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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

A CULTURA ÁRABE-ISLÂMICA E OS DIREITOS DA MULHER POR CHEBEL E FATEMA

No livro “Intelectuais das Áfricas”, o filósofo argelino Malek Chebel se debruçou nas questões da cultura árabe-islâmica, enquanto a socióloga ativista marroquina tratou dos problemas da submissão e dos direitos das mulheres mulçumanas, com base na legislação e na religião do islã.

O pensamento de Chebel (1953-2016) é interpretado pelo historiador Murilo Sebe Bom Meihy quando escreve que o trabalho do filósofo merece destaque por retirar o monopólio do conhecimento científico das mãos dos analistas europeus, e por romper a dura supremacia dos teólogos e pensadores do Oriente Médio clássico em relação aos temas e debates sobre o islã.

Murilo destaca ainda que, “no contexto de reconstrução nacional após a independência, uma geração de jovens, incluindo Chebel, tentava sobreviver no interior de uma conjuntura política centralizadora dominada pelos líderes da emancipação, e marcada pelo flerte com o pan-arabismo, o socialismo terceiro mundista da Guerra Fria, e a crença em uma revolução social, política e cultural que não se limitasse às fronteiras da Argélia recém-criada.

De acordo com o historiador, autor de dezenas de livros, a obra de Chebel pode ser dividida em três áreas, tais como, os estudos mediterrâneos, a quebra da imagem do islã como uma ameaça para o Ocidente e a relação entre cultura e sexualidade no islã. Entre suas obras primas, Murilo cita L´esclavage em Terre d´Islam, de 2007.

Na questão sobre as formas de servidão, Murilo diz que o filósofo redireciona a bússola cultural africana para o Oriente, conectando o espaço mediterrâneo do islã ao infame caminho da escravidão que parte do Magrebe (Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos e Mauritânia) para o Golfo Pérsico, não antes de deixar um rastro de sofrimento envolvendo negros, brancos, europeus, africanos, crentes e infiéis.

Nesse sentido, Chebel constrói uma geografia da escravidão quando se relaciona ao território da África. Afirma em sua obra que partes específicas da rota comercial dos escravos tinham uma função bem determinada no interior da cultura escravista desenvolvida nas terras do islã. Assinala que o Egito era o cérebro do tráfico de escravos.

A QUESTÃO DO FEMINISMO

Sobre Fatema Mernissi, a abordagem coube a Isabelle Christine de Castro, doutora em História Social. Ela afirma que Fatema desenvolveu em suas obras a questão do feminismo. “Dedicou-se em sua vida (faleceu em 2015) a demonstrar a necessidade de combater o discurso de uma elite sobre uma propalada inferioridade feminina que, ao contrário do que é disseminado, não teria apoio nas escrituras religiosas”.

Assinalou que Fatema deixou bem claro em seus livros a força da mulher magrebina, mulçumana e africana com seu próprio exemplo ao desafiar o patriarcalismo global. A socióloga argumentava que, mesmo que a religião conceda privilégios aos homens, não há indicações inquestionáveis nos textos religiosos que justifiquem uma posição de subordinação às mulheres.

Isabelle enfatiza que a marroquina sempre questionou premissas tradicionais em busca de demonstrar que a igualdade de gênero não é apenas uma necessidade social, mas uma demanda da religião que se instalou na região há cerca de 14 séculos.

“Mernissi (nasceu na cidade de Fez no ano de 1940) fez parte de uma geração de marroquinas que se beneficiou da abertura promovida para a educação feminina, pouco antes da independência do Marrocos, em 1956. Ela fez doutorado em sociologia, em 1973. Ao contrário de outras mulheres ativistas, como a médica egípcia Nawal el Saadawi, a marroquina não se afastou da religião para combater a privação de direitos que muitas sociedades mulçumanas impõem à metade de seus cidadãos. Ela sempre tentou combater a subordinação feminina usando como arma os ensinamentos ligados ao islã”.

Igual a ela, muitas ousaram desafiar o mundo patriarcal, especialmente no campo da política. “Fatema optou por desafiar o establishment religioso em seus próprios termos, ao acusá-lo de promover uma interpretação equivocada dos fundamentos do islã relativos aos direitos da família. Criticou a falta de políticas estatais para atacar as desigualdades e denunciou o impacto delas sobre as mulheres. Preferiu criticar as bases do discurso religioso”.

Nesse capítulo dedicado à socióloga pela historiadora Isabelle, vamos ainda falar sobre o véu, o harém e as fronteiras e a revolução da informação.          

O SONHO PERDIDO E UMA ESQUERDA QUE TODOS DESEJAMOS PARA O BRASIL

John Lenon há 50 anos fez uma canção do sonho imaginado pela humanidade, de todos de braços dados irmanados lado a lado, sem ódio, individualismos, divisões e sem fronteiras, com justiça social para todos. Como disse D. Hélder Câmara, sem senhor, sem escravos. Esse sonho também ainda é o desejo dos brasileiros que um dia acreditaram que isso seria possível.

Você veio até nós e prometeu honestidade, seriedade e igualdade para todos, mas nos traiu se coligando com corruptos e com essa elite suja que não aceita repartir seu banquete com os mais pobres. Passou a ser pai dos ricos e mãe dos pobres. Da cachacinha passou para o uísque escocês e tomou gosto pelas mordomias.

Quando quebrou as juras de amor, você alimentou um facínora da extrema direita fanática que só nos trouxe medo e destruição das nossas poucas conquistas. No lugar do sonho e da esperança, nos deu um monstro do lago misterioso. Abriu espaço para evangélicos radicais conservadores retrógrados negacionistas da ciência que ainda creem que a terra é plana.

Não queremos mais essa esquerda que, apesar de ter roubado nosso sonho e cometido tantos erros nas péssimas alianças traçadas, tudo pelo poder, nunca fez um mea culpa. Você permaneceu pedante, cioso de sua superioridade, como se fosse dono absoluto da verdade, como aquele que acha que tem um rei na barriga.

Você não cede e acha que ainda pode voltar a ser o “salvador da pátria”, mas, como diz o ditado, quem bate esquece e quem apanha não. Uma grande parte da população já está calejada de suas promessas, e uma outra arrependida de também ter contribuído para a criação da sociopatia do retrocesso. Essa última, um dia marchou nas ruas com bandeiras e camisas verde amarelo para afastar a esquerda que meteu o pé na jaca e nos separou na base do “nós contra eles”.

Agora você guarda ressentimentos e quer seguir novamente sozinho. Não aceita se afastar do processo eleitoral a bem do Brasil, e nem caminhar lado a lado para exterminar o maior inimigo que, mais uma vez, poderá ser o mais beneficiado por essa atitude egocêntrica do poder. Até quando vamos ter que continuar nessa agonia, nessa aflição de morte?

Vamos começar tudo de novo, para ficarmos no mesmo fundo do poço? Em nome da pátria, seja mais humilde e dê passagem para outro cavalheiro, porque seu tempo já se foi e nos decepcionou com suas trapalhadas e roubalheiras. Nosso país não merece carregar mais essa forquilha da forca em seu pescoço que a impede de seguir em frente. Não merece ser mais enxovalhado lá fora a viver isolado da civilização.

O sonho que nós todos almejamos é de uma esquerda progressista iluminista que nunca mais se coligue com maus elementos oportunistas e aproveitadores da ingenuidade e das boas intenções do povo. Uma esquerda que jamais roube e que não aceite que outros façam isso. Uma esquerda que devolva nossos sonhos de dias melhores, com mais empregos, educação e saúde para todos. Uma esquerda que construa uma imagem positiva do Brasil no exterior. Uma esquerda do tipo Pepe Mojica com seu fusquinha.

