abril 2020
D S T Q Q S S
« mar    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  


Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

A FEIRA NOS TEMPOS DO CORONA

A feira livre, como a do Bairro Brasil aos sábados e domingos, é um ponto de encontro saudável em todos os sentidos, tanto para a saúde, através de alimentos mais naturais, como para um pate-papo, um aperto de mão e abraços entre amigos e conhecidos, mas nestes tempos do coronavírus, o Cobid-19, ou o Coronavid, como costumo chamar, está muito difícil e arriscado porque os especialistas, infectologistas e médicos recomendam distanciamento. Como é bom este ambiente caloroso da feira! Quando posso sempre estou lá para fazer umas comprinhas, rever amigos e tirar umas fotos, é claro, como este flagrante. Feira é vida, simplicidade das pessoas e gostoso onde se encontra de tudo, desde frutas, carnes, peixes, frangos, pimenta e muitas outras novidades. Vamos torce que esses encontros voltem logo para sentirmos as pessoas mais de perto nesse circular de lá pra cá, jogando conversa fora. Foto de Jeremias Macário.

QUEM É ESTE CORONAVID?

Poema inédito de autoria do jornalista Jeremias Macário

e pode ser ouvido também  no vídeo do blog.

 

Sabe quem é este tal de Coronavid,

Que de dezenove passou pra vinte?

Sei lá, só sei que veio do lado de lá,

Lá da China coroa de olho apertado,

E o coroa foi do mundo o mais falado,

Na previsão vista por Nostras Dames,

Na profecia de Raul que fez a terra parar,

Como bandido a vagar solitário pelo ar,

Roendo a vida e todo esse capital do mal.

 

“Vai canoeiro, vai canoeirar” pelo mar,

Viva a beleza das cores do meu sertão,

Que sempre tem aquela sábia lição,

Levanta e sacode a poeira estradeira,

Não convide o Coronavid para entrar,

Dê mel, água sabão e o álcool gel,

E sem medo e pânico, ele vai recuar,

Como o satanás corre longe da cruz,

E o vampiro foge no clarear da luz.

 

Quem é este invisível de cenas apocalípticas?

De seres mascarados, de olhares baixos distantes,

De passos lentos como uns teleguiados robôs,

Nas avenidas e nas catacumbas dos metrõs,

Que bagunçou e revolucionou todas as críticas,

De falastrões, apresentadores e governantes,

E ainda criou separação, isolamento e terror,

Foi tudo isso que o animal humano inventou.

 

Quem é este tal Coronavid que mata a vida?

Só sei que nem os super-heróis americanos,

Com seus poderes lança-fogos, não derrubou,

Só o cangaceiro Lampião, cabra nordestino,

Com seu punhal afiado o seu bucho perfurou,

E mandou seu destino, intestino pro inferno,

Lá pra China onde o facínora saiu da esquina,

Do frio inverno amargou sua perversa sina.

 

Lembre-se da canção do José. E agora José?

Ficar em casa com fome, nos come os falastrões,

No bate-boca dessa corja de tantas demagogias,

Dessa suja casta de nobreza e tantas mordomias,

Que sempre deram as costas para nossa pobreza,

Com suas toscas ideias fascistas e baratas filosofias,

E também de esquerdistas de pegajosas frias jias,

Com seus discursos que vivem a nos garrotear,

“E agora José, você José, que zomba dos outros”,

Com a chave na mão, até quando vão nos ferrar?

UMA OBRA TERMINAL E O CORONA

Logo agora em plena pandemia, a Prefeitura de Vitória da Conquista inicia uma obra de reforma do Terminal da Laura de Freitas, numa área terminal porque dentro de mais cinco ou dez anos já estará toda fumaçada, poluída e saturada diante da demanda de passageiros, em decorrência do crescimento populacional da cidade.

Não sou engenheiro, nem arquiteto e urbanista. Sou um simples jornalista-cidadão, mas sempre questionei que Conquista já está a necessitar de um outro terminal de ônibus coletivos, noutro espaço maior, visando um atendimento para um futuro daqui a uns 20 ou mais anos. O atual Terminal passaria a ser um calçadão urbanizado, com quiosques, e as vias laterais seriam utilizadas como transbordos de passageiros.

