memórias Póstumas de Brás Cuba.

Além do escritor, a reunião debateu também outros temas da atualidade brasileira, como o Brasil de hoje e o do amanhã. O jornalista Jeremias Macário fez um relato sobre as crises que o país enfrentou ao longo da sua história e disse que, pela sua vivência, esta é a pior de todas, entendendo que o Brasil ainda não chegou ao fundo do poço. Assinalou que ainda espera até o hoje o país do futuro como aprendeu nas escolas.

Em sua opinião, a curto prazo, diante do cenário político eleitoral atual de crise moral e ética, não existem perspectivas de melhora. Apontou a falta de um líder inspirador conciliador, como Tancredo Neves, para unir a nação, hoje dividida pelo ódio e pela intolerância. Sem uma reforma política total e uma revolução geral na educação, ele não vê saída para o desenvolvimento e a redução das desigualdades sociais.

Eron Sardinha de Oliveira também falou sobre o assunto, concordando em vários pontos sobre o quadro atual que não deslumbra melhora. Com relação ao confuso pleito, afirmou que não iria comparecer às urnas no primeiro turno porque os candidatos não oferecem confiabilidade. Para ele, só a educação levará o Brasil ao desenvolvimento e citou países como Japão e Alemanha que seguiram essa direção e hoje são potências. Diante do quadro conturbado, Eron prevê um golpe das forças armadas, o que ainda é pior para a nação.

Estiveram ainda presentes ao encontro da Academia a presidente Neuma Sueli Almeida Vieira, Rozânia Brito, Jaime Xavier de Santana, Marcos Rocha, Rafael Coqueiro, Irani Mendes, o trovador e cantor Francisco Xavier, Bianca de Fátima, Gildásio Amorim, Vandilza Gonçalves, Renato Teixeira Júnior e Alex Alves, o “Baducha” que nos brindou com sua cantoria.

A Academia vem mantendo uma parceria cultural com o Sarau A Estrada há quase um ano com a troca de conhecimento entre seus membros, que está dando certo. A intenção é a de também atrair jovens para os nossos centros de debates que são constantes, sempre focando na cultura, como será o próximo Sarau de novembro que colocará em discussão os “80 anos do livro Vidas Secas”, do escritor Graciliano Ramos, trazendo os fatos do passado para os dias atuais.

 

AS CURIOSIDADES NO MUNDO GREGO E SUAS FILOSOFIAS E SABEDORIAS (VI)

AS OLIMPÍADAS – Criadas em 776 a.C. – marco inicial da história grega –  os jogos olímpicos nasceram em Olímpia, cidade envolta em lendas aqueias que teve Saturno como primeiro competidor que batera vários recordes, seguido de Apolo. Lá, como cita o autor de “História dos Gregos”, Indro Montanelli, se encontravam, lado a lado, deputados esquerdistas de Atenas, filósofos e generais espartanos.

Pelo regulamento, as mulheres eram excluídas dos espetáculos e das competições, mas houve um caso de transgressão praticada por Ferenica de Rodes, filha de um grande campeão de luta. Passava-se por descendente de Hércules. Disfarçou-se de treinador para assistir a luta do filho que derrubou o adversário. No entusiasmo, precipitou-se ao ringe e o disfarce caiu. Como foi reconhecida, a lei a condenava à morte.

Acontece que Hércules, o campeão do mundo, desceu dos céus para testemunhar ao seu favor e reconheceu-a como sua própria descendente. A acusada foi absolvida. Para evitar que outro caso ocorresse, impuseram normas de que atletas e treinadores se apresentassem nus.

A primeira competição era a corrida dos duzentos metros (pista de 211 metros de comprimento por 32 de largura). Um atleta de Argos, ao vencer a corrida, não parou na meta, mas continuou correndo até sua cidade, distante quase 100 quilômetros e duas montanhas, para informar sobre seu sucesso. Depois vinha a corrida dupla de 400 metros e, por fim, o dólico, 14 quilômetros. Vinha depois o atletismo pesado.

O pugilato era só para homenzarrões forçudos do tipo Estratófanes. Lembrando o cão Argos de Ulisses que o reconheceu depois de 20 anos de ausência, um amigo lhe disse depois de um embate: Experimenta voltar para casa e verás que acolhida te fará teu cachorro!

