jeremias macarioDesde os tempos coronelistas do início da República (1889) os currais eleitorais nunca deixaram de existir, e não é só nos grotões. Eles estão também encrustados nos grandes centros urbanos do país. Ainda tem cientista político que diz que o eleitor está mais consciente. É simples falar isso sem sair do seu escritório de ar-condicionado.

A prática do voto de cabresto, infelizmente, não persiste apenas entre as populações mais pobres dependentes das políticas públicas dos governantes. “Seu doutor, em quem vamos votar neste ano”? Como repórter, já ouvi muito esta indagação do eleitor ao se dirigir ao prefeito da cidade. E tem ainda os cabos eleitorais para apartar os bois nos currais.

Um jornal da capital publicou uma matéria esclarecedora do repórter Fernando Duarte que retrata bem a situação que já deveria ter sido banida do nosso país, caso a educação tivesse evoluído em qualidade. No geral todos pregam mais investimentos na educação só que acontece o contrário.

Na matéria, o pesquisador Jorge Almeida explica que o curral eleitoral é o local onde a liderança possui o controle dos votos. Para um bom entendedor, o local ainda é um resquício dos antigos coronéis. O quadro é tão visível que na Bahia, por exemplo, um dos critérios adotados na definição das chapas para este ano é o tamanho do partido. É o caso do vice na chapa para governador pelo PT.

Além dos currais, temos ainda o voto direcionado a candidatos ligados a grupos religiosos e a determinadas categorias, como rural, militar e sindical. Por outro lado, ainda permanece o uso do dinheiro e da máquina do estado.

Nem precisa perguntar o motivo do Congresso Nacional não ter nenhum interesse em fazer reforma eleitoral profunda como é anseio da maioria da população. No lugar de escutar a opinião pública, os políticos querem é mais municípios e aprovam mais vereadores como fizeram nas eleições passadas. Nada de cortar mordomias, privilégios e número de parlamentares.

Com este sistema todo montado, o eleito demarca suas zonas e transforma o cargo político numa carreira. Quando um dia resolve deixar o mandato, transfere o espólio para seus filhos, netos ou parentes. O esquema é tão bruto que o cidadão bem intencionado não se atreve a ser candidato a algum cargo na política brasileira.

Todo este aparelho é financiado diretamente com o dinheiro do povo e através de “doações” feitas por empresas privadas e até mesmo públicas. Todos estão carecas de saber que de doação só o nome.

Como se não bastasse tudo isso, estão querendo criar mais 400 municípios no Brasil. Na Bahia, se não houver fraudes, 20 distritos estão em condições de se emancipar, só que mais de 100 reivindicam o status. Os gastos com a criação desses municípios no estado somam mais de R$400 milhões.

Nos grupos de defesa para que seus distritos se emancipem tem os iludidos e manipulados incultos, mas tem os astutos de olho no cargo. Dias desses vi um morador dizer que seu distrito pode “andar com seus próprios pés”. Fiquei a pensar com meus botões: ou o cara é muito ingênuo ou safado demais.