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Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

O SOCIAL E O CAPITAL

Foto do jornalista Jeremias Macário, na Praça Nove de Novembro, em Vitória da Conquista, durante o embate entre o social e o capital que, diante do progresso, pressionou o poder público para retirar os ambulantes de artesanato do local por conta de dar uma imagem aparentemente mais desenvolvida à cidade, dentro dos padrões “civilizatórios”. Na luta pelo espaço, o artesão fez uma greve de fome, mas cometeu um erro de português. Isso não importa. O importante é que deixou uma mensagem social sobre a situação do nosso país que privilegia o capitalismo selvagem que criou mais de 13 milhões de desempregados, graças à política burguesa dos nossos governantes.

NÃO QUERO MAIS ESTA LIÇÃO

Poema de autoria de Jeremias Macário

Meu poema não fala de libido e amor,

Lembra de um gado em disparada,

Como no verso galopeiro de Vandré;

Ele é mais de dor ferida que de flor;

É cálice amargo, vida de caça fuzilada,

Como na angústia do Drumond de José.

 

Não quero esta assassina lição,

De esquecer a milenar sabedoria;

Não quero soldado para abater,

Fazendeiro com guia pra matar,

Brasileiro comer pedra pra viver,

No país de um futuro sem razão.

 

Quando a mente vira aço se cala,

E o artista se quebra em pedaços;

Não protesta contra esta estupidez,

Em nossos peitos o cara mira a bala;

Voltam-se aos tempos dos cangaços;

E o povo freguês nunca tem sua vez.

 

A mídia quer mesmo é bajulação,

Como o profeta Raul Seixas anuncia;

Fazer sua média atrás do capital vil,

E os canalhas encurtam nossa educação;

Querem um povo de cangalhas e servil;

Negam a ditadura e cospem democracia.

 

Como no rasgo da viola do vate,

Não quero aprender esta lição

Dos inimigos da nossa cultura;

Sou menino e visto o rosa;

Sou a menina desse céu azul;

Quero o saber da Sociologia,

De toda parte, do norte ao sul,

O livre pensar da nossa filosofia,

E gritar bem alto a minha prosa;

Marchar firme contra esta loucura

Da apologia a essa arte do descarte.

 

 

 

ESTUDANTES DA FAINOR APRESENTARAM TRABALHOS NA CÂMARA MUNICIPAL

Diagnósticos sobre a situação dos idosos, situação do Estatuto da Criança e dos Adolescentes, a Pastoral dos Menores, dos presidiários, dos deficientes físicos e suas dificuldades de mobilização, dos moradores de rua, da violência contra as mulheres e o feminicídio em Vitória da Conquista foram apresentados ontem (dia 12) na sessão da Câmara de Vereadores pelos estudantes de direito da Faculdade Fainor.

Da Tribuna Livre da Casa, o professor Carlos Públio abriu os trabalhos falando das pesquisas realizadas pelos estudantes como disciplina de trabalho, com intuito de detectar os problemas dessas camadas da população, para que os poderes públicos, como a Prefeitura Municipal e a própria Câmara, possam corrigir os problemas e encontrar uma solução para que essas pessoas vivam com mais dignidade, respeitando seus direitos constitucionais.

Cada estudante fez um breve relato sobre o objeto do seu estudo,  mostrando dados precisos a respeito da situação das diversas categorias que necessitam de amparo dos poderes executivos e legislativos através de políticas públicas. Os alunos de direito fizeram um apelo a todos vereadores para que apresentem projetos visando a melhoria dessa gente.

. Uma das conclusões é a de que, praticamente, não existem estatísticas e estudos sobre a real situação dos idosos, dos deficientes, dos moradores de rua e dos outros segmentos que foram pesquisados no trabalho, o que dificulta a aplicação de ações públicas voltadas ao bem-estar dessas pessoas em Vitória da Conquista.

Durante mais de 30 minutos, cada grupo fez uma exposição do que apurou in loco, conversando com agentes de instituições e entidades que cuidam dessas pessoas que ainda vivem em situação de vulnerabilidade, e chegou a uma realidade de que o poder público tem feito muito pouco no campo social, político e econômico.

