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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

“A NEGA DO LEITE”

Este texto faz parte do mais recente livro “ANDANÇAS”, do escritor e jornalista Jeremias Macário

Têm coisas do tempo de infância que marcam nossas vidas e não saem jamais. Grudam na memória como nódoas na roupa. Para brotar da lembrança, basta uma conversa de estórias e causos entre amigos e a família. Existem aquelas passagens que se tornam segredos nunca revelados. As que deram momentos de felicidade e prazer são contadas várias vezes.

Quem não guarda no seu baú da vida os causos de menino e menina e as broncas e surras (geração mais antiga) que levou dos pais por ter cometido estripulias em casa, na roça ou nas ruas? Pois é, existem aquelas que não se esquece nunca. Muitas se vão e outras ficam na mente, doidas para pularem fora em qualquer ocasião.

Agora mesmo lembro-me daquela “pisa” de chicote que meu pai me deu numa cacimba quando brincava de jogar pedras na água. Era gostoso ver a pedrinha quicando na superfície fazendo redemoinhos. Foi numa manhã quando fui pegar o leite numa fazenda próxima para minha irmãzinha que logo cedo acordava chorando de fome. Ao invés de levar o leite, parei no meio do caminho para me divertir no tanque. Deu no que deu!

Meus pais não me contavam nem liam estorinhas infantis de ninar, mesmo porque eram analfabetos e, com seus jeitos rudes da vida dura da roça, não tinham tempo nem sabiam lidar com essas coisas. No entanto, ouvia prosas dos adultos sobre assombrações, lendas, entidade e mitos a respeito do lobisomem, da mula sem cabeça, do marruá brabo, do saci e do curupira que perambulavam pelas matas.

Adorava os causos dos coronéis e dos vaqueiros valentes do sertão, mas uma das estórias que mais me marcou foi sobre “A Nega do Leite”. Até hoje estou lá no varandado da minha casa, esperando ela passar por aquela estrada de cascalho, toda tagarela, mas sempre caio no sono e não consigo ver o primeiro raio do amanhecer da madrugada trazendo “A Nega do Leite”.

Quando o feijão da roça estava seco, no ponto de ser colhido, meu pai arrancava e empilhava na varanda para depois fazer a debulha no terreiro, às vezes, por meio do chamado adjutório em que várias famílias ajudavam na tarefa de retirada da palha através das batidas de porretes, cadenciadas pelas cantorias tradicionais da terra.

Esse costume herdado dos tempos coloniais é outra história. O bom mesmo era que eu, minhas irmãs e outros coleguinhas da vizinhança adoravam brincar de pula-pula e esconder em noites de luar nas pilhas de feijão seco. O divertimento só dava certo quando meu pai viajava para fazer serviços de carpintaria em outras fazendas. Minha bondosa e santa mãe não ligava para a zoadeira e sempre ia dormir.

Naquelas algazarras havia sempre uns instantes de paradas para contar estórias e histórias de espíritos do além e pessoas que iam sendo espalhadas de boca em boca pelos mais velhos. Algumas nem eram lendas. Nos livros escolares (eram raros) ou na base da escuta, as crianças captavam os enredos e as mais espertas narravam os causos. Todos ficavam atentos para ver o final do personagem.

Um desses causos que mais me marcou foi o da “Nega do Leite” que em noite de muito luar passava naquela estrada em frente da nossa casa. Desde longe se ouvia o cantarolar dela, carregando recipientes cheios de leite. Cantava e falava alto sobre histórias de seus antepassados e fatos de pessoas da região. Era uma repórter da oralidade. Na tradição, a origem do nome remete à pessoa que fala sem parar.

“A Nega do Leite”, como o próprio nome já diz, conversava muito enquanto distribuía leite para os mais necessitados, especialmente para as crianças e os idosos. Depois de certificar que ela não fazia mal a ninguém, naquela noite toda gurizada combinou ficar acordada para ver a “Nega do Leite” que sempre passava ao clarear do dia.

O acerto era ninguém dormir, só que o cansaço do brincar terminou nos colocando nos braços do deus Orfeu e todos caíram no sono profundo. Fomos despertados de manhã cedo pela nossa mãe que nos repreendia por termos ficado ali expostos a noite toda naquelas pilhas de feijão.