Nem é preciso privilegiar uns e outros com cotas individuais e benefícios por causa da cor e do gênero. Não é preciso encher as burras de dinheiro das faculdades particulares em detrimento do sucateamento das universidades públicas. Elas foram criadas com o suor da nação e necessitam de mais recursos para investimentos em tecnologia, ciência e pesquisa. Uma escola básica e uma universidade para todos, com qualidade.

Queremos uma esquerda iluminista que traga de volta nossos cientistas que embarcaram para outros países porque foram renegados pela sua própria pátria. Não só a formação de técnicos para atender ao faminto mercado capitalista, mas também homens e mulheres com saber humanista e conhecimento da nossa história a fim de que os mesmos erros não sejam repetidos.

Nada de racismo, de homofobia e misoginia. Nada de distinção uns com os outros que nos cause mais sofrimentos. É só dar oportunidade igual para todos com políticas públicas voltadas para o social. Bastam de divisões porque todos têm capacidade e inteligência para crescer quando se tem os mesmos direitos. Sem essa de branco, pardo e preto, de hetero ou homo, de gay ou não gay, de ser mulher ou ser homem.

Desejamos uma esquerda que zere a derrubada e a queimada de nossas florestas e que preserve nossos biomas da invasão gananciosa dos homens do agro que só visam exportar e embolsar lucros. Uma esquerda que pare de vez com o extermínio de nossos índios e acabe com os garimpos que matam nossos rios com mercúrio.

Não queremos uma esquerda do toma lá e dá cá, com um “Centrão” de ladrões que há anos, como verdadeiros vampiros, sugam o sangue dos brasileiros e se refestelam das nossas riquezas produzidas pelos mais pobres. Queremos uma esquerda que acabe de vez com essa reforma trabalhista escravocrata. Uma esquerda que devolva o nosso sonho.

O CALDO E O PASTEL

Fotos do jornalista Jeremias Macário

Como e bom e gostoso um caldo de cana e um pastel (com moderação por causa da fritura) numa feira livre que faz lembrar o velho hábito dos nossos ancestrais! A feira é um comércio milenar desde os tempos mais antigos onde os povos iam trocar seus produtos quando não havia inventado a moeda. Era uma forma também socialista de sobrevivência do homem do campo e das cidades. Mas, vamos deixar de lado essa história, porque estamos falando da Feirinha do Bairro Brasil, na qual sempre estou lá aos domingos e me deleito com aquela gente simples diferente da dos supermercados, mais caros e com menos calor humano. A feira também me faz lembrar dos meus pais e seus compadres e comadres/amigos e amigas que aos sábados e domingos marcavam encontro para prosear depois das vendas e das compras. Ainda tem a cara de um ambiente familiar, por mais que seja nas médias e grandes cidades como Vitória da Conquista. Um caldo e um pastel são sempre boas combinações para muita gente, mas há também que adora uma buchada, um mocotó, um sarapatel ou uma rabada com uma gelada ou uma pinga da pura. De qualquer forma, feira sempre tem sua face poética e literária. Feira é cultura onde se encontra cantadores, trovadores, cordelistas e repentistas. Viva a feira e seus caldo de cana com pastel!

PORTA ABERTA

Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por muito tempo,

Nessa vida desumana,

Entre a lida sagrada/profana,

Juntos rimos e choramos,

Na alegria e no sofrer,

Com a porta aberta pra você.

 

Nos separamos em vias diferentes,

Com a jura de nunca mais nos ver,

No cego rancor de intolerantes,

Cheios de dor com o que restou.

 

O ódio dessa gente nos repartiu,

Fui egoísta como colonizador,

E troquei o ser pelo ter.

 

Hoje com os conceitos a rever,

Minha porta está aberta pra você.

 

Meu peito não guarda mais mágoa,

Lavei a alma no Rio do Amor,

Não consigo viver do esquecer,

Saudades do abraço afago,

Do banhar no mesmo lago,

Na porta que está aberta pra você.

 

Volte logo,

Não suporto está solidão,

Desse viajar na contramão,

Sem o sentido do viver existir,

Basta de tanto levantar e cair,

Do só cobrar o receber,

Sem abrir minha porta pra você.

 

Quando um viola do outro o feito,

É como canção sem o som da viola,

Vamos fazer nossa linha de frente,

Onde sopra o fresco vento,

Que atrás de nós vem gente,

Para roubar o nosso direito.

 

O segredo está em saber conviver,

Tire a tramela da sua janela,

Que minha porta está aberta pra você.

 

Perdoe meu passado de pecado,

Quero das cinzas como Fenix renascer,

Minha porta não é mais de ferro,

A intransigência aqui enterro,

Não mais um vil pintado de anil,

Minha porta está aberta pra você.

EXPOSIÇÃO DO 7 DE SETEMBRO

“Mostra Mês da Pátria – Um Novo Olhar para o 7 de Setembro” – é o título da exposição que a Secretaria de Educação de Vitória da Conquista está realizando no Calçadão da Catedral em frente da Casa Regis Pacheco, rememorando desfiles das escolas municipais no Dia da Pátria, que há dois anos não se fizeram presentes na data por causa da pandemia da Covid-19. São carros alegóricos com personagens folclóricos como Bumba Meu Boi, caboclos, indígenas e figuras representantes de várias regiões do nosso país. A mostra é bastante educativa e serve de aula de história para estudantes que estão visitando a iniciativa da Secretaria de Educação, bastante louvável quando o nosso 7 de Setembro deste ano foi ultrajado com palavras antidemocráticas pronunciadas pelo capitão-presidente que pregou intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal.  Não somente alunos, mas professores, artistas e interessados têm tido a oportunidade de conhecer as riquezas naturais e o patrimônio cultural brasileiro. É uma boa oportunidade para se ver e aprender de perto a nossa história.

 

ZONA NORTE E BARRAGEM DO RIO PARDO

Os pronunciamentos dos 21 vereadores na Câmara Municipal de Vitória da Conquista não mudam muito nas sessões realizadas nas quartas e sextas feiras, com pouca gente na plenária, ainda por conta da pandemia, ou pelo próprio desinteresse da população.

As discussões variam entre xingamentos ao capitão-presidente da República pela oposição e contra o PT de Lula pela situação, entremeados de início e fim com citações da Bíblia e o nome de Deus, numa mistura de religião e política. Existem ainda as indicações de obras loteadas pelos parlamentares, requerimentos e moções de pesar e aplauso.

Nesta quarta-feira, da Tribuna Livre, um morador representante do Bairro Guarani reivindicou da Câmara e da Prefeitura Municipal mais atenção para a zona norte da cidade, segundo Wellington, abandonada e esquecida.

Um dos pontos alvos foi o Centro Social que carece de recursos, cerca de 100 mil reais, para que a unidade seja reformada. “É um local imprescindível para debates e realização de reuniões da comunidade”. Na ocasião, ele criticou e repudiou a decisão da retirada dos postos de segurança nos bairros, solicitando que a medida seja revista.

Do distrito de Inhobim, o representante dos moradores, conhecido popularmente como Paulino, que foi candidato a vereador, mas não se elegeu, voltou a insistir no projeto de construção da Barragem do Rio Pardo, uma iniciativa que não passou de ideia desde 1963. Vamos implantar esta obra antes que a água do rio vá embora”.

Disse contar com apoio dos vereadores por se tratar de um serviço de abastecimento de água importante para aquela zona rural, por sinal grande produtora de café. Na oportunidade, pediu também energia para todos, tendo em vista que alguns povoados vivem às escuras – segundo afirmou.

Durante a sessão, a Mesa Diretora prestou homenagem ao comando de policiamento da Rondesp que atua em Conquista e municípios próximos com a entrega de uma placa pelos serviços prestados na área de segurança policial.

CONQUISTA RECLAMA DA TERCEIRA DOSE

Carlos González – jornalista

“Senhora prefeita, quando vamos começar a receber a terceira dose da vacina contra a Covid-19? Salvador e cidades com populações inferiores à nossa estão bem adiantadas nesse procedimento, que é vital para nossa completa imunização. A pergunta vem sendo feita com insistência pelo público-alvo da campanha, os maiores de 70 anos. O enfrentamento da doença nunca foi prioridade da Prefeitura de Vitória da Conquista, mas temos que admitir que há uma maior dedicação por parte da prefeita Sheila Lemos, se avaliarmos as medidas adotadas por seu antecessor Herzem Gusmão (1948-2021) na fase mais árdua da pandemia.

Observando que na corrida pela vacinação Conquista estava atrás de outros municípios baianos, a prefeita promoveu mutirões e abriu novos postos, redimindo-se dos erros cometidos no início de sua gestão, que resultaram no registro de uma média diária de quatro óbitos, ameaça de rompimento do contrato com a Santa Casa de Misericórdia, aumento do número de pessoas com sintomas da doença. Mal assessorada, a gestora, contrariou decretos estaduais, relacionados com o funcionamento do comércio, de bares e restaurantes, controle sobre os eventos sociais e evangélicos, evidenciando claramente a prática de Desobediência Civil.

A insubordinação foi muito mais ostensiva na gestão passada. Herzem ignorou os protocolos indicados pela OMS para evitar a contaminação, assim como travou uma guerra de palavras com o governador Rui Costa, no período mais letal da pandemia, que tirou a vida de mais de 650 conquistenses. Acreditava no Messias, que zombava daqueles que tinham pânico de uma “gripezinha”, responsável pela morte de quase 600 mil brasileiros.

Com a suspensão das viagens para fora do município, a Prefeitura conquistense fechou os olhos para os ônibus clandestinos que vinham de São Paulo. Sem a fiscalização da Vigilância Sanitária, a ocupação dos leitos de UTI nos três únicos hospitais públicos chegou a 98%. Os pacientes com recursos eram transferidos para os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein.

Lamentavelmente, Herzem Gusmão não viveu para ler o parecer do Ministério da Saúde sobre a eficácia da cloroquina no combate à Covid-19.  Na linha de frente da vanguarda bolsonarista, o ex-prefeito defendeu o medicamento, recusado até pelas emas do jardim do Palácio do Planalto.

A reeleição, contestada na Justiça pelos adversários políticos, e a construção de uma estação de passageiros – imprópria para os dias chuvosos -, onde foram gastos R$ 10 milhões, verba que poderia ser aplicada na construção e aparelhamento de um hospital de campanha, foram as metas de Herzem em quatro anos. Seus principais consultores foram figuras políticas nacionais condenadas pelo Supremo, os irmãos Lúcio e Jeddel Vieira Lima e o amotinador Roberto Jefferson, sendo que os dois últimos já passaram temporadas atrás das grades.

O episódio crucial dessa discórdia com Rui Costa ocorreu em 23 de julho de 2019, data de inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, de propriedade do governo do Estado. Herzem assumiu a condição de anfitrião, convidando Bolsonaro para a solenidade, o que provocou a ausência do governador.

Vale lembrar que foi nessa visita a Conquista que o presidente inaugurou o ciclo de viagens pelo país para inaugurar obras alheias, cujas despesas chegam hoje a R$ 20 milhões. Impossibilitado de ir a Luanda para fazer a defesa da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), acusada pelo governo de Angola de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Bolsonaro enviou o seu vice, Hamilton Mourão e 17 servidores, numa viagem que custou R$ 1 milhão aos cofres públicos. A comitiva ouviu um “não” do presidente angolano José Lourenço aos pedidos de reabertura dos templos evangélicos e a revogação do ato de expulsão do país africano de mais de 50 pastores.

Ciumeira

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É MUITO DESESPERO PARA SE REFUGIAR LOGO NUM PAÍS EM RUÍNAS!

Fico aqui a pensar com meus botões. O que os refugiados venezuelanos vêm fazer em terras brasileiras, numa situação tão crítica de milhões de desempregados, inflação alta, milhões passando fome e, acima de tudo, com um facínora no governo? A única explicação é o desespero ou falta de conhecimento sobre o nosso país.

Dividir o pão da pobreza só aumenta mais ainda a miséria. É como cobrir um para deixar o outro descoberto. Não se trata de questão de xenofobia ou ser contrário à entrada de refugiados no Brasil. Eles entram de forma clandestina pela fronteira do Norte e, simplesmente, viram moradores de rua se somando aos brasileiros. São cenas degradantes.

As prefeituras locais não têm recursos para acolhê-los de forma digna. Soldados do exército e funcionários fazem o cadastramento da esperança e tocam os refugiados em lotes para outros estados. Alguns conseguem uns bicos e outros são explorados como escravos ou caem na prostituição, no caso das mulheres. Ainda tem aqueles que ficam a vagar nas sinaleiras como pedintes com um cartaz, “ajude, tô com fome”.

Aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, muitos deles são vistos por aí nos semáforos e esquinas rogando por uns trocados. Praticamente, a totalidade desses refugiados tem baixo nível de instrução e já chega aqui com uma mão na frente e outra atrás. Que tipo de trabalho eles conseguem num mercado que não tem condições de abrigar os 15 milhões de desempregados brasileiros?

Vamos ser racionais. No momento atual, o Brasil seria um dos últimos lugares do mundo propício a receber refugiados. Se estivesse numa boa, os daqui não estariam furando o cerco das fronteiras para irem para os Estados Unidos e até países da Europa por outras vias.

Ver esses venezuelanos chegando aos montes no Brasil é mais sofrimento humano. É mais aflição social e mais miséria para se administrar. As campanhas de doações já não estão dando conta para socorrer os que estão aqui sem o pão para comer. A fila da pobreza parece não ter fim.

Eles saem de lá com o sonho de uma vida melhor, justamente em um Brasil dividido pelo ódio e a intolerância. Num Brasil onde a extrema-direita fanática religiosa é símbolo da negação da ciência e prega a xenofobia, a homofobia e o racismo. Um Brasil onde o capitão-presidente quer rasgar a Constituição e fazer uma só dele na base do arbítrio e da tirania. É o mesmo que sair de um curral para entrar em outro ainda pior. Não sabem o que vão encontrar pela frente em suas vidas. Não adianta tentar fugir da realidade e querer tapar o céu com uma peneira.

“O DECANO DA FILOSOFIA AFRICANA: PAULIN JIDNENU HOUNTONDJI”

No livro “Intelectuais das Áfricas”, o professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Itamar Pereira de Aguiar escreve um artigo em que fala do filósofo Paulin Jidnenu Hountondji, que nasceu na Costa do Marfim, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Concluiu seus primeiros anos de estudos em Porto Novo no Daomé, em 1960. Essas regiões sofreram administração colonial francesa.

No período de declínio colonial, Paulin mudou-se para Paris onde acompanhou a movimentação política que promoveu a derrocada do colonialismo francês. Matriculou-se no curso de Filosofia na conhecida École Normale Supérieure onde se formou em 1970. Depois chegou a ministrar aulas em universidades da França, dos Estados Unidos e da própria África.

De acordo com Itamar, durante o mandato do ditador Mobutu, no Zaire (Congo), o filósofo procurou, em silêncio, observar como atuava o nacionalismo dito republicano em uma ditadura ao modo africano. Como ativista político, Paulin se opõe ao regime militarista em vigor, “cujos defensores se proclamavam revolucionários”.

Em Benin, sob a direção do Alto Conselho da República, em março de 1990, Paulin foi nomeado ministro da Educação. Diz o professor Itamar que, “o conjunto da sua obra recebeu influência da Filosofia Moderna Ocidental, do Iluminismo, mais especificamente, dos pensadores marxistas Althusser e Derrida”.

Enquanto intelectual, Paulin voltou-se mais para a filosofia política. “porém cioso da importância dos elementos culturais e históricos do continente africano, torna-se postulante do pensamento endógeno, crítico da filosofia enquanto visão de mundo em países da África”.

As suas obras (mais de vinte), segundo o professor Itamar, “revelam sua intensa e diversificada atividade acadêmica, assim como os temas por ele explorado enquanto pesquisador engajado política, cultural e filosoficamente nas questões essenciais e existenciais dos africanos na contemporaneidade, especialmente dos povos da Costa do Marfim, onde nasceram seus ancestrais…”

Em sua primeira obra Remarques sur la philosophie africaine contemporaine, Paulin procura colocar em prática a filosofia africana, voltando-se para os problemas das condições de vida de seu povo. Ele passa a abordar as graves questões que afligem as nações africanas.

Ao estabelecer comparativo entre a filosofia africana e a europeia, afirma que muitas posições dos filósofos do continente fazem parte da mesma estratégia dos colonizadores em desqualificar e de considerar os africanos incapazes de refletir por si e sobre si, e de produzir pensamentos lógicos. “Em últimas palavras, de filosofar”.

“Eu chamo de filosofia africana um conjunto de textos: precisamente, os textos escritos por autores africanos e qualificados por eles mesmos como filosóficos – ressalta Paulin em seu livro. Ele convoca os pesquisadores conterrâneos a produzirem sobre e para os africanos que ali nasceram, ou que ali vivem.

Paulin defende que os africanos, confiantes em si mesmos e de modo autônomo, se ocupem com as investigações e conhecimentos que respondam aos problemas e questões de interesse direta ou indiretamente dos africanos.

Em seu texto, o professor Itamar enfatiza que o “colonialismo, a escravização e a diáspora praticados por franceses, belgas, alemães, ingleses, portugueses e outros, ocasionaram movimentos de resistência diversas, principalmente nas Américas para onde foram levados aos milhões de indivíduos na condição de mercadorias, comprados e vendidos como animais de tração para serviços nas plantações, mineração, criação de gado, nos serviços domésticos e de ganho, em países como Brasil, Cuba, Estados Unidos, Haiti, México e outros, no lapso temporal do século XVI ao XIX, quando se efetivou atrás das lutas libertárias, a abolição da escravidão, sendo o Brasil o último a efetivá-la em 13 de maio de 1888”.

NOSSOS RIOS ESTÃO MORRENDO

Há uns dois anos, ou pouco mais que isso, o nosso cansado Rio São Francisco, mais conhecido como o “Velho Chico” ocupava manchetes na mídia em geral pelo seu estado terminal de falência de seus órgãos devido a uma prolongada estiagem, mas a causa principal era a mão destruidora e facínora do homem que dele tudo tira e quase nada repõe para sua proteção. Era grande o clamor dos ambientalistas, ribeirinhos e defensores dos nossos rios, exigindo dos governantes a realização de projetos de revitalização. Foi só São Pedro mandar cair chuvas dos céus e não mais se ouviu cobranças em favor do “Velho Chico”, que deu uma revigorada, mas vulnerável a qualquer seca. Com a crise hídrica batendo na porta dos brasileiros onde nossos rios estão morrendo, com os reservatórios em níveis mais baixos dos últimos tempos, volta-se à mesma questão que logo pode ser esquecida com novas enchentes. O homem, a maior praga do planeta, é mesmo cruel, perverso e ingrato, mas um dia tudo vai se acabar porque os desmatamentos, as queimadas, as retiradas da vegetação e areias de suas nascentes e margens avançam pelo vil lucro de se ganhar mais dinheiro. Novamente, o nosso “Velho Chico” pede socorro, e ainda tem parlamentar baiano que nega aprovação de recursos para que ele continue a viver, mesmo nas adversidades do tempo. Suas margens, como a de outros rios pelo Brasil a fora, estão depenadas pela ação humana. Suas águas baixaram, e o país pode sofrer apagões, o que significa ficar às escuras. Não é só a falta de energia, mas também a escassez de alimento quando os nossos rios começam a morrer, caso específico do “Velho Chico” onde grande parte da sua foz é de água salgada. É o mar invadindo e empurrando o rio de volta até a morte.





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