Embora não conte com o pensamento dos comerciantes, e até de centenas de pessoas, esta é a minha opinião. Na maquete tudo é bonitinho, e muita gente se encanta e se impressiona pelo visual, mas os moradores usuários dos transportes vão continuar espremidos, e a fuligem dos carros logo vai tomar contar, sem considerar a poluição visual, sonora e o aperto de muita gente.

POR QUE NÃO PRORROGAR?

Sei que essa minha posição não conta, nem vai ser levada em consideração, mas, por que o executivo municipal não prorrogou o início do projeto, tendo em vista a atual situação de pandemia do coronavírus, o Covid-19, ou Coronavid, como venho chamando? Quando se decreta o fechamento de lojas, o isolamento social e se pede para se evitar aglomerações, o prefeito não deveria dar o exemplo, não abrindo mais frentes de trabalho na construção?

No primeiro dia de desmonte do velho terminal, criou-se um tremendo transtorno para quem ainda saiu às ruas e precisou do transporte coletivo. Imagine uma obra com vários operários durante este período, quando os especialistas em saúde estão prevendo que a situação pode piorar mais ainda!

A impressão que passa é que o prefeito está mais preocupado em tocar seu projeto, do que acudir os mais necessitados (informais, ambulantes, desempregados, trabalhadores comissionados e intermitentes), que foram obrigados a parar suas atividades, e estão a precisar de ações sociais e financeiras, principalmente de ajuda para se alimentarem.

GOVERNO ESTÁ EMPERRANDO

Considero uma insensatez jogar dinheiro do contribuinte agora numa obra desse porte quando a saúde pública se encontra em frangalhos e pode entrar num colapso com esse vírus se espalhando. Sabemos que os hospitais e os postos de saúde que atuam na área do município funcionam em estado precário para atender os doentes em tempos normais. O momento seria de focar na questão de montar leitos, adquirir mais equipamentos e ampliar a estrutura para socorrer as possíveis vítimas do coronavírus.

Como uma coisa leva a outra, o governo federal do capitão-presidente, do qual o prefeito é coligado, está emperrando o quanto pode a liberação dos recursos para as pessoas que estão na linha da pobreza, milhões até já passando fome por causa do isolamento e fechamento comercial das cidades.

Há três semanas que venho falando que as medidas na área da saúde tinham que vir alinhadas e acompanhadas das econômicas, porque não é só mandar as pessoas ficarem em suas casas. Não existe isso de primeiro a saúde e depois o dinheiro. Os dois são prioritários porque ninguém pode ter saúde sem grana para comprar comida, remédios e produtos básicos à sua subsistência.

Esse apoio financeiro, imprescindível para a população vulnerável, vem sendo burocratizada, numa lentidão que parece ser proposital até a pandemia se acabar depois de matar milhares e milhares de brasileiros. Estamos diante de um governo da morte que vai de encontro a todas as recomendações médicas e científicas.

 

 

 

JANGO E EU – A VIDA NO EXÍLIO E A REFORMA AGRÁRIA (II)

“JANGO E EU” – A VIDA NO EXÍLIO E A REFORMA AGRÁRIA (II)

Em janeiro de 1965, a família alugou uma casa que se chamava “El Ventisco”, em Playa Brava. Entre 1966/67 foram morar na casa “La Rinconada”, mais distante, mas também na Playa Brava. Se dividiam entre o apartamento Leyenda Patria, em Montevidéu, a fazenda “El Rincón”, em Tacuarembó, e a casa de veraneio em Punta del Este. Tempos depois, Jango comprou uma fazenda em Maldonado, “El Milagro”, e três aviões financiados. Tacuarembó era refúgio de brasileiros que atravessavam a fronteira seca fugindo da ditadura (chegada de exilados clandestinos).

O engraçado em tudo isso foi que a ditadura soube da aquisição dos aviões e ficou preocupada que Jango fosse invadir o Brasil com três teco-tecos. Solicitou ao governo uruguaio que proibisse, alegando risco à segurança aérea do Brasil. O Uruguai havia entrado num processo inflacionário.

O suposto filho

João Vicente, o autor do livro, nos conta a história do suposto filho que Jango teve na juventude, o Noé Monteiro da Silveira que, na verdade, era do seu avô Vicente Goulart com a empregada da fazenda. Ele queria ir visitar o “pai”, mas Jango barrou. Ele explicou para o filho que o Noé era seu irmão, mas que teve uma filha.