Um do grupo, não sei quem, falou que a gente estava ali para conhecer  “A Nega do Leite”, conversar com ela e pegar um pouco de leite que trazia consigo. Minha mãe simplesmente riu e respondeu, para frustração terrível de todos, que “A Nega do Leite” já havia passado na estrada há muito tempo.  Perdemos a oportunidade de ver a tão decantada e folclórica “Nega do Leite”. Um culpava o outro por ter dormido.

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“ARMAÇÕES”

O título da foto “Armações”,clicada pelo jornalista Jeremias Macário faz alusão às barracas das feiras armadas por barraqueiros que vendem seus variados produtos, como frutas, verduras, tecidos, sandálias, cereais e tantos outros encontrados pelos consumidores. Estas armações amontoadas numa das ruas do Bairro Brasil estavam sendo levadas, ou recolhidas da tradicional “Feirinha”, em Vitória da Conquista, que faz tanto sucesso e superlota nos dias de sábados e domingos. Vem gente de toda parte da cidade e da zona rural da cidade para comprar e vender. Também serve como ponto de encontro de amigos, parentes e familiares. Eu mesmo sou um frequentador da “Feirinha” por conter uma variedade de alimentos e produtos por um preço mais baixo, e ainda com a vantagem da costumeira pechincha. Já encontrei muitos amigos por lá e comemos  uma boa buchada gostosa com umas geladas.

MEU PRIMEIRO PROFESSOR

Poema mais recente de autoria do jornalista Jeremias Macário em homenagem ao jumento

Meu primeiro professor foi um jumento,

Que me ensinou ser um cara prudente,

Carregar carga pesada pro nosso sustento,

Entre as veredas desse meu sertão valente.

 

Meu primeiro professor foi um jumento,

Este inocente que está sendo morto-extinto,

Com louvor serviu Maria, José e o Menino,

Sem lamento para a terra faraó do Egito.

 

Meu primeiro professor foi um jumento,

Símbolo do nosso Nordeste repentista,

Que ajudou transportar água e alimento,

E ainda foi inspiração para poeta artista.

 

Meu primeiro professor foi um jumento,

Que me deu força de vontade e persistência,

Com sua cangalha matou a fome dessa gente,

De existência secular desde os reis do Oriente.

 

Salve! Salve! Nosso irmão jumento!

Vamos impedir que o criminoso avarento,

Leve nosso jegue pro curral da matança,

Como condenado que só nos deu bonança.

AS PESQUISAS DO ÓBVIO ULULANTE E O VENDEDOR-MÓR DA CLOROQUINA

Temos no Brasil um “garoto propaganda” da cloroquina, para desafogar os estoques, e ele insiste em vender o produto de qualquer jeito, mesmo contrariando as prescrições médicas. As pesquisas óbvias, feitas por desocupados, comprovam o que as pessoas, há muito tempo, com o mínimo de senso e inteligência já sabiam. Concluem que a classe pobre é a mais vitimada pelo coronavírus.

Outro especialista diz que no Brasil não existe planejamento concentrado no combate à pandemia, como se fosse uma grande novidade. Não aguento ouvir tantas besteiras. Há quatro meses, os infectologistas e epidemiologistas repetem as mesmas coisas, mas não chegaram à constatação de que é impossível fazer isolamento social no Brasil aos moldes dos países europeus e asiáticos. As realidades são bem diferentes.

Movimentos negros e outras vozes dizem que afros-descendentes morrem mais que os brancos. Na cabeça dessa gente, não existem brancos pobres. Ou são ricos, ou têm um bom poder aquisitivo. Isso também é uma atitude racista, quando a questão é mais de ordem social. A Covid-19 não escolhe cor, mas ataca os mais vulneráveis, ou seja, os mais pobres de um modo geral. Tem gente defensora da cloroquina falando em confinar e matar os idosos.

NÃO ACREDITO

Para ser sincero, não acredito muito nessa do capitão-presidente ter testado positivo. Não será uma armação de marketing maquiavélico? Prefiro o ceticismo. Até pouco tempo resistiu em divulgar seu teste. A Justiça teve que julgar e determinar que seu resultado fosse levado ao conhecimento público. Por que agora ele foi rápido no gatilho para anunciar, só para a mídia oficial? Nesse pais de hoje, de tantas incertezas, truques, fraudes e tramas, tenho minhas dúvidas, e que me chamem de qualquer coisa.