De um modo geral, mal ou bem, essas camadas da população têm contado com o apoio quase que exclusivo da iniciativa privada, especialmente de entidades religiosas, como no caso dos moradores de rua e dos idosos  onde muitas casas, como “Anuncia-me”, têm ajudado  os mais necessitados e excluídos. Os presidiários, por exemplo, precisam de políticas ocupacionais de modo que haja uma ressocialização dos presos. Os estudantes citaram dados quantitativos e as deficiências.

SERVIDORES PÚBLICOS E CARTEL

Na ocasião, representantes dos servidores públicos municipais ocuparam a Tribuna Livre para clamar pelos seus direitos trabalhistas, sobretudo quanto aos reajustes salariais, e pediram mais diálogo por parte do poder público, e que o legislativo apoie suas reinvindicações. O presidente da Câmara, Luciano Gomes, respondeu que a Casa sempre tem recebido os sindicatos  e exercido seu papel de mediação nas questões.

Outro debate que esquentou o ambiente e deixou muitos parlamentares  indignados, como Hermínio Oliveira, foi quanto aos preços dos combustíveis cobrados na praça de Vitória da Conquista, considerados absurdos e exorbitantes.

Foi instalada uma CPI para apurar se existe cartel do combustível na cidade, tendo em vista que o custo da gasolina e do etanol, por exemplo, em outras cidades da região é bem mais baixo, inclusive com diferenças de 40 a 50 centavos por litro. A Câmara quer que a Promotoria Pública e a OAB regional se engajem neste trabalho para averiguar se está mesmo ocorrendo o crime do cartel do combustível, e que os responsáveis sejam devidamente punidos.

 

LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” VAI SER NESTA SEXTA-FEIRA NA REGIS PACHECO

Numa noite cultural, nesta sexta-feira (dia 14) a partir das 20 horas, vamos ter na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves) o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai também estar lá no evento.

Na ocasião, vai ocorrer ainda o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas.

“Andanças”

Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.

Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneza, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear.  Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro;  e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.

Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal. Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.

Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.

 

AINDA SOBRE CINEMA NOVO NO SARAU

Das figuras importantes influenciadoras do Cinema Novo deixamos de citar na matéria sobre o “Sarau a Estrada”, os nomes de Cacá Diegues, Roberto Santos (A Hora e a Vez de Augusto Matraga), Walter Lima Júnior (Menino de Engenho), Triguerinho Neto, Walter da Silveira e Lima Barreto, sem contar o filme Limite entre os mais listados pelos entrevistados e pesquisadores no livro “A Geração Cinema Novo, de Pedro Simonard.

Em sua obra, o autor fala do isolamento e da consagração do movimento, quando o grupo se desligou da sua classe de origem ao criticar a Chanchada pela sua xenofilia e identificação com a cultura norte-americana e europeia. O povo não se sentia representado por esses jovens intelectuais que diziam que ele agia erradamente. O público que era todo urbano não ia ver os filmes do Cinema Novo.

Ressalta o autor, que a classe média e a burguesia não viam os filmes porque não gostavam da imagem do Brasil que lhes era mostrada. Entre 1961/62, a Cinemateca Brasileira exibiu filmes clássicos no Sindicato da Construção Civil de São Paulo, e os operários não mostraram interesse, mas o documentário  Zuyderzee, de Joris Ivens, sobre o processo de construção de um dique na Holanda, teve grande repercussão.

Os temas do Cinema Novo não despertavam interesse nos operários. Pedro Simonard diz que o Cinema Novo era um movimento endógeno. Os diretores exibiram seus filmes em importantes festivais internacionais. Somente a partir dai, a classe média passou a demonstrar maior receptividade porque tinha o aval dos intelectuais dos países desenvolvidos.

Mesmo assim, não foi suficiente para abocanhar  maior fatia do mercado exibidor brasileiro, nem desalienar o povo. Sem isso, não seria possível combater o imperialismo e o colonialismo cultural, nem criar o novo homem. Para fugir do isolamento, os cinemanovistas passaram a participar das elaborações das políticas estatais, porque com a ditadura seria impossível tomar o Estado.

Após o golpe de 64, segundo Simonard, o movimento viu-se obrigado a buscar apoio do Estado autoritário que censurava suas produções e dificultava a exibição e a exportação dos filmes. Nessa conjuntura, uma das principais aliadas foi a Comissão de Apoio à Indústria Cinematográfica, criada, em 1963, no governo de Carlos Lacerda.