Foi a primeira investigação de paternidade no Brasil feita apenas com testemunhas. O juiz disse que não era possível reconhecer a paternidade por mera semelhança. O processo foi parar na terceira turma de desembargadores do Rio Grande do Sul. Noé ganhou a causa. “Uma farsa que virou realidade ”-ressaltou Vicente. Em 1983 foi feito um acordo, e o desembargador recebeu 400 hectares da fazenda “São José” como honorários. João Vicente era deputado estadual pelo Rio Grande do Sul (PDT) e seus bens foram bloqueados. O interventor das propriedades foi o Cirne Lima.

João Vicente ameaçou ir à Tribuna e denunciar os subornos da Justiça. O presidente do Tribunal de Justiça, Bonorino Butelli deu um ultimato ao seu partido, o PDT: ou ele se desculpava, ou denunciava o desembargador. Foi aí que entrou na jogada o seu tio Brizola, governador do Rio de Janeiro. Ele e seu advogado foram ao Rio e Brizola contornou a situação através da política. Com a exumação dos restos mortais do pai, João Vicente conseguiu o DNA dele e fez o seu também, mas o Noé se negou.

Os tempos em que viveu no Uruguai

No capítulo “As Esquinas das Cidades”, o autor da obra descreve os tempos em que viveu no Uruguai e lembra dos velhos amigos, como do Queruza, o Itar Nery Gutierrez, que tentou roubar a fazenda “El Milagro”, em Maldonado, e terminou trabalhando para seu pai. Recorda quando seu pai teve um infarto em 1968. Raul Riff, seu ex-ministro do Trabalho, esteve ao lada da cama no apartamento Leyenda Patria. “Era com Riff que meu pai dividia os maiores desafios”. Quando Jango enfartou, o professor Zerbini e o médico Macruz foram a Montevidéu examinar o seu caso e montaram no Uruguai a máquina de coronariografia, no Hospital Americano. Em Lyon, Jango começou a se tratar com o professor Fremont, no Hospital de Cardiologia, uma vez por ano. No ano anterior (1967) havia recebido o Lacerda em Montevidéu, que se desculpou pela sua atuação política.

Na época, Brizola deu declarações ferozes afirmando que Jango havia traído o trabalhismo, e que ele estava enterrando sua trajetória. Segundo ele, o negócio do tio era a luta armada, e montou “Caparaó”, no Espírito Santo, lá do exílio. Depois da Frente Ampla, a ditadura baixou o AI-5. Mesmo assim, o ex-presidente se articulava com Perón no exílio, com o senador Salvador Allende, no Chile e alguns militares no Brasil. Em 1967, Vicente cita que, em uma entrevista a uma revista da antiga Iugoslávia, ele deixou clara sua paixão pelo Brasil e admiração ao seu líder Getúlio Vargas. Foi quando comprou a fazenda “El Milagro”, em Maldonado.

Foi por volta de 1968/69 Jango começou a ir ao Paraguai e visitar Assunção. Ele e o filho foram para o Hotel Paraguay, mas o Toto e Ito Barchinni, ligados a Stroessner, por ordem superior, os levaram para a casa do Ito onde ocorreu um encontro com o presidente Stroessner. Os dois recordaram as conversas que tiveram naquela época na fazenda “As Três Marias”, de propriedade de Jango, no Pantanal.

:: LEIA MAIS »

UMA NAÇÃO SEM COMANDO

A sensação que temos é que nosso país vive à deriva. O capitão-presidente diz uma coisa, e o seu ministro da Saúde diz outra. A população, então, fica atordoada e sem rumo. No Quartel General do Palácio do Planalto, a impressão é que ele não passa de uma marionete, e isso ficou bem claro na coletiva à imprensa, onde o ministro Luiz Henrique Mandetta estava cercado de generais, lembrando os tempos da ditadura, com censura nas perguntas dos repórteres.

A indagação dirigida ao ministro da Saúde, se ele permaneceria no Governo, diante desse conflito, foi respondida pelo general, que garantiu a sua continuidade no cargo. Na história do Brasil, nunca vi esse desencontro público entre um subordinado e o seu chefe maior. Do outro lado, uma cúpula do governo quer fazer funcionar seu tosco fascismo, cerceando as informações, deixando-as mais ainda confusas, onde muitas já não são confiáveis, inclusive sobre o número de mortes.