Se tudo já era confuso antes, com a Covid-19 piorou. Governador baixa um decreto de restrições. Prefeito dá outra ordem contrária. A população inculta e indisciplinada se aglomera nas portas das lojas, bancos e supermercados, sem empatia e respeito ao outro. Os negativistas da ciência, seguidores da morte, não acreditam no vírus e acham que tudo não passa de mentira.

Há 100 anos, durante a gripe espanhola, que matou quase 20 mil na outrora capital do Rio de Janeiro, de cerca de um milhão de habitantes, o secretário da Saúde da época xingava a imprensa escrita de sensacionalista e dizia que tudo era invencionice dos jornalistas. Em novembro de 1918, a pandemia estava no seu maior pico, mas os cariocas fizeram carnaval em janeiro, e todos caíram na folia. Depois de 100 anos, a maluquice, a bagunça e a desordem se repetem. A história não perdoa os retrocessos.

Vivemos num país único no mundo em termos de incertezas e bizarrices, sem uma liderança central para controlar e conduzir, com racionalidade e firmeza, a nau dos insensatos, onde é um tal de abrir e fechar comercio que não para mais, sem contar os regramentos complicados e auxílios sociais que não conseguem chegar a quem mais precisa.

DEU A LOUCA NO BRASIL!

As fraudes e os atos de corrupção se proliferam em cada canto da nação, mesmo diante de quase 70 mil mortes e dois milhões de infectados. Os lobos e as hienas sentem de longe o cheiro de carniças. Todos os dias nos falam de picos e quedas dos infectados que demoram de acontecer. Os números só sobem. A impressão é que esse pico é o próprio vírus quem vai estabelecer por conta própria, quando ele estiver cansado e resolver voar pelos ares.

Deu a louca no Brasil! O governador do Distrito Federal decreta calamidade pública e, ao mesmo tempo, manda abrir o comércio. As aglomerações nas cidades escancaram a falta de noção do povo sobre os riscos de contaminação e mortes. Do outro lado, milhares morrem por falta de leitos de UTIs, e os parentes e amigos das vítimas entram em desespero e desabam em choros e lágrimas, muitos dos quais que não cumpriram as determinações de distanciamento e isolamento.

Ciclones, que no passado não existiam no Brasil, devastam regiões no Sul. Na Amazônia, os índios estão sendo, aos poucos, exterminados pelo coronavírus e, propositalmente, pela falta de políticas públicas do governo federal. O Ministério do Meio Ambiente soltou a “boiada” das normas que facilitam o desmatamento e os incêndios. Os extremistas radicais, apoiadores do capitão-presidente, destilam ódio e propagandas falsas contra a democracia nas redes sociais.

Diante desse caos e de tantas barbaridades, temos hoje um Brasil depressivo e doente, padecendo de outras epidemias. Não sabemos quando vamos retornar à normalidade. Milhões foram arrebatados pela ansiedade, pelo medo e pelo pânico. Outros milhões ainda transitam nas ruas e lugares públicos em plena aglomeração, sem máscaras e sem tomar os devidos cuidados, como se nada estivesse ocorrendo de anormal.

AS TIRADAS TIRANAS DA DITADURA (FINAL)

CANALHA! CANALHA! CANALHA!

No dia 1º de abril (Dia da Mentira), Jango rumou do Rio de Janeiro (Palácio das Laranjeiras) para Brasília. De lá partiu para Porto Alegre e depois para uma estancia em São Borja. Finalmente, voou para o exílio, no Uruguai. De Brasília, o presidente do Congresso, Auro Moura declarou vacância na presidência. Tancredo Neves tascou: “Canalha! Canalha! Canalha”! Era madrugada do dia 2 de abril. O mesmo Auro e um grupo de deputados armados pegaram o Ranieri Mazzilli e disseram: “Vamos para o Palácio, pois o senhor vai ter de assumir a presidência”. Waldir Pires e Darcy ainda imaginavam resistir.

Acompanhou o presidente neste trajeto penoso o general Argemiro de Assis Brasil, chefe da Casa Militar. Depois da missão cumprida, retornou para Brasília. Perdeu patente e pensão. Morreu em 1980 dizendo que o Exército tinha uma dívida para com ele, só que nunca pagou.

