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Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

O PONTO DA QUESTÃO

NÃO É SAUDOSISMO

A música popular brasileira vai de mal a pior, com letras fúteis que nada dizem. As duplas de “sertanojos” e os arrochas de “sofrências” são mais nefastas que as pragas do Egito. Os jovens são as presas mais fáceis desse arrastão comercial onde a mídia exerce papel de estímulo, somente para ganhar seu espaço na audiência, não importando as consequências.

Sobre esta invasão bárbara, veja o que diz a cantora baiana Virgínia Rodrigues que tem mais sucesso no exterior do que aqui: “Tenho muita pena do caminho que a música brasileira está tomando. Estão apequenando a música popular brasileira”.

No seu desabafo, acrescenta que não se trata de saudosismo, mas do fato de que antes era melhor e pronto, lembrando de Caetano, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Elis Regina, Paulinho da Viola, Luiz Melodia, Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Edu Lobo e outros tantos.

“É um monte de gente que não faz nada, que não tem nada para mostrar, mas que chega e paga para serem tocadas. Os arranjos são pobres, a poesia das músicas é pobre, Vamos resumir, está uma desgraça”. Diria que saímos do iluminismo para as trevas, sem saber quando vamos sair delas porque estão acabando com o que ainda resta da educação e da cultura no país.

ENTREGUE AO ABANDONO

Por falar em memória cultural, como na música, o Centro Histórico de Salvador está entregue ao abandono, em ruínas. A região engloba 12 bairros (incluindo o Pelourinho) e conta com mais de 80 mil habitantes, uma cidade de médio porte que está se acabando com o tempo e quase nada está sendo feito pelo poder público.

Nas encostas do Pilar, Taboão, Lapinha e Santo Antônio, de saudosas lembranças onde era frequentador quando morei na capital, novos cortiços surgem através da ocupação de imóveis em ruínas. A Constituição diz que o poder público, com colaboração da comunidade, é protetor do patrimônio cultural. Isso só funciona na letra.

Institutos e órgãos não faltam, mas só servem de cabide de empregos que privilegia a mediocridade. Para se ter uma ideia, existem hoje o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(Iphan), criado em 1937, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia(Ipac), a Companhia de Desenvolvimento Urbano (Conder), a Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) e a recém-criada Diretoria de Gestão do Centro Histórico.

A maior parte dos edifícios em ruínas não possui sequer proprietários identificados. O que impera é a política do tombamento e do escoramento. Cadê o projeto de revitalização da Prefeitura Municipal de Salvador? A cidade está bem mais feia. Não se trata de saudosismo.

UM JUMENTO

Cara de pau o Mordomo dizer que o povo vai compreender o aumento de impostos dos combustíveis! O contribuinte-consumidor é mesmo um jumento que passa toda sua vida carregando peso para o seu dono e ainda é chicoteado quando reduz os passos diante de uma carga excedente. Quando não serve mais e poderia ter seu descanso num bom pasto, é levado para o matadouro e triturado para ração humana e animal.

MAIS DE 10 BILHÕES

O governo vai arrecadar mais de 10 bilhões de reais com a elevação dos impostos. Esta é a quantia gasta por ano com as mordomias e benesses do Congresso Nacional onde deputados têm altas verbas indenizatórias (mais de 25 assessores) e senadores mais de 60 sacratrapos. Nesta conta não estão incluídas as despesas com auxílios-moradias dos juízes do judiciário e outros penduricalhos, nem os polpudos salários dos servidores comissionados. E as aposentadorias dos marajás? É muita gordura pra cortar, mas, tudo isso, diz o Mordomo: A população entende.

E AS EMENDAS?

Para livrá-lo da denúncia de corrupção, o Mordomo soltou em julho cerca de dois bilhões de reais para os deputados, coisa que, além de escandalosa, nem deveria existir. E os gastos com jantares e almoços para aliciar parlamentares? Toda esta conta junta renderia mais de 20 bilhões, o que evitaria aumento de impostos, aliviando a carga do jumento que vive suado de pernas abertas com tanto peso nas costas. O quê o Mordomo está querendo? Uma guerra civil no país?

OS CARROS PRETOS

Causa-me arrepio quando vejo aqueles carros pretos cortando apressados a Esplanada dos Ministérios em direção aos palácios. Vem à minha mente aqueles filmes de gangsteres das máfias mais perigosas e poderosas com o “direito” de matar. Lá vão os homens de preto tramando as piores maldades contra o povo brasileiro. Nada de bom acontece quando eles passam todos luxuosos como condutores dos nossos destinos. Preferia os russos chegando!

PELOS BURACOS DA NOSSA MÍDIA

“A LEITURA É UMA FONTE INESGOTÁVEL DE PRAZER, MAS, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, A QUASE TOTALIDADE NÃO SENTE ESTA SEDE” – Carlos Drummond de Andrade.

Uma boa reportagem jornalística começa pelo entrevistador e termina na fonte. O repórter deve antes pesquisar e ler sobre o assunto para fazer perguntas firmes e seguras, sempre se colocando como leitor, ouvinte ou telespectador, que deseja informações completas e fidedignas sobre os fatos.

A fonte deve ser preparada e conhecedora do tema em questão. Muitos repórteres esquecem a função das perguntas e fazem afirmativas sobre o tema como se pondo no lugar do entrevistado que está ali para prestar esclarecimentos.

É horrível, sem contar que muitas matérias são requentadas e repetitivas. Falta criatividade nas pautas, de modo a sair do factual, dos boletins de ocorrências e das mesmices. De um modo geral, pouco mudou com o advento da internet.

Em geral, a mídia conquistense, principalmente a televisiva, deixa muito a desejar e peca desde a entrevista à cobertura dos fatos. Os buracos são constantes e a informação fica capenga, com vazios que até o leigo do jornalismo percebe.

A maior falha está quando o público passa a indagar o porquê de outros dados importantes não terem sido divulgados. Muitas matérias ficam faltando colocar o porquê, o que, como, quem, o onde e até o quando. A notícia não pode ser apenas um espetáculo. Ela pede conteúdo.

São muitos exemplos de matérias “jornalísticas” publicadas incompletas. Um dos casos foi a morte de uma criança depois de ter extraído um dente e passado uma semana na roça. Nem os pais e nem o dentista foram ouvidos. O que aconteceu com o procedimento durante e depois da extração?

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A EXTINÇÃO DOS CERRADOS E A ENTRADA DOS CAMELOS

Ao longo dos anos o homem só tem explorado a natureza para extrair seus lucros e consumir desbravadamente. A reposição tem sido insignificante ao tamanho da depredação. Como não existe almoço grátis, o meio ambiente agora cobra um custo alto através dos efeitos da poluição, do desaparecimento de rios e dos aquíferos com a escassez de água. As catástrofes nas cidades e nos campos provocam mortes e elevados prejuízos materiais. O barato está saindo bem mais caro.

Todos os biomas brasileiros (Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Pampas e a Amazônia) sofrem ameaças constantes. Ai, regiões do Brasil poderão se transformar num Saara africano, uma boa forma de atrair turistas com a travessia de camelos. Os últimos governos, inclusive o do mordomo, que tem no Ministério da Agricultura um motosserra, apoiaram o desmatamento das florestas e a transposição do Rio São Francisco.

Há pouco tempo, pesquisadores brasileiros constataram que, se o índice de desmatamento do cerrado se mantiver como é hoje, em trinta anos o bioma perderá mais de mil espécies de plantas, maior extinção de vegetais da história. A revista Muito do A Tarde publicou uma entrevista sobre o assunto com o antropólogo e arqueólogo Altair Sales Barbosa, profundo conhecedor da região.

Para ele, essa extinção, em boa medida, já ocorreu e acrescentou ser uma falácia de que no cerrado ainda existem grandes quantidades de plantas. “Alguns dos subsistemas do cerrado já foram totalmente extintos, como é o caso das campinas e dos chapadões, cuja vegetação foi retirada para plantação de grãos”.

Um bom exemplo disso está bem aqui perto de nós, na Chapada Diamantina entre os municípios de Ibicoara e Mucugê onde vastas terras foram reviradas para plantação de hortigranjeiros, com a construção de barragens que provocaram grandes impactos ambientais no ecossistema.

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COITADA DA NOSSA DEMOCRACIA!

Um lado endurece o discurso e o palavreado dizendo que a Justiça deu um duro golpe na democracia e na Constituição Federal. O outro aperta o cerco, compra votos dos deputados para mudar um relatório e afirma que o Congresso Nacional garantiu a democracia e fortaleceu a Constituição. Coitada da nossa democracia que é obrigada a tomar tapas diários neste corredor polonês de maus caráteres, corruptos e criminosos.

