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“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, o companheiro Edilsom Barros fez uma parceria musical, aproveitando a letra “A Dor da Finitude”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de tratar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas do autor do livro estão sendo trabalhados para, em breve, também entrarem no rol das letras musicadas.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

FANTASMAS, RACHADINHAS, IMPUNIDADE E O RIO DAS TRAGÉDIAS

” Quanto mais veemente for um prelado contra os gays, quanto mais forte for sua obsessão homofóbica, maior a probabilidade de este não estar sendo sincero e de a sua veemência esconder algo de nós”. Esta frase é do escritor Frédéric Martel, autor do livro “No Armário do Vaticano”, que deve ser lido por todos, especialmente pelos católicos e cristãos.

Não é esta a questão da qual pretendo tratar, mas serve para uma reflexão quando uma pessoa evoca, ou aborda veementemente um determinado tema, como moralidade, democracia, honestidade, ética, combate aos marajás e à corrupção, ou se posiciona tanto homofóbico, xenófobo e racista. Vivemos hoje numa sociedade tão dividida, entre o ódio e a intolerância, que não sabemos mais quem é quem.

FANTASMAS E RACHADINHAS

É um Brasil no divã, onde o psiquiatra dorme de tanto ouvir fatos, declarações e acontecimentos estarrecedores, que não mais estarrecem os brasileiros. Há pouco, o moço Carlos Bolsonaro disse que através da democracia o país não irá resolver seus problemas, insinuando uma intervenção ditatorial pelo governo. Tem muita coisa de podre neste reino.

Será que ele falou isso para esconder seus “fantasmas” que ele emprega em seu gabinete de vereador do Rio de Janeiro, ou melhor, Rio das Tragédias? Com uma ditadura, seus funcionários “fantasmas” não poderiam ser revelados pela mídia. Tudo seria encoberto, como foi durante o regime civil-militar de 1964.

O seu irmão Flávio adota, ou adotava outra prática chamada de “rachadinhas”, quando era deputado pelo Rio de Janeiro (novamente o Rio, que não é mais maravilha). O esquema é bem conhecido e usado no meio político, quando existe uma “combinação” do parlamentar com o seu empregado subordinado para que ele devolva uma parte do seu salário para sua polpuda conta.

Como todo tipo de corrupção, é mais um ato abominável, e mais grave ainda porque ambos são filhos do capitão-presidente, que tanto condenou as maracutaias do governo passado de esquerda, veementemente odiado por eles. Alvos de investigações, tudo estão fazendo para encobrir os malfeitos e confundir a “Justiça”, como a troca de chefias em órgãos estratégicos encarregados de apurações de fraudes e roubos.

IMPUNIDADE E RIO DE TRAGÉDIAS

Como aquela história na cabeça deles, de que ditadura e ideologia só existem de esquerda, o mesmo vale para o caso da corrupção que, se for de direita, o processo deve correr em sigilo. Mais ainda, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que até ontem vagava pelos corredores e camarins do PT, hoje baixa um ato que favorece os advogados do filho do capitão-presidente e de mais de 100 investigados, inclusive um colega seu de toga, É mais musculatura e forças à impunidade, que está ficando obesa na extrema-direita. Basta lembrar que a Operação Lava Jato já se encontra na cabeceira da morte.

E por falar nessa danada da impunidade, monstro horroroso que mais enfraquece o Brasil e à sua já debilitada democracia, nenhum desmatador do meio ambiente e das florestas na Amazônia foi até hoje punido. As multas de milhões (só existem no papel) não são pagas porque as nossas leis foram feitas com ilimitadas brechas para premiar os infratores. Com isso, a injustiça conseguiu ocupar o lugar da justiça, que só existe para o pobre e quem procura andar correto.

Por fim, queria me referir ao nosso Rio de Janeiro, de lindas paisagens, a segunda capital do Brasil, que se tornou, infelizmente, num Rio de Tragédias, a começar pelos últimos governadores (Cabral, Garotinho, Pezão), corruptos declarados, e os desmoronamentos de pontes, prédios, túneis e incêndios, como o mais recente num hospital particular que ceifou a vida de11pessoas idosas.

