junho 2021
D S T Q Q S S
« maio    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  


Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

“DESUMANIZADOS”

Um romance com um misto de crônica da vida cotidiana de Nelson Rodrigues, que descreve personagens com seus variados dilemas filosóficos e existenciais. Essas pessoas se encontravam num ônibus, cujo motorista (um dos personagens) perdeu o controle do veículo e bateu num muro de concreto, provocando sete mortes e outros feridos.

O livro “Desumanizados”, do conquistense Gledinélio Silva Santos – Nélio Silzantov – licenciado em Filosofia pela UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e mestre em Estudos de Literatura pela Universidade Federal de São Carlos, é um rasgo de puro realismo sobre as mazelas do ser humano e da nossa sociedade com seus baús fedorentos de hipocrisia e moralismos.

Nélio não poupa os nossos políticos com suas ambições fraudulentas de enganar os outros, e vai até as entranhas de seus personagens, deixando expostos seus problemas, manias e angústias. Em suas 186 páginas, o autor desbrava correntes de pensamentos de muitos filósofos, como Sartre, Heidegger e Schopenhauer.

A obra romanesca e cronística faz uma reflexão sobre o homem e o sentido da vida, num alinhamento com Clarice Lispector e José Saramago. O escritor usa termos fortes e até em tom de desabafo para descrever o papel da Igreja, ou da religião, e o que as pessoas pensam de Deus. Em seus textos usa muitas imagens poéticas, impressionistas, surrealistas e abstratas.

Seus personagens são uma explosão de erotismo, ternura em algumas passagens, maldades e violência como fruto de um sistema perverso e cruel em que vivemos. É um retrato da luta pela vida, o estrange for live, onde só os mais fortes sobrevivem.

Digo que “Desumanizados” deve ser lido porque tem uma linguagem aberta e escancarada, sem subterfúgios, e lhe faz pensar sobre o seu eu e o das pessoas que lhe cercam, como elas agem, muitas vezes lobos em peles de cordeiros. A obra tem como cenário Vitória da Conquista, e é todo focado no ônibus coletivo da linha R19A.

Nélio não tem rodeios e emprega termos fortes, mas realistas sobre cada um de seus personagens vilões e vítimas dessa sociedade. Por isso, é também um livro sociológico que mexe com o eu psicológico da cada um. É, antes de tudo, um trabalho de reflexão, sem medo de vomitar as nossas sujeiras e até de bons atos.

Me atrevo a citar aqui poucos nomes fictícios de seus personagens e trechos que impactam o leitor, que pode fazer seu julgamento pessimista do autor sobre a vida, ou encará-lo como realista. Na abertura, por exemplo, Nélio assinala que “temos tanto a aprender sobre os grandes mistérios, e a sede é tamanha para aliviarmos a angústia, que atropelamos as pequenas coisas sem nenhuma atenção”.

As frases de impacto do narrador Sebastião, na terceira pessoa, são fortes sobre seus personagens, como “… o coração e a mente são insondáveis, feito a imensidão do universo… E quando tudo nos escapa ao toque, lamentamos não termos uma segunda chance”.

O narrador sempre está dialogando com seu amigo fiel Van Gogh. “Voltei a ser a sujeira varrida pra debaixo do tapete. A escória do mundo que envergonha a todos. Ceifadores da escória humana, é isso o que eles são. …pois matei toda aquela gente a sangue frio…”

Sobre o trágico acidente do coletivo R19A, ele começa descrevendo que onze pessoas foram retiradas do ônibus. Quatro morreram no local, e as demais foram levadas para o HGVC, mas houve sete perdas no total.

“A ligação entre duas pessoas segue a mesma lógica. Amores, amizade, desafetos, relações de todo tipo constituem-se cada um à sua maneira, e a mensura da intensidade e duração delas independem do tempo… Ao fim de tudo, o que importa é aquilo que fica, o que atingiu a plenitude da sua existência e fixou-se na eternidade”. Ele fala de duas almas, Dolores e Elizabete, no Orfanato Lar Santa Catarina de Sena que se unem e se separam e, depois de muitos anos, se reencontram.

O escritor não segue a linha do corretamente político em termos de palavras, como foder, filho da puta e outras do tipo que ainda até hoje são vistas como palavrões e recolhidas lá num canto do seu íntimo. “Dolores retraia-se o quanto podia, ocultando seu corpo dentro do uniforme… Em resumo, estava apaixonada”. Descreve Dolores hipnotizada pelo movimento dos lábios de Elizabete.