A população brasileira fica acossada em meio a tantos espetáculos de quinta categoria, ouvindo os cínicos falarem de ética e moral. O mordomo recebe os convidados de Drácula distribuindo sacos de sangue extraídos do povo que pena nos corredores dos hospitais. Sem educação e segurança, o cidadão se torna vítima das balas dos marginais da segunda categoria, porque a primeira desfila solta de terno e gravata.

A jararaca que já destilou seu veneno e deixou o ambiente contaminado, espalhando o caos, promete voltar para se vingar dos “eles” que se posicionaram contra os “nós”. Interessante que até há pouco tempo os mordomos e os jararacas estavam unidos como siameses, em laços de amor, comendo do nosso almoço e da nossa janta, adquiridos com suor e lágrimas.

Transformaram o Congresso num prostíbulo de baixo nível cheio de cafetões que recebem milhões em troca dos nossos corpos e de nossas almas. Fizeram da democracia uma prostituta só deles, banalizando sua alta concepção e princípio de ser ela somente do povo. Mordomos e jararacas têm suas caravanas de defesas, enquanto o Brasil é jogado na vala dos horrores e dos ratos de esgoto.

Todos eles nos afrontam todos os dias, nos pisoteiam e nos jogam fora como cascas de bananas. São os maiores baderneiros e vândalos da nossa pátria que torram mais de 10 bilhões de reais por ano com suas mordomias e benesses, sem contar as propinas que recebem por fora.

Até há pouco tempo, o baixo clero inexpressivo virou alto clero com seus cardeais da mentira e da enganação. São falsos profetas e anticristos com suas bancadas evangélicas, ruralistas e da bala que ditam o retrocesso e a derrocada.

Reservamos o direito de execrá-los, repudiá-los e até mesmo xingá-los porque toda paciência tem limites e eles já abusaram fazendo da nossa Casa uma zona de prostituição. O Congresso virou uma capitania hereditária que passa o poder de pai para filho e de filho para netos.

Agora mesmo, o mordomo se vale das emendas parlamentares, uma das aberrações que nunca deveria ter existido, para comprar votos. Os corruptos passivos, verdadeiros caras de paus têm o desplante de declarar em público que as verbas recebidas em nada influenciaram suas decisões.

E assim vai descendo ladeira abaixo a nossa castigada e espancada democracia que só faz abrir espaços para os bolsonaros da vida e todos aqueles que defendiam e ainda hoje defendem com mais fervor uma intervenção militar com o retorno da ditadura.

O que causa mais espanto é que pessoas de nível de instrução mais elevada, com senso crítico de conhecimento, se posicionam com radicalismo de um lado ou do outro dessa baderna sem fim. Cada um só quer saber de defender seu quinhão e o Brasil que se lasque, só que todos vão se ferrar e pagar muito caro em futuro próximo. Será que não existe uma terceira via, uma alternativa para salvar este barco à deriva?

NO PAÍS ONDE PROVAS NÃO SÃO PROVAS

Hoje tem espetáculo? Tem sim, senhor! Lembro disso quando era moleque na minha pequena cidade do interior e o palhaço do circo perguntava aos meninos que seguiam atrás dele se naquele dia ia ter mesmo espetáculo. Era uma forma de anunciar o show e atrair mais gente para o circo. O Brasil virou um circo, mas, sem nenhuma graça!

Não adianta ficar estarrecido e revoltado. Você está no país onde provas não existem. Não passam de simples indícios. Cada um faz sua avaliação político-partidária e pronto. Aqui temos um circo montado onde tem espetáculos todos os dias, com uma produção inesgotável de grandes atores dos disfarces, dos efeitos especiais e da cafajestagem.

Estamos sim no país onde gravações, assinaturas próprias e filmagens dos criminosos não são provas. Elas não passam de suspeitas. O cara é filmado como um rato com malas cheias de granas e, mesmo assim, a imagem não constitui prova. A assinatura do indivíduo e a gravação de voz são negadas e o fundo do poço da política é mais embaixo. Nunca se chega lá.

O senador monta um esquema para receber dois milhões de reais de propina de um empresário e depois diz que era um empréstimo. Ora, se era um empréstimo legal precisava fazer uma operação clandestina para receber o dinheiro? É que ele acha que toda nação é burra, que só têm idiotas e otários. O outro ia levar os 500 mil pra quem? Para seu patrão, é claro!

O legislativo e o executivo, em torno de suas corporações, conseguiram a maior façanha do mundo que foi de tornar impossível quaisquer elementos de provas. Ficam masturbando as ideias, batendo enquanto pode toda nojeira no liquidificador e as provas terminam sendo engavetadas como indícios sem provas. No final, o réu vira um coitado inocente perseguido por forças malignas.

Aqui no Brasil a filmagem registra um soldado espancando, torturando e executando um cidadão, e o comandante da corporação afirma que vai apurar o caso. Mas, apurar o quê mais se a imagem já diz tudo? O povo fica frustrado, mas continua esperando que um dia as coisas vão melhorar.

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OS MAUS ESPÍRITOS INVADEM O SAGRADO

O São João passou e, mais uma vez, ficou a sensação de que os maus espíritos se infiltraram pra valer no templo sagrado da nossa festa, para roubar nossas seculares tradições trazidas pela corte portuguesa que herdou símbolos do hemisfério norte e até mesmo dos povos egípcios.

Os maus espíritos são os “breganôjos” e outras introduções do capitalismo predador nas bebidas, comidas, vestimentas e nas danças, cujo sistema não tem nenhum escrúpulo de derrubar e desfigurar um patrimônio cultural. O pior é que a maior parte das prefeituras está contaminada.

Prefeitos, principalmente, com exceções de alguns mais lúcidos, são atraídos por esse falso brilho vendido por empresários que convencem a maioria do poder público de que é disso que o povo gosta e aplaude. Há também o lado corrupto do superfaturamento nos contratos. É uma tentação!

Acontece que muita gente já começa a apedrejar e a jogar latas nesses palcos de “artistas” eletrônicos do “tira o pé do chão”. É só zoeira! Os mais sensatos e conscientes do verdadeiro espírito histórico do São João, inclusive jovens, não estão nada satisfeitos com esses usurpadores das festas juninas.

Atitudes e leis severas precisam conter a invasão desses maus espíritos que, com suas artes nefastas e suas máscaras de fantasmas, levam de nós a alma da festa por dinheiro, não importando para a questão da preservação cultural. Infelizmente, ainda temos uma nação inculta que deixa se enganar pelos “safadões” do som e dos rebolados.

Bem, está dado o meu recado e o meu desabafo de protesto. Vamos agora ver um pouco das origens da nossa festa, de todas, a mais brasileira e nordestina. Segundo o analista cultural Anderson Rios, em comentário num jornal da capital, o São João é uma festa sincrética, pois admite a equivalência entre Xangô, orixá ligado ao fogo, e o santo cristão nos terreiros de candomblé da Bahia.

Mesmo proibido, o costume de soltar balões, entre cinco a sete, tem o sentido de avisar as pessoas sobre o início das comemorações, bem como de levar os pedidos para os santos até o céu. Nessa mesma época de junho, os nossos índios realizavam seus rituais para celebrar a agricultura. Com os jesuítas, as festas se fundiram e os pratos passaram a utilizar alimentos nativos, como a mandioca e o milho, segundo Anderson.

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“MAIS ÁGUA É CONQUISTA”

Ainda não se tem um projeto e nada saiu do papel além das ideias. Mais uma vez, como na novela do aeroporto cujas obras do Terminal de Passageiros só agora estão saindo, depois de muitos anos de debates, a questão é sobre a falta de água em Vitória da Conquista onde o anúncio da licitação do projeto da Barragem do Catolé foi adiado porque o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) não concedeu a licença ambiental.

No meio dessa polêmica nasce o Movimento “Mais Água É Conquista”, liderado pelos empresários José Maria e Luciano Bonfim que defendem trazer água da Barragem de Anagé para abastecer a cidade. Segundo eles, o reservatório é subutilizado, sem contar que os custos e o impacto ambiental são bem menores que os da Barragem do Catolé. Também conta o tempo dos serviços e outros benefícios à população.

De acordo com José Maria, a capacidade de Agua Fria I e II, em Barra do Choça, é de 6.000.000 de metros cúbicos, enquanto Anagé tem 367 milhões de metros cúbicos, suficientes para atender a demanda por longos anos de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com mais de 350 mil habitantes.

Pelos cálculos redondos, a Barragem do Catolé vai exigir investimentos da ordem de 180 milhões de reais e um tempo de quatro a cinco anos de construção. Já o projeto sugerido de um aqueduto de Anagé, incluindo seis estações elevatórias, equipamentos de bombeamento, rede elétrica, tubulações de 60 quilômetros e um parque fotovoltaico de energia solar demandará recursos de pouco mais de 60 milhões de reais em menor tempo para ficar pronto.