A pobreza é quem mais padece

Enquanto perdura esse estica-estica pra lá e pra cá do povo, o socorro econômico aos mais vulneráveis, os informais, autônomos, desempregados e trabalhadores temporários anda a passos de cágado, envolto em toda aquela sombra tenebrosa da burocracia política brasileira tupiniquim. Esse isolamento social, sem o alimento de cada dia, pode gerar um caos, e levar a invasões a supermercados e mercados. Se o coronavírus, que não escolhe faixa etária, nem classe, avança, a fome não pode esperar por mais tempo.

Em meio a este mar de mordomias do Congresso Nacional, das assembleias legislativas dos estados e das câmaras de vereadores, sem falar dos poderes judiciário e executivo, abarrotados de muita gente ganhando os supersalários, a pobreza padece em seus mocambos e barracos nas periferias e favelas, principalmente nas grandes cidades do país.

Eles não abrem mãos de seus privilégios, nem para reduzir suas polpudas remunerações nesses tempos de “guerra” contra o coronavírus, o Covid-19, ao qual dei o nome de Coronavid, e ainda emperram para mais longe a agilização das medidas de aporte financeiro, que já deveriam há muito tempo terem sido colocadas em prática. Esses bandos de bandidos deram as costas para a pobreza. São os demagogos da morte.

Em nosso Estado da Bahia e em Vitória da Conquista, particularmente, a estrutura da saúde é deficitária e, tanto um lado como o outro, não passam de falastrões, que vão fazer isso e aquilo, mas tudo não passa de projetos que não saem das intenções e, a única coisa que sabem é mandar o povo ficar em casa e lavar as mãos com sabão e álcool gel. O resto que se lasque, se vão ter comida em casa, ou não.

Nos hospitais faltam quase tudo e, como sempre nesses momentos de catástrofes e tragédias humanas, aparecem os gananciosos usurários que aumentam os preços de máscaras, álcool gel e outros produtos médicos em mais de mil por cento. São piores que criminosos bandidos, os quais  deveriam ser sentenciados a prisão perpétua.

 

 

 

CONQUISTA E O CORONAVÍRUS

Carlos Albán González – jornalista

O quê leva um cidadão, que ama e deseja o melhor para o lugar onde nasceu, vir a público para declarar que apóia a continuidade de um gestor sem competência administrativa à frente da sua prefeitura? As respostas podem ser as mais variáveis, que vão desde a desinformação até o objetivo de conseguir um emprego público ou um cargo de confiança. Em Vitória da Conquista, como em milhares de municípios brasileiros, ocorreu em 2016 um movimento de punição à cúpula do Partido dos Trabalhadores, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenada por corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes. Aqueles que alimentavam o ódio ao PT deram o seu voto, por falta de opção, ao eleito Herzem Gusmão Pereira, que tem mostrado desinteresse com o cargo que ocupa.

A saúde, assim como a educação, deve ser, obrigatoriamente, uma das prioridades de todo administrador  público. Essa precedência está longe de se ver na maioria de nossas cidades. Além de não ter estrutura (faltam médicos na zona rural, leitos nos hospitais e medicamentos nas unidades da Farmácia da Família; os postos de saúde são insuficientes para atender a população mais carente). Chamada de capital do sudoeste baiano, Vitória da Conquista recebe diariamente milhares de pessoas da região e do norte de Minas Gerais, que vêm em busca de atendimento médico, ausente nos seus municípios. A demanda sofreu uma queda depois que o Estado construiu as Policlínicas de Jequié, de Guanambi e a nossa.

No momento em que o mundo se mobiliza contra o avanço do novo coronavírus, o prefeito Herzem Gusmão, que deve estar de quarentena, por força dos seus 71 anos, entregou ao seu secretário Alexsandro Nascimento Costa a tarefa de traçar um plano de batalha contra o novo vírus. O titular da Saúde, que assumiu recentemente o cargo, numa das dezenas de mudanças que vêm sendo feitas no primeiro escalão, tem revelado que não estava preparado para duelar com o Covid 19, por não contar sua secretaria com arsenal adequado.

A moeda ainda não caiu. O poder público municipal ainda não tomou consciência de que as medidas paliativas adotadas são insuficientes para enfrentar a turbulência que está por vir, com muito mais ímpeto depois que o presidente Jair Bolsonaro e o governador Rui Costa sugeriram a reabertura do comércio. Nossas autoridades deveriam tomar como exemplo a Itália, cujo governo se preocupou mais com a economia e com as brigas políticas. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala admitiu que errou ao promover a campanha “Milão não para”. A Espanha também está pagando por ter retardado em impor o isolamento social.