Até parece uma maldição, porque tudo de ruim vem acontecendo no Rio do desgoverno, onde os milicianos, muitos conhecidos e amigos dos bolsonaros, e os traficantes que lotearam seus territórios, como no Porto de Itaguaí, paraíso dos contrabandistas.

Não se pode esquecer do assassinato da vereadora Marielle Franco que até hoje não se “descobriu” o mandante do cruel crime. Em tudo isso impera a diabólica impunidade. Tem atualmente o Rio um prefeito fanático evangélico que faz de tudo para censurar a cultura e a liberdade de expressão, e um governador que incentiva a matança por parte dos militares, e comemora um tiro certeiro num ser humano (não importa se é bandido) como se fosse um bicho qualquer.

 

NO MEU QUINTAL

Meu quintal é como se fosse minha aldeia onde saio do mundo exterior para mergulhar no meu interior, entre as flores, plantas, inclusive medicinais, e minhas hortas onde colho folhas variadas para o consumo. No meu quintal, foto do jornalista Jeremias Macário, ainda tem um espaço cultural que me enche de vida através do conhecimento dos livros. No meu quintal, curto a vida e até esqueço que ela é passageira. Meu quintal é o meu planeta.

MEDOS E SEGREDOS

Meu espírito como ondas,

se bate nos rochedos

dos medos e da procura,

do infinito mistério,

que nos leva à tortura.

 

Anda em estranhas veredas,

baixadas, cumes e ladeiras,

e até em largas alamedas,

por entre belas palmeiras.

 

Tenho pavor do escuro,

que assombra com a sombra,

do passado de olho no futuro.

 

Tenho receio do segredo,

que insiste em esquecer,

seu roteiro de raiva e medo.

 

Não quero ser outra vez,

devorado pela insensatez

dessa gente sem enredo.

 

Vivo a engolir mensagens

e a usar  mil blindagens

pra fugir do fogo cruzado.

 

Sou como ferro ferrado,

vagando como manadas,

fugindo do fio das espadas.

 

Queria sair livre por aí,

perambular pelo universo

até não ter mais pra onde ir.

 

Queria que meu verso,

só fosse canto e encanto,

e nada de dor e pranto.

 

VEREADORES COBRAM OBRAS EM SESSÃO CADA VEZ MAIS BARULHENTA

Está ficando cada vez mais difícil acompanhar as sessões da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista por causa das conversas paralelas entre as pessoas da plenária e do auditório, mais parecendo uma feira onde todos falam ao mesmo tempo, cumprimentando compadres, amigos, parentes, ou fazendo pechinchas pelos preços das mercadorias. O barulho começa na leitura da ata e da pauta de discussões, e envereda durante os pronunciamentos dos parlamentares.

A sessão de ontem (dia 11/09), onde os vereadores cobraram obras ao poder público nos bairros e na zona rural, não foi diferente, e o presidente da Casa, Luciano Gomes, foi  obrigado a interromper os trabalhos por diversas vezes pedindo silêncio aos presentes à reunião, que tratou de vários temas e concedeu moções de aplausos à TV Sudoeste pela realização do Festival de Inverno no final de agosto e ao funcionário da Receita Federal, Jânio Freitas, pelos seus 40 anos de serviços na instituição.

Obras de pavimentação

O líder das comunidades de Vila Marina e Recanto dos Pássaros, Javan da Silva, ocupou a Tribuna Livre para reclamar da situação em que se encontram esses bairros, com ruas esburacadas e, principalmente, sem pavimentação. Cobrou mais atuação por parte do legislativo, afirmando que seus representantes não têm aparecido nesses locais para avaliar e ajudar a resolver os problemas. Prometeu fazer outras demandas, inclusive junto à mídia, para que as reivindicações dos moradores sejam atendidas.

