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:: 4/ago/2018 . 0:09

OS LADRÕES DE ALMAS DO SERTÃO

Sem o pássaro preto, o cardeal, o azulão, o sabiá, o sanhaço, os periquitos, o galo de campina, o caboclinho, o papa capim, a coleira, as araras azuis, os papagaios, os tico-ticos, a nambu, a perdiz e outros animais silvestres da fauna como o tatu, o teiú e o veado, o nosso velho sertão, cansado e castigado por estiagens e ações dos homens, fica sem a sua verdadeira alma e vira um esquelético espantalho fantasmagórico.

Se alma é vida, quem vai cantar o sertão verde e renovado com as chuvas? Quem vai brindar com seus voos e agradecer a benção divina das águas caídas lá dos céus? Sem melodia e sem o estribilho das aves, a caatinga perde sua maior beleza e se torna um bioma sem ternura e sem os mistérios da vida. Não basta a sua aterradora desertificação que se vem processando há anos?

Prender seus pássaros e arrancá-los do convívio do seu lar é o mesmo que extirpar a alma do sertão. Nas gaiolas eles não cantam e fazem festa, lamentam a dor do cativeiro como o negro escravo do Alabama nas fazendas de algodão, ou no Nordeste nos engenhos de canas de açúcar.

Contra estes ladrões de almas e assassinos da fauna sertaneja, ainda bem que esta espécie de bioma, a única no mundo, tem contado com a ação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia-Inema, do Ibama e dos movimentos ambientalistas em parceria com as polícias civil, militar e até a federal, como ocorreu recentemente (dias 24 a 28 de julho) em Senhor do Bonfim, no nordeste do estado.

Lá está a mão severa do primo Washington Macário de Oliveira, do Inema, com seus notáveis casos de disfarces para agarrar os criminosos do sertão. Como xerife durão que visita os mais longínquos lugares da Bahia, não costuma perder viagem, seja no campo em pontos mais escondidos ou nas feiras das cidades. Seu maior prazer é soltar os bichos, para raiva dos caçadores.

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NO CASO DE VITÓRIA DA CONQUISTA E OS EDUCADORES BRASILEIROS E BAIANOS

Por Carlos Gonzalez – jornalista

O descaso das autoridades governamentais neste país com o magistério pode ser tomado como medida aqui mesmo em Vitória da Conquista, onde a administração municipal se recusa a ouvir os professores, que reivindicam uma melhoria nos seus baixos salários.

Como se ainda estivéssemos no período da ditadura, que via no mestre, em sala de aula, um inimigo do regime, capaz de “fazer a cabeça” dos jovens, a Prefeitura de Vitória da Conquista multa em 17 mil reais o sindicato da categoria por ter protestado no interior do prédio da municipalidade, que pertence a todos que aqui trabalham e ajudam a pagar, com a cobrança de impostos, os salários de quase 9.000 servidores.

Eu não arriscaria a afirmar, pois tenho conhecimento apenas de seus métodos de governo, mas acredito que o Sr. Herzem Gusmão testemunhou, na infância e na juventude, o sacrifício do professor da escola pública. Um religioso, temente a Deus, que sempre cita o nome do Mestre dos Mestres em seus pronunciamentos públicos, não pode ser algoz daqueles mais necessitados.

Amigo Jeremias, eu não aprendi as primeiras letras com professores leigos da roça, onde você passou os primeiros anos de vida. Estudei em Salvador, na Escola Getúlio Vargas, Instituto Normal da Bahia, ambos no Barbalho, e Colégio Estadual da Bahia, no bairro da Liberdade. Diante do clima que existe hoje no interior das salas de aula, onde o professor não é respeitado, lembro-me que, na minha época, ele era visto como um educador, que se orgulhava do título de professor. Os alunos o recebiam de pé em sua entrada em sala.

No alto do pedestal dessa honrosa categoria profissional coloco um baiano, nascido em Salvador, em abril de 1917. Professor de Português e de História Geral e do Brasil, Adroaldo Ribeiro Costa, bacharel em Direito, exerceu vários cargos no campo do magistério do nosso estado. No entanto, a vida do Professor Adroaldo, como era chamado, ficou marcada pela criação do teatro infantil no Brasil, chegando a reunir 100 crianças e adolescentes em suas peças.

Contrário ao senso comum, Adroaldo é tratado hoje como autor do Hino do Esporte Clube Bahia. O seu nome deveria figurar entre os maiores educadores brasileiros, ao lado de Anísio Teixeira (1900-1971), Darcy Ribeiro (1922-1997), Paulo Freire (1921-1997) e Florestan Fernandes (1920-1995).

Companheiro de redação, no período do jornalismo romântico, sem internet e celular, que atualmente tanto ajudam os novos na profissão, você continua a clamar contra o que há de errado neste país. Aposentado, criou o blog “aestrada” para lhe servir de tribuna. Talvez ainda não tenha se dado conta de que vivemos numa terra devastada. A corrupção, sem a necessária punição, corroeu o que havia de fértil.

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