Nélio trata das opções sexuais de cada um de seus personagens, sem nenhum pudor, e critica os preconceitos homofóbicos e racistas. São temas atuais que sempre estamos nos debatendo no dia a dia. …”lábios macios e úmidos de quem amava tanto… Luxúria e fornicação são pecados abomináveis para o Senhor, diziam as freiras, alertando as garotas do Orfanato para não caírem em tentação, permitindo que o mal se apossasse de suas almas por meio delas. … o corpo inteiro inundado de pecado. Estava suja! Uma pecadora imunda, digna dos castigos mais severos”. Das lamentações bíblicas: “Vê Senhor, e considera a escória em que me tornei! Os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho. Dolores queria mesmo era se perder na Memória de Minhas Putas Tristes do Gabriel Garcia Marquez”.

“Os coroinhas são servos de Deus que adoram imitar o capeta”. Essa frase me lembra muito quando eu era sacristão e depois seminarista na década de 60. “O mundo é um purgatório carente de almas, e os corpos que transitam a esmo pertencem aos desalmados desse mundo. Eles vagueiam dia e noite, na certeza de que estão vivos”… “Nenhuma conquista é obtida sem a perda de algo. … A vida é um jogo de concessões…”

No final do livro, o narrador-escritor dá voz a um dos principais personagens, o motorista do ônibus de nome Marco que diz: “Foda-se o patrão e o emprego. …Colidir contra uma parede de concreto, ou alguma carreta vinda na direção contrária seria um favor a mim mesmo e a esses miseráveis, era o pensamento que não sai da sua cabeça. Camille deixou o semblante expressar uma espécie de desejo mórbido que dominou a todos naquela manhã”.

No Posfácio, o escritor abre o texto afirmando que “um corpo, enquanto vivo, carrega em si as marcas do tempo, das horas transformadas em dias repletos de alegria e dor. Ele fala da finitude, “quando o espírito abandona o corpo, o semblante de quem morre se modifica…. A morte exerce sobre os homens toda a sua impetuosidade”. “Um bando de hipócritas é o que são todos eles”!

Em tom poético, destaca que “a brisa que agora percorre as ruas desertas, tocando levemente os ciprestes nos jardins, anuncia o inverno que vem chegando. Labaredas de fogo lambem a noite. Metamorfose de um tempo que conclui o seu ciclo de início, meio e fim”. … “Sempre soube o que você tentou me dizer, velho Van Gogh, com olhos de quem conhece a escuridão da minha alma”.

DUAS CRISES; DOIS PRESIDENTES

Carlos González – jornalista

Há exatamente 100 anos o Brasil perdeu cerca de 40 mil vidas (os números são imprecisos), numa população de 29 milhões de habitantes, para a maior pandemia do século XX, que ficou conhecida como gripe espanhola, matando 50 milhões no mundo; hoje, a Covid-19 já fez 500 mil vitimas num universo de 211 milhões de brasileiros. Apesar do longo período transcorrido, as particularidades das duas crises sanitárias são semelhantes, como a profilaxia, a terapia e a medicação popular. As diferenças mais significativas estão na instabilidade administrativa e emocional dos presidentes Delfim Moreira (1868-1920), que governou o país de 15 de novembro de 1918 a 28 de julho de 1919, e Jair Messias Bolsonaro, chamados, respectivamente, de louco e de psicótico genocida.

O mineiro Delfim Moreira continuou o trabalho de enfrentamento do vírus iniciado pelo seu antecessor Wenceslau Braz (1868-1966), e retomado pelo seu sucessor, o paraibano Epitácio Pessoa (1865-1942). Vale destacar que Delfim assumiu a Presidência da República devido à morte de Rodrigues Alves, contaminado pela gripe antes de tomar posse para um segundo mandato, de 1918 a 1922. Nos seus primeiros quatro anos no cargo (1902 a 1906), o paulista Rodrigues Alves, com o auxílio do sanitarista Oswaldo Cruz, eliminou um surto de varíola e venceu a “Revolta da Vacina”, promovida por centenas de irresponsáveis – como hoje -, contrários à campanha de imunização.

