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Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

A VINGANÇA DE AMÍLCAR E ANÍBAL, O BRILHANTE GENERAL DA ANTIGUIDADE

Para Cartago, a saída foi aumentar suas possessões na Espanha. A tarefa foi novamente confiada a Amílcar que levou seus “leões”, seu genro Asdrúbal, seus próprios filhos Aníbal, Asdrúbal e Magão. Na igreja fez jurar, em frente ao altar de Baal-Haman, que se vingariam. Resolveram transformar a Espanha numa base para enfrentar Roma.

De acordo com Indro, Amílcar recrutou indígenas, escavou as minas e extraiu ferro para construir as armas. Monopolizou o comércio para se autofinanciar, mas a morte  surpreendeu-o durante combate com uma tribo rebelde. Seu genro Asdrúbal ficou em seu lugar durante oito anos e construiu uma nova cidade com o nome de Cartagena. Quando morreu sob o punhal de um assassino, Aníbal foi aclamado comandante aos 26 anos. Foi o mais brilhante chefe militar da antiguidade, no mesmo plano de Napoleão.

Recebeu do seu pai uma educação perfeita. Sabia história, grego e latim. Tito Lívio conta que era sempre o primeiro a entrar na batalha e o último a sair. Armou infinitas ciladas diabólicas contra os romanos. Além de mestre na estratégia, era bom diplomata e perito em espionagem. Para Roma declarar guerra, atacou Sagunto, em 218 a.C. Ao deixar o irmão Asdrúbal no posto para vigiar o porto de Sagunto, atravessou o Ebro com 30 elefantes, 50 mil soldados de infantaria e nove mil de cavalaria.

No Caminho, enfrentou os gauleses e três mil soldados recusaram acompanhá-lo na travessia dos Alpes. Aníbal dispensou mais sete mil que se mostraram hesitantes. Assim, iniciou sua escalada. Há quem diga que passou pelo monte Genebra, e no cansaço perdeu muitos homens, inclusive contra os guerrilheiros celtas. Iniciou a descida ainda mais difícil para o elefantes até chegar à planície do Pó, com 26 mil homens. Conseguiu apoio de outros gauleses, colocando em fuga os romanos de Cremona e de Placência.

O Senado reconheceu que a segunda guerra púnica era mais perigosa. Convocou 300 mil homens, 14 mil cavalos e confiou parte deles ao primeiro dos muitos Cipiões, mas perdeu a batalha. Roma enviou outro exército e sofreu nova derrota. Aníbal tornou-se senhor de toda Gália Cisalpina. Ai entrou em cena Caio Falmínio com 30 mil homens.

Com um jogo de escaramuças, atraiu o inimigo para uma planície às margens do Trasimeno, com suas cavalarias. Entre os romanos, quase ninguém ficou vivo, nem mesmo Flaminio. Roma entrou em pânico. O pretor Marco Pompônio reconheceu que a situação era grave, mas nem tudo estava bem com Aníbal. Seu maior problema era o reabastecimento. Mandou para casa, livres, os prisioneiros não-romanos.

Roma continuou formando um bloco e só restou a Aníbal desviar sua tropa para o Adriático em busca de terras mais hospitaleiras. Seus soldados estavam cansados, e ele sofria de um grave tracoma. Os gauleses começaram a desertar. Aníbal enviou mensageiros à Cartago pedindo reforços, mas foi negado. Apelou para seu irmão Asdrúbal, mas ele estava envolvido na Espanha.

Diante da situação, retomou sua marcha em direção ao sul, mas se deparou com Quinto Fábio Máximo, nomeado ditador que armou ciladas e ficou na espera de vencer o inimigo pela fome, mas foram os romanos que entraram em cansaço. Foram nomeados dois consules Terêncio Varrão, o plebeu, e Emílio Paulo, o aristocrata, que queriam um processo rápido contra Aníbal, com o emprego de 80 mil soldados de infantaria e seis mil de cavalaria.

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CASTRO ALVES E GLAUBER, OS INDIGNADOS

Se vivos fossem, um teria 172 anos de vida (impossível para os tempos atuais) e o outro 80 anos (possível). Ambos, cada um no seu estilo e no seu temperamento, eram indignados com as injustiças sociais, tanto no Brasil como na América Latina, há séculos espoliados pelas elites capitalistas que sempre não aceitaram a distribuição justa de renda. Temos as piores desigualdades sociais.

Estou falando dos baianos Antônio Frederico de Castro Alves, nascido em 14 de março de 1847, e do cineasta Glauber Rocha, que também veio ao mundo em 14 de março de 1939. Pouco lembrados e homenageados nos dias de hoje na Bahia e no Brasil que jogaram nossa cultura no lixo, para decantar e glorificar os deuses dos arrochas, dos pagodes e dos axés.