Na corrida de cavalos, no hipódromo, com pista perigosa e traiçoeira de 770 metros, quase sempre havia mortes. Uma vez, de quarenta que partiram, só um chegou à meta. Chamavam Olímpia de cidade santa, mas nem tudo era assim. Os jogos representavam multidão, circo, barulho, prazeres e ladrões.

Alexandre, o Grande, considerou Olímpia capital da Grécia. Alcançou o apogeu no sexto século. Para os historiadores, as olimpíadas passaram a servir de base para contagem dos anos. Em 582 inauguraram os jogos pan-helênicos, os de Delfos, em honra de Apolo, e os ístmicos, em Corinto, em honra de Posídon. Em 576 criaram os de Niméia, em honra de Zeus.

Entre as disputas, não existia a maratona. O soldado Fedípoda, que fez a corrida de 20 milhas e nela perdeu a vida para anunciar a Atenas a vitória de Maratona, foi o único que não recebeu prêmios.  Olímpia conservou-se como capital dos esportes por mais de mil anos, de 776 a.C. a 426 d.C., quando Teodósio II mandou soldados destruírem até o edifício do estádio.

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O CAOS NO CEASA E A IRREGULARIDADE HABITACIONAL EM DEBATE NA CÂMARA

Mais uma vez, a precária situação da Ceasa Atacadão da Juracy Magalhães foi alvo de debate da sessão de ontem (dia 25/09) da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, que realizou também uma reunião especial para discutir uma revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), com ênfase nas irregularidades habitacionais da cidade, abrangendo mais de 80% dos imóveis, segundo parecer de corretores do setor.

Entre uma discussão e outra, a mesa diretora da Câmara, através do seu presidente Hermínio Oliveira, empossou o vereador Moisés da Silva Santos, mais conhecido como “Dida”, no lugar de Rodrigo Moreira, afastado em processo na Justiça que o acusou de cometer malfeitos em órgãos públicos.

Para quem frequenta a Casa em dias de reuniões, a impressão é que se está numa feira onde todos conversam ao mesmo tempo para negociar a venda e a compra de seus produtos, principalmente durante os debates e nos discursos dos parlamentares. Pouco se escuta. As atividades carecem de uma maior disciplina por parte da diretoria, para que haja um melhor aproveitamento, e até mesmo por respeito aos assuntos ali tratados.

CEASA E PLANO DIRETOR

Depois da fala de um representante dos comerciantes da Ceasa da Juracy Magalhães, apontando os pontos críticos do estabelecimento, como sujeiras e falta geral de estrutura, o vereador Dudé, líder do prefeito Hérzem Gusmão, fez um apelo para que todos se sentassem à mesa para resolver os problemas e discutir um projeto de construção de uma nova unidade.

A solicitação foi atendida pela presidência da Câmara que formou uma comissão composta por oposição e situação, para deliberar um trabalho para por fim ao caos que ali se instalou, como bradou o vereador Waldemir Dias. Mesmo sendo um local deficitário, os comerciantes pagam 80 mil reais por mês de aluguel pelo espaço.

O parlamentar do PT, Waldemir Dias, chamou o Ceasa de caos e terra de ninguém, onde qualquer um usa como quer, sem dar satisfação. Disse que a Câmara não pode se omitir quanto a questão, taxando o local de salubre. Para piorar ainda, Dias criticou duramente a Prefeitura Municipal por ter suspendido a fiscalização na área que não oferece nenhuma condição aos usuários em geral. O quadro é tão grave nque virou local para quadrilhas de furtos de veículos.

Quanto a sessão especial do Plano Diretor Urbano, a pedido do vereador Wladimir Dias, o foco principal dos debates foi a irregularidade habitacional. Lembrou o autor da proposta que o PDDU de 2006 deveria ter sido revisado em 2016, o que não foi feito, colocando que o plano tem uma defasagem de dois anos, emperrando, assim, o desenvolvimento da cidade, pois a grande maioria dos imóveis está irregular, sem o habite-se.