No entanto, o decreto trazia regras que definiam um controle ideológico para a produção. Muitos filmes foram produzidos pela Comissão, como Desafio, de Paulo César Saraceni, O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos e Menino de Engenho, de Walter Lima.  Premiou Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, Garrinha, Alegria do Povo, de Joaquim Pedro e Porto das Caixas, de Saraceni.

“Nunca os cineastas brasileiros alcançaram tanto respeito e foram ouvidos tão amplamente por setores importantes da sociedade quanto neste período” disse, ao destacar que em 14 anos (1950-1964) formou-se no Brasil, principalmente, no Rio de Janeiro, uma geração cinematográfica, produzindo filmes comprometidos com a realidade brasileira.

As críticas à Vera Cruz e à Chanchada marcaram posição contra tudo quanto foi feito em cinema até então. Outro sucesso foi criar uma incipiente indústria cinematográfica no país, formando-se uma mão-de-obra especializada. Órgãos e instituições financeiras, estatais ou privadas, começaram a ajudar o Cinema Novo.

Entretanto, Simonardo aponta alguns fatores que prejudicaram o desenvolvimento do Cinema Novo, como a tradição messiânica do intelectual brasileiro que encarava o povo como um grupo sem vontade própria; ter se colocado como dono da verdade de que o povo tinha que ser conscientizado; não ter elaborado uma política de distribuição; e ter encarado o grande público de maneira preconceituosa numa relação de mão única

 

CINEMA NOVO FOI TEMA DO “SARAU A ESTRADA” COM MUITOS DEBATES

A estudante de Cinema da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Sarah Brazão, enfrentou o desafio de falar sobre o “Cinema Novo no Brasil” e suas influências socioeconômicas e políticas no “Sarau Colaborativo” no Espaço Cultural A Estrada, na última noite de sábado, dia 8, com a participação de mais de 20 pessoas de várias áreas entre acadêmicos, artistas, intelectuais e professores.

Numa noite cultural, como sempre acontece há nove anos, o “Cinema Novo” foi a estrela na abertura dos nossos trabalhos que começaram às 22 horas, e Sarah foi a nossa palestrante que discorreu sobre a história desse movimento no Brasil desde o final dos anos 50 e se intensificou nos anos 60, mesmo depois do golpe civil-militar de 1964, conforme ressaltou a palestrante.

VÁRIAS FIGURAS

Na ocasião, ela citou várias figuras que contribuíram para a mudança da linguagem e da narração do velho cinema brasileiro, ainda muito preso aos filmes importados do exterior, principalmente dos Estados Unidos, como Paulo Emílio, Alex Viany, Humberto Mauro, Paulo César Saraceni, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Roger Bastide, Eduardo Coutinho, Mário Carneiro, Leon Hirszman e o baiano e conquistense Glauber Rocha, o maior provocador que revolucionou a sétima arte no país.

Em sua explanação, Sarah falou dos tempos da censura pelo regime da época e de vários filmes que marcaram o movimento, como Macunaíma, de Joaquim Pedro, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe, de Glauber Rocha, Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, Vidas Secas, do mesmo autor, dentre outros. Ela também pontou a influência da literatura e do pensamento crítico de muitos intelectuais para o nascimento do Cinema Novo que mostrou a outra cara do Brasil.

O professor Itamar Aguiar fez diversas pontuações durante o debate, acrescentando outros nomes do movimento que foi de encontro às ideias retrógradas daquele tempo, e colocou Glauber Rocha como ícone e grande incentivador que impulsionou o Cinema Novo no Brasil. Também falou o fotógrafo e entusiasta do cinema, José Carlos D´Almeida.

O jornalista Jeremias Macário, baseado no livro “A Geração do Cinema Novo”, de Pedro Simonard, lembrou do meado dos anos 50 com o fim da era Vargas e o embate entre a burguesia capitalista versus a esquerda mais esclarecida que combatia o cinema norte-americano e as imitações do cinema europeu. Destacou ainda as experiências fracassadas da criação da Vera Cruz que pretendia fazer algo novo, mas com técnicos estrangeiros e trabalhando em estúdios que ficaram muito caros, e terminou em falência. Disse que o Cinema Novo chegou a beber muita coisa da Chanchada que muito agradava a classe mais popular, sem contar os Cineclubes que colaboraram para que o movimento brotasse mais forte.