A exemplo de Oswaldo Cruz, um especialista em infectologia – não se pensou em nomear um intendente do Exército – foi indicado pelo governo para coordenar os trabalhos contra o H1N1. Alçado a herói nacional, o médico Carlos Chagas estabeleceu isolamento e quarentena para os navios que chegavam aos portos do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, por onde desembarcavam os passageiros contaminados vindos da Europa; criou ambulatórios de campanha (não havia hospitais públicos no país); aconselhou repouso absoluto aos primeiros sintomas da doença, sem direito a visitas; cuidados higiênicos com o nariz e a garganta e uso de máscaras. Fechou escolas e repartições públicas, e proibiu as chamadas festas populares.

A cloroquina, “menina dos olhos” do capitão-presidente, rejeitada até pelas emas do Palácio do Planalto, mas aceita por neopentecostais e devotos fanáticos do bolsonarismo, teve similares na época, mas nenhum produzido pela indústria farmacêutica. O povo em pânico recorria a inalações de vaselina mentolada, chás e infusões à base de quinino, gargarejos com água e sal, água iodada, tanino e outros “remédios”. Um deles, ganhou o título de bebida nacional, a tradicional caipirinha, conhecida mundialmente.

Por uma questão de justiça com a Espanha, país que me deu a segunda nacionalidade, o H1N1, segundo os pesquisadores, se originou no Fort Riley, nos Estados Unidos, transmitida para a Europa pelos soldados que foram combater na 1ª Guerra Mundial (1914-1918). As grandes potências estabeleceram um pacto de silêncio sobre a propagação do vírus para não criar pânico entre os soldados que lutavam nas insalubres trincheiras. Por não ter adotado a censura, a Espanha herdou uma imagem distorcida.

No Brasil, a gripe “desembarcou” do Demerara, em 9 de setembro de 1918, com 562 passageiros a bordo e 170 tripulantes, após uma viagem de 25 dias desde o porto de Liverpool, na Inglaterra, Após aportar no Recife, seguiu para Salvador. O jornal “A Tarde”  noticiou na época que 15 dias depois da chegada do “Navio da Morte” centenas de infectados lotavam os quartéis, escolas, igrejas e hospitais particulares da capital baiana.

Copa América

Uma das “loucuras” praticadas pelo presidente Delfim Moreira foi a de suspender os campeonatos de futebol do Rio e São Paulo e adiar a Copa América, de  novembro de 1918 para maio de 1919, disputada no estádio do Fluminense, nas Laranjeiras, construído para o torneio. Pesou na decisão das autoridades governamentais e esportivas a morte de jogadores, técnicos e dirigentes dos clubes cariocas e paulistas. O Rio, particularmente, chorou a perda, aos 22 anos de idade, do atacante French, do Fluminense.

Um século depois, um presidente irracional, num desrespeito aos familiares das 500 mil vítimas da covid-19, contraria a ciência e pirraça a Rede Globo, autorizando a realização da Copa América. Uma decisão tresloucada, que já colocou em quarentena, nos primeiros dias da competição, 52 membros das delegações, entre atletas, técnicos e cartolas.

:: LEIA MAIS »

PATRIMÔNIO ABANDONADO

Na Avenida Integração, esquina com a Regis Pacheco, um patrimônio público que já foi sede do DNER (extinto) e do Ibama, órgão que está sendo sucateado no atual governo do capitão-presidente, negacionista da ciência e destruidor do meio ambiente, está totalmente abandonado, com lixo por todos os lados e muito mato, conforme imagens fotográficas do escritor e jornalista Jeremias Macário.

Entre tantos outros no Brasil a fora, é mais um caso de dinheiro do povo jogado no lixo, sem a devida punição dos irresponsáveis governantes. Por ironia, o patrimônio abandonado, em Vitória da Conquista, já abrigou as dependências do Ibama, inauguradas no Governo Lula. O local me recorda quando atuava como jornalista da Sucursal do Jornal A Tarde, e na época entrevistei muitos técnicos sobre questões do meio ambiente, especialmente o transporte clandestino de carvão extraído de madeiras da caatinga no sertão do sudoeste.

Há anos que a casa se encontra em estado deplorável, caindo aos pedaços dentro de um matagal que mais serve para usuários de drogas e marginais à noite, sem falar da sujeira que atrai todo tipo de insetos, ratos e até mosquitos da dengue. Pelo que demonstra pela placa, trata-se de um patrimônio federal, mas não se sabe qual a ingerência do estado e do município. O local podia muito bem está sendo útil para ocupar uma repartição pública, uma escola, creche, uma entidade ou associação em benefício da população.