O vereador Álvaro Phiton usou da palavra para denunciar que uma parte da cobertura da Feira do Alto Maron continua descoberta desde a gestão passada da Prefeitura Municipal quando várias telhas (cerca de 35) desapareceram, e não se sabe que rumo tomaram.

O parlamentar Edmilson Pereira procurou fazer um relato suscinto das ações do seu mandato, e acrescentou ter apresentado projetos de melhorias para Vila Marina, Cidade Modelo, Lagoa das Flores e outros bairros, especialmente no que tange à pavimentação asfáltica e esgotamento sanitário.

Outros vereadores, como Bibia (Bairro Nossa Senhora Aparecida), Sidney Oliveira e Cícero Custódio também procuraram, mesmo em meio a tanto barulho de conversas na plateia, mostrar suas atividades, através de requerimentos, em benefício de suas comunidades.

Fernando Vasconcelos preferiu falar sobre o aumento de acidentes fatais no trânsito de Vitória da Conquista, como o que aconteceu no último final de semana na Avenida Olivia Flores onde uma jovem de 18 anos perdeu a vida. Além da TV Sudoeste, outras entidades e personalidades foram homenageadas na sessão de ontem pelos serviços prestados a Vitória da Conquista nos últimos anos, e foram aprovados títulos de cidadãos que serão entregues no final do ano.

 

MAIS UMA OBRA SEM A VISÃO DO FUTURO

É claro que o novo Aeroporto Glauber Rocha de Vitória da Conquista oferece uma estrutura bem mais moderna e ampliada em relação ao antigo que mais parecia com um barracão e era uma vergonha para a cidade, principalmente, quando o tempo fechava, com os constantes cancelamentos de voos. No entanto, a terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 350 mil habitantes, merecia uma obra de maior grandeza, com uma visão do futuro para, pelos menos daqui a 100 anos.

Estive visitando o novo equipamento, que durou mais de dez anos para ser construído, desde seu projeto inicial até sair do papel e ser, finalmente, concluído. Fiquei ali imaginando, como tudo neste nosso país, não existe planejamento para o futuro. As coisas são feitas para mal atender o tempo atual. No caso do novo aeroporto, dentro de mais 50 anos ele estará defasado porque, com o crescimento populacional, a demanda será outra.

Embarque e desembarque

O Terminal é apenas um vão com uma área de embarque e desembarque, sem um primeiro andar com uma vista panorâmica onde muitas pessoas gostam de apreciar a pista de aterrisagem e decolagem das aeronaves, com lojas e outros serviços. Vi muita gente encostada nas cercas ao lado para ver um avião chegar. Com o passar dos anos, ele vai começar a apresentar suas deficiências e pedir por ampliação.

Com relação à rotatória, na BR-116, como muitos já chamaram de “rotatória da morte”, a obra não passa de mais uma arapuca da Via Bahia, e uma vergonha para a cidade. Espera-se que o Governo do Estado tome uma providência e construa logo um viaduto antes que ocorram tragédias com mortes. No projeto ainda constava uma pista paralela à BR, no sentido de evitar maiores engarrafamentos e agilizar o deslocamento dos passageiros.

Quanto ao acervo de Glauber Rocha, foi uma iniciativa merecida em homenagem ao cineasta conquistense e baiano, um trabalho cultural onde muitos que por ali estão passando ou visitando aproveitam para conhecer a obra de um cineasta que engrandece a Bahia e o Brasil, e fez parte dos criadores do Cinema Novo.

E o que fazer com a antiga área do aeroporto Otacílio Fonseca? A população já apresentou diversas sugestões, como implantar um espaço de lazer, e até o empresário José Maria, que levantou a ideia de construir um centro de convenções, mas considero que o melhor projeto seria mesmo edificar ali um centro administrativo no local, com a sede da prefeitura e todas as secretarias, de modo a desafogar o trânsito no centro de Vitória da Conquista.