Cantorias e poemas

Logo após as discussões, entraram as cantorias de violão e viola, com Alez Baducha e Walter Lajes que animaram mais ainda o evento, que recebeu muitos convidados visitantes, como o ex-vereador Clovis Carvalho Iuan Guilherme Andrade, Brenda Fernandes, Rosângela de Oliveira, Luã Galvão e outros.

Estiveram também presentes Gildásio Amorim, Rose e seu marido, Céu, Aline, Jhesús, José Carlos, Rosimeire Rodrigues e os representantes da Academias de Letras de Vitória da Conquista, Rozânia e Evandro Brito que fez uma homenagem a Jeremias, citando trechos de um poema do seu primeiro livro Terra Rasgada, de 2001.

Edna Brito declamou um poema de Vicente Cassimiro que faleceu recentemente, e a anfitriã Vandilza Gonçalves bridou a todos com uma deliciosa dobradinha por volta das duas horas da manhã. Na mesa, além dos tira-gostos rolou umas “geladas”, vinho e uma cachacinha para esquentar o frio que ninguém é de ferro, mas tudo num clima fraternal e de um bom papo.

Ficou definido que o próximo Sarau terá como tema “O Império Romano e sua Formação” a ser abordado por Jeremias Macário. Todos foram convidados para o lançamento de “ANDANÇAS”, de autoria de Jeremias Macário, no próximo dia 14 (sexta-feira), na Casa Regis Pacheco. Mais uma vez, o “Sarau a Estrada” varou a madrugada deixando saudades para o próximo em agosto.

FAMÍLIA BOLSONARO ATOLADA EM MULTAS

Nesta semana, Jair Bolsonaro explicou sua lógica de governo: todos sabem como ele pensa; os auxiliares que não concordam devem se calar. A regra personalista parece valer também para decisões de governo. Nas últimas semanas, o presidente vem encabeçando uma guerra contra radares de trânsito, e prometeu promover estudos para dobrar o limite de pontos na carteira de motorista.

Levantamento da Folha no Detran do Rio mostra que a família Bolsonaro está “pendurada” em multas: foram pelo menos 44 no último ano, distribuídos entre o presidente, os três filhos parlamentares e a primeira-dama. O senador Flávio e Michele já poderiam perder a carteira: ele tem 41 pontos e ela, 39, ambos bem acima do limite de 20 pontos anuais.

LANÇAMENTO DE “ANDANÇAS” EM NOITE CULTURAL

No próximo dia 14 de junho, a partir das 20 horas, vamos ter uma noite cultural com o lançamento do livro “ANDANÇAS”, a mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário que dessa vez mistura ficção com realidade, ao contrário do “Conquista Cassada” que foi um trabalho de pesquisa sobre a ditadura civil-militar em Vitória da Conquista, na Bahia e no Brasil e vai estar lá no evento.

Na ocasião, vai ocorrer também o lançamento do nosso “CD Sarau A Estrada” com cantorias de artistas da música, causos e declamações de poemas. Para completar, a artista plástica Elizabeth David vai abrilhantar mais ainda a noite com uma exposição de seus belos quadros. Portanto, vai ser uma noitada cultural com a apresentação de várias linguagens artísticas, na Casa Regis Pacheco, na Praça Tancredo Neves.

“Andanças”

Contos, causos, histórias e versos, “Andanças” é um livro que mistura ficção com realidade, ou, como queira, um fantástico realístico, mas que também contém pesquisas em temas específicos, romanceados e curiosos sobre a ditadura civil-militar de 1964, e na viagem título “Pelas Brenhas do Mundo” de um anônimo andarilho mochileiro das décadas de 60 e 70, os anos livres e revolucionários que mudaram hábitos, costumes e conceitos ultrapassados.