Conquista dispõe de poucos leitos em UTI de hospitais públicos, o mesmo se pode dizer de respiradores, necessários aos pacientes que estão em estado grave; o município não firmou acordos com a rede hospitalar privada; não foi montado um hospital de campanha; a Vigilância Epidemiológica falhou nos terminais rodoviário e aéreo, onde esta semana desembarcaram, sem serem abordadas, duas pessoas infectadas, procedentes de São Paulo. Até o momento em que escrevo estas linhas Conquista não havia registrado nem uma vítima do covid 19, mas 47 pessoas com sintomas da doença não fizeram os testes por falta de kits. As denúncias são feitas na mídia local.

Com a aproximação da abertura da campanha de vacinação contra o vírus da influenza havia uma preocupação da população, principalmente dos idosos, com uma provável aglomeração nos acanhados postos de saúde, o que iria de encontro às recomendações dos infectologistas, diante da pandemia do novo coronavírus. Felizmente, o bom senso prevaleceu: postos foram instalados em escolas e creches, além de três outros no sistema driver thru, onde os idosos foram imunizados dentro dos seus carros. Os aplausos aos agentes da Saúde municipal nos dois primeiros dias foram substituídos por protestos diante da notícia de que não há mais doses de vacina.

Prefeito, o senhor tem assistido seu colega ACM Neto, presidente do seu partido (MDB) e um dos seus ídolos na política, dar as mãos ao adversário, o governador Rui Costa (PT), para que a população de Salvador sinta que um trabalho está sendo feito para barrar o avanço do coronavírus. Mas o senhor prefere alimentar a birra com o PT – está na memória de todos a sua rejeição à Policlinica – , deixando de procurar o governo do estado, nesse momento em que todos devem se unir em defesa da saúde do povo. Logo o senhor, que cita a todo instante o nome de Deus, em desobediência ao segundo Mandamento – “Não tomar seu santo nome em vão”.

Prefeito, o senhor está sendo pressionado por meia dúzia de bolsonaristas e por sua correligionária política Ana Sheila Lemos Andrade, presidente do CDL, para reabrir totalmente o comércio. Não ceda às pressões. O vírus não faz distinções. Agride príncipes e prefeitos (Isabel Díaz Ayuso, sua colega de Madrid, está infectada). Portanto, deixe a letargia de lado e vá atrás do dinheiro. O Ministério da Saúde liberou esta semana R$ 73 milhões para reforçar o combate da Bahia ao coronavírus. Os deputados petistas Waldenor Pereira (federal) e Zé Raimundo (estadual) destinaram quase R$ 4 milhões das suas emendas partidárias para o Hospital Geral. No mais, vamos conversar com Deus, mas em casa, sem necessidade de ir aos templos religiosos, para evitar aglomerações.

 

O CAOS SEM O APORTE ECONÔMICO

Talvez eu seja o único jornalista e cidadão que há duas semanas vem alertando que as medidas de isolamento de ficar em casa para combater a pandemia tinham que vir acompanhadas de um imediato aporte econômico do Estado. Somente agora, com atraso, a grande mídia burguesa vem tocando no assunto, ainda de forma tímida subindo os morros.

O mandar ficar em casa é uma recomendação dos organismos de saúde, mas não pensaram nos milhões de brasileiros que vivem de uma renda mínima da informalidade, de comissões, do trabalho intermitente, autônomos, dos desempregados que fazem bicos e outras atividades para sobreviver e comprar o pão de cada dia, numa expressão mais simples e direta.

AS FAMÍLIAS POBRES

Não estou com isso sendo contrário ao isolamento, contanto que os governantes acionassem seus caixas para sustentar as famílias pobres que vivem nas favelas e em seus barracos vivendo na linha de pobreza, muitos das quais em plena miséria, sem dinheiro para o álcool gel e até sem água nas torneiras.

Somente agora, o governo federal está apresentando um conjunto de medidas para amparar esses milhões de brasileiros, mas, como tudo no Brasil é burocrático e demorado, não se sabe a forma, quando e como esse socorro   vai ser concretizado. Sem um urgente aporte econômico, o Brasil pode virar um território de caos social onde a fome pode falar mais alto que o vírus, e aí vamos ter mais vítimas.