Na minha idade, não deveria estar mais me desgastando com isso porque as pessoas de hoje, principalmente nossos jovens, não querem mais ouvir nem ler sobre estes personagens da nossa história e de outros tantos que foram ícones da cultura e do saber. Lutaram bravamente pelas transformações sociais e se indignaram contra as mazelas dos nossos governantes.

Acredito que nesta data de 14 de março (ontem), nenhuma escola discutiu e prestou homenagens a esses dois ilustres baianos. Aliás, o Brasil não merece os heróis que teve porque seus filhos não têm história e pouco sabem sobre eles, nem o que fizeram pela nação. Hoje, o que mais se tem é ódio e intolerância. O maior argumento é chamar o outro de idiota, burro e imbecil. São justamente estes rancorosos os mais desprovidos de conhecimento e leitura. São desprezíveis.

ACADEMIA DE LETRAS DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Mas, nem tudo está perdido. A Academia de Letras de Vitória da Conquista, fundada pelos nossos amigos Evandro Gomes e Rozânia Brito nos brindaram com uma discussão sobre a vida de Castro Alves e, claro, citamos também o baiano Glauber Rocha, diretor de Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Dragão da Maldade, Terra em Transe e tantos outros filmes de denúncias das injustiças sociais.

Há 172 anos, Castro Alves foi um defensor da abolição da escravatura. Nos dias atuais, continuaria bradando contra ela que ainda está entranhada entre nos. Falaria da exploração do trabalho pelo capital, da corrupção, das tragédias anunciadas, da falta de educação e da violência que mata mais de 60 mil pessoas por ano. Mesmo de origem coronelista e aristocrática, seria  um subversivo revolucionário como foi com seu condorismo grandiloquente nas poesias do negro quando fez “A Canção do Africano” e “Vozes da África”.

Do grotesco ao sublime da sua poesia dramática, foi considerado o Victor Hugo brasileiro. Sua obra condoreira foi voltada para a vida e para a liberdade. “Os Escravos” e “Hinos do Equador” foram suas maiores obras póstumas. Em vida só escreveu “Espumas Flutuantes” quando nos seus últimos dias de vida veio do Rio de Janeiro para a Bahia num navio que soltava ondas flutuantes.

Faleceu em 6 de julho de 1871, com apenas 24 anos, mas deixou um grande legado para o Brasil e para a humanidade. Foi contemporâneo de Rui Barbosa, José de Alencar, Tobias Barreto e Machado de Assis, e aluno de Ernesto Carneiro Ribeiro, na Bahia, e de José Bonifácio, em São Paulo. Criou com Rui Barbosa a Sociedade Abolicionista de Recife onde estudou Direito. Escreveu a peça “Gonzaga ou a Revolução de Minas” que trata da Inconfidência Mineira.

Manuel Bandeira, que de início não gostou de suas poesias, escreveu o prefácio de “Poesias Completas de Castro Alves – Espumas Flutuantes, Os Escravos (Navio Negreiro) e a Cachoeira de Paulo Afonso”, da Ediouro.

Num dos trechos disse o poeta pernambucano: “Vulgarmente melodramático na desgraça, simples e gracioso na ventura, o que constituía o genuíno clima poético de Castro Alves era o entusiasmo da mocidade pelas grandes causas da liberdade e da justiça”.

É o que mais falta nos jovens e nos cidadãos de hoje que vivem encharcados de ódio e intolerância, criando monstros e contribuindo para que o país não tenha um futuro. No final do texto, Bandeira assinalou que o poeta tinha a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda poesia brasileira.

 

SAUDADES DO TREM

Foto do jornalista Jeremias Macário
Que bom os tempos do trem de passageiros!Esperar na estação e ouvir o toc-toc do telegrafista e o sino a tocar avisando sua chegada! Que desastre a opção dos nossos governantes atrasados  pelas rodovias  que impactam o meio ambiente e deixaram os brasileiros dependentes das cargas pesadas nas estradas esburacadas e mal traçadas! Lembro ainda menino quando usava o trem de Iaçú (pontilhão enferrujado), passando por Itaberaba, Rui Barbosa, Piritiba (minha terra querida), Jacobina até Senhor do Bonfim onde desembarcava levando saudades. Era o chamado “Trem Groteiro”, cortando as lindas paisagens do sertão, florido ou seco, transportando gente e mercadorias, de cidade em cidade. Que saudades do trem!

LEMBRANÇAS DO TREM

Poema do jornalista Jeremias Macário

Foi-se o tempo de menino,

espiando o telegrafista,

com batidas de artista,

mandar tocar o sino,

como se fosse um hino,

pra lembrar aos viajantes,

que em poucos instantes,

vai ter máquina na pista.

 

Lá vem o trem a se arrastar,

nas serras diamantinas,

como cobra a deslizar,

por entre as colinas.

 

Lá vem o trem roncando,

com suas patas de ferro,

levando usinas de sonhos,

nas cabeças dessa gente,

soltando o seu berro,

e avançando imponente.

 

Lá vem o trem groteiro,

pelas esquinas do sertão,

no seu traço rotineiro,

picado lento e ligeiro,

parando nas estações,

como fazia o tropeiro.

 

Lá vem o trem das matinas,

de janelas sem cortinas,

no seu balanço manso,

apitando pra avisar,

que logo vai parar,

na Estação de Paiaiá.

 

Lá vem o trem penitente,

puxando a sua corrente,

nos trilhos do dormente,

como um rezador,

que vai curando a dor

da alma do  doente.

 

Lá vem o trem lembrança,

dos dias que era criança,

matando minha saudade,

de no embalo a pongar,

e mais adiante se soltar,

pra na linha caminhar,

vendo o meu trem sumir

no horizonte de lá,

e noutra cidade chegar.

 

Em sua última viagem,

o trem partiu para o além,

e levou a minha bagagem,

ficando só na mente,

a marca daquela fumaça,

na minha cinzenta vidraça

 

Lembrança da valente,

Piritiba de toda gente;

do sábado de feirante;

do poema cortante;

do poeta Aragão,

que mistura pavio,

mandioca com feijão,

e ainda nos dá razão,

pra xingar de delinquente,

o governo indecente,

que deixou esse vazio,

do nascente ao poente.

 

AS GUERRAS PÚNICAS E O GENERAL QUE ENCURRALOU OS ROMANOS

A primeira guerra púnica, nome usado pelos romanos que chamavam os cartagineses de “Poeni”, ou fenícios, durou de 264 a 241 a.C.. Findou quando em 242 Lutácio Catulo derrotou os cartagineses no mar. A Córsega e a Sardenha tornaram-se romanas em 238 a.C. Logo os gauleses foram definitivamente destruídos. Dos embates com Cartago, Roma saiu mais fortalecida política e em termos econômicos com a expansão de seu território no sul da Itália (Sicília), na África e na Gália.

Mas, de 218 a 201acontece a segunda guerra púnica com o general cartaginês Aníbal que, com seus “tanques de elefantes”, atravessa os Alpes e encurralou os romanos em Ticino e Trébia. Por pouco não entrou na capital. Foi o calcanhar de Aquiles de Roma. Duas lutas de titãs da história que só teve um final em 202 a.C.. com a derrota de Aníbal por Cipião, em Zama.

PRIMEIRA UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

Dois historiadores Indro Montanelli, “História de Roma” e M. Rostovtzeff, com o mesmo título falam desse período de guerras que deixou milhares de mortes e consolidou a primeira unificação da Itália. Cada um ao seu estilo em suas pesquisas mostra a grande habilidade do general cartaginês que enfrentou os exércitos romanos ao lado de seus leais soldados e aliados.

Rostovtzeff relata a árdua guerra que levou à criação da confederação italiana, Roma tornou-se uma das mais fortes potências do mundo civilizado. Não tanto em números, o exército romano se destacava pela sua organização, solidariedade, capacidade e o orgulho patriótico do seu povo. Quando Roma derrotou Pirro, um dos mais bem dotados reis helênicos, os estadistas começaram a observar a força da Macedônia.

O Egito foi o primeiro a estabelecer relações diplomáticas com Roma, em 273 a.C., e na Grécia, a liga das comunidades livres passou a ver na nova potência uma possível aliada. Cartago foi afetada pela política externa de Roma no Mediterrâneo. Por isso, renovou, em 348 a.C., o tratado comercial com  Roma, celebrado em fins de do século VI. O acordo foi transformado em 279 a.C. durante a guerra com Pirro numa aliança militar contra o inimigo comum.

A situação modificou quando todos os portos do sul da Itália foram anexados ao império romano e quando os interesses de Nápoles e Tarento, rivais de Cartago, tornaram-se também os de Roma. É claro que Roma já estava de olho nos gregos sicilianos que sempre lutaram contra Cartago. Massília era outra inimiga grega que Cartago temia.

Diante do quadro de beligerância, as relações entre gregos sicilianos e tribos nativas italianas, bem como a tomada de Messana pelos mercenários samnitas, levaram a um choque entre Roma e Cartago. As forças eram quase idênticas. Seus poderios eram baseados numa comunidade de cidadãos, num exército numeroso e bem treinado com seus aliados.

De um lado estavam os etruscos, samnitas, úmbrios e gregos italianos, enquanto Cartago contava com os berberes, ou líbios, e os númidas, vizinhos tributários. Os cartagineses tinham cavalaria melhor e em maior número. Sua infantaria também estava bem armada. Possuía ainda um bom número de mercenários treinados na escola helênica e “elefantes armados”, coisa que Roma desconhecia.

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A DEMOCRACIA E A LIBERDADE SÓ SE AS FORÇAS ARMADAS QUISEREM

 

DEMOCRACIA NÃO É FAVOR DOS MILITARES AOS CIVIS.

Não existem equívocos nem dúvidas nas palavras destrambelhadas e autoritárias do capitão. Sem essa de que não foi bem assim e tentar disfarçar com outras interpretações fajutas de que não foi isso que quis dizer. Faz parte da estratégia inocular aos poucos e em doses homeopáticas a pílula dourada do medo, ou amarela, de uma doutrina de ufanismo nacionalista retrógrado fascista. Existe um esquema silencioso e lento de repressão. Está difícil explicar e traduzir.

Existe uma plataforma obscurantista com o sonho de amordaçar e perfilar a sociedade brasileira nas fileiras militares de uma ordem e disciplina ao modelo deles, colocando a democracia e a liberdade na comissão de frente para impressionar os incautos. Sempre tenho dito que só estamos no começo introdutório da peça e vem muito mais coisa por aí.

Fotos de Evandro Teixeira

Há cinco ou seis anos ninguém acreditava que a marcha da extrema-direita iniciada com as intransigências e intolerâncias dos evangélicos e seus aliados conservadores chegaria ao poder. Agora ninguém teme que a liberdade de expressão esteja sendo minada porque temos as instituições do judiciário, do legislativo e da própria mídia mimada para defendê-la.

Em pouco mais de dois meses do governo do capitão, comandado pelos nove ou dez generais, só ouvimos impropérios e estupidez dele, de seus filhos aloprados, de ministros e políticos que seguem a cartilha de levar o Brasil ao primitivismo. Ainda não saíram do palanque do ódio e do rancor contra as esquerdas e Lula que está preso em Curitiba. São apelações para a falta de argumentos, e olha que a oposição continua opaca e muda.

A LIBERDADE E AS FORÇAS ARMADAS

Nesta semana brotou mais um vitupério da boca do capitão de que a democracia e a liberdade só existem quando as forças armadas assim desejem e queiram. Não existem subterfúgios para uma declaração desse quilate. Quer dizer, então, que se de uma hora para outra os militares decidirem não mais querer a liberdade, ela será imolada, passando por cima das fracas e desacreditadas instituições. Na concepção deles, ditadura só existe de esquerda. De direita é ordem e disciplina.

Não dá para ficar engolindo explicações enganosas de contemporização  onde cada um interpreta ao seu modo. O recado foi bem claro e não há espaço para enrolação de que não foi bem assim. Continuam nos tratando de burros e idiotas, se bem que poucos tenham percebido isso. Nesse vai e vem de réplicas e troca de definições da fala do capitão, o mais afrontoso foi que a sociedade brasileira ficou de fora como guardiã e conquistadora da democracia e da liberdade.

É como se ela, a população, não contasse e, passivamente, aceita o que vem do alto. Os políticos ofendidos (outros das fileiras bolsonaristas concordaram), por exemplo, só citaram o judiciário e o legislativo que estão atentos para lutarem pela liberdade. Logo esses poderes de imagem arranhada que perderam a credibilidade. Como sempre, o povo ficou de fora, como se tudo já estivesse dominado.

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CRIATIVIDADE E ARTE

Foto do jornalista Jeremias MacárioA criatividade num tronco de árvore virou uma arte e serviu para indicar o nome das fazendas. A natureza não morre renasce  em forma de arte na mão do homem.

ESTAMIRA DO ALÉM

Poema do jornalista Jeremias Macário

Lá no além do além,

da energia que gira,

jamais intimista

do físico cientista,

está o espaço paralelo

do metafísico elo,

mundo de Estamira.

 

No além do além,

da súbita imaginação,

numa repentina fração,

Estamira rasga sua dor,

doída e sofrida,

de lucidez e loucura,

entorpecente secura.

 

A fala de Estamira,

transborda toda ira,

em seus restos de carne;

treme, contorce e morde,

para amaldiçoar

a perversidade humana,

de mente suja insana.

 

De dentes cravados,

vampiros do sistema,

fazem do sangue o tema,

e neles Estamira mira,

suas palavras de fogo,

com suas fibras de aço

contra todo o jogo,

dos homens malvados,

que invadiram seu espaço.

 

Estamira vive,

viajando pelos astros,

luminosos de gás,

de corpos verminosos,

falando de guerra e paz,

com mágicas de agonia

em toda noite e todo dia.

 

Lá se vai Estamira,

ao som da sua lira,

no seu ritmo acusatório,

perfurando o além,

nesse mundo sanatório,

onde não existe futuro,

no paredão de escuro.

 

Estamira não tem Deus,

no seu filosófico além,

e nem diz mais amém,

essa bruxa do lixo,

que fuça como bicho,

vendo sair o demônio

da camada de ozônio.

 

Das asas dos urubus,

do além da história,

Estamira divaga e delira,

na sujeira da escória,

dos canibais animais.

 

Estamira é lógica utópica,

sem sentido, sem ótica,

complexo do universo,

do além de ninguém,

que enfrenta o perverso,

e faz pouco do desdém

 

UMA OBRA ABANDONADA EM VILA DO CAFÉ QUE LUTA PELA SUA EMANCIPAÇÃO

Com aspecto de cidade e cercada de fazendas de café, como o próprio nome já diz, a Vila do Café, distrito de Encruzilhada e perto do povoado da Tapera, há anos vem lutando para ser emancipada como cidade, mas o projeto de “independência” política é sempre emperrado na Câmara dos Deputados por causa da escassez de recursos que já vive o Fundo de Participação dos Municípios e devido à questão da corrupção que envolve governos municipal, estadual e federal.

E por falar em corrupção com o dinheiro público dos contribuintes, o que mais chama a atenção em Vila do Café, distante cerca de 130 a 150 quilômetros de Vitória da Conquista, é uma obra abandonada há cinco anos onde já deveria funcionar um Ginásio de Esportes. O esqueleto das ferragens, pilastras e paredes que foram levantadas e não foram concluídas, causa revolta aos moradores que torcem para que a Vila do Café se torne uma cidade, como merece.

“Este prédio onde já foi aplicado muito dinheiro dos impostos dos cidadãos poderia hoje estar sendo usado por jovens estudantes e pelos próprios habitantes na prática de esportes, lazer e outras atividades culturais” – lamentou uma senhora que viu a promessa chegar em forma de campanha eleitoral e quando a obra foi iniciada e depois esquecida pelo poder público de Encruzilhada. É mais uma esperança que se perde.

Ao lado funciona a Escola Municipal Luis Eduardo Magalhães que, pelo seus aspecto, também necessita de reformas. O Ginásio seria um reforço de lazer e esportes para os alunos que já sofrem com a precariedade do ensino. A obra abandonada, como tantas outras espalhadas pelo Brasil, é o retrato do roubo, do superfaturamento e do desperdício de recursos.

Com cerca de 15 mil, ou mais pessoas, e estrutura de  pousadas, farmácias, restaurantes, casas de materiais de construção, serviços, colégio estadual e um comércio desenvolvido, a Vila do Café pode ser hoje considerada como um dos maiores povoados do Brasil. Expandiu-se rápido com a chegada da cultura do  café em meados dos anos 70 e início dos anos 80 do século passado.

Como em Vitória da Conquista e Barra do Choça, a Vila sofreu com os desmatamentos sem controle ambiental. A corrida do ouro vermelho, ou negro, como queira, levou muita gente a morar no local para trabalhar no campo. Acontece que o café sofreu e ainda sofre seus altos e baixos provocando o desemprego de muita gente.

O progresso e o crescimento inesperado também trouxeram seus males ,e um deles foi a violência e o tráfico de drogas como vivem atualmente as cidades brasileiras, mesmo as de menor porte. O que se percebe ao visitar o local, é que a Vila do Café precisa de muito mais atenção da Prefeitura de Encruzilhada em termos de ordenamento e prestação de serviços sociais. Essa falta de apoio leva o povo a defender sua emancipação como se fosse uma saída para todos os problemas.

O JEGUE DO SERTÃO

Foto do jornalista Jeremias Macário

No sertão do asfalto, não há mais espaço para o jegue que sempre esteve na lida com o homem do campo. Agora é a moto, o cavalo de aço,  que corta a paisagem, mesmo oferecendo perigo,  como na foto onde os dois transportam uma parabólica, outro instrumento do nosso progresso que acabou com a tradição.





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