 

SOU MAIS AS CAPELAS

Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

Bendito seja nosso oratório!

Sou mais as capelas,

Com suas rezas e velas,

Do que a ostentação das catedrais,

Com seus bispos, papas e cardeais.

 

Sou mais as capelas,

Sem estilos gótico, ou barroco,

Feitas pelos braços dos mutirões,

Na pisada do samba e do coco,

E nelas não se fez inquisições.

 

Sou mais as capelas,

Do sincero nordestino de fé,

Onde tem Maria, João e José,

O compadre, a comadre e você,

Sem o falso senhor do poder,

Que só quer pousar pros jornais,

Entre luminárias dos castiçais.

 

As catedrais dos imponentes sinos,

Das mitras, báculos e anéis,

Com seus seculares painéis,

E crucifixos banhados a ouro,

São da nobreza, reis e rainhas,

Coroados como deuses divinos,

Que saquearam o tesouro dos latinos.

 

Capelas não têm vitrais nas janelas,

Nem antigos imperiais azulejos,

Só seu vigário e seus fiéis sertanejos,

Que oram Pai Nosso, Santa Senhora,

Mandai chuva pra molhar esse solo,

Pra matar a fome da criança que chora.

 

 

 

 

BASTAM DE TANTAS PRIORIDADES!

Além da falta constante de vacinas, proveniente da incompetência e negação da ciência por parte do governo federal, há dias, ou há mais de um mês, que a vacinação em Vitória da Conquista não sai das prioridades de categorias profissionais e pessoas com comorbidades, grávidas e puérperas.

Há muito tempo que a imunização parou na faixa etária dos 60 anos, enquanto outros municípios já avançaram para os acima dos 40 anos. A população dos 50 anos está ansiosa para tomar a primeira dose, mas sempre aparece uma categoria que se acha no direito de prioridade, e aí cria aquela pressão para ser contemplada.

Tudo isso advém dos critérios que cada município cria por conta própria, virando uma verdadeira bagunça, o que tem prevalecido desde o início dessa maldita pandemia no Brasil. Como não existe uma coordenação nacional lá de cima, qualquer um faz o bem quer, inclusive quanto as medidas restritivas de distanciamento e isolamento social.

Sem liderança e planejamento nacional, os governadores baixam um decreto, e muitos prefeitos politizam o combate à Covid-19 através da desobediência civil com atos contrários, exemplo do poder público de Vitória da Conquista.

Dentro desse caldeirão de misturas indigestas, está também a questão da testagem das pessoas, que deveria ser geral, não importando se a pessoa tem ou não sintomas do vírus. A Secretaria Municipal de Saúde só realiza o teste quando alguém apresenta alguns sinais de febre, problemas na garganta, tosse, enjoos, cansaço ou outras anormalidades no organismo.

Se a pessoa chega no posto, ou numa unidade de saúde, reportando que manteve contato com alguém positivada, mas ainda não sentiu sintoma nenhum, os prepostos da prefeitura não fazem o teste.

A recomendação do centro de monitoramento é que o “paciente” aguarde alguma possível reação por cerca de 14 dias, pois nem o PCR tem 100% de acerto. Conversei com uma atendente que me passou esta orientação.

Não sou infectologista e nenhum especialista médico no assunto, mas entendo que essa pessoa que manteve contato com outra contaminada, deveria ser testada, mesmo sem os sintomas, independente do resultado, se negativo ou positivo. Entendo que seria mais uma forma de tranquilizar a pessoa, ou tomar as devidas precauções, caso detectado o vírus.

 

ESTÁ MAIS PARA UM COMITÊ GESTOR DA MORTE DO QUE DE UM CONTROLE

No foi por menos que, em tom de brincadeira, o Papa Francisco disse a um padre, ao se referir à pandemia no Brasil, que os brasileiros não têm salvação porque só querem saber de cachaça e festas. Vitória da Conquista, no lugar de ser exemplar, está confirmando essa versão do Papa, quando a Prefeitura Municipal anuncia mais flexibilização das medidas com a liberação de eventos festivos de até 50 pessoas.