 

A DERROCADA DE UM IMPÉRIO QUE DOMINOU O MUNDO POR MIL ANOS

A escorcha dos impostos para sustentar os soldados mercenários; um exército corrompido que indicava e derrubava imperadores; a divisão do reino em dois, Oriente e Ocidente; o desgaste do povo (não mais acreditava no estoicismo racional greco-romano)  com os governos e os deuses que não mais satisfaziam seus desejos, preferindo aderir à pregação de uma nova religião chamada cristianismo que prometia vida e esperança além-túmulo; a debandada dos grandes proprietários de terras levando a agricultura ao atraso; a rebeldia de muitas províncias se tornando independentes; as lutas entre tribos e as invasões de bárbaros,  foram, entre outros, os principais fatores que contribuíram para o declínio do Império Romano a partir do século III da era cristã.

O livro “História de Roma”, do autor M. Rostovtzeff, faz uma análise profunda sobre o Império Romano, desde a sua formação tribal com lendas, mitologias e verdades, a época dos grandes reis, o tempo republicano, a revolução dos irmãos Gracos que buscaram implantar uma reforma agrária e foram assassinados, a tomada do poder imperial pelo grande general Caio Júlio César, a consolidação do império por Augusto, o chamado divino filho de César, as depravações e tiranias cometidas por imperadores como Calígula, Nero, Cômodo, Domiciano e outros, as divisões, a escravidão cruel imposta por Roma, a bonança nos séculos I e II, a evolução religiosa e a vida nas províncias até o declínio do Império e suas causas.

O DECLÍNIO

Destaca o escritor no final da sua obra que, após a época de Diocleciano e Constantino, o Império Romano continuou existindo por muitos séculos, dividido, porém, em duas partes, o Ocidental, tendo como capital Roma, e o Oriental, comumente chamado “Bizantino”, porque sua capital Constantinopla, ou Roma dos romaioi, fora fundada por Constantino no local da antiga Bizâncio. A estrutura que esses dois imperadores construíram era nova em seu todo, diferente das concepções greco-romanas, e mais de acordo com as teorias políticas do Oriente iraniano e semita.

Relata Rostovtzeff, que o Império Ocidental foi gradualmente se fragmentando em várias partes, que eram a Itália e as antigas províncias, governadas, em alguns casos, por chefes de diferentes tribos germânicas que haviam tomado alguma parte do mundo romano. Na época de Diocleciano, Constantino e seus sucessores, os germanos se sobressaiam no exército e na corte imperial. No Oriente, o processo de dissolução é mais lento e as velhas tradições são mantidas. A influência do Oriente é mais forte, e o governo tende a adaptar-se aos regimes mais despóticos. O centro de gravidade passa da península balcânica para a Ásia Menor.

QUEDA NA TÉCNICA AGRÍCOLA

Os países, de acordo com o autor, que haviam sido os principais centros da política entram em decadência, sendo substituídos pelas regiões da Ásia e Europa, com importância decisiva na história da humanidade. Antes desempenhavam papel secundário. Os antigos centros começam a entrar em declínio. As condições mais primitivas no âmbito social, econômico e intelectual tomam lugar das velhas instituições. Há modificação dos métodos agrícolas, passando do capital e do científico para rotinas primitivas do atraso. O solo passa a ser tratado por pequenos proprietários, cultivadores ou arrendatários.

Naquela época, o Império possuía muitas terras, mas o problema era encontrar agricultores que pagassem arrendamento, e trabalhadores que cultivassem o solo. A escassez de mão-de-obra era uma prova de que a população deixara de crescer. O baixo índice de natalidade e extinção das famílias se estendiam a outras camadas sociais. A migração da força de trabalho foi interrompida pelo declínio do comércio e da indústria. O lugar era preenchido por estrangeiros do Reno, do Danúbio, germanos, iranianos e eslavos. A inundação da força de trabalho de fora penetrou nas partes centrais do Império, aumentando ainda mais a queda da técnica agrícola e da produtividade.

A atividade industrial que abastecia o mercado local diminuiu sua produção, enfraqueceu e acabou morrendo, e com ela desapareceu o intercâmbio dentro do Império. Embora o Estado cuidasse do transporte do que era necessário à corte, o comércio se ocupava de vender artigos de luxo importados do Oriente, passando às mãos dos mercadores daquela região (sírios, levantinos e judeus). O esplendor oriental tinha grande atração para os germanos e iranianos que ocupavam altas camadas da sociedade.

A prosperidade das cidades foi minada por essas condições econômicas. As grandes resistiram por mais tempo. Ainda no século IV eram erguidos grandes edifícios em Roma, mas no século seguinte acontece a decadência. A nova capital, Bizâncio-Constantinopla, transformou-se na capital do mundo, de luxo abundante, adornada de uma arquitetura imponente nos palácios e igrejas. Alexandria, Cartago, Éfeso, Antioquia ainda sobreviviam, bem como Ravena, Mediolano (Milão),Trèves, Nicomédia e Nicéia, onde os coparticipantes do poder real mantinham suas cortes.

Desaparecimento da classe média

As igrejas cristãs e os mosteiros eram os únicos prédios novos. O mato começou a crescer nas cidades e os antigos edifícios entraram em deterioração. O aspecto social e econômico permaneceu o mesmo dos tempos de Diocleciano e Constantino, ou seja, conservou as mesmas feições do século III. O imperador com sua família e cortesãos, oficiais, altos prelados e a burocracia constituíam as classes superiores. Todos tinham bens, em proporções variáveis, principalmente de terras.

Na escala social vinham depois os negociantes e especuladores, na maioria semitas. A classe média urbana estava desaparecendo com suas antigas famílias se misturando à ralé que trabalhava para o Estado, ou entre a população rural (serva do poder ou dos grandes senhores). A escravidão, mesmo como instituição, foi perdendo sua importância econômica.

Cita o autor do livro, que a capacidade de trabalho decaiu, os gostos se vulgarizaram e um pequeno grupo de privilegiados foi entrando em decadência, como o nível intelectual. As escolas existiam, mas já não atraiam quase ninguém, a não ser entre as classes superiores que cuidavam de preparar seus alunos para o serviço público. A educação básica se resumia no aprendizado do grego, do latim e do conhecimento dos principais clássicos. Uma educação superior incluía a retórica (falar, escrever e estudar assuntos jurídicos).

A LEI DO MUNDO

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UMA DEMOCRACIA DO MEDO E UMA OPOSIÇÃO COM PALAVRAS DE ORDEM

Reage Brasil! Nossa pátria está sendo desmantelada e estamos na boca de uma ditadura, num governo civil mais militar da sua história, como assinalou o escritor Luiz Veríssimo, ao fazer um veemente apelo para esquecermos nossas diferenças, porque isso é uma zona de guerra.

Ao ataque contra os brasileiros, o Brasil precisa repetir os movimentos organizados do tipo das “Diretas Já”, a “Passeata dos 100 Mil”, na Cinelândia, “Os Caras Pintadas dos Jovens”, e outros tantos que marcaram nossa história mais recente, num palanque unido de lideranças políticas progressistas, estudantes, professores, operários, intelectuais e artistas para, numa só voz, dar um basta nessas agressões ao nosso povo e às instituições democráticas, as quais estão ameaçadas de sucumbir, para dar lugar a um totalitarismo tupiniquim.

Todos têm que caminhar juntos porque “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, como alerta a canção do poeta. Não mais funciona esses protestos desorganizados com palavras soltas de ordem, nem bravatas nas redes sociais com xingamentos. Para ele, qualquer adversário é um comunista potencial de alta periculosidade que merece ser eliminado, e vai continuar nos ofendendo e nos chamando de vagabundos, como fez com o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que teve seu pai Fernando Santa Cruz morto pela ditadura civil-militar em 1974. Como se não bastasse, atacou a Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, cujo pai, Alberto Bachelet, foi morto pelo sanguinário Augusto Pinochet, elogiado pelo dito cujo capitão-presidente.

O AVANÇO DA EXTREMA

Primeiro foi o avanço conservador dos evangélicos na política, uma bancada ruralista gananciosa em destruir o meio ambiente e uma corja da bala engatilhada para matar, todos destilando ódio. Para representar essa mistura indigesta de ultradireita nazifascista, aparece na plateia uma figura inexpressiva, mas raivoso, homofóbico e misógino o suficiente para agredir mulheres, gays, ativistas sociais, defensores da liberdade e dos direitos humanos, vítimas da ditadura e se posicionar a favor dos torturadores, pregando soberania nacional e patriotismo. Na sua visão maluca moralista, como se estivesse ainda numa guerra fria, onde o comunismo era e ainda é para ele o satanás, todos são vagabundos e inimigos da nação, uma terra fértil para semear suas ideias.

Do outro lado, uma esquerda desvairada com  palavras de ordem de é “nós contra eles” (ainda continua até hoje), que se juntou a uma escória da pior espécie e confabulou para roubar e tirar proveito próprio, colocando como escudo de proteção para montar suas tramas em nome do poder, as políticas públicas e os programas sociais de melhorias das camadas mais pobres.

No início, todos confiaram no altruísmo de tudo mudar através da ética, da transparência, da honestidade, do combate aos corruptos e aos oportunistas safados da política. No entanto, houve uma explosão de escândalos e desmandos. Os ratos aliados deixaram o barco, e o mingau desandou de vez. O ciclo ruiu, o castelo desmoronou e o reino se dividiu com rangeres de dentes caninos.

O BRASIL EXCLUÍDO

Nesse cenário de desordenamento político, onde o bem do Brasil foi o maior excluído, em detrimento da individualidade ideológica e do interesse partidário corrompido, era previsível e estava notório que a extrema-direita estava ocupando seus espaços. Desenhei este quadro há anos, embora ninguém acreditasse, alegando que não havia clima para tanto, que as instituições estavam fortes e firmes para afastar qualquer lunático.

Como num filme de terror, o cara se apresentou com sua motosserra destruidora de ataques à liberdade, prometendo “limpar a área” no que ele mesmo classificou de lixo e vagabundos os ativistas da igualdade de gênero, da preservação do meio ambiente e da elevação do nível de conhecimento através da educação, da cultura e da pesquisa científica.

Praticamente, ninguém acreditou no doido, nem que a extrema chegasse ao poder, mas o país inculto, dividido e cheio de ódio, resolveu dar uma resposta ao outro lado através do voto, como forma de vingança contra aquele que se dizia uma jararaca, e que para matá-la tinha que pisar em sua cabeça. A esquerda (uma parte continua no seu próprio pedestal) ainda insiste manter suas palavras de ordem, enquanto o Brasil do “Bozó”, eleito numa democracia do medo, está sendo constantemente atacado com os cortes na educação e na pesquisa.

TERRA ARRASADA

Este Brasil assiste triste a negação da ditadura, e ouve elogios aos torturadores. Tem que aturar todos os dias o seu discurso nacional fascista de desmantelamento das instituições, desrespeitando e colocando nelas nomes da sua linha extremista e sem mérito. Este Brasil está sendo massacrado pela sua política de terra arrasada ao meio ambiente, em favor dos ruralistas, e seus filhos, que ainda não optaram pelo silêncio, sendo chamados de bandidos comunistas.

Assim, o cara despreparado e imbecil vai encontrando terreno para atacar de todos os lados, sem encontrar resistência da oposição que se fecha em suas quadras individuais, com palavras de ordem. Ninguém quer falar num pacto democrático para repudiar e combater o autoritarismo que vai avançando com sua tropa de armas nas mãos, que já anuncia a censura, o fim da Ancine, como ocorreu com a Embrafilme no tempo de Collor, e inclui todos progressistas de esquerda como adversários comunistas vagabundos que precisam ser torturados e morrer.

ESMAGADOS PELO RETROCESSO

O cara está transformando o Brasil numa republiqueta primitiva, símbolo do atraso, com uma “democracia” ao seu estilo, e não se sabe quando seus seguidores vão despertar para a realidade do mal, se isso vai acontecer um dia. Aos poucos, os brasileiros vão sendo esmagados e triturados pela máquina do retrocesso, caindo na miséria intelectual, social e política. É como se fosse a invasão de um extraterreno tomando nosso planeta particular, roubando as esperanças do viver livre.

Em oito meses de destruição (a Amazônia em Chamas), ele e sua tropa, nomeada pela sua linha extremista, já adotaram atos de censura, como agora com uma revista no Rio de Janeiro; indicaram, sem consulta, um Procurador Geral da República e o filho do chefe para a Embaixada dos Estados Unidos; pretendem fechar a UNE -União Nacional dos Estudantes e a Ancine (Agência de Cinema); querem expulsar os indígenas de suas reservas;  cortaram verbas da educação e da pesquisa, sem contar as inúmeras barbaridades proferidas contra nossa gente que ainda acredita num Brasil melhor.

No exterior, a imagem do nosso Brasil, tão admirado pelo seu futebol, seu samba e um povo alegre e acolhedor, é a pior possível, devido à sua política retrógrada e as ofensas preconceituosas contra a esposa do presidente francês e a primeira ministra da Alemanha, Ângela Merkel. Em sua cabeça doentia psicopata, ditadura só existe de esquerda, e ainda propaga que seu governo não tem ideologia. De tanto falar da Venezuela, o Brasil está virando uma, só que às avessas, por uma trilha fascista de ultradireita, conservadora e primitiva, onde já estamos na etapa da democracia do medo, com uma oposição  que insiste em flutuar nas palavras de ordem.

 

 

SUSPENSO NO AR

De um lado, a tecnologia destrói o ser humano quando este se deixa levar pelo vazio material do simples prazer egoísta, mas, do outro lado, leva conforto, conhecimento e lazer quando é bem utilizada com sabedoria, como no bonde do Corcovado, no Rio de Janeiro – um flagrante do jornalista Jeremias Macário em suas andanças da vida – que suspenso no ar nos oferece uma bela vista da cidade maravilhosa. Pena que do alto podemos ver outra triste realidade dos morros violentos onde manda a lei do fuzil e da metralhadora. Lá embaixo temos paisagens lindas e feias, infelizmente, um retrato do contraste do nosso Brasil, tão desigual, e agora sendo atacado pelo retrocesso de um maluco desembestado que quer crivar nossa democracia de balas.

MEMÓRIA

De algum lugar da selva,

de gente pobre submissa,

o guerrilheiro firme resiste

redigindo sua carta,

para sua adorada Marta,

acreditando na vitória,

de construir uma justiça,

para mudar nossa história.

 

De algum lugar da selva,

vive uma senhora lenhadora,

onde as réstias da luz do sol,

disputam espaços nas folhas,

revigorando o social ideário,

de um guerrilheiro solitário,

que foi crivado de balas

pela traiçoeira metralhadora.

 

Veio a fúria do vento forte,

cuspindo fogo pelas ventas,

no disfarce de uma chicória,

que com seu cutelo da morte,

devorou a nossa memória.

 

Sem o direito de nem pensar,

quanto mais de se expressar,

os contras foram torturados

e levados ao sacrifício do altar.

 

Os sobreviventes dos horrores,

ainda temem seus algozes,

como os cães mais raivosos

que ainda causam as dores,

ultrajando a nossa memória.

 

De uma noite para o dia,

a lua cheia ficou vazia;

foi-se embora toda ternura,

porque o carrasco teve anistia,

e a família do desaparecido

ficou sem fazer sua sepultura.

 

Pior ainda é perdurar as trevas,

sem a punição dos assassinos,

que executaram os meninos,

e agora querem outra vez voltar,

para massacrar e humilhar

quem já foi arrastado do seu lar.

 

Está entalado em nossa garganta,

o grito proibido da verdade

dessa memória ultrajada,

que ainda não saiu do porão,

para punir toda brutalidade,

dos generais de plantão.





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