Sem a preocupação com estilo ou escola literária, o livro “Andanças”, de 368 páginas, formato de 16 cm por 23,5 cm, capa em quatro cores, ilustrações no miolo e arte final de Beto Veroneza, pode ser lido de trás pra frente, de qualquer ponto, sem sequência linear.  Tem também poemas, muitos dos quais já foram musicados por artistas locais, como Walter Lajes, Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

A obra do autor, que já escreveu “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste” e “Uma Conquista Cassada – Cerco e Fuzil na Cidade do Frio”, retrata cenas do Nordeste, do homem do campo, do retirante da seca, da coivara, do jeito matuto catingueiro;  e fala de amor, ódio, raiva, tempo, saudade, mulheres, erotismo, vida e morte.

Sobrou ainda espaço para a cultura da corrupção, da gatunagem e do levar vantagem em tudo. Nos versos rolam a imaginação, o fingimento, o olho visível no invisível e o foco no real e no irreal. Trata-se de uma publicação colaborativa (muitos amigos assinaram o “Livro de Ouro”, numa espécie de pré-venda), onde o leitor vai curtir e viajar na imaginação, sem regras. A obra nasceu da veia jornalística do autor e tem o tempero realístico e sentimental. De um modo sutil, é também um autorretrato da sua vida em alguns contos e causos.

Entre outros lançamentos, trabalhos, artigos, crônicas e comentários, “Andanças” é mais uma publicação que demandou dedicação e sacrifício, mas também contou com a ajuda de muitos amigos que alavancaram o trabalho literário.

A VELHA SALVADOR

Foto do jornalista Jeremias Macário em uma de suas andanças. É a Velha Salvador, a primeira capital do Brasil de muitas histórias e cheia de contradições, numa mistura de raças e religiões. O Elevador Lacerda é um de seus cartões postais, dividindo a cidade em alta e baixa, com seus encantos e tradições, mas que ainda precisa muito de cultura e educação para ser uma verdadeira capital turística e receber bem seus visitantes, não só pensando na exploração do “gringo” como se diz por lá. Quer queira ou não, Salvador ainda tem o ar provinciano onde museus não abrem aos domingos e feriados e fecha suas portas na hora do almoço. Tem um museu Afro-Brasileiro que bem poderia ser uma preciosidade, mas carente em termos de mais peças da cultura afro e de estrutura para receber seus visitantes. Recentemente estive no museu e senti uma grande lacuna na falta de apoio do poder público. Já o Museu Cota Pinto, no Corredor da Vitória, é um luxo de jóias crioulas, peças antigas de jacarandá, pratarias e louças nobres da Inglaterra e de Portugal. Infelizmente, deixa a transparecer aquele quadro colonial da Casa Grande e Senzala, descrito pelo escritor pernambucano Gilberto Freire.

 

FREGUÊS DE TODO MÊS

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

 

Para poucos o colosso, para muitos o osso;

O cristianismo pegou dos celtas e romanos

O solstício, e veio o capital inventou Noel

E os profanos de Cristo lotearam todo o céu.

 

Você corre e corre atrás do metal vil,

E nem dá conta que não passa de freguês;

Se esbalda no bar no final de semana;

Em casa ouve um som do antigo vinil

Que fala de liberdade e se acha bacana,

E a conta chega todo o final do mês.

 

Olhe meu camarada para seu espelho;

Você corre, corre e todo fim de mês

Entra na maldita lista de besta freguês;

Faz conta, conta e só bate no vermelho

 

Você corre e voa como cavalo alado;

Discute, briga e solta seu baseado;

Busca como um louco pela verdade,

E pensa no filósofo da antiga idade,

De que a vida lida é um bem incerto,

E que a morte conserta um mal certo.

 

O brutal sistema sempre nos frita,

Nos faz de brita todo regime maldito,

Seja no verão, primavera ou inverno,

E cada um tem seu deus e seu inferno.

 

Esmagado como cana que vira bagaço,

Você abre o site burocrata do formulário;

Faz o passo a passo pra abrir os cadeados,

E segue o rigor dos minutos e do horário,

E ele pede sempre mais e mais dados,

E testa seus nervos esticados de aço,

E no final ainda lhe chama de fracasso.

 

Lembre-se que você tem as fronteiras,

De norte a sul tem arames e muralhas;

Do outro lado vivem os frios canalhas;

E nem adianta pedir para abrir passagem

Nessas tormentas fileiras de vaga viagem.

 

Olhe meu camarada para seu espelho;

Você corre, corre e todo fim de mês

Entra na maldita lista de besta freguês;

Faz conta, conta e só bate no vermelho.

 





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