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“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, o companheiro Edilsom Barros fez uma parceria musical, aproveitando a letra “A Dor da Finitude”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de tratar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas do autor do livro estão sendo trabalhados para, em breve, também entrarem no rol das letras musicadas.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

COPINHA: “BODE” ESTREIA CONTRA O FLA

Carlos Albán González – jornalista

O Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista, na sua quinta participação consecutiva na Copa São Paulo de Futebol Júnior – a Copinha – caiu no que se costuma chamar de “grupo da morte”, considerando que terá como primeiro adversário o Flamengo, campeão brasileiro sub 20, título ganho na semana passada, fechando para o rubro-negro carioca o ciclo de conquistas nacionais (profissional e sub 17).

Com 128 clubes representando os 26 estados do Brasil e o Distrito Federal, divididos em 32 grupos, com sedes no interior de São Paulo e  no Estádio do Canindé (capital), a Copinha será disputada entre os dias 2 e 25 de janeiro, data dos 466 anos da capital paulista. O maior torneio do mundo reunindo atletas com menos de 20 anos é promovido pela Prefeitura paulista e organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF). O São Paulo é o atual campeão. O estádio do Pacaembu receberá a final.

Vitória da Conquista e Flamengo estão no grupo 25, com sede em Diadema (21 kms. da capital paulista), situada no ABCD, um dos maiores polos econômicos do país. Os outros dois integrantes da chave são o Água Santa, o principal clube da cidade, e o Trem, representante da distante Macapá, no Amapá.

Interessante é que o Trem e o Água Santa foram fundados por operários. O time amapaense, 143 no ranking da CBF, conhecido por Locomotiva, foi fundado por ferroviários, em 1º de janeiro de 1947. Formador de atletas em suas divisões inferiores, o Água Santa, 122 no ranking nacional, vai integrar em 2020 a elite do futebol paulista. A equipe do ABCD é produto da migração nordestina para o Sudeste no século passado. Sua fundação data de 27 de outubro de 1981. Com 386.934 habitantes, uma renda per capita de R$ 31.900 e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado alto, Diamantina é hoje o local de morada de 31.661 baianos.

A garotada do E.C,P.P. Vitória da Conquista viaja para o interior de São Paulo na certeza de que não faltará incentivo nas partidas que fará na Arena Inamar (capacidade para 10 mil pessoas), por parte dos nordestinos, principalmente dos seus conterrâneos baianos. A estreia está marcada para o dia 4, às 11 horas, contra o Flamengo, provavelmente com transmissão de televisão (SporTV, Cultura e Vivo); no dia 7, às 12h45, enfrentará os donos da casa, o Água Santa; e no dia 10, às 12h45, terá o Trem pela frente. Os dois primeiros colocados de cada grupo passam para as fases seguintes, no formato mata-mata.

Além do Vitória da Conquista, o futebol júnior baiano terá mais quatro representantes na Copinha: o Vitória (grupo 5, em Jaú), Bahia (grupo 13, em Indaiatuba), Jacuipense (grupo 19, em Itapira) e Canaã (grupo 31, em Nicolau Alayon).

A título de curiosidade constatei que o Canaã, integrante da 2ª divisão do futebol baiano, é mantido pelo projeto sócio-educacional Nova Canaã, criado pela Igreja Universal do Reino de Deus, na cidade de Irecê (BA). A principal finalidade do clube é preparar jovens e colocá-los no mercado do futebol. O meia Pedrinho, do Corinthians, foi o primeiro; outros seis estão se submetendo a testes no clube paulista. Uma cartilha distribuída pela Iurd proíbe os jogadores de usarem brincos, falar palavrão e aconselha a evitar atingir o adversário com faltas; não há a obrigação de assistir as sessões de “descarrego”.

 

 

 

NO SARAU A ESTRADA

O Sarau A Estrada completou nove anos de encontros da música, da poesia e dos causos, e vamos entrar no décimo ano agora em 2020, precisamente em julho. Neste sábado (dia 07/12) vamos realizar o último do ano com o tema A História da Música Brasileira, com o músico e compositor Alex Baducha  e demais convidados que podem falar sobre o assunto. Vai ser mais uma festa cultural comemorativa de final de ano, e todos estão convidados. Trata-se de um sarau colaborativo onde cada um traz sua bebida e comida e vamos curtir com alegria e confraternização. Será mais uma noite cultural que promete.