Nesse bate boca político, científico e de economistas dando palpites, até agora só vemos falatórios demagógicos dos governantes, sem apresentar uma saída para atender o menos favorecidos. Nesse sistema capitalista selvagem e predador, numa catástrofe ou tragédia, os pobres são os mais atingidos. É lamentável dizer isso, mas só os fortes sobrevivem nessa selva de hipocrisias.

Nessa avalanche de informações, colocaram os idosos como se fossem únicos grupos de risco, quando, na verdade, todas as pessoas com doenças crônicas (diabetes, pressão alta, câncer, problemas coronários e outras), sejam jovens ou velhos, não estão imunes e podem perecer. Houve uma discriminação generalizada porque a maioria dos idosos entre 70 a 80 anos têm problemas de saúde e tomam remédios contínuos.

Essa mídia burguesa, que passou todo o tempo de costas para a pobreza, só faltou sugerir a criação de campos de concentração para os idosos. Nessa história existe muita hipocrisia e falsos heróis, criados por essa mídia. É verdade que os caminhoneiros estão nas estradas transportando alimentos e produtos para o abastecimento do mercado, mas não me venham com essa de que estão ali só com essa missão sublime de salvar vidas.

Eles são uma categoria que ainda têm a permissão de trabalhar, e estão também ganhando seu dinheiro para sustentar suas famílias e pagar as prestações de seus carros. Não existe essa de sacrifício pleno, sem benefício. E como ficam aqueles que nem estão podendo produzir alguma coisa para sobreviver?

Por último, a grande emissora Globo, que vem comandando os noticiários, com suas tendências de sempre, mostra um senhor esportista amador, como exemplo de ficar em casa, correndo tranquilamente em seu apartamento de classe média alta, confortavelmente bem tratado e alimentado, quando milhões vivem em barracos apertados, em becos estreitos e sujos, sem o mínimo de saneamento básico. Não se falou quanto esse senhor ganha por mês como aposentado e qual sua renda.

Eu também faço aqui meus exercícios diários em meu quintal apertado e ainda sou um privilegiado porque tenho um benefício merreca, mas muito longe daqueles que estão sofrendo, passando fome, privações e outras necessidades. No lugar deles, tenho que agradecer a minha situação, que não é boa financeiramente, mas vai dando para tocar a vida, sem a agonia e a miséria batendo todos os dias em minha porta.

JANGO E EU – MEMÓRIAS DE UM EXÍLIO SEM VOLTA

Melancolia, saudades da pátria, dos tempos da infância quando pouca coisa se entende dos acontecimentos, lembranças vividas num diário-romance, com passagens políticas desde o golpe de abril de 1964 até a morte misteriosa de seu pai, em dezembro de 1976, em “Jango e Eu – Memórias de um Exílio sem Volta”, escrito por João Vicente Goulart, numa linguagem simples, solta e descontraída, bem longe das amarras acadêmicas.

É um livro que eu diria bem prazeroso para se ler que se passa no Uruguai, na Argentina, Paraguai e tem uns fiapos interessantes na França, na Espanha e na Inglaterra. São narrativas espontâneas, algumas soltas, que, em pedaços, formam o todo de um tempo difícil que marcou nossa história brasileira. Não precisa que tenha vivido aqueles dias, nem que seja um estudioso do assunto da ditadura. Você vai compreender de uma maneira fácil como tudo aconteceu. O leitor faz um passeio relaxante em paisagens não repetidas.

Os grandes homens do século XX

No prefácio do livro, Tarso Genro lembra os grandes homens do século XX, com os generais Rondon e Lott, os políticos e intelectuais Luis Carlos Prestes, Jacob Gorender, João Amazonas, Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, Getúlio Vargas, Alberto Pasqualini, Anísio Teixeira, Carlos Nelson Coutinho, Antônio Cândido, Leandro Konder, Florestan Fernandes e, em especial, João Goulart, o mais avançado, democrático e tolerante.

Conta ainda sobre os trinta dias que ficou na fazenda de Jango, em Tacuarembó, no Uruguai, em 1972. Quase 40 anos depois assinou, como ministro da Justiça, a anistia de Jango. Destacou que Jango não era socialista, nem comunista e nem pretendia instalar uma ditadura no país. Pretendia implantar a reforma agrária nas terras situadas a dez quilômetros à margem das rodovias. Essa nunca foi feita no Brasil. Ele ainda fundou a Eletrobrás; reescalonou a dívida externa; limitou a sangria da remessa de lucros para o exterior; e abriu relações comerciais com a China, pois teve a visão de perceber o potencial daquele país.