Desculpem dizer isso, mas esse Comitê Gestor de Crise está mais para Comitê da Morte, quando se sabe que a ocupação de leitos de UTIs nos hospitais está na faixa dos 97%, que a média diária de mortes está em torno de três ou quatro (na segunda, se não me engano, o vírus abateu oito almas), com quase 100 casos, e já tivemos mais de 500 perdas.

Esses números não são altos? Está tudo sob controle, senhora prefeita? Conquista é uma “cidade exemplar no combate da pandemia”, como falou um lojista? Nenhuma pessoa de bom senso vai concordar com isso. Nova York, com mais de 10 milhões de habitantes, está registrando 12 mortes, e países da Europa, com 30 a 50 milhões de pessoas, computa oito, dez, para uma população de 230 mil em Conquista.  Os índices são por demais desproporcionais.

Qual mesmo o objetivo do poder executivo local flexibilizar a realização de eventos com até 50 pessoas? São as chegadas das festas juninas para atender a demanda de bares e restaurantes? Oferecer aos músicos da cidade uma oportunidade de fazer seus shows ao vivo, no lugar de um edital que foi prometido e não mais se falou nesse projeto?

Será mais uma vez a intenção de bater de frente com as medidas restritivas do Governo do Estado, que proibiu por decreto a circulação de ônibus intermunicipais durante o São João? O governador determinou também a proibição de bebidas alcoólicas neste próximo final de semana, para evitar mais aglomerações.

Esse pessoal da prefeitura e do tal Comitê Gestor acha que todo mundo é imbecil e burro, quando justifica o ato afirmando que essa flexibilização vai seguir todos protocolos de máscaras, álcool-gel e o distanciamento de um metro e meio entre os festeiros. Isso não passa de uma conversa para boi dormir, pois sabemos que isso não é possível de ser cumprido.

Todos finais de semana em Conquista acontecem aglomerações em bares, restaurantes e festas, e os poucos fiscais não conseguem impedir esses eventos. Se não controlam esses excessos, como vamos acreditar que essa nova medida de abertura vai ser dentro dos protocolos?

Parece a história estapafúrdia e mentirosa do prefeito de Várzea do Poço que promoveu uma corrida de cavalos e leilões com mais de mil frequentadores por dia, e depois alardeou que a festa foi só para convidados e que todos seguiram os devidos regramentos. Está enganando a quem?

Outra coisa absurda é o São João que, mais uma vez, oficialmente foi cancelado, mas as propagandas estão aí a todo vapor para incentivar os baianos e nordestinos a realizarem suas festas juninas com amigos e parentes, isto quando os infectologistas e médicos já estão prevendo uma nova onda da Covid-19, com novas cepas.

Comentei aqui e volto a repetir que a própria mídia tem sua parcela de culpa para que os apaixonados do São João se aglomerem em festas particulares. A imprensa que pede para que todos se cuidem, é a mesma que programa o evento em suas redes de televisão através de lives.

Existem até dicas para roupas, sapatos e quais as pinturas e trajes ideais. Será que essas pessoas vão se emperiquitar à moda da festa, para depois ficarem presas dentro de suas casas?

Até o Banco de Sangue do HGVC incentiva as pessoas a pegarem estrada quando coloca lá um cartaz chamativo, ressaltando que antes de você pegar o caminho da roça passe no Hemoba e doe sangue. Por essas e outras é que o Papa tem razão. Não adianta só ficar por aí pelos cantos rezando e pedindo a Deus para se salvar.

O NOSSO CONGRESSO É UMA VERGONHA

As nossas forças armadas, como aqui já comentei, estão pisando feio na bola quando por detrás, com seus generais e coronéis de pijama, dão cobertura a um governo que está destruindo por completo o nosso Brasil (veja o caso da não punição do general calça curta). Para completar, o nosso Congresso continua sendo uma vergonha nacional, com raras exceções de alguns de seus membros.

Com essas duas instituições, e mais seus seguidores da morte que vieram das cavernas, o capitão-presidente se sente blindado para fazer suas loucuras, debochar e afrontar nossos cidadãos de bem, sabendo que nada pode acontecer a ele. Mais de 100 pedidos de impeachment (afastamento) estão engavetados na Câmara dos Deputados, infestada de oportunistas que até já serviram aos governos de Lula e Dilma.