Certa vez o general disse que Jango tinha um bom coração; era um boêmio mulherengo bom de copo, mas só sabia governar uma estância. Foi vice-presidente invisível de 1956 a 1961 que todo governante pediu a Deus.

FUGIU PARA MOSCOU

Alardeavam que o Governo tinha um “dispositivo” para abafar qualquer rebelião. O lendário Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, chegou a dizer várias vezes que cabeças seriam cortadas, só que fugiu para Moscou antes do golpe, deixando para trás a mulher grávida Maria, sete filhos e um listão de 74 comunistas que foram indiciados.

O historiador Jacob Gorender relatou em livro vários deslizes e prognósticos calamitosos de Prestes, como seu apoio ao Estado Novo; garantia que seu PCB não seria proibido em 1947; adesão à UDN contra Getúlio em 1954; e em 1964 assegurou a Nikita Kruschev, em Moscou, que no Brasil tinha comunistas até nas Forças Armadas.

Em palestra ao Partido Comunista da União Soviética: Se a reação levantar a cabeça, nós a cortaremos de imediato. Para a Associação Brasileira de Imprensa: Os golpistas terão as cabeças cortadas. No Estádio do Pacaembu, nos 42 anos do PCB, em 29 de março, proferiu a mesma frase. Morreu em 1990 aos 92 anos.

– Dispositivo militar era um exército invisível. O dispositivo que disseram que montei, nunca existiu – confessou o general Assis Brasil 20 anos depois.

Na última hora “do pega pra capar”, os chamados generais do povo e os almirantes vermelhos sumiram de cena. Eram forças invisíveis. Ainda no dia 2 de abril, Brizola defendia resistência à bala. Na casa do general Ladário Telles, comandante do III Exército (Rio Grande do Sul), Jango ouviu dele que tinha muitas armas e homens para acabar com o golpe. “Só preciso que dê ordens”.

– Se for à custa de sangue, prefiro me retirar – respondeu o abatido Goulart.

O general do I Exército, Armando de Moraes Âncora disse que não ia abrir fogo contra os cadetes porque seria um peso que não tiraria mais de cima dos seus ombros. O jornalista do “Correio da Manhã”, Heitor Conny, destacou que o I Exército aderiu aos que se chamavam rebeldes. “Recolho-me ao meu sossego e sinto na boca o gosto azedo da covardia”. Denominou de “Revolução dos Caranguejos”.

Da Câmara, o deputado pelo PSB, Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, incitava: “Quem está nas ruas não é a revolução, é a contrarrevolução. Quem vai salvar o Brasil é o seu povo”. O colega Adauto Cardoso alertou que não anistiaria os promotores da anarquia. Julião ficou trancado no Congresso até o dia 7 de abril e fugiu como carona num taxi de Adauto. Este passou um papel rabiscado para Julião : “Está tudo perdido”.

Consumado o golpe, Castello foi indicado pelo Exército para assumir a presidência da República em votação no Congresso. Aí Tancredo Neves disse para Juscelino: “Eu tenho todos os motivos para votar em Castello e não vou votar. Você tem todos os motivos para não votar e vai”. Quando os militares negaram eleição direta em 1965, Juscelino lamentou: “Cai na armadilha do Castello”.

Tempos depois, numa entrevista em referência ao golpe que derrubou Goulart do governo, Darcy Ribeiro declarou que a culpa foi dos esquerdistas louquinhos que queriam mais caos; queriam sair do caos para o socialismo.

Na imprensa, só o jornal “Última Hora” não celebrou o golpe. O “Correio da Manhã” botou a manchete “FORA!” Uma semana depois, O “Correio” protestava contra a queima de seus exemplares declarando ter sido uma operação com requintes de intolerância e brutalidade de regimes totalitários.

Na marcha da vitória, o arcebispo da Igreja Católica, Dom Jaime Câmara abençoou o movimento dizendo ter contado com o auxílio divino obtido por nossa mãe celestial. O mesmo Dom Jaime abençoou a Passeata dos Cem Mil, em 1968.

Por volta dos anos 80, final do regime, Golbery do Couto, ou “Colt” e Silva deixou o presidente general João Figueiredo, que disse que prendia e arrebentava, mas acobertou os terroristas de farda. O cineasta Glauber Rocha o chamou de “gênio da raça”, enquanto o general Mourão Filho preferiu afirmar que se tratava de um cérebro doentio.

No livro Anatomia das Revoluções, o historiador Crane Brinton cravou que as revoluções começam com esperanças, triunfam sob lideranças moderadas e naufragam no autoritarismo. “A revolução, como saturno, devora os próprios filhos”. Para Hannah Arendt, está fadada ao fracasso toda política de Estado cujo objetivo seja fazer seu adversário desaparecer em silencioso anonimato.

Por que os militares do regime não admitem que os fugitivos, os desaparecidos e suicidas foram barbaramente torturados e assassinados nos porões macabros das casas de terror e nas salas sombrias dos quartéis dos carrascos inquisidores do “Santo Ofício da Ditadura”?

AS TIRADAS EM CONQUISTA

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UMA ARTISTA PLÁSTICA COM EXPLOSÃO DE CORES E MUITA VIDA

Numa explosão de cores e traços fortes, com personalidade, o bucólico se encontra com o surrealismo, o expressionismo e o realismo num trabalho feito com alma e que encanta os apreciadores da arte e até daqueles que não são muito amantes da pintura, se é que eles existem. Tudo soa como uma canção aos ouvidos nas paisagens campestres, na negra de ama amamentando uma criança branca dos tempos dos coronéis e do patriarcalismo.

Assim são os quadros da artista plástica conquistense Maria do Rosário de Carvalho Martins que fala do seu trabalho de forma simples e natural. Como autodidata, não acompanha escolas acadêmicas, mas muitos de suas pinturas emitem a expressão viva de grandes artistas dos séculos passados e dos tempos modernos, que não me arriscaria citar nomes para não pecar por falta de muito conhecimento no assunto.

As imagens já dizem tudo, e quem vê os quadros de Maria Rosário Martins (cerca de dois mil que ela tem em sua casa, no Alto Maron) fica impressionado com a sensibilidade expressa em suas pinturas por transmitir fidelidade. Alguns são enigmáticos e surrealistas onde cada um vê figuras e imagens diferentes. Uns são mais clássicos e outros retratam a vida na terra, com cores vivas e realistas.

É um talento e um dom natural transformados em realidade desde jovem quando começou a dar suas primeiras pinceladas. Maria do Rosário Martins já foi premiada em várias exposições, mas, infelizmente, como acontece aos grandes artistas do nosso país, ainda é pouco reconhecida e valorizada pela sociedade e os agentes públicos.

Um dos seus quadros pode ser visto na Prefeitura de Barra do Choça, que fala da história do município. Pena que seu vasto trabalho de grandeza relevante ainda é visto por pouca gente de amigos que visitam sua residência. Seu acervo merecia estar num museu da cidade, numa casa de cultura, ou num ateliê público, para que todos tivessem a oportunidade de se deleitar e apreciar sua arte.

AS TIRADAS TIRANAS DA DITADURA (I)

Este texto faz parte do livro “Andanças”, lançado recentemente pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. É bom lembrar os fatos para que nunca mais se repitam

A história das revoluções, levantes, rebeliões e golpes está repleta de citações e tiradas de líderes, chefes, comandantes e tiranos que se tornaram imortais. O golpe civil-militar de 1964 no Brasil que se transformou numa ditadura por mais de 20 anos também teve seus protagonistas que deixaram suas marcas, algumas irônicas e outras divertidas e tristes.

O presidente João Goulart era visto nos círculos militares como um cão leproso. Brizola era o mais afoito e pressionava o cunhado para decretar reforma já. Sob as influências das ideias socialistas, as lideranças de esquerda sacudiram os campos e as cidades. As elites burguesas revidavam.O presidente não sabia se atendia a direita ou acomodava a esquerda em seu ninho.

Semanas antes do Comício da Central do Brasil (13 de março), em meio às agitadas reformas sociais, centenas de mulheres rezadeiras com seus terços em mãos impediram Leonel Brizola de realizar um comício em Belo Horizonte. Encurralado, Brizola escapou do tumulto e, para fugir de vez da ira das senhoras, sequestrou um carro apontando um revólver para o motorista.

No seu jornal “O Panfleto”, Leonel Brizola, eleito deputado federal pela Guanabara, com 270 mil votos, escrevia que não eram rosários que iam combater as reformas anunciadas no dia 13 de março.

No Comício da Central, quando Jango anunciou as reformas pediu ao seu assessor de cerimônia Hércules Corrêa que limitasse o tempo da fala do presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), José Serra.

– Vou te anunciar, você dá boa noite, recebe as palmas e encerra, Serra. Não foi isso o que aconteceu. No discurso Serra chamou o general Amauri Kruel de traidor incestuoso.

O cabo José Anselmo dos Santos, “cabo Anselmo”, discursou para dois mil marinheiros no dia 25 de março, no Sindicato dos Metalúrgicos (Rio de Janeiro). Os manifestantes declararam insurreição. O ministro da Marinha, Silvio Mota pediu para sair. Depois do golpe, o cabo passou dois anos em Cuba. Voltou e foi preso, torturado e cooptado pelo delegado Sérgio Fleury que o apelidou de “Kimble”, do filme “O Fugitivo”. Tempos depois dedurou 73 líderes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), em Recife, inclusive sua mulher Soledad.

No dia 28 de março, o ex-governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, o general Carlos Luis Guedes, o marechal Odílio Denys já tramavam os detalhes do Golpe.

– Medo, o diabo não tem. Se ele fosse medroso, não chegaria ao que chegamos – comentou o general Olímpio Mourão. Dois dias depois queria prender Magalhães que num manifesto não pedia a saída de João Goulart. O general Guedes ignorou a ordem.

Na véspera do golpe, Tancredo Neves aconselhou Jango a não ir à reunião do Automóvel Clube. Os generais tramavam impedir o evento. Já o general Ernesto Geisel disse: Deixem que se faça a reunião. Agora quanto pior melhor para a nossa causa. Ele, Golbery do Couto e Silva e Castello Branco fizeram a “revolução” por telefone.

Darcy Ribeiro, o chefe da Casa Civil, o homem que tinha mania de ser imperador do Brasil, abriu, no dia 31 de março, duas caixas cheias de metralhadoras e convocou um grupo de deputados para acabar com a raça dos Udenistas.

– Doutor Jango, o senhor vai me desculpar, mas se o povo não for para as ruas, não tem governo – declarou o presidente da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e da CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria) Clodesmidt Riani.

– Estou negociando com o general Kruel. – Nós vamos é para a greve – respondeu o sindicalista. O povo e a Igreja aplaudiram os golpistas.

O general Humberto Alencar Castello Branco, o cearense que sempre rejeitou tomar parte nos golpes (tentou voltar aos quartéis a tropa de Mourão Filho), gostava de poesia e como irônico não era bem visto pelos seus pares.“Fuja dos generais intuitivos e emocionais. A hecatombe nunca anda longe deles”.

Foi, no entanto, o primeiro a criar um aparelho clandestino e obedecia a um talCoronel “Y”. Mesmo assim, não possuía a senha do movimento como “o bebê nasceu” ou “o trem partiu da estação”. Tinha 63 anos, mas eram 66, pois o pai dele roubou três para garantir gratuidade no Colégio Militar.

Castello recomendou que Carlos Lacerda, o corvo derrubador de governos, que apoiou o movimento militar, deixasse o Palácio Guanabara.

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EM REFEIÇÃO

Depois de pegar no pesado durante todo dia de trabalho, puxando carroça pra e pra cá, felizmente ele teve seu descanso merecido e saiu por aí até encontrar sua refeição sossegada num terreno vazio, com muito capim nesses tempos chuvosos. Ainda tem gente, inclusive carroceiros ingratos e brutos, que praticam agressões e surram animais fazendo pegar peso e trabalhar além do seu limite. Como ele, o burro, seu irmão jumento, também sofre e ainda está sendo levado ao matadouro para servir de carne e pele para os chineses. São animais em extinção que já ajudaram muito o homem, principalmente o sertanejo nordestino, no sustento da família. É muita ingratidão. Este a pastar foi um flagrante do jornalista Jeremias Macário que, com sua máquina, clicou sua bela refeição do dia. Ninguém sabe do seu dono, mas o bom é que naquele momento ele estava se sentindo livre e à vontade.

DE LIVRO NA MÃO

Poema (atualizado) de autoria do jornalista Jeremias Macário

O Brasil vai ter armas nucleares,

Cortar nossa magra educação;

A cultura definhar como cambito;

Todo povo viver em corrida manada;

O meio ambiente sumir pelos ares,

No buraco negro fundo do infinito;

A Amazônia, uma fazenda de boiada;

Os índios morrendo de calamidade;

E todos de armas em punho sem lição.

 

De livro e com a escrita na mão,

Me livro das armas e dessa cilada,

Do soldado a torturar e a matar

Negros e pobres nos tiros favelada.

 

Não vou ser mais lenha na fornalha,

Nem ser boi ferrado, caça de caçada,

Inocente útil de cabeça fútil dominada,

Nem cangalha dessa tropa de canalha.

 

Vou de livro na mão e sair da contramão;

Ser poeta pra falar de razão, amor e dor;

Voar alto e livre nas asas do Condor,

Pra condenar quem nega a ditadura,

Planta veneno e esconjura nossa Sofia,

Mente que não existiu porões da tortura

E ainda tenta roubar o livro da nossa mão,

Pra nos fazer de massa guia de manobra,

Pau mandado e reio cru pra toda obra.

 

CONQUISTA PODE VOLTAR A FECHAR

Precisou realizar uma pesquisa em São Paulo para constatar que os mais pobres e miseráveis estão sim no grupo dos vulneráveis ao coronavírus por vários fatores já conhecidos. Desde março que venho comentando sobre essa questão pelo simples fato do ambiente onde mora esta camada em casebres apertados, sem água potável e serviços de saneamento básico, sem uma alimentação adequada (milhares passam fome) e pela necessidade de deslocamento constante das pessoas para trabalhar, como informais ou não, para a própria sobrevivência.

No entanto, não é este o assunto do qual pretendo abordar. Quero focar a situação da Covid-19 em Vitória da Conquista onde cerca de 800 moradores já foram infectados e, por pressão dos comerciantes e empresários em geral, o prefeito, ou o comitê de crise, resolve abrir as portas de praticamente todas as atividades, inclusive academias, bares e restaurantes. Mesmo com todos cuidados, a população insiste em sair às ruas, muitas das vezes sem precisar.

Como apontam os dados diários de contaminados, os casos só fazem aumentar, e a tendência é que dentro de pouco tempo, o prefeito Hérzem Gusmão, que sumiu e não aparece em entrevistas, como faz o seu colega amigo de Salvador, vai ser obrigado a endurecer novamente e determinar o fechamento das lojas e outros setores da economia, como está ocorrendo na vizinha Itabuna. É só uma questão de tempo e, não é necessário ser especialista ou infectologista, para prever esse retorno do arriar as portas.

Pela sua situação geográfica, numa encruzilhada entre os estados do Sudeste e Nordeste e ponto de entrada e saída para várias cidades da região, Conquista recebe muita gente de fora, sem contar que é uma central de abastecimento comercial e referência na área da saúde. Diariamente, entram centenas de pacientes vindos de várias partes à procura de tratamento, inclusive do coronavírus.

Entendo que essa reabertura geral está sendo precipitada, e o número de infectados pode subir ainda mais, como está acontecendo nas grandes cidades baianas (Feira de Santana, Juazeiro e Ilhéus). Esse abre e fecha cria mais incertezas e abala até o psicológico das pessoas, principalmente daquelas que leva esse vírus a sério e cumpre as regras de isolamento, porque a maioria nem está aí para a pandemia.

Não é somente em Conquista que os dados estatísticos só fazem subir, mas em todo Brasil, um país precário em todos setores, com um povo sem instrução e indisciplinado que só obedece aos decretos e leis na base do ferrão e do policiamento ostensivo, sem contar a ausência de uma liderança central de um presidente que trabalhe em sintonia com estados e municípios.

Por essas e outras, talvez o Brasil seja o único país do mundo a baixar o número de infectados e a sair dessa pandemia, a não ser através de uma vacina. Infelizmente, nosso país é um caso único de bagunça geral onde até corruptos se aproveitam para roubar, Os governantes não respeitam nem os mais de 60 mil mortos e depois agem com falsidade e hipocrisia fazendo campanhas políticas de homenagens. Não acredito nesse embuste de “lamentamos”.





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