IMPACTO AMBIENTAL

A Barragem de Anagé, como todos devem saber, foi construída pelo DNOCS (Departamento de Obras Contra a Seca) entre as décadas de 70 a 80, com objetivos, além de atender o consumo humano, implantar um perímetro irrigado em seu entorno, mas transformou-se em área de lazer e em propriedades de abastados para veraneio entre os municípios do mesmo nome e Caraíbas.

Portanto, é subutilizada e poderia muito bem abastecer Vitória da Conquista através de uma adutora com estações elevatórias, sem provocar os mesmos impactos ambientais que vão acarretar a Barragem de Catolé com a formação de um grande lago em parte da Mata Atlântica.

A licitação para a obra do Catolé ainda depende de aprovação do Ibama, o que demanda mais tempo, prolongando o racionamento de água  que já foi decretado pela Embasa pela terceira vez e já dura mais de um ano.

Enquanto não se tem uma definição, a população sofre. Conforme calendário da empresa estatal, são três dias com água e três não, só que, a maioria dos bairros só recebe o líquido durante um dia. Tem local que fica um mês com as torneiras secas.

CURSOS PARA AGRICULTURA FAMILIAR

É tempo bom para o produtor rural! E pensando nisso, a Prefeitura de Caetité, em parceria com o Sebrae, irá promover um seminário da Agricultura Familiar em Maniaçu, no dia 07 de julho, às 8h30 no auditório do Colégio Zelinda.

Confira a programação:

09h – Clínica tecnológica: Boas Práticas na Produção de derivados de Mandioca

13h – Oficina Negociar no Campo

As inscrições estão sendo feitas no Escritório da Associação dos Agricultores de Maniaçu e na sede da Associação Viva (Secretaria de Desenvolvimento Social – Praça Pombeu Fernandes da Cunha).

Já no dia 14 de julho é a vez da sede do município de Caetité receber a Palestra Planejando nosso empreendimento, às 08h, no Auditório Municipal. Na oportunidade, também serão tratados assuntos relacionados às ações da Associação Viva para o ano de 2017.

 

UM RIO NO SEU LEITO DE MORTE

O sertão está verde, mas o São Francisco, o “Velho Chico”, ao longo dos seus 2.830 quilômetros, está seco e com suas margens degradadas pelo perverso homem, o animal mais perigoso e destruidor do planeta. Eu vi tudo isso, menino, viajando de Bom Jesus da Lapa e Juazeiro! As chuvas deixaram o sertão esverdeado com lavouras robustas e viçosas, mas o “Velho Chico” continua a penar, com seus dias contados pela brutalidade humana.

No roteiro de Vitória da Conquista, passando por Ruy Barbosa, Piritiba e Senhor do Bonfim, as festas de São João não nos contam as histórias do passado de menino do autêntico forró pé de serra. Para piorar, você se depara com o São Francisco em estado agonizante. Depois de depredarem o rio, os hipócritas de plantão inventam o Dia das Águas, proibindo seu uso às quartas-feiras, para enganar os bestas de que agora estão preocupados com sua bacia hidrográfica. Trata-se mais de remorso e dor de consciência.

Em Juazeiro, os alicerces da histórica ponte que liga a Petrolina (Pernambuco) já aparecem fora da água. Dá para se ver todo vão descoberto. Pessoas aproveitam para lavar roupas, bicicletas e outros objetos em suas margens desmatadas. Vez por outra os governos anunciam projetos pontuais de revitalização do rio, mas não liberam os recursos. A erosão é perceptível. A maior parte da irrigação das lavouras ainda usa técnica atrasada, o que acarreta um desperdício superior a 40% de suas águas que retornam sujas ao rio.

Há anos que o homem só faz tirar água para o consumo e irrigações; abrir canais e transposições; construir barragens para produzir energia, mas quase nada de repor e conservar o “Velho Chico”. Só medidas paliativas. Assim, a tendência um dia é que os recursos hídricos se esgotem de vez. Como sempre, colocam a culpa em São Pedro que não manda chuvas suficientes.

Reuniões não faltam dos órgãos que fazem de contam que cuidam do rio, prometendo solucionar seus problemas. No entanto, as quantidades de peixes só reduzem. Os pescadores e ribeirinhos sofrem com o impacto provocado pela ganância de tirar proveito dos seus recursos naturais. Construíram grandes hidrelétricas como Xingó,(Alagoas) Sobradinho (Bahia) e Três Marias, em Minas Gerais, que encantam os olhos dos turistas mas fazem derramar lágrimas dos nativos que sempre dependeram do sustento do rio.