CULTURA DO CORPO

Alta serotonina…

Ficar como uma menina;

bunda dura, cintura fina;

só a plástica  que anima;

silicone,  química e faxina.

 

Revolução hormonal;

é o corpo da era do dopado;

deixou de ser morada divina,

para ser uma gata felina.

 

O que vale é ter boa imagem;

é a cultura do individual,

do corpo sarado e venal.

 

Sociedade dos patéticos,

dos deuses cosméticos;

são os ingredientes  fanáticos,

do mundo dos galácticos,

sem os valores éticos;

vale tudo  para a cura;

é a loucura  dos estéticos.

 

Obsessão pela aparência,

da adoração do deus-ciência,

dopada de ansiedade e depressão.

 

Tem que ter o corpo legal,

no lugar da mente  racional.

 

Ingere laxantes e diuréticos;

vai de dose de  anabolizantes,

tanto faz pra cavalos e elefantes.

Prefere ficar cega a ser gordinha;

mato quem me chamar fofinha.

 

Não existe lugar para enrugado;

quero o corpo todo  torneado,

para excitar e deixar tarado;

flacidez é o maior  pecado.

 

É proibido se alimentar;

passa o tempo a contar calorias;

são obscenas minhas estrias.

É a paranoia da lipofobia,

e a dieta é a deusa guia.

 

Não transgrida os setes pecados:

não comerás frituras;

evitarás   gorduras  saturadas;

não beberás guaranás;

não experimentarás doces e manjas;

não fraquejarás com os bolos;

não deixarás seduzir pelo chocolate;

e nada de cervejas ou malte.

 

Nefropatia, vigorexia, anorexia, bulimia:

moda da mente fraca e  doentia.

 

Prefere a cegueira da razão,

que separar de sua única paixão.

 

Narciso tem de ser liso ou lisa:

diet – light – botox – lifting.

 

É o apelo da cultura cretina,

que banalizou  e virou  rotina,

numa mistura masculina e feminina:

consumo e consumismo banal,

na moda do mundo superficial.

SESSÕES DA CÂMARA PRECISAM DE MAIS ORDEM E DISCIPLINA

Está ficando difícil assistir uma sessão da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista por causa da falta de educação da plateia, que transformou o ambiente numa feira onde todos conversam alto e ao mesmo tempo. O local virou um ponto de encontro para bate-papo, onde cada um faz seus conchavos, negócios e troca de ideias. Do outro lado, cabe ao presidente da Casa colocar ordem e disciplina no recinto e, se for o caso, suspender a sessão por um determinado tempo.

Ontem mesmo, quarta-feira (dia 04/12), criou-se um pequeno tumulto na abertura quando um grupo de sem tetos, que foi retirado de uma invasão no Bairro Panorama, fez uma manifestação com gritos de ordem, reivindicando do prefeito Hérzem Gusmão, que se encontrava presente, o retorno para a área. No momento, vários projetos e requerimentos estavam em votação e ninguém conseguia ouvir as intervenções dos vereadores.

Esse barulho de conversas paralelas na Câmara, perturbando quem quer acompanhar os trabalhos, já vem ocorrendo há muito tempo. Muita gente tem reclamado o comportamento de falta de educação, criticando a mesa diretora por não tomar as devidas providências. Na maioria das vezes, não dá para escutar o que o parlamentar está falando na tribuna.

Além das conversas em voz alta, outras pessoas passam o tempo no celular, e tem vereador que não dá o exemplo e faz o mesmo conversando ao lado com o colega. Na sessão mista de ontem, que mais parecia uma comemoração num salão de festa, a Rádio Clube foi homenageada como a emissora mais antiga de Conquista (completa 65 anos em 17 de dezembro), daí a presença do prefeito e do radialista e cantor Jânio Arapiranga que fez uma apresentação musical.