CONQUISTA REDUZ HOMICÍDIOS E TERÁ PRIMEIRO CENTRO DE EDUCAÇÃO E SEGURANÇA DA BAHIA

Com uma série de mudanças na estrutura da policia militar, como a prática do estágio dos alunos a soldados, com mais efetivo patrulhando as ruas nos últimos meses, e a introdução de operações de prevenção ao crime (Pacto pela Vida, Conquista Segura e Visão Noturna), o número de homicídios em Vitória da Conquista começou a cair bastante.

Dá para se perceber que a cidade, principalmente o centro, está mais guarnecida e as pessoas se sentindo mais seguras. O coronel Ivanildo, que assumiu o comando regional da polícia em julho, não quis falar de segredo de trabalho, e atribui mais os resultados positivos a esses novos projetos que foram colocados em funcionamento neste segundo semestre. “Nisso tive sorte” – confessa, com seu jeito modesto de falar.

Coronel Ivanildo discorreu sobre a lei de 2010 que definiu a organização estrutural da polícia, como a Companhia Independente da Polícia (77,78 e 92), esta última voltada para a segurança rural, e o 9º Batalhão que passou a cuidar, exclusivamente, do ensino, instrução e capacitação dos soldados. A partir de março, os alunos da escola a soldados começaram a estagiar nas ruas.

Neste mês de setembro, algumas operações estruturais, como Pacto pela Vida (combate às drogas), Conquista Segura e Visão Noturna foram colocadas em ação, passando a se ter um policiamento na mancha criminal, isto é, nas áreas de maior incidência, o chamado mapa da criminalidade.

Em paralelo à repressão, o comando regional da polícia militar vem desenvolvendo um trabalho social nas comunidades mais carentes, visando a prevenção. Nesse sentido, a Base Comunitária de Pedrinhas (Nova Cidade) realiza aulas de judô, karatê, xadrez, balé e outras atividades.

A partir de julho, quando o coronel Ivanildo assumiu o comando da Companhia Regional da Polícia até o último dia 24 de setembro, foram registrados 19 homicídios em Vitória da Conquista, contra 27 no mesmo período do ano passado. Só de julho a agosto houve uma redução de 50%. Em sua opinião, pela proporção da cidade (a terceira maior da Bahia), Conquista não pode ser considerada entre as mais violentas.

O maior número de homicídios, cerca de 90%, ainda é decorrente do tráfico de drogas (Conquista é passagem do Sul para o Nordeste), conforme assinala Ivanildo, com os crimes mais concentrados nos bairros Patagônia, Urbis V, Vilas Serranas, Senhorinha Cairo, Miro Cairo, Ibirapuera e adjacências.

Por estratégia, o comandante evita citar número do contingente policial em ação em Conquista, mas adianta que trabalha hoje com 35 viaturas militares, fora as da Caesb, Federal e da própria Policia Rodoviária Federal. Nos últimos anos, o efetivo militar aumentou em mais de 20%.

CENTRO INTEGRADO DA BAHIA

Outra boa notícia nesta área é que Conquista vai sediar o primeiro Centro Integrado de Educação, Segurança e Desportos da Bahia. Em parceria com a Secretaria de Desportos do Estado, a partir de outubro será iniciada a construção do centro no bairro de Campinhos, que contará com uma pista oficial de atletismo, sede da companhia regional e uma escola para 1.100 alunos nos três turnos.

Um dos objetivos do projeto, que estará concluído no próximo ano, é a inserção dos jovens nos esportes e no ensino profissionalizante. Outra ideia é que o colégio tenha o mesmo formato das já existentes escolas militares. Isso ainda está em discussão, mas tudo indica que será aberto neste estilo.

Atualmente, o comando da Companhia Regional, em Vitória da Conquista,  compreende 94 municípios, abrangendo cerca de dois milhões e 300 mil habitantes, incluindo Jequié e Guanambi.

 

O DESCASO PARA COM A CULTURA E O TÍTULO DE PATRIMÔNIO AO CORDEL

Pelo mínimo de atenção que nossos governantes e o setor empresarial dão à nossa raquítica cultura, não basta o gesto de transformar uma linguagem artística popular em patrimônio cultural nacional como fizeram agora com a secular literatura de cordel, tão cantada e decantada no Nordeste. Não passa de mais uma atitude de embromação de que estão fazendo alguma coisa pela nossa memória.

