Por Carlos González . Jornalista

É inegável  o crescimento de Vitória da Conquista nos mais diversos ramos da atividade empresarial e social, o que pode ser observado pelo aumento do fluxo de pessoas nas ruas da cidade, nos dias úteis da semana, provenientes de dezenas de municípios vizinhos e até mesmo do norte de Minas Gerais. É uma população humilde, desassistida pelos seus governantes, que vem em busca de assistência médica e hospitalar fornecida pelo SUS, e de emprego, principalmente na construção civil.

Mas o tema deste meu comentário – eu, que também troquei Salvador por Vitória da Conquista, em busca de paz e segurança – pretende abordar alguns aspectos do futebol local, que este ano,  entre os dias 27 de julho e 16 de novembro, vai ganhar projeção nacional, na condição de um dos 40 participantes do campeonato da série ‘’D” organizado pela CBF.

Com a experiência de 35 anos como repórter e editor de Esportes dos jornais “A Tarde”, “O Estado de S. Paulo” e revista “Placar”, e cobertura de três Copas do Mundo, noto que o futebol conquistense, estruturalmente, está bem distante do desenvolvimento da cidade. O Estádio Lomanto Júnior, com capacidade apenas para 12.500 pessoas, necessita de uma reforma completa, incluindo arquibancadas, gramado, instalações para a imprensa (não há uma bancada para os profissionais de jornais impressos), sanitários, bares e suporte para transmissão de textos e fotos via internet.

Terceiro colocado no Campeonato Baiano deste ano o Vitória da Conquista vai amargar um longo período de inatividade, em conseqüência da má gestão do futebol brasileiro, que deixa à margem das competições mais de 300 médios e pequenos clubes e desempregados mais de 70% dos atletas profissionais. Como se manter nos próximos quatro meses deve ser a pergunta que os dirigentes do time conquistense fazem entre si. A solução mais viável é conseguir um patrocinador forte, seguindo a política dos clubes do interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Se o padrinho não for encontrado entre o empresariado local uma excelente opção seria pedir ajuda à Caixa Econômica, que tem colocado a sua marca nas camisas de dezenas de clubes brasileiros.

Gostaria, para concluir, de fazer um apelo aos desportistas conquistenses: abracem a causa do clube que leva o nome de seu município. Os adeptos do futebol daqui foram contaminados por uma doença que se alastra por quase todo o Nordeste do país, a paixão pelos clubes do Rio de Janeiro e São Paulo. As conversas nos bares e nas praças giram em torno de Fluminense, Flamengo, Vasco, São Paulo, Corinthians, etc. Ainda não tive a satisfação de ver um torcedor na rua vestindo o verde e branco do Vitória da Conquista. Associem-se, vão ao estádio a partir de 27 de julho, incentivar o seu representante a conquistar uma das quatro vagas na série “C” de 2015.