 

 

 

 

 

UM LUGAR SUJO E DESTRUÍDO QUE AINDA É CHAMADO DE PRAÇA

Bem em frente da Rodoviária de Jequié existe um espaço horrível em meio ao lixo, lama, capoeira, equipamentos enferrujados, um pequeno centro de informática completamente depredado e hoje utilizado por usuários de drogas, com um mau cheiro insuportável, que as pessoas que passam por ali ainda chamam de praça. Dizem que o nome dela é Santa Luzia, a protetora dos olhos.

Aquilo ali poderia ser chamado de a maior vergonha de Jequié, senhor prefeito Luiz Sérgio Suzarte Almeida, mais conhecido como “Sérgio da Gameleira”, do PSB, que tem o partido que não merece. Confesso que há muitos anos da minha vida, inclusive como jornalista, não tinha visto um lugar tão depredado e abandonado como aquele, que é um atentado à saúde pública pela quantidade de imundices, lixo por todo canto e mato que virou capoeira.

Estive em Jequié neste final de semana participando da Festa Literária e fiquei hospedado num hotel bem em frente da dita “praça” que está mais para entulho. Cheguei na sexta-feira em final de tarde e, como já estava atrasado para o evento, não observei o local. No outro dia, pela manhã, sai com minha máquina fotográfica para captar alguma imagem bonita e terminei me deparando com aquela cena de horror.

O estado da “praça”, meus amigos, é simplesmente deplorável, a começar por uma área de lama onde existiam uns equipamentos de ginástica. Mais à frente, um campo de futebol soçaite que se transformou numa capoeira que cobriu a pequena arquibancada, sem contar o lixo espalhado por todo lugar. Ao lado, uma pequena edificação destruída e umas barracas quebradas e sujas que já deveriam ter sido interditadas.

O local mais horroroso que vi e não consegui adentrar por causa do cheiro insuportável foi um pequeno prédio, com estilo de uma capela, onde já funcionou um centro de aprendizagem de informática para jovens, segundo disseram moradores que passavam por ali no momento.

Um funcionário do hotel também me informou que há, precisamente, 12 anos que a “praça” está naquele estado degradante. O único local que ainda funciona de forma precária é uma quadra de traves e telas enferrujadas. Como tantos outros lugares pela Bahia e pelo Brasil a fora, aquela obra que deveria servir a tanta gente, é mais um desperdício do dinheiro público dos impostos do nosso povo e ninguém toma uma providência.

Como um prefeito e prefeitos deixam uma praça chegar àquela situação tão vergonhosa! E ainda são eleitos e reeleitos! Seu “Sérgio da Gameleira”, a cidade de Jequié, a “Cidade Sol”, do poeta Waly Salomão e de tantas outras personalidades importantes, de tantas histórias, não merece um lugar tão feio e sujo! Está certo que vândalos saem por ai quebrando tudo, mas o poder público tem a maior parcela de culpa por não cuidar e zelar das obras feitas com o dinheiro da população.

A FORÇA DA RESISTÊNCIA CONTRA O RETROCESSO NA FESTA LITERÁRIA DE JEQUIÉ

Mesmo com algumas mesas de plateias vazias, como na de sábado, no final da tarde, em “Um dedo de prosa, poesia e lançamento de livros”, mediada pela professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb e coordenadora do Páginas Formando Leitores, Marvione Borges, onde contou com a participação de menos de dez pessoas, a palavra resistência contra a política de retrocesso do governo federal na área cultural foi a marca de força durante a IV Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié (Felisquié).

O evento, cujo curador foi o escritor Domingos Ailton, autor do livro “Anésia Cuaçú”, foi aberto no dia 28 de novembro e encerrado em 1º de dezembro com mesa redonda “Devir e Ancestralidade em Poéticas Negras”, tendo como palestrante o escritor Jocevaldo Santiago e mediação da professora Karla Carvalho. No mesmo dia, pela manhã, foi ainda desenvolvido o tema “Leituras no Cárcere”, com a professora da Uneb, Kátia Barbosa. O jornalista, poeta e escritor jequieense Wilson Novaes foi o homenageado.

Escritores regionais e poucos recursos

Os escritores regionais que se deslocaram até Jequié para apresentação de suas obras e a venda das mesmas ficaram frustrados com a pouca procura, já que só tiveram a cobertura da hospedagem e alimentação, tendo que arcar com o transporte e não tiveram um cachê para cobrir os custos. O organizador Ailton justificou que teve recursos limitados da Secretaria de Educação do Estado e da Uesb, por isso não teve condições de contemplar os artistas regionais.

Neste momento atual, quando o problema é grave em se tratando de recursos para financiar a cultura, que virou inimiga do Estado, os escritores regionais são a parte mais sacrificada da história pela falta de maior visibilidade e porque não dispõem de recursos para bancar suas despesas e participar dessas feiras literárias. Por estes motivos, muitos, que gostariam de estar presentes, terminam por desistir de viajar e ficando de fora.

Esses novos talentos regionais da arte literária precisam de mais espaço e serem melhor tratados pelos curadores, mesmo diante da escassez de recursos. Tenho observado que estes eventos, ainda realizados por algumas cidades do Brasil e da Bahia, têm sido muito elitizados e fechados para autores famosos e mais conhecidos. Os curadores precisam dar mais espaço para os regionais, mesmo diante das dificuldades de se conseguir apoio de patrocinadores do setor público, tendo em vista que o empresário praticamente não ajuda a cultura neste país.

Outro problema é o esvaziamento do público local. Em Jequié, por exemplo, os participantes são, na maioria, parentes (pai, mãe, avós, tios) ou amigos mais próximos dos palestrante e escritores convidado. Quando termina aquela mesa, todos pegam suas pastas e bolsas e vão embora, ficando apenas os organizadores e alguns minguados interessados para quem é de fora da cidade.

Vazios nos debates

Alguns debates ficaram vazios na Festa de Jequié, o que demonstra a falta de interesse pela cultura, que pede socorro em estado terminal, numa clara contradição quando se fala em resistência contra o retrocesso no país. Ainda tem gente que critica quando uma mesa de discussão foca na questão da resistência, como foi a formada na sexta-feira, 29 de novembro, em “Um Dedo de Prosa, Poesia e Lançamento de Livros”.

Participaram desta mesa, mediada pela professora Ana Fagundes Marcelo, os escritores Carvalho Neto, com o livro “Plástico Bolha”, Marcio Nery, com a obra “O Assassino dos Números”, Luís Rogério Cosme, escritor de “Democracia Golpeada”, Dirlei Bonfim, poeta, compositor e professor, com “Alquimia das Palavras”, Sandro Suçuarana, poeta de “Diferencial da Favela – dos contos as poesias de quebrada”, poeta e escritor Antônio Ribeiro e o jornalista, escritor e poeta Jeremias Macário, com seus livros “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” e seu último “Andanças”.

A Festa Literária de Jequié também contou com a presença do músico, poeta e compositor Walter Lajes, na companhia de Macário, que não teve a oportunidade de apresentar suas cantorias musicais por falta de espaço apropriado. O evento teve uma grande variedade de temas, como “Leitura na América Latina”, com a historiadora Maria Teresa Toríbio, “Leitura e Mídias Sociais”, com vários palestrantes, “Literatura de Autoria Feminina”, com a professora Adriana Abreu, dentre outros.

Walter Lajes (direita), Domingos Ailton e a família Cuaçús Fotos de Jeremias Macário

No sábado, dia 30, pela manhã, houve o encontro da família dos “Cuaçus”, tendo como maior representante Vírginia Fernandes, com a mesa de comentários do escritor Domingos Ailton, mediada pela jornalista e cineasta Carolini Assis, que falou sobre literatura e cinema. Ela está à frente da produção cinematográfica do livro “Anésia Cuaçú”.

Ainda no sábado houve uma mesa redonda sobre “Irmã Dulce, a santa dos pobres”, tendo como palestrantes Graciliano Rocha, escritor e jornalista, frei João Paulo, representante das obras de Irmã Dulce. A mesa foi mediada pelo escritor Domingos Ailton e ainda teve o lançamento do livro “Irmã Dulce, a Santa dos Pobres”, de Graciliano Rocha. Aconteceu também Um Dedo de Prosa e Lançamento de Livros, com Valdeck Almeida de Jesus, com “Garoto de Programa: 5000 tons de sexo”, Rosana Viana Jovelino, com “Patuá”. O debate, que contou com a presença de cerca de dez pessoas na plateia, foi mediado pela professora Marvione Borges.

 

 

COISA DO PASSADO

Como a máquina de datilografia e outros objetos de comunicação em desuso, assim foram os orelhões que viraram coisa do passado. Hoje servem mais como decoração nas praças, ruas e jardins das cidades. Quem não se lembra das fichas e dos cartões tão cobiçados e até vendidos para troca de refeições e utilizados para outras trambicagens? Era um terror esperar na fila para fazer uma ligação quando uma pessoa individualista (isso nunca deixa de existir na humanidade) passava 20 minutos ou mais falando. Quando não existia internet, o telefone público servia até para transmitir reportagens jornalística. Sou da geração de repórteres que passei muitas matérias para o jornal através do orelhão. Era uma tranqueira. Com a nova tecnologia, tudo tornou bem mais fácil, e o jornalista ficou mais  acomodado para investigar e questionar. A foto é do jornalista Jeremias Macário, em Vitória da Conquista.

VISÃO VARIADA

 

Poema de Jeremias Macário

Vi a magia dos faraós

conservar seus mortais,

com óleo de fino linho,

nas tubas de labirintos nós,

de seus imortais funerais.

 

Vi a mão divina de Deus,

descendo sobre as águas,

como luz rasgando o breu,

abrindo livre passagem,

para o seu povo Hebreu.

 

Vi no lenho da cruz,

um senhor a sangrar,

como o rei de Judá,

para salvar os homens,

e obedecer seu pai Alá.

 

Vi romanos no Coleseu,

com espadas a gladiar;

vi o deus Prometeu,

e a figura de Iemanjá,

nas profundezas do mar.

 

Vi e ouvi os pássaros,

cantando no meu quintal;

vi o gato nas telhas,

fazendo o miau, miau…

e o político cara-de-pau,

roubando nosso mingau.

 

Vi os poetas no sarau,

e jornalistas enchendo

as páginas de calhau;

e os periquitos famintos,

comendo meu milharal.

 

Vi os cafajestes de terno,

em pleno verão e inverno,

na pele de um lobo mau,

fazendo daqui um inferno,

como se tudo fosse eterno.

 

Vi soldadinhos de chumbo,

nos morros fazendo escambo,

nas praças todos marchando,

com caras pintadas de Rambo,

virando direita e esquerda,

na ordem do seu general.

 

Vi fotógrafos clicando,

para expor no varal,

e os carros velozes,

invadindo o sinal;

do além ouvi vozes,

do julgamento final.

SESSÃO INÉDITA FALA DO “NOVEMBRO AZUL”

Por indicação do presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Luciano Gomes, o legislativo realizou, ontem (dia 27/11) uma sessão especial inédita para discutir o “Novembro Azul”, mês dedicado aos cuidados da saúde do homem, particularmente referente ao câncer de próstata.

Além do público em geral, a maioria masculina, fez parte da mesa um grupo de profissionais especializados no tratamento da próstata, como oncologistas, fisioterapeuta e representantes da Secretaria de Saúde do Município, que passou informações básicas de como o homem deve detectar cedo a doença, que hoje tem cura acima de 95% quando tratada precocemente.

Recomendações

Exercícios físicos, alimentação saudável e o não uso do tabagismo são recomendações essenciais, de acordo com os palestrantes da área de saúde, mas o homem, acima dos 40 anos, precisa fazer o seu exame anual, principalmente através do toque retal, que muitos ainda têm o preconceito de realizar, nem tanto como antigamente.

Feito o diagnóstico da doença, o paciente deve logo começar o tratamento, com o uso da quimioterapia e da radioterapia, ou de uma cirurgia, dependendo de cada caso, conforme orientam os médicos especialistas no assunto.

É também importante a participação de um fisioterapeuta, antes e no pós-operatório, para evitar que o paciente tenha sequelas de impotência sexual e incontinência urinária. A Secretaria de Saúde, conforme informou uma representante da pasta, está prestando todos serviços necessários para que os homens sejam atendidos e façam todos exames, inclusive o tratamento, quando for o caso.

 

 

RETROCESSO, DISCURSO ANACRÔNICO E UM BRASIL MEDÍOCRE E SONOLENTO

Não à cultura e viva o besteirol e à mediocridade no país onde os brasileiros estão mais preocupados com o acesso à internet do que com o acesso à educação e à justiça social.

No início e durante a ditadura civil-militar de 1964 (negada pelo capitão destruidor da pátria), o alvo das manifestações era a repressão contra o regime militar do “Abaixo a Ditadura”. Mais de 50 anos depois vivemos o Brasil da regressão, com ideias nazifascistas.  Do outro lado, escutamos um discurso arcaico de um líder que se diz ferrenho opositor, cujo símbolo virou ideologia, direcionado a uma população combalida e sonolenta que fala baixo e manso diante das agressões do dedo em riste de um facínora.

Entramos na era das nuvens pesadas do “Bozula”, do cara ou coroa. Um da criminalização dos defensores dos direitos humanos, do livre abate pelo fuzil do soldado com autorização para matar e da depredação do meio ambiente. Com sua tropa que desaprendeu tomar a “cachacinha”, um Lula que sai da prisão injetando mais raiva nos extremistas “canalhas” que só pregam pátria, família e tradição. A esquerda que se deslumbrou com o luxo da burguesia tem uma grande parcela de culpa por esse ciclo funesto e incerto que nos ameaça com um AI-5 do fecha o legislativo, prende, tortura e mata.

O barulho dos vizinhos

Todo este caldeirão contraditório vive em ebulição, justamente num Brasil sonolento, dominado pela imbecilidade das redes sociais. O povo dividido nem consegue ouvir a turbulência e o barulho ensurdecedor de seus vizinhos que lutam por mudanças e melhorias de vida, numa corajosa batalha entre fumaças, tiros e cacetadas contra as heranças malditas das desigualdades sociais que deixaram ao longo da história dos povos latinos uma multidão de miseráveis, vagando sem rumo.

Não vou rezar, nem pedir ao Supremo Todo Poderoso que acorde este gigante adormecido, ou que nos una numa terceira saída para escorraçar a volta das trevas e do obscurantismo da Idade Média. O velho discurso falastrão incita ainda mais e nos separa da direção por um país ideal de pensamento iluminista. Confesso que me sinto atordoado com tantos ruídos e vozes roucas berrando em meu ouvido. Todos eles falam em reformas do atraso. mas não fazem a reforma política deles de cortar suas benesses e mordomias.

Temos um Congresso Nacional mais reacionário de todos os tempos, e um Brasil que está virando uma Venezuela ao contrário, descambando para o autoritarismo através do cerco moralista em nome da família contra os homossexuais, contra a mulher (aumento das agressões e do feminicídio), do racismo, da depredação ao meio ambiente e da intolerância religiosa. Há quase um ano a educação não tem um plano de atuação e simplesmente deixou de existir, conforme constatou uma comissão da Câmara. O nome do ministro é impronunciável.

Mamando nas tetas do povo

O Congresso destampou a panela dos recalcados e frustrados onde um deputado vandalizou uma exposição contra o racismo. Outro falou em “negrinhos bandidinhos”. Existe lá dentro o que há de pior na pior extrema-direita, com o discurso das armas assassinas contra os pobres e negros. Os políticos de todos os naipes, inclusive os ditos de esquerda, que hoje só tomam uísque 20 anos e vinho da região de Bordeaux, de 10 e 20 mil reais, continuam mamando nas tetas do povo, e viram o diabo se alguém falar de reforma política para cortar verbas, o número de parlamentares ou suprimir o Senado, mas estão prontos para acabar com municípios pequenos.

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