Esse tipo de reconhecimento que sempre não sai de um documento de papel, seja de ordem material ou imaterial, não apaga os anos de abandono da cultura, mesmo porque essa política ignorante de país atrasado subdesenvolvido já destruiu e eliminou do nosso mapa centenas e milhares de patrimônios culturais, como agora aconteceu com o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

São tão ridículos que criaram tal de Agência Brasileira de Museus (Abram) no lugar do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), como se a troca de siglas, ou das letras “A” pelo “I”, fosse resolver o problema do setor. Não têm a mínima vergonha na cara de dizerem que a agência vai reconstruir o museu e dar suporte à preservação de outras 27 instituições do país. Com atestado de mediocridade, sempre fazem isso com a maior cara de pau.

Faço aqui uma vênia para reverenciar os grandes cordelistas cearenses Cego Aderaldo e Patativa do Assaré, este último um titã do Nordeste, destacando “Triste Partida”, composição gravada pelo mestre “Gonzagão”. Homenagem merecida também ao alagoano Rodolfo Cavalcanti e aos baianos José Gomes, o Cuíca de Santo Amaro e ao nosso Bule-Bule ainda com seu pandeiro nos batuques da vida.

O Cuíca vendia seus livros a preços populares por toda Salvador, fazendo ponto nas partes alta e baixa do Elevador Lacerda. Pela sua irreverência, infernizando a vida de grandes personagens da sociedade, era sempre preso pela polícia, tendo conseguido um salvo-conduto expedido pelo então  governador Otávio Mangabeira.

Sou amante do cordel e dos repentistas desde menino quando via nas feiras estes cantadores e os papeizinhos miúdos de versos recitados por nordestinos sertanejos, contando as histórias e estórias do nosso povo. Seus causos sempre sacudiram minha imaginação, como numa viagem ao mundo dos mitos e das lendas. Não é de diploma que o cordel necessita, e essa ação não me empolga em nada.

Esses impressos em papéis de segunda ou terceira categoria sempre tiveram o caráter noticioso, escritos por verdadeiros repórteres do povo, mas os acadêmicos, com suas arrogâncias de sábios que nada sabem, sempre torceram a cara e trataram essa cultura popular como literatura de nível inferior. Poucas vezes foi estudada nas escolas, nos cursos de graduação ou mestrado.

Portanto, não é esse título isolado de patrimônio cultural que vai mudar este cenário de desprezo, nem a mentalidade política e acadêmica a respeito da grande importância que exerceu e ainda exerce o cordel na sociedade em geral. Prova disso é que não houve até agora mudanças políticas no sentido de apoio integral com relação a outras atividades culturais que também foram agraciadas, como o samba, o frevo, o acarajé e outras expressões.

Fosse assim, nosso patrimônio arquitetônico, museus e monumentos estariam em ótimos estados de conservação. Muito pelo contrário, estão todos em ruínas e muitos desapareceram ou viraram cinzas. Aliás, a nossa cultura se arde e é consumida pelo constante fogo criminoso da irresponsabilidade. Em trajes esfarrapados e maltrapilhos, é assim que vive hoje nossa triste história, sempre caminhando para ficar completamente nua pelos incêndios e desabamentos.

OS TRÊS “CAPETAS” DAS MALDADES

Existem no Brasil três meninos “capetas” mimados, do tipo dos mais traquinos que passam todo tempo infernizando nossas vidas. Eles cresceram brigando entre si como irmãos, primeiro pela disputa de seus brinquedos e, depois como adultos, por bens materiais, muito dinheiro e poder.

Hoje estão velhos caducos, retrógrados e ultrapassados, mas com a mesma mentalidade de meninos peraltas mal-educados, individualistas, egoístas e oportunistas que só pensam neles. Desde o início, a criação deles, como de pais desleixados, foi deformada, cheia de gostos e sempre tiveram de tudo que queriam.

Como birrentos e calunduzeiros, o resultado não podia ser outro, de muita extravagância e indiferença para com seus semelhantes. Se nunca deram bolas para seus pais, deixando-os na pior, imagine para com os outros! Simulam cuidar dos seus e do lugar onde vivem, mas é tudo mentira e engano.