Nem todos, mas a grande maioria (está aí o Centrão) mente para si mesmo e para o povo. É tão vergonhoso que eles ficam com a cara de tacho quando tentam defender as maluquices de um presidente que nunca deveria ter posto os pés no Palácio do Planalto. Qualquer detector de mentiras iria disparar o alarme com tanta intensidade prestes a explodir.

Qualquer pessoa de nível mais elevado (nem precisa ser tão inteligente), sabe que por muito menos, Collor de Mello e Dilma sofreram impeachment, e o caso dela, das tais pedaladas, foi mais escandaloso. Não estou aqui, de forma nenhum, dando uma de advogado dos pecados do PT, mas agora compreendo que aquilo foi mesmo um golpe.

Esses deputados e senadores (nem todos) foram para lá vender descaradamente seus votos que na frente foram comprados dos eleitores. Entregam a alma ao Satanás, e o povo que se dane. Tem uns que dói de tão ridículos e escancarados que são com seus comportamentos oportunistas. Não têm a mínima vergonha na cara e eliminaram do dicionário o termo dignidade. Aliás, nem sabem o que é isso.

Nem precisa aqui citar os nomes dos safados ladrões que estavam nos governos passados e agora pularam de barco. É uma verdadeira aniquilação do ser humano! Eles se transformaram em vermes nojentos que, cinicamente, ainda afirmam que são patrióticos quando estão ajudando a acabar com nossas florestas, sucatear nossas universidades, negar a ciência, provocar mais mortes com a pandemia, fechar laboratórios de pesquisas e contribuir para o aumento da miséria e da fome.

São seres desprezíveis, e posso dizer sem titubear, que nem sabem o que é consciência limpa e caráter, tanto que dormem o sono pesado com a barriga cheia de dinheiro, achando que vão viver para sempre. Nem estão aí para seus filhos que estão recebendo um país em ruínas. Não têm pesadelos como o pobre que batalha o dia todo para ter o mínimo de sustento.

Como todos sabem, é um dos Congressos mais caros do mundo, repleto de penduricalhos, verbas de indenizações, emendas parlamentares, propinas e subornos. De cada eleição, cujo sistema eleitoral foi feito para favorecer a eles mesmos, sai uma fornada pior que a outra. Os novos vão se contaminando com o vírus letal da velharia. No fim, toda a área está podre, com odor insuportável.

O Brasil, infelizmente, está entrando numa era de há dois mil anos. A Idade Média é moderna para classificar o nosso nível de atraso na forma de pensar, de agir e de tratar as pessoas. Estamos nos tornando seres das cavernas quando se achava que a terra era plana. Não é um celular e os sistemas sofisticados da informática que irão nos definir como civilizados.

O Congresso Nacional comporta hoje todas as espécies de animais racionais e bichos selvagens, desde o sério de boas intenções (coisa rara), aos brucutus que até pedem o seu fechamento, intervenção militar, o corrupto, o preconceituoso, o partidário do nazifascismo, o racista e o que apoia a destruição do Brasil, mas, afinal de contas, foi eleito pelo povo a quem por séculos foi negado a educação e o conhecimento.

“A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER” – (Final)

A PUNIÇÃO POR SER PRISIONEIRO

“A NKVD prendeu meu marido e me diziam que ele era um traidor. Eu tinha trabalhado na resistência com meu marido. Era um homem corajoso e honesto. Tinham feito uma denúncia contra ele. Uma calúnia. Fui falar com o investigador e mandou que calasse a boca, me chamando de prostituta francesa. As pessoas que viveram a ocupação foram presas e levadas para Alemanha, num campo de concentração fascista. Todas eram suspeitas. Até os mortos eram vistos como suspeitos”.

De outra entrevistada do livro “A Guerra não Tem Rosto de Mulher”, da escritora russa Svetlana: “ O povo venceu e Stalin não confiava no povo. Foi assim que a pátria nos agradeceu. Por nosso amor, por nosso sangue. Meu marido voltou da guerra inválido. Estava envelhecido. Meu filho estava acostumado a pensar que o pai era branquinho, bonito, e veio um homem velho e doente”.

“Em 1931 me tornei a primeira mulher maquinista. Todo mundo se juntava nas estações para olhar a mulher maquinista. Quando começou a guerra pedimos para ir para o front. Meu marido era maquinista-chefe e eu maquinista. Passamos quatro anos viajando em um vagão, e nosso filho conosco. Sofremos vários bombardeios”.

