OS GRANDES ARQUEÓLOGOS DA HUMANIDADE

Mais de cinco mil anos de história e pouco se perdeu das grandes civilizações em termos de conhecimento que hoje temos em praticamente todas as áreas da vida. Parte do nosso modo de pensar e de sentir provém dos sumerianos, dos acadianos e babilônios. A sabedoria e a filosofia foram herdadas deles e de outros povos antigos, como os egípcios, gregos e romanos.

Essas evidências foram confirmadas cientificamente através das grandes descobertas de arqueólogos alemães, franceses, ingleses e norte-americanos, principalmente, os quais enfrentaram as adversidades do clima, do solo, ladrões de túmulos reais e até de salteadores violentos em escavações nas cidades milenares cobertas por terras que já foram  esplendor do mundo.

Toda história dessas façanhas arqueológicas, tendo como base escritos de Homero, Heródoto, da Bíblia e de outros narradores, está no livro “Deuses, Túmulos e Sábios”, do autor C.W. Ceram que também enveredou pelos caminhos da América do Sul e Central, para contar as influências dos maias, toltecas e dos astecas. Na obra está a vida dos grandes generais guerreiros e lendários reis que se eternizaram.

O livro, editado lá pela metade dos anos 50 do século passado, começa descrevendo os achados de Cavaliere Rocco Giocchino de Alcubierre, a pedido de Carlos de Bourbon, rei das Duas Sicílias. Nas cidades de Pompéia, destruída pela erupção do Vesúvio no ano de 79 d.C.,  e Herculano, foram encontrados, em abril de 1748, seis pinturas murais e 19 cadáveres.

NASCE A CIÊNCIA DA ANTIGUIDADE

Com Winckelmann, professor e filho de sapateiro alemão, nasce em 1763 a ciência ao escrever “História da Arte da Antiguidade” enquanto exercia a função de inspetor geral de todas as antiguidades de Roma.

Outro notável e gênio foi o alemão Heinrich Schliemann, menino pobre, mas ambicioso, que descobriu Troia através de Homero. Aos 10 anos de idade, em 1832, escreveu sobre Troia e as Aventuras de Ulisses e Agamenon. Logo cedo aprendeu sueco, polonês, inglês, francês, espanhol, árabe, holandês, português, italiano, grego, latim e outras línguas antigas.

Depois de ter andado por muitas partes do mundo e juntado fortuna como comerciante, em 1871 cavou por dois meses as colinas de Hissarlik, para descobrir a história que ali se passou há mais de três mil anos. Depois de incansável persistência, pela primeira vez, em 1878, aos 54 anos de idade, realizou escavações em Troia nos arredores de Micenas e Tirinto até ter encontrado túmulos reais, o tesouro de Príamo e a máscara de Agamenon.

 O inglês Arthur Evans, nascido em 1851, decidiu seguir os passou de Schliemann e fechar seu círculo, mas era o oposto do colega porque fez estudos acadêmicos completos em várias universidades. Iniciou suas escavações em 1900 e se tornou professor de arqueologia em Oxford, em 1909.

Orgulhoso, não hesitou em anunciar para o mundo a descoberta do Palácio de Minos, filho de Zeus, pai de Ariadne e Fedra, senhor do labirinto de Minotauro. Narra a história que Minos, rei de Cnossos, de Creta, enviou seu filho Androgeu a Atenas para participar dos jogos e saiu-se vencedor.

Até ai, tudo bem, só que foi trucidado de inveja por Egeu, rei de Atenas. Irado, o pai de Androgeu enviou sua esquadra contra Atenas e derrotou-a, impondo terrível expiação. De novo em nove anos, os atenienses tinham de mandar o melhor da sua juventude, sete mancebos e sete virgens para serem sacrificados ao monstro de Minos.

Na terceira vez, Teseu, filho de Egeu, depois de longas jornadas de conquistas, ofereceu-se para ir a Creta com os casais a fim de matar o monstro. Mesmo imaginando que ele estava condenado à morte, Ariadne enamorou-se do herói e deu a ele uma espada para a luta e um novelo, cuja extremidade ela seguraria enquanto Teseu entrasse no labirinto.

Como todos sabem, ele venceu o monstro e saiu do labirinto através do fio de lã. Tão empolgado, na volta esqueceu de mudar as velas do barco, de negras para brancas, conforme combinado como sinal da sua vitória e de que estava vivo. Ao ver o negror das velas, seu pai Egeu atirou-se ao mar.

O desenhista Dominique Vivant Denon foi um grande colaborador do arqueólogo Jean François Champolion na expedição de Napoleão ao Egito, em 1798, quando visitou as pirâmides de Guizé, ou Gizé. “Soldados, de lá de cima quarenta séculos vos contemplam”! Quem não se lembra dessa exaltação do general francês! Após sua jornada, Vivant escreveu “Voyage danas la Haute et la Basse Egypte”.

Champolion foi outro gênio extraordinário da humanidade. Com cinco anos fez seu primeiro trabalho de decifração. Aos 12 escreveu “História de Cães Famosos”, e aos 13 aprendeu árabe, siríaco, caldeio, copta e chinês antigo. Com 17 anos, em 1807, fez o primeiro mapa histórico do Egito e escreveu “O Egito sob os Faraós”. Em julho de 1828 realizou uma expedição ao Egito e coube a ele a descoberta da Pedra da Roseta. Era  obcecado pelos hieróglifos.

Howard Carter, juntamente com Giovanni Battista Belzom, o colecionador, foi outro grande estudioso das pirâmides (abriu a de Quéfren) e descobriu, em 1817, em Tebas, o túmulo de Seti I, predecessor do Ramsés.

Richard Lepsius esteve no Egito por volta de 1843/45 onde fez a descoberta de vários monumentos do antigo império, bem como das mastabas – câmaras mortuárias dos menos poderosos, ou covas abertas nas areias.

Lepsius foi o fundador da moderna egiptologia científica e realizou escavações do tempo da unificação do Egito pelo rei Menés (2.900 a.C.). Seu trabalho serviu para constatar como os estudos dos arqueólogos contribuíram na descoberta do calendário anual egípcio desde 4.000 anos a. C.. A descoberta forneceu a base para o calendário Juliano, introduzido em Roma, em 46 a.C., usado até que foi substituído pelo Gregoriano, em 1582 da nossa era.

J.H. Breastest escreveu a melhor história do Egito, e o arqueólogo francês August Mariette se dedicou aos estudos e descobertas dos cultos perdidos. O inglês William M. Flinders Petrie, aos 10 anos, começou a se interessar por explorações egípcias.

Petrie foi outro prodígio que nasceu em Londres, em junho de 1853. Aos 27 anos foi ao Egito e durante 46 de sua vida realizou explorações em pirâmides, túmulos e casas de sarcófagos, criadas por concepção religiosa na crença da trajetória da vida além da morte.

Durante seu trabalho no Egito, onde escavou um poço  na pirâmide de tijolo do rei Amenenhet III, o pacificador,(1894 a 1801 a.C.), Petrie acompanhou de perto a audácia dos ladrões de túmulos, verdadeira indústria organizada em aldeias.