Com o tempo, apreenderam a cometer crimes horrendos porque nunca foram punidos como deveriam. A correção veio tarde e, mesmo assim, quando apontados e pegos em flagrantes delitos, se juntam para de pé junto jurarem inocência. Um protege o outro nas suas gatunagens e crimes, libertando-os e até aumentando suas granas por conta própria.

Como disse acima, esses três “capetas” sempre estão atirando pedras um no outro, tudo por causa de diferenças entre as polpudas mesadas que recebem, de tão mal-acostumados desde meninos. Irritam-se quando se sentem ameaçados e pressionados em seus territórios, mas se unem para livrar a cara do outro.

E assim, na base do um ajuda o outro nos malfeitos, quando a coisa está feia para seus lados e existe risco de perdas de suas grandiosas posses, adquiridas na forma da exploração dos mais fracos, eles vão arruinando a vida dos outros, minando todas as forças de uma rica terra, ao ponto de deixarem um rastro de miséria, desespero, incertezas e desesperanças.

Só para citar alguns dados das suas maquiavélicas ações de “capetas”, eles conseguiram criar uma multidão de mais de 23 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, mais de 30 milhões de analfabetos, mais de 13 milhões de desempregados, sem contar o absurdo de deixar que 63 mil morram vítimas de homicídios por ano, mais de 50 mil em acidentes de trânsito, além de um número superior a 150 mil que falecem ao ano por falta e negligência no atendimento médico.

Se for aqui discorrer as desgraças humanas provocadas por estes “capetas”, os números representam uma verdadeira catástrofe sem igual em outras partes do planeta e, tudo isso, porque eles negam aos outros, por pura maldade, um bem maior por direito que é a educação de qualidade, Dão o que é de pior para que todos se deixem ludibriar pelos seus galanteios.

Dizem por aí que um fiscaliza e vigia o outro, mas é tudo papo furado, conversa pra boi dormir. Agora mesmo eles estão ai, todos alvoraçados correndo pra lá e pra cá, visando voltar para seus palacetes e manter suas mordomias e poderes. Eles mesmos manipulam e constroem seus pesados esquemas e sistema para que tudo permaneça como antes.

Brigam e batem boca, dizendo que vão cortar benesses, mas tudo não passa de balela, só para atrair e envolver a plateia ignara, dividida em ódio e intolerância. No retorno, eles se recompõem para defender entre si seus interesses e tramar mais maldades e sofrimentos.

 

 

 

EU SÓ QUERIA ENTENDER!

Todo pleito eleitoral, no seu conjunto, neste Brasil dos coronéis, significa uma Falsa Notícia. Aqui mesmo, em Vitória da Conquista, há anos os candidatos prometem construir o aeroporto e uma barragem para abastecimento de água. As obras nunca chegaram. Mesmo assim, sempre são eleitos. Eu só queria entender! Falta de memória? Falta de consciência política?

Os movimentos negros, principalmente, sempre acusaram que Salvador, a capital mais africana do Brasil, nunca elegeu um governador ou um prefeito afrodescendente, justificando aí a força do racismo. No entanto, quando surge um candidato, como agora na figura de uma mulher, nenhuma dessas entidades aparece para apoiá-la e votar nela. Pelo que vemos, o apoio é para o outro do PT, inclusive todos apresentadores do programa do partido são negros. Onde está este racismo? Eu só queria entender!

Fosse um cidadão comum e logo estaria preso por injúria, racismo, xenofobia, homofobia e outras coisas mais. Como foi o Bolsonaro valentão que tratou os quilombolas de animais com peso pesado de arrobas que não prestam nem para reprodução, suas palavras foram julgadas pelo Superior Tribunal Federal como grosseiras e vulgares. Como deputado, ele tem o direito de expressar o que quiser, inclusive chamar uma mulher de vagabunda e que outra não serviria nem para ele estuprar.

Bem, gente, eu só queria entender como funciona a cabeça deste Brasil que, há muito tempo, deixou de ser o meu país para ser só deles, os intocáveis, que tudo pode fazer, sem serem punidos. O valentão que promete resolver tudo na bala, em nome de Deus, da família e da pátria, pode ser eleito presidente da República. Doideira pura, meu! E ainda dizem que as eleições são a saída para tirar o país do buraco sem fundo. Eu só queria entender!

Na disputa entre fanáticos, como menino de recado, grita o populista ex-prefeito de São Paulo, um dos piores das capitais, que em nome de seu chefe presidiário, o “povo vai voltar a ser feliz”. Vota-se em um para eleger o condenado. Enquanto a caravana passa nesse fogo acirrado, a multidão ignara desfralda bandeiras vermelhas, amarelas, azuis, rosas e ate pretas, todas cortando as avenidas e praças rumo a um destino incerto em meio a tanto ódio e intolerância de que um é o deus e o outro é o diabo.

Atrás segue o cordão de mais mafiosos de um chamado centrão ganancioso que até há pouco tempo fazia parte da mesma “família unida” que roubou o Brasil no mensalão, saqueou a Petrobrás e sugou como vampiros os recursos da saúde, da educação, da segurança, das crianças e dos idosos, matando milhares e deixando milhões no desespero. Ainda tem a corrente da prepotência e da arrogância, que ora morde e ora sopra os da frente para conseguir seus adeptos.

Tudo embolado nos mesmos discursos repetitivos, a turma dos menos poderosos, sem tempo, sem fala, sem visibilidade e força para enfrentar a disputa de igual para igual, funciona como simples figurinistas dessa ópera bufa. Aos olhos dos seguidores fieis dos pelotões de elite, esse grupo nem existe. Apenas faz parte de um teatro tupiniquim.

Vejo hoje gente se arrastando pelo chão do asfalto, como súditos escravos, atrás de seus ladrões, mentirosos, embusteiros e estelionatários de promessas que só pensam em seus interesses para manter o poder das mordomias e das benesses, quando até há pouco tempo juravam de pé junto que iriam dar o troco em toda essa corja de políticos. Tem ladrão jogando beijinho para seus seguidores e bajuladores de sempre.

Todos vão voltar para seus devidos lugares, e ainda vão levar seus herdeiros para lá, onde sempre estiveram fanfarreando e nos mandando bananas podres. Eu só queria entender o porquê de não existir limites neste país para tanta submissão e escravidão? Só deve ser a ignorância, ou tudo é uma geleia geral!

VITÓRIA DA CONQUISTA EM DEBATE NO “SARAU A ESTRADA”

O foco das discussões dessa vez do “Sarau A Estrada” que está completando oito anos de existência foi “A Formação de Vitória da Conquista, de povoado à capital do sudoeste”. O assunto foi de grande importância, pena que sentimos a ausência de companheiros em nosso evento que poderiam ter muito contribuído para um debate mais aprofundado.

Mesmo assim, cumprimos com o nosso dever de seguir nosso formato, de antes das cantorias, violadas e das declamações de poemas e causos, colocar o tema proposto em questionamento. Dessa forma, os trabalhos da noite do último sábado, dia 15 de setembro, foram abertos pelo jornalista e escritor Jeremias Macário que colocou na mesa três pontos que ainda merecem ser mais estudados, como a data de emancipação da cidade, uma história que precisa ser reescrita e por que o fundador da vila é pouco lembrado?

No primeiro ponto, Macário abordou a questão da data de emancipação, 9 de novembro de 1840 levando em conta a posse do Conselho Municipal da vila, criada pelo Decreto Imperial em 19 de maio do mesmo ano. Acontece que a vila continuou dependente da comarca de Caetité e Jacobina, para resolver conflitos jurídicos e políticos. Na verdade, Conquista só se tornou cidade em 1º de junho de 1891, depois da Proclamação da República. Passou a se chamar Vitória da Conquista em 1943.

Por que, então, municípios como Ilhéus e Porto Seguro, bem mais velhos como vilas, celebram suas emancipações com base na passagem para cidade, com menos anos de independência? Ilhéus, por exemplo, passou a comemorar a partir de 1881, mas já era vila em 1534. Porto Seguro completou, em 28 de junho último, 132 anos de emancipação, se bem que já era vila 1534.

Até pouco tempo, Caetité seguia esta norma, mas decidiu reunir um grupo de intelectuais e fazer o mesmo que Conquista para justificar que é bem mais velha como vila. Cachoeira nasceu às margens do rio Paraguaçu no século XVI. Em 1698, a freguesia alcançou a categoria de vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira. Somente em 13 de março de 1837 foi elevada à cidade, data em que comemora sua emancipação política.

