O modus operandi da ação desastrosa da polícia militar que vitimou a menina Maria Vitória, em Amargosa (BA), é muito parecido com o do menino Maicon há um ano e sete meses, em Vitória da Conquista (BA), sem contar que estes fatos têm sido constantes em outros estados brasileiros.

Uma diferença é que em Conquista quase todo mundo ficou calado e não houve revolta da população. Em Amargosa, moradores foram às ruas e se indignaram contra o procedimento estúpido de dois policiais que nunca deveriam exercer a profissão. Coisa de bandidos!

Quando as pessoas se rebelam, depois de tantos crimes cometidos pelo estado, aparecem “representantes da mídia” para chamar o povo de vândalo. Os governantes não se mobilizam para reformular uma corporação militar arcaica há muitos anos e nós é que somos chamados de vândalos.

O ex-presidente Lula sempre aponta que a mídia é mais um segmento da elite em defesa de seus interesses, mas esquece de dizer que essa mídia sempre esteve ao lado do governo quando a força da repressão recebe ordens para conter protestos e manifestações.

Quando percebe que pode perder algum espaço no seu latifúndio, a grande mídia, principalmente, sempre tem se colocado ao lado dos governantes, e a nossa história mostra isso. Denunciar uma realidade ou outra só quando importa para ganhar mais espaço do governo lá na frente.

Negam-nos uma educação de qualidade, uma saúde digna, uma reforma política verdadeira e ética, segurança e outros direitos e ainda nos chamam de vândalos. O cidadão morre em frente a um hospital por falta de atendimento médico e nos é que somos os vândalos.

O caso do menino Maicon ficou sem resposta (os familiares não tiveram o direito de enterrá-lo) e os culpados não foram punidos. O próprio sistema em si, que vem se perpetuando há anos, criou esse ambiente de vandalismo. Cadê as mudanças tão explicitadas em cartazes nos movimentos de junho do ano passado?

No lugar das reformas sociais, sem paternalismo, assistencialismo e populismo, a atitude do estado tem sido a de reprimir com a força. Até quando isso vai perdurar? Até quando vamos ser enganados com promessas vãs?

SELEÇÃO

Mudando de um polo a outro, mas mantendo a mesma linha de pensamento, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), ao indicar Dunga, “deu uma banana” para o torcedor e trocou um cabeça-dura por um teimoso, ou como se diz, seis por meia dúzia.

Na entrevista, o novo técnico (nada tem de novo) se enrolou todo e falou coisa sem coisa. Ao citar Nelson Mandela (não entendi a comparação) demonstrou que, praticamente, não conhece nada sobre o líder africano. É bom que diga a ele que Mandela pegou em armas no início da resistência contra o apartheid na África do Sul.

Para o vergonho desastre na Copa do Mundo, tudo continua como dantes na casa de Abrantes, sem mudanças e sem punição aos corruptos. Agora só nos resta, mais uma vez, continuar esperando que o Dunga reverta a situação e, se isso ocorrer, a CBF volta a ter total apoio. Enquanto isso, a mídia esportiva vai com seu papo nada transparente nos iludindo a frequentar os estádios e dar força à seleção.