“Meu marido tinha passado por vários países, tinha condecorações, mas estava com medo. Já tinha sido interrogado por ter sido prisioneiro, e sua obrigação era ter se matado com um tiro, mas não tinha mais cartuchos. O comissário partiu a própria cabeça com uma pedra diante dos olhos dele. Não tínhamos prisioneiros, tínhamos traidores”. Foi o que disse o camarada Stalin. Ele renegou o próprio filho que foi capturado. Os investigadores diziam: Por que ficou vivo?

“Eu e meu filho passamos quatro anos esperando que ele voltasse da guerra, e depois da Vitória mais sete do campo de trabalho. Aprendi a me calar. Não confiavam em mim nem para limpar o chão. Agora podemos falar de tudo. Nos primeiros meses da guerra, milhões de soldados e oficiais foram feitos prisioneiros. De quem é a culpa? Quem decapitou o exército antes da guerra, quem fuzilou e caluniou os comandantes vermelhos, como espiões dos alemães e japoneses? Até hoje é terrível! Temos medo”.

Depois de aprender a odiar, era preciso amar de novo – destacou uma mulher que esteve no front e pisou em terras alemãs. “Acumulamos tanto ódio no peito. Tinha vontade de ver as esposas deles, as mães que tinham parido filhos como aqueles. Como eles iam olhar em nossos olhos? Tudo quanto os soldados tinham quando já estavam em terras alemãs dividiam um pedacinho com as crianças. Fui até a Alemanha… Desde de Moscou andando”.

“Cheguei à Alemanha, e entrei logo em combate. Como não me mandei do campo de batalha. Em terras alemãs, conta uma tenente enfermeira que viu um cartaz com os dizeres: “Ai está ela, a maldita Alemanha.  Goebbels tinha convencido a todos que, quando os russos chegassem, iriam cortar, trucidar e matar. Nas casas, todos estavam mortos. As crianças jaziam mortas”.

As pessoas culpavam Hitler pela guerra – assinala uma combatente, mas a tenente respondeu para uma senhora que ele não decidia sozinho. Foram seus filhos e maridos. Segundo outra entrevistada, “você não imagina os caminhos da vitória! Andavam os presos recém-libertos, com carretas, trouxas, bandeiras nacionais. Russos, poloneses, franceses, techecos… todos se misturavam, cada um ia para o seu lado. Todos nos abraçavam. Beijavam…”

“Encontrei jovens russas e uma delas estava grávida. Tinha sido estuprada pelo patrão do lugar onde trabalhava. Ela andava e chorava, batia na barriga: Não vou levar um fritz para casa. As outras tentavam convencê-la, mas ela se enforcou, junto com o pequeno fritz”.

Uma sargento narra que um dos oficiais russos se apaixonou por uma grota alemã. A notícia chegou aos superiores. Ele foi degredado e mandado para a retaguarda. Se tivesse estuprado… É a lei da guerra. Os homens ficam tantos anos sem mulher e, claro, havia o ódio.

“Eu me lembro de uma alemã estuprada. Ela estava deitada nua, com uma granada enfiada no meio das pernas… Cinco jovens alemãs vieram falar com o nosso comandante. Elas tinham feridas lá… Todas as calcinhas ensanguentadas. Tinham sido estupradas por toda noite. Os soldados faziam filas…Disseram para as garotas: Vão lá e procurem, se vocês reconhecerem alguém, fuzilamos na hora. Temos vergonha! Mas elas entraram e choraram. Não queriam mais sangue”.

“Nos mostraram o campo de Auschwitz… As montanhas de roupa feminina, de sapatinhos infantis…As cinzas acinzentadas… Levaram-nas para o campo, para servir de adubo para o repolho… Para a alface…”

Uma operadora de artilharia cita que um dos seus soldados estava bêbado, pois quanto mais perto estava a vitória, mais bebiam. Nas casas e nos porões sempre se achava vinho. “Ele pegou o fuzil e correu para uma casa alemã. Descarregou toda munição. Ninguém teve tempo de ir atrás dele. Corremos, mas dentro da casa todos já estavam mortos. Deixem que eu mesmo me dou um tiro. Foi preso e julgado: Fuzilamento”.