Recentemente realizaram um encontro em Juazeiro para discutir questões relacionadas às bacias hidrográficas onde voltaram a propor a transposição das águas do Rio Tocantins para socorrer o São Francisco. A proposição foi feita há quase 20 anos por especialistas no assunto, mas não prosperou. Não é preciso ser estudioso e técnico para saber que antes de qualquer coisa tinha que ser feita a revitalização e o ordenamento do rio.

Cadê os vapores que circulavam em suas águas lembrando as antigas chalanas? Da sua orla fiquei observando os barquinhos cruzarem entre as cidades de Juazeiro e Petrolina, levando passageiros e turistas. Facilmente percebe-se que o rio está raso pelo recuo de suas águas e o surgimento de bancos de areias. Mesmo depredado, o rio ainda exibe suas belezas, mas, imaginei, com seus dias contados. Toda vez que visito o “Velho Chico”, em seu leito de morte, fico mais triste e pensando como o homem é uma besta e estúpido.

 

DEVOLVAM O NOSSO SÃO JOÃO

“É um pecado organizar uma programação cheia de artistas sem ligação com a nossa história. É preciso manter a nossa identidade. Querem transformar nosso São João em um show de horrores, em um festival de breganejo” – desabafa o forrozeiro Alcymar Monteiro que neste ano está homenageando Luiz Gonzaga e Dominguinhos.

“A programação é cheia de cantores que não têm relação nenhuma com a nossa tradição. Não pode acontecer o que vem acontecendo, os cantores do forró tradicional, xote, baião ficam fora da grade de atrações. Essa responsabilidade é das autoridades públicas, dos prefeitos e secretários de cultura” – outro grito de desabafo do artista Genival Lacerda. Elba Ramalho também entrou no protesto com o sonoro “Devolva o meu São João”.

Com o argumento fajuto e esfarrapado de que é disso que o povo gosta, o que não é verdade, mas uma negação da nossa cultura nordestina, os prefeitos empurram os safadões, sertanojos, os arrochas, os pagodes, as lambadas e até o axé music nos palcos e barracões das festas juninas com altos cachês, muitos dos quais superfaturados.

É uma pena ver uma tradição secular advinda da mistura portuguesa-europeia, da africana e indígena na vestimenta, na comida, nas cantorias, nas bebidas e nos costumes do fogaréu morrendo como a Asa Branca que foge do sertão por causa da seca. Como no canto de Patativa do Assaré, é uma “Triste Partida” que deixa para trás a terra e os pertences mais estimados do nordestino.

O nosso São João do interior foi invadido por uma legião de bárbaros esfomeados por dinheiro, com seus rebolados e bumbuns de fora hipnotizando um povo desprovido de conhecimento e saber cultural que, por isso, é iludido por esses falsos artistas. São uns oportunistas conluiados com os prefeitos que só pensam em capitalizar votos.

Deveria ter uma lei severa de proteção desse patrimônio cultural, obrigando a manutenção de todas as manifestações e expressões juninas. Não se sabe qual maior estrago, se as estiagens que levam rebanhos e lavouras do semiárido, ou se esses aproveitadores que descaracterizam nossas festas juninas.

A escassez não é só da música forró pé de serra, a autêntica, tão defendida por Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Zé Dantas, Dominguinhos e seus seguidores. Hoje na festa, dificilmente você encontra um quentão ou um licor pra tomar. Só saem o uísque, capeta, cerveja e conhaque. Na comida é raro encontrar um milho assado, o cozido ou seus derivados (canjica, pamonha, o bolo de fubá). Os trajes são horríveis e as brincadeiras são outras materializadas no consumismo.

Sou ainda da velha opinião e defendo que o forró não deve ser misturado a outros ritmos, com a alegação de que os tempos se modernizaram e estamos na era da internet, introduzindo instrumentos eletrônicos e danças esquisitas, inclusive com letras pejorativas. Tudo isso só demonstra decadência e pobreza artística.

O mais grave do poder público não é fazer a festa nesta época de crise econômica, política, moral e ética em que atravessa o país, onde a população de muitos municípios sofre com a seca, mas permitir e consentir que a tradição seja desfigurada por cantores bregas que nada têm a ver com o nosso São João, o maior patrimônio cultural nordestino. É um crime o que estão fazendo há anos com a festa. Como disse Elba Ramalho: “Devolva o meu São João”.

 



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