Sobre uma história que precisa ser reescrita, ele apontou que a caixa preta de Conquista ainda não foi aberta, e só quem pode fazer isso é a Igreja Católica através do documento da Propaganda Fide, dos Capuchinhos, em Roma. Por fim, o fundador João Gonçalves da Costa não recebe de Conquista a merecida homenagem. Com seu nome só existe uma pequena praça perto da prefeitura, bem escondida.

O rei de Portugal, na época D. João V, já no final do século XVIII, enviou os bandeirantes para esta região, para procurar ouro, vigiar e fiscalizar a rota dos minerais para a corte (evitar o contrabando), ou, simplesmente, para aqui implantar pastagens de gado e lavouras?

Estes e outros assuntos foram levantados, mas, a conclusão mais lamentável foi a de que o conquistense ainda conhece muito pouco sua história. Quem desconhece seu passado, tem dificuldade com o presente e não sabe construir o futuro. As escolas não discutem o tema como deveria.

No mais, o Sarau do “Espaço Cultural A Estrada” contou com as presenças dos músicos e compositores Baducha, Mano di Souza, Moacir Morcego e a visita, pela primeira vez, da cantora Larrisa que nos brindou com sua simpatia, delicadeza e belíssima voz. Disse ter adorado o encontro e agradeceu a todos por ter sido bem recebida. Sentimos a falta de frequentadores mais assíduos que não justificaram suas ausências.

Tivemos ainda Jeshus com seus causos, os fotógrafos Zé Silva e D´Almeida, Edna que declamou o poema “Senhora Conquista” com sua eloquência e grande capacidade decorativa, Evandro Gomes e sua esposa Rozânia, da Academia de Letras de Vitória da Conquista, a psicóloga e poetisa Regina, professor Jovino e Tânia, Jackson e sua esposa, Rosângela e João.

Como se trata de um “Sarau Colaborativo”, depois dos debates, as canções e as declamações foram também incrementadas e animadas por um bom bate papo descontraído, temperado ao vinho, uma cerveja gelada e tira-gostos. Lá pela madrugada, a anfitriã, Vandilza Gonçalves serviu uma deliciosa dobradinha, feita por ela, com salada orgânica da nossa horta caseira, que todos se serviram e agradeceram aos deuses do Olimpo, ou da noite cultural.

 

FALTA DE UM INSPIRADOR DA ESPERANÇA

O enredo e os personagens são os mesmos que não mais atraem os expectadores. O que existe é um vazio e um afastamento da cena antes do seu final. As pessoas perderam o entusiasmo, e o que seria um espetáculo, virou uma ópera bufa.

Diante de tanto desalento, de desespero, de angústia, da descrença, da nulidade da política, de tanto ódio e intolerância, o povo brasileiro precisa de um inspirador de utopias e sonhos que renove as esperanças de melhora do ambiente e faça o indivíduo acreditar numa nova República, com outra feição, porque esta foi está desbotada e não dá mais para recompor.

Na verdade, não precisamos de tiros e balas para acabar com a violência e devolver a segurança à nação, nem de centrões, de extremos, de direitas, de esquerdas, de promessas genéricas para aumentar o emprego, melhorar a saúde e a educação, mas de um líder conciliador que faça as pessoas voltarem a ter brilho nos olhos e acreditarem no poder da fé. Um tipo Tancredo Neves que falou da esperança de um país novo depois da ditadura civil-militar.

Os discursos maquiados e rebuscados, os conhecimentos de gestão, de economia, de passagens em cargos nos legislativos e executivos, os dados estatísticos e os cálculos do que pode ser feito, não estão mais empolgando  os brasileiros, depois de tanto apanhar e ser roubado durante anos e anos. O que se quer, acima de tudo, é uma presença de uma força que brote de uma liderança com capacidade de unir o que foi dividido.

Mais do que entender e prometer solucionar os problemas cruciais, como a desigualdade social, a pobreza, a corrupção e as injustiças, o Brasil precisa de alguém que faça o povo acreditar no projeto de renovação humana, numa corrente coletiva de solidariedade. Os que estão ai no blábláblá não convencem mais. Afinal de contas, o país virou uma terra em ruínas e dividida por eles mesmos. Estes têm a capacidade de unir a nação e limpar os escombros?

Não basta ser honesto e pregar o fim da corrupção; dizer que vai reduzir os gastos públicos, cortar as mordomias; e reformar a velharia, se não tiver aquela magia de fazer as pessoas vibrarem com suas palavras e confiarem firmemente nas mudanças. Sem um inspirador de esperanças que una toda nação, fica difícil chegar lá e concretizar o resto.

No mais, tudo parece morno e frio, com revanchismos, disputas ideológicas vazias, conservadorismos, preconceitos, retrocessos de ideias, violência para combater violência, idiotices e prepotências. São os mesmos grupos, em separado e individuais, apoiando grupos politiqueiros. Tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes. Nada mudou, e os mesmos serão eleitos, muitos dos quais “confessando” que por obra e graça da providência divina. Eles se acham até os eleitos por Deus, na base dos nós contra eles, e vice-versa.

AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO NA REVOLUÇÃO DOS FILÓSOFOS (V)

SOFISTAS – Com o tempo tomou significado depreciativo, mas na Grécia, o termo “sofistas” significava mestres da sabedoria. Assim foi Protágoras de Abdera, que em Atenas fundou uma escola. Os sofistas prezavam a argumentação e a dialética, coisas que hoje são vistas como sofisma. Um dos que se refugiava no sofisma era Sócrates, conforme enfatiza o autor Indro Montanelli em seu livro “História dos Gregos”.

Pode-se dizer que Protágoras foi o inventor do método socrático. O que mais preocupava a mente dos gregos era o problema da origem das coisas. Tanto assim que quase todos seus livros se intitulavam “Da Natureza”, que procuram esclarecer a formação do mundo e as leis que a regem. O bem e o mal, e o próprio deus não passavam de verdades subjetivas, sujeitos a contestações?

Protágoras respondeu que sim. Diante disso, o governo o expulsou. Confiscou seus bens e queimou seus livros em praça pública. Embarcou para a Sicília e tudo indica que morreu num naufrágio. Dizia não acreditar em deus. Deixou esse germe da dúvida no seio do povo ateniense.

Em seu lugar ficou Górgias. Seu ceticismo se resumia em “nada existe fora do que o homem pode perceber com os sentidos; se alguma coisa existisse, nunca a perceberíamos; e mesmo que a conseguíssemos perceber, não o conseguiríamos comunicar aos outros”.

Antes de morrer, Górgias teve o bom senso de gastar todo o seu patrimônio. Depois deles vieram muitos sofistas menores. Eles estimularam o espírito dialético. Ensinaram os atenienses a raciocinar por esquemas lógicos e contribuíram para formação de uma língua precisa.

Sem eles, o Sócrates não teria se tornado no que se tornou. Fundaram o “Clube do Diabo” onde se dedicavam a solenes comilanças nos dias em que o calendário recomendava jejum. Sócrates condenava essa atitude por parte dos sofistas, no sentido de suprimir a tradição e as superstições.

Na verdade, eles lançaram as bases do grande conflito filosófico, que dura até hoje, entre o idealismo e o materialismo. Um deles foi Parmênides com seu sarcasmo e mordacidade. Implicava com todos, especialmente com Pitágoras, a quem acusava de histerismo. Inverteu a tese de Heráclito, para quem tudo passa e se transforma. Na sua ótica, tudo permanece, e a transformação é apenas ilusão de nossos sentidos. Nada começa, nada “se torna”, nada se “acaba”.

O seu aluno Zenão o vulgarizou num livro de paradoxos, quando disse que a flecha que voa, na realidade está parada no ar, porque a cada instante de sua aparente corrida, ela ocupa um ponto parado no espaço. Logo, sua parábola nada mais é do que o engano dos nossos sentidos. Segundo ele, o corredor mais veloz não pode ultrapassar uma tartaruga, porque toda vez que alcançar a posição dela, ela já a passou.

Leucipo foi outro que veio de Mileto para Eléia pelo ano de 435 a.C. e, depois, em Abdera, abriu uma escola para desenvolver o conceito do não ser, do vácuo. A criação é uma combinação de vácuo e de átomos. A alma, por exemplo, não passa de uma combinação de átomos.

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