Sobre antes da guerra, uma testemunha revela que estava no teatro quando começou umas salvas de palmas. “No camarote do governo estava Stalin. Meu pai estava preso, meu irmão no campo de trabalhos forçados e, apesar disso, senti entusiasmo que dos meus olhos jorraram lágrimas. Aplaudiram de pé por dez minutos”.

“E fui para a guerra, e lá escutava as conversas de voz baixa. Milhares desapareceram! Milhões de pessoas. Para onde foram? Como Stalin organizou uma onda de fome, eles mesmo chamavam de Holodomor. Mães enlouquecidas comiam os próprios filhos. As conversas não eram em grupos, sempre entre duas pessoas. Três é demais, o terceiro te denuncia.

No final, o livro descreve como foi o terror ao cerco em Stalingrado entre 1941 e 42 quando muitos morreram de fome e pela artilharia pesada dos alemães. A reação do povo russo foi fundamental para que as tropas de Hitler recuassem. São cenas terríveis e chocantes contadas por testemunhas mulheres que lutaram  durante a II Guerra Mundial.

 

GENTE QUE SOFRE

Nunca é demais falar dessa gente nossa que sofre (foto de Jeremias Macário) no dia a dia para conseguir o mínimo de sobrevivência, num país dilacerado pela pandemia da Covid-19 e pelo desgoverno que nega a ciência, incentiva o não uso da máscara e provoca aglomerações. Será que ainda não bastam as mais de 480 mil vidas perdidas? Quem vai consolar o choro dessa nossa gente que sofre nas intermináveis filas bancárias para tirar um mísero auxílio emergencial, sendo que milhares retornam para seus barracos de mãos vazias? Como amar uma pátria que não cuida de seus filhos e deixa 15 milhões fora do mercado de trabalho? E os outros milhares que passam fome? Quem vai confortar essa gente que vê seus filhos a chorar nos cantos com fome? Infelizmente, essa gente é o Brasil que sofre, sem um líder, ou um guia para lhe dar dignidade humana. Essa gente que sofre não tem seus direitos assegurados pela Constituição no âmbito social, da educação e da saúde. Quem é esse que tripudia, debocha da nação e não é punido com seu afastamento? Até quando vão abusar da paciência dessa gente humilde que só pede o pão para se alimentar? Quem é esse que quer mais mortes quando recomenda o não uso de máscaras, como se o Brasil fosse os Estados Unidos, a Inglaterra e Israel  que seguiram a ciência e vacinaram mais da metade de suas populações? Ele ainda é aplaudido pelos seus bobos da corte e seguidores da morte. Será que a história um dia os levará a um tribunal internacional de julgamento por genocídios e crimes de lesa-humanidade?

 

 

MEMÓRIA

Um poema do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem aos torturados e mortos pela ditadura civil-militar de 1964 e que faz parte do seu livro “ANDANÇAS”

De algum lugar da selva,

De gente pobre submissa,

O guerrilheiro firme resiste,

Redigindo sua carta,

Para sua amada Marta,

Acreditando na vitória,

De construir uma justiça,

Para mudar nossa história.

 

De algum lugar da selva,

Vive uma senhora lavradora,

Onde as réstias da luz do sol,

Disputam espaços nas folhas,

Revigorando o social ideário,

De um guerrilheiro solitário,

Que foi crivado de balas.

Pela tirana metralhadora.

 

Veio a fúria do vento forte,

Cuspindo fogo pelas ventas,

No disfarce de uma chicória,

Que com seu cutelo da morte,

Devorou a nossa memória.

 

Sem o direito de nem pensar,

Quanto mais de se expressar,

Os contras foram torturados,

E sacrificados no altar.

 

Os sobreviventes dos horrores,

Ainda temem seus algozes,

Como os cães mais raivosos,

Que ainda causam as dores,

Ultrajando nossa memória.

 

De uma noite para o dia,

A lua cheia ficou vazia;

Foi-se embora toda ternura,

Porque o carrasco teve anistia,

E a família do desaparecido,

Ficou sem fazer sua sepultura.

 

Pior ainda é perdurar as trevas,

Sem a punição dos assassinos,

Que executaram nossos meninos,

E agora querem outra vez voltar,

Para massacrar e humilhar,

Quem já foi tirado do seu lar.

 

Está entalado em nossa garganta,

O grito proibido da verdade,

Dessa memória ensanguentada.

Que ainda não saiu do porão,

Para punir toda brutalidade,

Dos carrascos de plantão.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia