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Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

LIVROS, TARIFAS E CRUELDADE FRANCESA

Um estudo feito no ano passado pelo Instituto Pro-Livro “Retratos da Leitura Brasil” constatou que aumentou o número de leitores no Brasil, mas professores contestam a pesquisa. Também tenho minhas dúvidas. Na prática não percebo este avanço, principalmente por parte dos jovens.

O Instituto considera leitor aquele que leu, inteiro ou em partes, um livro nos últimos três meses, índice representado na análise por 104,7 milhões de brasileiros (56% da população acima dos cinco anos de idade). Na edição de 2011este número era de 50%. Com relação ao gênero, as mulheres ocupam 52% da população leitora, com destaque na faixa etária de 30 a 39 anos.

O curioso é que a população com ensino superior é ainda menor do que aquela com apenas o ensino Fundamental II completo. Apesar da média de leitura, os brasileiros não compram muitos livros. As pessoas realizam leituras em livrarias ou de textos exigidos no trabalho e material didático escolar. Só 30% declararam nunca ter comprado um livro na vida.

O gênero bíblico supera o romance, vindo em seguida, o conteúdo histórico, cultural e de caráter técnico. Com relação ao número de gente com acesso à internet, houve um crescimento de 81 milhões para 127 milhões. Maior público leitor tem de 18 a 24 anos. Notícias e informação são os conteúdos mais lidos no mundo virtual, seguidos de estudos e pesquisas para trabalhos escolares. Livros digitais só são acessados por 15% dos entrevistados.

Para professores, a escola está descontextualizada. Dizem que o aluno chega à sala de aula nivelado por baixo devido à banalização da cultura promovida pela mídia. O estudante está acomodado com a linguagem fácil e imediata, enquanto o livro é considerado cansativo e difícil de ser diluído – observa um professor. A pesquisa deveria identificar o que as pessoas leem. Quantidade não é qualidade. Existe muita literatura ruim.

TARIFAS: LEIS INÚTEIS

Para que serve a lei 166/2017 que obriga as empresas concessionárias de gás, água, telefonia e energia elétrica disponibilizarem em seus sites uma tabela com o valor das tarifas e dos aumentos concedidos nos últimos anos? Muda alguma coisa em termos de redução de preços cobrados dos consumidores?  Trata-se de mais uma enrolação política para enganar o povo.

Para consolo, a proposta aprovada pelo Senado permite o usuário descobrir o valor da tarifa cobrada pela prestadora, de modo a possibilitar a comparação com o preço por fornecedores que ofertem os mesmos serviços. O texto explica que a lei proporcionará ganhos no que se refere à transparência das concessionárias, enquanto elas esfolam os consumidores.

CRUELDADE FRANCESA

Refugiados que têm seus barcos interceptados pela guarda costeira da Líbia são reenviados ao continente africano, onde sofrem, com a ajuda da França e da Itália, todo tipo de tortura e extorsão, sendo vendidos como escravos. A Europa faz de tudo para impedir o desembarque dos refugiados que fogem das guerras e da pobreza da África e do Oriente Médio em seu território. Não é uma crueldade? A denúncia é da organização Médicos sem Fronteiras da França.

Cenas de barbárie veiculadas pela TV norte-americana CNN mostram que a Líbia foi transformada numa armadilha para os que esperam encontrar trabalho no país ou atravessar para a Europa. Diz a denúncia que o próprio presidente francês Emmanuel Macron apoia a guarda costeira da Líbia.

Durante mais de 400 anos, em nome do cristianismo, a Europa explorou a América, a África e o Oriente Médio, cometendo atrocidades, escravidão e genocídio, sem contar a exploração econômica das riquezas naturais. Nos períodos de crise exportou para eles seus excedentes populacionais que sempre foram bem recebidos. Nas guerras sempre contaram com tropas coloniais para defender seus territórios.

Os países ricos adotam a política de discriminação erguendo muros em suas fronteiras. Não concordo que o Brasil faça o mesmo, mas como abrigar refugiados de outras nações aqui, como da Venezuela e da Síria, se o país não cuida da sua própria casa? Como receber outros se em sua casa mora a fome, sem contar os 13 milhões de desempregados? Não se trata de xenofobia, mas de coerência.

INTERVENÇÃO, VELOCIDADE E REFORMA TRABALHISTA SÓ PARA OS MAIS FRACOS

O exército brasileiro virou polícia, e o sistema polícia militar entrou em falência. Só a repressão não resolve, mas eles fazem de conta que sim. Nos três meses da intervenção das forças armadas no Rio de Janeiro foram registrados 2.309 tiroteios ou disparos de armas de fogo na região metropolitana, com um aumento de 25,3% em relação aos três meses anteriores (1.842 casos).

Cadê o planejamento do general comandante Braga Neto? Agora os interventores estão alardeando que com a grana do governo federal (na realidade nossa), tudo vai entrar nos eixos. No período em referência, o número de mortos foi de 393, e o de feridos, 302, contra 390 e 377, respectivamente nos meses anteriores. Os dados foram divulgados “Fogo Cruzado”.

De 16 de fevereiro a 15 de maio, a maior parte dos tiroteios, 1.387, se concentrou no município do Rio de Janeiro. Os bairros da região metropolitana que tiveram mais registros foram Praça Seca, Cidade de Deus, Rocinha, Complexo do Alemão e Vila Kennedy. Esta última recebeu uma série de operações das forças armadas e estava nos “planos” de ser exemplo de trabalhos para outras comunidades.

Os tiroteios em áreas de Unidades de Polícia Pacificadora somaram 538 no período, com 44 mortos, sendo as mais violentas Cidade de Deus, Rocinha, Alemão, Vila Kennedy e Complexo de São Carlos. Depois do Rio, os municípios com mais violência foram São Gonçalo, Belford Roxo, Niterói e Nova Iguaçu, conforme o levantamento.

Como o assunto se liga com a ditadura civil-militar, o escritor Veríssimo comentava ontem em sua coluna que “ninguém se incomoda que fomos um Estado assassino”. Para ele, a falta de memória justifica a ignorância de muitos sobre os anos da ditadura, “mas a culpa disso é do silêncio dos militares sobre o passado e seus crimes. Nunca se ouviu: Desculpe gente”.

VELOCIDADE: UMA ARAPUCA

Um observador da capital comentou num veículo de comunicação que a velocidade obrigatória para motoristas no Vale de Nazaré, saindo do Túnel Américo Simas, é uma diferente da que se inicia na Avenida Mário Leal Ferreira, mais conhecida como Bonocô.  Em sua opinião, da qual concordo, uma arapuca que muita gente cai.

Aqui em Vitória da Conquista temos um exemplo típico na Avenida Luis Eduardo Magalhães, e olha que é só numa área. Quem vem da Olívia Fores para a Juracy Magalhães começa com 50 quilômetros e logo depois passa para 60 e volta para 50. No sentido inverso, transita-se com 60 e depois 50 quilômetros por hora. Além de ser arapuca, fica difícil controlar.

Não sou nenhum velocista do tipo Fórmula I, mas isso de controle de velocidade no Brasil é mais uma forma simplista que os órgãos governamentais encontram para resolver problemas que deveriam ser solucionados com educação, que neste país é uma lástima, sem contar ser mais um jeito de arrecadar dinheiro do povo.

É um absurdo ter trechos com 20, outros com 40, 50 e 80 quilômetros em vias. Se o motorista ultrapassar cinco ou dez quilômetros a mais, é multado. São máquinas de fazer dinheiro que depois é desviado para outras contas. Por que fazem carros com capacidade de 200 e até 300 quilômetros por hora? Por que não coloca neles os dizeres “Carroças”. Na Alemanha existem vias de alta qualidade onde não há proibição de velocidade, e quase não ocorrem acidentes.

SOMENTE PARA OS MAIS FRACOS

A reforma trabalhista escravocrata introduzida no país desde novembro do ano passado pelo mordomo de Drácula e sua turma, além de ser mais uma exploração do capitalismo predador patronal, só está sendo aplicada para as categorias mais fracas, isto é, que têm sindicatos sem representatividade, ou nem têm. A maioria dos trabalhadores está mesmo é se ferrando, e se sujeitam a qualquer preço e medida porque não têm outra saída, a não ser o desemprego.

Um exemplo está na greve dos Rodoviários de Salvador, cujo Sindicato não aceita corte dos direitos dos trabalhadores, como no caso do reajuste salarial e da redução nos valores do ticket refeição. Em São Paulo e outros estados do sul, os metalúrgicos ameaçam greves se as empresas automobilísticas retirarem direitos adquiridos. No Brasil pobre, a própria classe operária é dividida entre os fortes e os fracos. Uns são bem dotados e outros padecem nas mãos dos patrões.

 

 

TRIBUNA LIVRE: Jeremias Macário fala sobre o Projeto Sarau Cultural

Na sessão ordinária desta quarta-feira, 16, da Câmara Municipal de Vitória da Conquista (CMVC), o jornalista Jeremias Macário usou a tribuna livre para falar sobre o seu projeto “Sarau Cultural – A Estrada” que já é realizado há oito anos em Conquista. Na oportunidade, o jornalista clamou também por mais incentivo à cultura e educação por parte do governo municipal.

Ele conta que no Sarau são realizadas apresentações de literatura e principalmente de música, e são discutidos também temas importantes para a sociedade. “Já tivemos como tema o Movimento Revolucionário de 68, o cordel, o desenvolvimento do Nordeste, entre outros”, citou. Ele conta que neste ano, no mês de julho, o evento terá como tema a Educação. “Estamos planejando levar professores e estudantes para que eles deem seus testemunhos sobre a situação da educação”, disse.

Jeremias afirmou que o Sarau nunca contou com apoio de nenhum órgão público e atua de forma colaborativa.  Ele aproveitou o seu momento da tribuna para reivindicar mais apoio a cultura. “Em Conquista nunca tivemos uma política de cultura que contemplasse todas as linguagens artísticas. Apenas a música é lembrada, e somente nos eventos calendarizados como São João e Natal da Cidade”, lamentou.

CD Musical e Literário do Sarau – Mano di Sousa, músico e também organizador do Sarau, falou do projeto que visa transformar as apresentações do evento em um CD musical. Ele pediu também, apoio da Câmara para uma política cultural mais evidenciada. “Precisamos muito desse apoio, para que possamos ampliar socialmente o evento e oferecer mais conhecimento aos jovens”, disse. O músico pediu apoio também na divulgação dos cantores conquistenses nas rádios da cidade. “É de suma importância abrir esses espaços. É preciso mostrar o que é produzido localmente”, pontuou. (Ascom/CMVC)

 

AGROTÓXICOS, DÍVIDA E AÇÃO LETAL DE ISRAEL CONTRA OS PALESTINOS

O Brasil é mesmo um país arrasado, e não é só na questão política, moral e ética.  Pelo décimo ano consecutivo, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo.

Que título vergonhoso que fere de morte milhares de brasileiros! Nada de providências para sair desta triste lista! Para disfarçar o descaramento, o pessoal da bancada ruralista agora está sugerindo que os agrotóxicos passem a ser chamados de “defensivos fitossanitários”. Coisa bonitinha de se ver!

A estimativa é que cada brasileiro consome, por ano, 7,3 litros de agrotóxicos. É uma bomba ambulante, mas os especialistas da medicina só sabem condenar o cigarro como o maior algoz provocador de câncer. Para a Associação Brasileira de Saúde Pública, 27% das pequenas propriedades rurais, responsáveis pelo fornecimento de 70% da comida, usam agrotóxicos.

Das grandes propriedades com mais de 100 hectares, ocupadas com sistemas de monocultura voltada à exportação, 80% utilizam veneno em seus processos. A lei brasileira permite limite cinco vezes superior ao máximo que é recomendado na água potável da Europa. As culturas mais atingidas são o feijão e a soja. O país tem cerca de 500 agrotóxicos de uso permitido e desses, 30% são proibidos na União Europeia.

DÍVIDA PÚBLICA

Definitivamente, não temos quase nada a nos orgulhar. Vejam alguns dados negativos que nos deixam frustrados. Na dívida pública em relação ao PIB, o Chile tem índice de 24%, México 48,3%, Argentina 54,6% e Brasil 75,4%. No desemprego, México 3,5%, Chile 6,7%, Argentina 8,5% e o Brasil, 12,7%. No ranking dos melhores países para se fazer negócios do Banco Mundial, México está 49ª posição, Chile 55ª, Argentina 117ª e o Brasil 125ª.

De acordo com pesquisas de organismos internacionais, temos a pior relação do mundo entre impostos cobrados e retorno à sociedade. Basta ver nossa educação, saúde e segurança que não são referência nenhuma. Não é por falta de recursos, mas sim por qualidade do gasto. Na segurança, por exemplo, de 2002 a 2015 as despesas na área cresceram 69% contra aumento de 49% do PIB. Gastamos mais do que países desenvolvidos, como a França e Estados Unidos.

Os gastos com salários e aposentadorias consomem os recursos que deveriam ser investidos em tecnologia. Temos uma polícia que só consegue desvendar 8% dos assassinatos, contra 64% nos Estados Unidos, 81% na Inglaterra e 96% na Alemanha. Assim, somos os mais perigosos do mundo.

AÇÃO LETAL DE ISRAEL

Eles agem como criminosos, com práticas nazistas, e o mundo a tudo assiste de braços cruzados. A inoperante ONU só sabe condenar e denunciar as ações terroristas de Estado. Estou me referindo aos israelenses que desde 1948 do século passado só fazem encurralar os palestinos numa faixa estreita cercada de muros por todos os lados.

Nos últimos dias, as tropas de Israel mataram 60 palestinos e deixaram mais de dois mil feridos. Isto só porque os palestinos decidiram se manifestar contra a instalação da Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém, uma atitude do neonazista Trump. Em um mês e meio, 104 palestinos morreram.

Para os norte-americanos, a culpa de tudo é a organização Hamas que controla Gaza há dez anos. A ONU considera desproporcional a reação das forças de Israel. Será mesmo que eles têm de usar a força letal para conter uma multidão? Só isto já é crime contra a humanidade. Jerusalém é também considerada sagrada pelos muçulmanos. Instalar ali uma embaixada foi uma provocação. Quem são os mais intolerantes?

NÃO SEI POR QUE DE TANTO ESPANTO!

Estudiosos no assunto, historiadores, membros da Comissão da Verdade e até mesmo vítimas da ditadura civil-militar de 1964 mostraram-se estarrecidos com o documento do Departamento de Estado dos Estados Unidos dando conta de que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974/79) autorizou que o Centro de Inteligência do Exército (CIE) continuasse com a política de execuções sumárias do tempo de Garrastazu Médici contra opositores do regime, limitando a sanção aos mais “perigosos subversivos”.

Confesso que não entendi o porquê de tanto espanto com a revelação, já que todos que acompanharam os acontecimentos da época sabiam muito bem que os presidentes, os comandantes e os chefes mais ligados ao esquema tinham conheci mento de todos os fatos. Ora, os generais e os que recebiam ordens lá de cima estavam “carecas” de saber que o presidente, comandante das forças armadas, estava a par de tudo.

Avassaladora e vergonhosa mesmo foi a anistia dada aos torturadores que mataram e fizeram desaparecer com muita gente durante mais de 20 anos de ditadura, quando generais, delegados e militares da cúpula ficaram impunes, enquanto os criminosos de lesa humanidade na Argentina, no Chile e no Uruguai foram para cadeia e pagaram por suas atrocidades.

O Brasil não reagiu, deixando as feridas abertas, e agora muitos ficam espantados com o documento da CIA e pedem que, a esta altura da história, a Lei de Anistia de 1979 seja revista pelo Supremo Tribunal Federal. Mais estarrecedor é constatar que, por falta de reação, a maioria dos brasileiros, principalmente os jovens, desconhece o que houve na época e até tem pessoas que não acreditam que existiu a tal ditadura como contada com tanto horror e barbaridade.

Não acredito que a Lei seja reexaminada, como cogita o professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo, Pedro Dallari, e coordenador da Comissão da Verdade, criada no governo Dilma Rousseff. Passados 30 anos, por capricho dos generais, muitos arquivos nem foram abertos e até negam que cometeram crimes de tortura. Também não deram importância para o que registrou a Comissão.

Memorando de 11 de abril de 1974, assinado pelo diretor da CIA, Willlian Colby e enviado ao então secretário de Estado Henry Kissinger, afirma que Geisel disse ao chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI) à época João Baptista Figueiredo (presidente de 1979/85) que as execuções deveriam continuar, mas só para os “perigosos”. Nessa época, a CIA mandava e desmandava aqui dentro e se infiltrava nos movimentos. A nação nunca foi tão subjugada aos Estados Unidos.

A este respeito, ouvi nesta semana um comentário ingênuo, ou tendencioso, que não acredita na ordem de execuções dada por Geisel porque, conforme justifica o elemento, quando Vladimir Herzog foi assassinado na prisão, o presidente admoestou o comandante do II Exército e demitiu, pessoalmente, em São Paulo, o general Ednardo quando mataram o metalúrgico Manoel Fiel Filho.

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AS BANCADAS E A FACA DE DOIS GUMES

Ao lhe perguntarem em que consistia a justiça, para um homem virtuoso, Tales de Mileto, que viveu na Grécia 600 anos antes de Cristo, respondeu que “em não fazer aos outros o que não queremos que nos seja feito”.

Antes de entrar nas questões abertas no título em referência do nosso comentário, dia desses veio-me à cabeça que a Polícia Federal, o Ministério Público e todo corpo judicial do país, diante de tantos desmentidos, deveriam ser criminalizados, virar réus e presos seus membros por levantarem falsas denúncias contra supostos corruptos que nunca existiram. É tudo fantasia!

É isso mesmo, todos se dizem inocentes, negam seus feitos, se colocam como vítimas perseguidas por forças ocultas das trevas e prometem provar que nada fizeram de mal, mesmo diante de provas de gravações de diálogos com seus comparsas e imagens de câmaras, caso de Gedel Vieira Lima, Aécio Neves e do cara que mandou por ovo no lugar de carne na merenda escolar roubada da boca das pobres crianças.

O problema, meus senhores, é que não se trata de desvio de conduta e da falta de caráter dessa gente sem remorsos e desprovida de qualquer dor de consciência, porque tudo está inserido no contexto de uma política rasa que foi montada para atuar dessa maneira, como se tudo fosse normal, ético e moral. Coisa de esquema natural que todos faziam e ainda fazem.

Não adianta eleições se o sistema arcaico continua o mesmo, como, por exemplo, a formação de bancadas para proteger e defender exclusivamente seus interesses. Agora mesmo estão fazendo de tudo para criar a Frente Parlamentar de Medicina que vai se somar às bancadas da bala, rural e a feroz evangélica, todas retrogradas e reacionárias que só levam o país ao retrocesso e ao roubo.

Temos de tudo no Congresso Nacional no que diz respeito ao corporativismo de cada categoria, menos uma bancada de defesa do povo. Só mesmo uma revolução popular, para sair uma verdadeira reforma do podre sistema eleitoral vigente. Engana quem acha que tem saída através do voto e no diálogo com eles. Democracia para essa gente é aproveitar as brechas.

O sistema político e judiciário está todo velho, troncho e carcomido, de maneira que não adiante ficar fazendo remendos aqui e acolá, como no caso mais recente do foro privilegiado restrito para deputados e senadores aprovado pelo Supremo Tribunal Federal.

Num país ainda provinciano com características coronelísticas onde existem e coexistem as relações viciadas de impunidade entre poderes e autoridades, com raras exceções, muitos estão festejando terem seus processos caídos para julgamento em primeira instância. Além da tão decantada morosidade da justiça, existem os conluios, amizades e até a mão forte da ameaça do chefe político e sua gente.

Como tantas outras emendas e tentativas de moralização, o tal foro privilegiado restrito, do jeito como está hoje posto o sistema político, virou uma faca de dois gumes para corruptos contumazes onde terminam se beneficiando, ao invés de puni-los. Não adianta remendar calça velha esfarrapada.

 

OS MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS DE 68 QUE SACUDIRAM O PLANETA – 50 ANOS

Fotos reprodução de José Silva extraídos dos livros  Maio 68 Danoel e 68 Destinos 200 Passeata dos 100 mil – Evandro Teixeira sobre a ditadura no Brasil.

Como na erupção de um vulcão adormecido por muitos anos, a década de 60 e o ano de 68, os mais radicais do século XX, foram fascinantes e representaram o início da contracultura com a quebra dos velhos costumes e a negação dos valores conservadores das ideias opressoras contra as mulheres, negros e outras minorias subjugadas.

Foi a década da juventude rebelada, das contestações, da liberdade de expressão, do “faça o que tu queres” que culminaram numa avalanche de protestos em 68 contra a guerra no Vietnã, contra o comunismo stalinista, o capitalismo e contra as humilhações sofridas pelos negros nos Estados Unidos. Cinquenta anos depois todos se envelheceram.

A princípio, jovens e operários se rebelaram contra normas rígidas no trabalho e nas universidades, e contra as ditaduras nas Américas e no mundo, principalmente no Brasil a partir do AI-5 que sentenciou e assassinou o “É Proibido Proibir” de Maio de 68 em Parias, na França.

Foi a década em que a juventude tomou as ruas e atraiu velhos e trabalhadores para a causa da liberdade, para criticar e denunciar as atrocidades do comunismo e do capitalismo. Sem lideranças e sem comando, todos colocaram pra fora o que estava engasgado nas gargantas.

Foi a década dos Beatles, dos Rolling Stones, do pastor Martin Luther King, Bob Kennedy, dos Panteras Negras e das organizações subversivas onde todos, inclusive os mortos, marcaram um encontro em 68 para arrebentar com os grilhões e dizer não aos antigos conceitos.

Para o escritor Zuenir Ventura, 68 foi o ano que não terminou. Para Daniel Cohn-Bendit, o Dany, líder estudantil de Paris, tudo acabou, mas diria, cá comigo, que foi o ano em que tudo começou. Aqueles doze meses ainda ecoam em nossas vidas, e muitas coisas devemos a este  período.

O TERROR DAS DITADURAS E DA GUERRA

“Em “O Eco das Ruas de 68”, da revista Veja, a reportagem fala das boas lembranças, das grandes obras (Caetano, Gil, Edu Lobo, Vandré) e feitos que resultaram daquele ano, mas também das tristes recordações do terror das ditaduras na América Latina e no Brasil, do horror da Guerra do Vietnã e do assassinato de Martin Luther King.

Os jovens saíram contra o poder, fosse de direita ou de esquerda. No Brasil contra um regime de força que matou, em março, o estudante Edson Luis e provocou a passeata dos 100 mil. Outras marchas se sucederam. Na Checoslováquia (Primavera de Praga), em agosto, contra a tirania dos tanques soviéticos.

Em Praga, o movimento começou em janeiro de 68 com a ascensão de Alexander Dubcek para o cargo de secretário geral do Partido Comunista e ganhou forma com o manifesto “Duas Mil Palavras”, do escritor Ludvik Vaculik (1926/2015) onde exaltava a liberdade. O sonho foi esmagado pelos tanques soviéticos que encaravam a liberdade como um veneno.

Pelo livre pensar, os jovens foram às ruas em Berlim, Paris, México, Tóquio, Chicago, Venezuela e Rio de Janeiro, para repudiar as arbitrariedades, a intolerância racial, o machismo e as guerras. Se não derrubou as estruturas, 68 marcou o protagonismo da juventude com seus ideais de contestação.

Naquele ano, a juventude com suas teses esquerdista (leninistas, maoístas e trotskistas) sonhou com uma revolução que ganharia a sociedade inteira, disse o historiador francês Serge  Berstein. A desobediência pacífica não era mais suficiente, e os rebelados tinham como profeta o filósofo alemão Herbert Marcuse (1898/1979). Era a luta do novo contra o velho.

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SARAU LEMBRA OS MOVIMENTOS DE 68

O tema “Os Movimentos de 68 – 50 Anos”, que sacudiram o planeta, com os jovens que foram às ruas contestar, pegou “fogo” nos debates de sábado à noite (dia 05/05) no Sarau Colaborativo do Espaço Cultural A Estrada, mais uma edição de sucesso que contou com artistas da música, poetas, declamadores e intelectuais que prestigiaram o evento, inclusive da Academia de Letras de Vitória da Conquista.

Na abertura dos trabalhos, o jornalista e escritor Jeremias Macário deu uma visão geral dos movimentos revolucionários de 68 em Paris, Berlim, Chicago, nos Estados Unidos, no México, na Venezuela, em Praga e no Rio de Janeiro, no Brasil, a partir de março daquele ano com a morte do estudante Edson Luis (em breve material sobre o assunto nos blogs).

Segundo ele, se a década de 60 foi radical em termos de contestações e protestos entre os jovens, o ano de 68 foi o mais radical da história do século XX. Sem lideranças e comandos, os jovens foram às ruas para quebrar com os velhos costumes, contra o capitalismo e o comunismo. Não derrubaram governos, mas deixaram suas marcas por mudanças na sociedade e influenciaram gerações.

O professor e filósofo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) Itamar Aguiar, que sempre está presente em nossos saraus, falou da influência das ideias do filósofo Jean Paul Sartre nos movimentos dos jovens de 68, embora tenha dito, anos depois dos acontecimentos, que não havia entendido o que eles queriam, já que não tinham propostas de colocar outra coisa no lugar.

Itamar com seu poder de argumentação, disse que o existencialismo de Sartre foi também humanismo e liberdade, mesmo sendo membro do Partido Comunista da França. O acadêmico Italvo de Oliveira, da Academia de Letras de Conquista, fez também uma explanação sobre as paixões dos jovens daquela década que tomaram as  ruas para se manifestar contra a guerra do Vietnã e pedir igualdade para todos e não discriminação de raça e sexo.

Estiveram ainda presentes ao nosso encontro, recepcionado pela nossa anfitriã Vandilza Gonçalves, os nossos amigos compositores, cantores e cancioneiros, Walter Lages, que aqui lançou seu mais novo CD, Marta Moreno, Moacir Morcego, Alex Baducha e sua digníssima Cheu, e os convidados de primeira participação no evento, Aldaci Ferreira da Cruz, o Alé, Armando Santos, o tocador, e Valdimiro Lustosa Soares que nos brindou com seu virtuosismo no violino.

Também, pela primeira vez nos visitando, Lúcia Lula, da Academia Conquistense de Letras, e Edna Brito que ficaram encantadas com o nosso Sarau e declamaram poemas de Jeovah de Carvalho e Ezequias. Não podia deixar de citar as presenças do fotógrafo José Carlos D´Almeida, do jornalista Gildásio Amorim, de Regina, o contador de causos Gesum e sua noiva Aline, nosso Alexandre Aguiar, o Xande, filho do professor Itamar Aguiar, e dos acadêmicos Evandro Brito e sua esposa Rozânia Brito.

Em clima de confraternização e respeito, os debates, as cantorias violadas e as declamações vararam a madrugada, sob acompanhamento de uma cerveja gelada, um vinho para esquentar o frio e, claro, caldos e uma comidinha caseira para forrar o estômago que ninguém é de ferro.

Sem medo de errar, o Sarau A Estrada, que está completando oito anos de discussões de variados temas literários, políticos e sociais, foi mais um sucesso de realização cultural em Conquista, onde existem as adversidades de discussões acirradas, mas respeito ao pluralismo das ideias. O próximo está marcado para início de julho, logo após as festas juninas, ainda sem um tema definido que deverá ser escolhido até lá pelos participantes.

 

NUNCA AOS DOMINGOS

Carlos González – jornalista

Quatro dias antes da estreia do Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista no Campeonato Brasileiro da série D previ a realização de mais um jogo deficitário do representante baiano, na presente temporada. Além de perder os pontos no empate sem gols com o Treze de Campina Grande, o clube alviverde amargou um prejuízo de R$ 7.584. Apenas 559 desprendidos torcedores deixaram os seus lares numa noite fria de uma segunda-feira para ir assistir a uma espetáculo sem atrativos e de pouca qualidade técnica, o que tem sido uma constante no futebol brasileiro.

Sugeri à direção do Vitória da Conquista que apelasse para a CBF, mostrando que o Estádio Lomanto Júnior estava sem programação nos dois dias anteriores (sábado e domingo). O pedido poderia ter sido feito através do filho desta terra, Ednaldo Rodrigues, presidente há 16 anos da Federação Bahiana de Futebol (FBF), gozando de livre trânsito na cúpula da entidade nacional, desde o tempo de Ricardo Teixeira.

Um dos líderes da chamada “Operação Caboclo”, arquitetada por Marco Polo Del Nero, o Nadinho, que corria atrás de uma bola nos campos da várzea conquistense, sonhando em ser jogador profissional, enveredou de forma meteórica pelos meandros da “cartolagem”, obediente aos Teixeira, Marim e Del Nero, procurando nadar por cima do mar de lama da CBF.

Por seu devotamento, Ednaldo Rodrigues vai ocupar uma das oito vice-presidências da CBF, na condição de homem de confiança de Rogério Caboclo, recebendo um alto salário e gozando das delícias da Cidade Maravilhosa.

O ECPP Vitória da Conquista, naquela noite fria no “Lomantão”, deixou de ganhar três pontos e ainda teve que sacar de sua conta em banco a quantia de R$ 7.584, para cobrir as despesas, que somaram R$ 7.584,85.

Com exceção dos jogos contra o Vitória e Jequié pelo Campeonato Baiano, o Vitória da Conquista este ano só fez pagar para jogar. Seu maior prejuízo se deu na partida contra o Boa Esporte pela Copa do Brasil. Naquela noite os 1.399 pagantes deixaram na bilheteria do estádio R$ 18.435; as despesas chegaram a R$ 29.429, incluindo os 19 mil gastos com a arbitragem. Desclassificado pelos mineiros, o time baiano desembolsou R$ 10.994.

Parece castigo, mas o ECPP Vitória da Conquista vai realizar seus dois últimos jogos em casa pela fase de grupos do Brasileirão da série D em duas segundas-feiras. No próximo dia 7, às 18 horas (atenção para o horário), recebe o Santa Rita, da cidade alagoana de Boca da Mata, e no dia 21, às 20 horas, o Itabaiana, da cidade sergipana do mesmo nome. Nos domingos anteriores a ambas as datas não há programação para o “Lomantão”. Sem uma ampla divulgação dos jogos e sem uma convocação da torcida o rombo financeiro tende a crescer.

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PEITO E BUNDA EM TERRA ARRASADA

“Eu tenho um carnaval só meu, porra”!… – berra Ivete Sangalo do alto do seu trio elétrico no Farol da Barra no circuito Barra-Ondina onde moradores reclamaram do barulho e do pisoteamento de áreas verdes. “Me ofereceram apresentar na festa de março da cidade, mas estava amamentando”. Quer dizer que não está mais?

A mídia lá está também abrindo seus espaços e asas para paparicar sua deusa. A galera entra em delírio no país de milhões de miseráveis onde o povo paga toda a conta da farra do circo sem pão. Todos são unânimes e cada um dá a sua incensada.

Como assinalou um leitor de um veículo de comunicação da capital, com todo seu tom de ironia, o peito virou bunda, e a bunda virou peito. É o desbunde total, seu moço! É só cair dentro da esbórnia! A cantora tudo faz para alimentar sua desvairada vaidade devoradora de almas. A imprensa vibra como uma hidra de sete cabeças, e a nossa cultura murcha e definha.

Vale tudo na disputa acirrada entre as estrelas do axé, do arrocha e do pagode. Levantem as mãos e tirem os pés do chão, bando de bestas idiotas! A massa ignara vai atrás entre lágrimas e momentos de êxtase, excitação, orgasmo e histeria. É um caso para psicanalistas ou sociólogos experientes. Todos estão anestesiados pela onda da alienação e do comodismo, como objetos de consumo.

Estamos em mais um pleno feriadão no país da terra queimada e arrasada, sem moral, sem ética, enlameada pela corrupção e com mais de 13 milhões de desempregados. O feriadão, como disse um articulista, é o novo “modus vivendi” brasileiro. Nos país dos feriados, a ordem é “enforcar” quando o dito cujo cai mole numa terça ou numa quinta-feira.

Todos apoiam e só querem sombra e água fresca. A galera aplaude e repete o clichê de que o esquema faz parte da cultura do país esfomeado de baixa produtividade e de índice de desenvolvimento humano vergonhoso. Na educação, somos campeões de notas baixas, principalmente na língua portuguesa e na matemática.

Para enganar a si mesmo de que o Brasil é um país do futuro, entra em cena, na véspera do feriadão, o mordomo de Drácula, que se comparou a Tiradentes, para falar de uma reforma trabalhista da qual sua turma sugou as últimas gotas de sangue dos trabalhadores. Foi a senha para o retorno da escravidão.

Na terra arrasada das tragédias anunciadas dos desabamentos de prédios, incêndios, quedas de pontes, ciclovias e encostas, onde vara o ódio e a intolerância de ideias, raça e gêneros, não vi e nem escutei nenhum bate caçarola, garfo e panela quando Dilma e Lula falavam na televisão. Será que na hora as panelas estavam cheias, ou foram vendidas para comprar comida?

O cara de pau foi para a televisão curtir com a nossa cara de abestalhado, se achando o máximo da história, e tascou um aumento de mais de 5% para o Bolsa Família de mais de 13 milhões de lares dependentes das esmolas. Todo convicto de si, dos seus fazeres e desmentidos das acusações que lhe pesam, lá foi ele ver a desgraça do incêndio e desabamento do prédio abandonado, mas foi hostilizado.

No território de ninguém, dos desmandos e da bagunça, as catástrofes se sucedem, como a do prédio de moradores sem teto, e os irresponsáveis não são punidos. Outras virão, enquanto os escândalos de roubos e corrupções pipocam todos os dias nos noticiários.

Lá em Curitiba, os vermelhos que negaram a ética e a moral de um Brasil limpo sem sujeiras, montam acampamentos para defender seu ídolo. Gritam palavras de ordem, xingam e ameaçam. Ministros da Segunda Turma do TSF fazem suas manobras para acabar com as punições da Operação Lava Jato.

Promotores e federais contestam, e os bandidos cospem fogo pelas ventas. O general envia seus tanques. Os políticos estão enfurecidos e eufóricos, e tudo fazem para se manterem no poder. Surgem os lobos salvadores da pátria que se vestem de mocinhos na pele de cordeiros, enquanto você toma sua cerveja acreditando que as eleições vão mesmo mudar tudo.

Que importam as desigualdades e a injustiça social que ferem de morte milhões de excluídas, se ainda estou empregado, com um carrinho na porta e com alguns trocados no bolso para curtir o próximo feriadão atrás do trio exclusivo de Ivete. vendo peitos, coxas e bundas!

 

 

 



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