Afirma Tarso Genro que o ex-presidente foi vítima brutal de difamações dos grandes veículos de comunicação, das arengas das forças armadas, da classe média e da ampla maioria da Igreja Católica. “A elite direitista detestava ele e o considerava traidor. Falava com os grandes chefes de Estado, como Kennedy, Fidel Castro e Mao Tsé-tung. Era um social democrata de esquerda num tempo “errado”. Apenas achava que o capitalismo poderia ser mais justo e evitou uma guerra civil”. O Brasil continuava submisso e atrasado dependente das matérias-primas na exportação. Sessenta anos depois permanece o mesmo quadro descrito por Tarso.

O prólogo da obra fala do desconhecimento dos fatos que atingiram o país a partir de 1964. O autor ressalta se sentir no dever de contar a história de seus dias de exílio junto ao pai Jango, sua mãe Maria Thereza e a irmã Denize. Ele relata o dia a dia de uma família refugiada no exílio político, se situando no período de 1964 a 1976 quando o pai morreu. “O exílio nos faz peregrinos”. Essa história real da América Latina (“Veias Abertas”, de Eduardo Galeano) “chegou até nosso cotidiano dentro de casa”

Tudo se inicia quando pisou em terras uruguaias. Mais e mais ditaduras fechavam o cerco. Recorda das constantes perseguições dos exilados, desaparecimentos e trocas de prisioneiros entre as ditaduras, como se fosse contrabando. “A liberdade é uma só” – dizia o seu pai.

Quando tudo começou

Tudo começou no dia 31 de março de 1964, na Granja do Torto, com os rumores do golpe. Os telefonemas eram cada vez mais alarmantes. Darcy Ribeiro, ministro-chefe do Gabinete Civil avisou que Jango estava no Rio de Janeiro. “Pela manhã já havia malas arrumadas para irmos direto para o aeroporto. Não pudemos levar tudo”.

 

Canta, em forma de diário, que ele (João Vicente), sua mãe e a irmã saíram apressados num avião da FAB, que não era o mesmo em que viajavam, em direção a Porto Alegre. Deixaram para trás pertences pessoais que nunca foram devolvidos, inclusive joias e documentos públicos e privados. Segundo o autor, o governo Jango foi o único que não preparou sua saída do poder. Depois tiveram que lhe devolver o patrimônio que havia sido bloqueado. O voo para Porto Alegre foi demorado. Jango ainda estava em Brasília, a caminho do Rio Grande do Sul.

:: LEIA MAIS »

A QUEM APELAR?

Há dias que venho falando que a questão nestes tempos horríveis de coronavírus não é somente mandar as pessoas ficarem em casa, como faz a mídia burguesa. A imagem flagrada pelas lentes do jornalista Jeremias Macário indica que são pessoas que vivem nas ruas há muito tempo, e a sociedade passa e vira as costas. Agora, a situação ainda é mais grave com o vírus rondando, além da fome. A quem apelar. Esse é um quadro típico do nosso país. O outro são os desempregados, informais, os trabalhadores intermitentes, os comissionados e os biscateiros de um modo geral que estão sendo obrigados a ficarem em casa, muitos em barracos e favelas das periferias. Se o pão já era minguado, imagine agora sem nada fazer para ganhar uns trocados! Quem vai socorrê-los da miséria? Quando a mídia insiste em que todos fiquem em casa, deveria, como manda o bom jornalismo, mostrar o outro lado, de como essa gente vai se alimentar, e cobrar dos governantes providências urgentes, antes que tudo vire uma convulsão social, com invasões. Ai, vamos ter mais pessoas morrendo, além do coronavírus. Outra irresponsabilidade foi a realização do carnaval quando já existia um caso no Brasil. Sem moral, agora esses governantes ficam batendo boca, fazendo política e demagogia. Os pobres, nesses momentos difíceis, são os últimos a serem socorridos. Quem olha para eles? A elite está numa boa em suas casas, curtindo seu uísque e suas deliciosas e caras iguarias. Não está nem ai para a pobreza.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia