outubro 2019
D S T Q Q S S
« set    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  


“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, o companheiro Edilsom Barros fez uma parceria musical, aproveitando a letra “A Dor da Finitude”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de tratar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas do autor do livro estão sendo trabalhados para, em breve, também entrarem no rol das letras musicadas.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

TROCA DE AUTÓGRAFOS ENTRE JORNALISTA E FOTÓGRAFO EVANDRO TEIXEIRA

A visita inesperada do renomado fotógrafo nacional e internacional, Evandro Teixeira, na tarde do último domingo (dia 20/10), no “Espaço Cultural a Estrada”, aconteceu de forma descontraída pela sua simplicidade, mas terminou sendo memorável pela troca de autógrafos entre o jornalista e escritor Jeremias Macário e o profissional das lentes que já registrou vários acontecimentos da humanidade, não só no Brasil como em outros países.

O fotógrafo que esteve em Vitória da Conquista, participando do XIII Colóquio Nacional e VI Colóquio Internacional sobre “Distopia, Barbárie e Contraofensivas no Mundo Contemporâneo”, realizados pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Ueb, foi convidado a conhecer o Espaço Cultural pelo artista escultor Edmilson Santana, responsável pela instalação de uma exposição sobre o tema, no Museu Pedagógico Padre Palmeira, inclusive da mostra fotográfica de Evandro Teixeira, relacionada com a ditadura civil-militar de 1964.

Recebido por Macário, sua esposa Vandilza e familiares, a visita rápida de Evandro que, infelizmente, já estava de partida para o Rio de Janeiro, foi uma surpresa agradável e rendeu bons frutos, e o começo de uma forte amizade. Na ocasião, o jornalista autografou seus livros “Uma Conquista Cassada –cerco e fuzil na cidade do frio” e o seu mais novo “Andanças” para o famoso visitante.

Em contrapartida, Evandro deixou sua dedicatória em sua obra “Passeata dos 100 Mil”, da L Textual, que contém célebres fotos de 1968, em plena ditadura, quando o repórter fotográfico trabalhava para o Jornal do Brasil. Foi um momento de muita emoção receber o carismático fotógrafo no nosso Espaço Cultural que, além da ditadura no Brasil, retratou o velório do poeta chileno Pablo Neruda, Prêmio Nobel de Literatura, e realizou coberturas históricas sobre povos excluídos no mundo, como dos curdos, zapatas e palestinos.

DISTOPIA, BARBÁRIE E RESISTÊNCIAS NAS INSTALAÇÕES DE EDMILSON SANTANA

A instalação de quatro exposições de nível nacional e internacional do escultor conquistense, Edmilson Santana, no Museu Pedagógico Padre Palmeira, expressou e resumiu tudo do que foi discutido no XIII Colóquio Nacional e VI Colóquio Internacional, realizado nas dependências da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, na semana passada, com o tema principal “Distopia, Barbárie e Contraofensivas no Mundo Contemporâneo”.

Seu trabalho, que deve ficar pouco tempo no local (uma pena), que faz uma forte crítica sobre a educação no Brasil “Ducação” como está lá exposto e também nos dizeres “Fexado pra Balansso”, e cadeiras escolares quebradas, amarradas por cordas no teto, mostram como o ensino está sendo “pisoteado e machucado” por anos de governantes relapsos, corruptos, inconsequentes e incompetentes. Ao visitar, deixe, livremente, seu recado no grande mural da liberdade.

UM “SOCO” EM NOSSA SOCIEDADE

A mostra causa um impacto logo na entrada e tem uma sinergia muito forte. É um “soco” bem dado em nossa sociedade que só visa o consumismo, como bem desabafou o artista. Pela sua ousadia e criatividade, merece ser visitada, principalmente, por jovens estudantes, professores, artistas, intelectuais e por todo cidadão, pela sua mensagem política e social de distopia, barbárie e contraofensivas.

Edmilson tocou no âmago sensível da educação, que homenageia ainda os educadores Anísio Teixeira e Paulo Freire, mas também apresentou as distorções e anormalidades da nossa contemporaneidade, como a mídia das Fake News, especialmente nas redes sociais, entupidas de raivas e intolerâncias. Mostra o passado das máquinas de datilografia. O visitante ainda tem o privilégio de ouvir e refletir a narração de uma mensagem poética e crítica, gravada no texto do artista-compositor Arnaldo Antunes.

O escultor, com sua peculiar sensibilidade artística, escancarou as feridas abertas da ditadura através das fotos imortais do fotógrafo Evandro Teixeira, que se fez presente aos colóquios e ao Museu, quando falou da sua trajetória de coberturas jornalísticas no Brasil (Jornal do Brasil), no Chile, na morte do poeta Pablo Neruda, e em várias partes do mundo, retratando povos excluídos, sem uma pátria própria, como os curdos, zapatas e palestinos.

CONTRAOFENSIVAS

As imagens de Edmilson, que nasceu em Itapetinga, mas veio para Vitória da Conquista ainda criança nos braços da sua mãe, dizem tudo e valem a pena serem visitadas, porque estamos ficando inerte e precisamos nos indignar e reagir contra as barbáries e os retrocessos, como as ditaduras e as tiranias que roubam de nós a liberdade de expressão e a democracia. Muitos povos, inclusive da América Latina, já estão fazendo suas contraofensivas, não aceitando a ultraconservadora fascista que quer impor a barbárie social, como está figurada nas instalações de Edmilson Santana.

Ainda dentro do tema dos colóquios, a montagem do escultor Santana apresenta em sua arte uma exposição de contraofensivas da humanidade contra a estupidez. Destaca a realização da 3ª Internacional Comunista que está completando 100 anos, onde os trabalhadores do mundo foram convocados para se unir em oposição ao capitalismo explorador e ganancioso dos patrões.

Seu trabalho mostra também a reação dos estudantes e dos brasileiros contra o regime ditatorial na célebre “Marcha dos 100 MIL”, em 1968, fotografada por Evandro Teixeira, com quem tive uma rápida conversa em visita à minha casa. Suas fotos hoje têm o reconhecimento nacional e internacional, e Edmilson soube bem captar a mensagem através das botas militares de extensos cadarços, complementando as imagens do que foi aquele regime opressor de mais de 20 anos em nosso país.

OS COLÓQUIOS

Sua mostra retratou justamente a forma de resistência na história dos povos, que também passam pela utopia (o sonho de suas realizações), a distopia (as anormalidades dos órgãos), e a resistência encorajadora para alcançar os objetivos pretendidos, na base da luta, como bem explicou o professor Cláudio Felix, organizador dos colóquios, realizados na Uesb e no Museu Padre Palmeira, que debateram Educação em Tempos de Barbárie e Distopias –um olhar para o suicídio, drogas e gêneros.

Esse capítulo e os  colóquios tiveram mesas redondas, conferências e temáticas sobre religião, repressão e resistência na formação social e política no Brasil; educação pública brasileira; as evidências da ditadura militar; o debate atual sobre a desconstrução e construção das identidades do gênero e feminismo; história, trabalho, educação e cultura camponesa – modos de luta pela terra; democracia, violência e anti-intelectualíssimo; infância e educação infantil; preto de cabelo feio: vivenciando o racismo; diálogos conexos – linguagem, arte e cultura como resistência à barbárie contemporânea, dentre outras discussões, captadas e interpretadas nas instalações impactantes do escultor Edmilson Santana.

For de resistência à ditadura civil-militar na foto de Evandro Teixeira – instalação de Edmilson Santana

Instalação de Edmilson Santana, no Museu Pedagógico Padre Palmeira

“PRESENTE DE GREGO”

Carlos Albán González – jornalista

Era o dia 18 de maio de 2011. No luxuoso e prazeroso Hotel Transamérica, em Comandatuba, na Bahia, estavam reunidos alguns dos maiores pesos pesados do empresariado nacional, convidados pela Odebrecht para ouvir uma palestra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a política econômica dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Ninguém poderia imaginar que naquele instante estava sendo “embrulhado” um “presente de grego” de um torcedor de futebol ao seu clube de coração.

Entre goles de uísque importado 12 anos, Lula, que havia completado oito anos na Presidência da República, levou para uma sala reservada do hotel Emílio e Marcelo (pai e filho) Odebrecht. Sem rodeios, na presença de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, pediu que o gigantesco conglomerado construísse, na distante região de Itaquera, em S. Paulo, um estádio para o seu clube, o Corinthians.

Aquele encontro no litoral baiano aproximava os interesses das duas partes: Lula pretendia ampliar o leque de apoio ao seu partido, visando futuras eleições, abraçando a numerosa torcida do seu “Curintia”, na dicção do petista; a Odebrecht olhava com bons olhos o volume de construções anunciadas pelo governo de Dilma Rousseff, o que incluía as Olimpíadas de 2016.

Mas Lula tinha outros planos, que começaram a ser costurados um ano antes, com a visita do francês Jérôme Valcke, secretário da FIFA, ao Brasil, para inspecionar os estádios que receberiam os jogos do Mundial. Influenciado pelo petista e pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que não escondia sua antipatia ao São Paulo F. C., Valcke, que, depois da Copa, acusado de corrupção, foi banido do futebol, vetou o “Cícero Pompeu de Toledo”, o Morumbi, na época, o estádio mais moderno do país, com capacidade para mais de 100 mil pessoas, localizado numa região de fácil acesso da capital paulista.

Estava decretado: o estádio dos paulistas na Copa seria o “Itaquerão”, cujo orçamento inicial de R$ 450 milhões aumentou, no transcurso da obra, executada às pressas (um “poleiro” provisório foi colocado para a partida inaugural, em 14 de junho, a fim de atender uma das exigências da FIFA), para R$ 1,2 bilhão, dinheiro emprestado pelo BNDES e Caixa Econômica Federal (CEF).

No dia 31 de agosto de 2016, a Câmara dos Deputados afastou a petista Dilma Rousseff da Presidência da República. Começava um processo de transição na filosofia política do Brasil, concluído no dia 1º deste ano com a posse do palmeirense Jair Bolsonaro.

Os corinthianos, evidentemente, não esperavam essa drástica mudança  nos gabinetes do governo, em Brasília, incluindo seu torcedor mais famoso, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente do clube, o espanhol-andaluz e deputado federal (PT-SP) Andrés Sánchez. De um dia para o outro o Corinthians se viu responsável por uma dívida bilionária, reputada pela revista “Exame” como “o maior golpe do dinheiro publico do país”.

:: LEIA MAIS »

AGENTES DE TRÂNSITO TEMEM VIOLÊNCIA

O trânsito nas médias e grandes cidades do nosso país tem ficado cada vez mais pesado e caótico, sendo conduzido por pessoas sobrecarregadas no corre-corre do dia, aumentando o número de acidentes, inclusive com vítimas fatais. Além do estresse, conta a falta de educação e individualismo onde não se respeita o outro. Na pressa, muitos motoristas comentem infrações de todo tipo, como estacionamento em local proibido, uso do celular ao volante, avanço dos sinais e dirigir sem o cinto de segurança.

Para fazer cumprir a lei, entram os agentes de trânsito para multar os infratores, e é nessa abordagem que esses profissionais sofrem ameaças verbais e até físicas, como vem acontecendo em Vitória da Conquista, que atualmente conta com mais de 140 mil veículos em circulação, além do fluxo de carros de outras cidades durante a semana. Para atender a todo este contingente, Conquista tem pouco mais de 80 agentes trabalhando, número este insignificante.

VIOLÊNCIA

Para relatar esta situação de violência, os agentes de trânsito estiveram ontem (dia 18/10) na sessão da Câmara de Vereadores, e o seu representante, Tiago Silveira Barros usou a Tribuna Livre para denunciar uma série de ameaças que os profissionais sofrem no dia a dia, e dizer que a cidade, de cerca de 350 mil habitantes, necessita de mais fiscais para atender a demanda.

Além de enumerar vários pontos reivindicatórios da classe, Tiago afirmou que muitos motoristas quando são abordados partem para a violência, não sabendo que eles, os agentes, estão simplesmente fazendo seu trabalho como qualquer outro profissional. No caso deles, fazer cumprir o código de trânsito, como determina a lei. Alegou que os colegas estão trabalhando sob pressão e pedem apoio do legislativo.

Ainda com relação aos problemas do trânsito em Conquista, o vereador Coriolano Moraes, do PT, em tom de revolta, denunciou as irregularidades do transporte coletivo, principalmente quanto ao uso clandestino de vans e aplicativos que atuam na cidade sem nenhuma regulamentação, prejudicando taxistas e empresas de ônibus que são obrigados a seguir as normas e pagar impostos e taxas para transportar passageiros.

De acordo com Coriolano, o prefeito está cometendo crime de prevaricação por não regulamentar o transporte alternativo em Conquista, que foi invadida por veículos clandestinos, os quais levam vantagem na concorrência com aqueles que cumprem suas obrigações e atuam dentro da lei. Disse que o quadro é caótico e precisa, com urgência, ser corrigido. Ele ameaçou entrar com um processo contra o poder público, para que se faça cumprir a lei.

PLANETA LIXO

O nosso planeta terra, que bem poderia ser chamado de água, como bem retratou o cancioneiro Guilherme Arantes, poderia também ser denominado de lixo, de tanto o homem sujar em nome da ganancia do lucro e da economia, sem se importar com a destruição do meio ambiente. A foto do jornalista Jeremias Macário, no município de Ituaçu, espelha a situação da maioria das cidades brasileiras que não têm aterro sanitário e jogam o lixo na terra, sem o devido tratamento. Como bem diz o título, é o planeta lixo em que a nossa terra está se transformando, principalmente os resíduos tóxicos, como os hospitalares, os plásticos e os eletrônicos. Ninguém quer saber de reduzir o consumo, mas produzir cada vez mais. O que será das novas gerações? Deixarão de existir porque a terra não suportará com tantas sujeiras, sem contar o aquecimento global advindo do gás carbônico.

FLOR E DOR

Vou contar pra você, seu moço!

Quando ainda ginasiano,

No declinar do verbo latino

Ouvia falar e ainda ouço

Que toda poesia

Como piano, a flauta e o violino

Que comandam a sinfonia

Tinha que ter flor, luar e amor.

 

O poeta tinha que saber imitar

O canto do sabiá e da cotovia;

Tinha que ser melancólico,

Pálido, alcoólico e doente;

Ser o pôr-do-sol poente

Pra falar da angústia,

Dor e sofrimento da gente;

Viver como um bem-te-vi;

Andar como cigano;

Ser boêmio e até insano;

Passar noites sem dormir,

Como um penado zumbi;

Ser bem íntimo da morte;

Isalar o cheiro da depressão;

Abalar todo coração

Das mulheres românticas

Doces, sensuais e platônicas;

Ser a cápsula do tempo;

Comer dos manjares dos deuses;

Ser irmão do ar e do vento;

Renegar todo sacramento;

Ser orvalho do amanhã sereno;

Conversar com Zeus;

Provar de todo veneno;

Entender os fariseus,

E pelo menos ter

Uma musa inspiradora,

Não importando,

Se obtusa, confusa ou pecadora.

CÂMARA PRORROGA EMPRÉSTIMO E MONITORES ESCOLARES PEDEM APOIO

Numa sessão que começou com atraso de uma hora, marcada para às 9 horas de ontem (16/10), por causa de conversações em reservado entre seus parlamentares, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista prorrogou por mais tempo a votação do empréstimo de 60 milhões de reais à Caixa Econômica Federal, solicitado pela Prefeitura Municipal, para realização de obras de cobertura asfáltica e iluminação em vários bairros da cidade.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da Casa, Luciano Gomes, explicou que o adiamento da votação foi feito pela prefeita em exercício, Irma Lemos, mas o fato é que ainda não existe um consenso para o fechamento do acordo entre os vereadores, para levar o projeto à apreciação da plenária.

A oposição alega que o empréstimo pode endividar mais ainda os cofres do município, cujo executivo acabou recentemente de tomar 45 milhões. Na verdade, os parlamentares estão de olho em suas emendas, para beneficiar suas localidades e garantir votação nas próximas eleições de 2020.

Os monitores pedem ajuda

Enquanto se discute o empréstimo de 60 milhões, os monitores da educação, na totalidade de mulheres, fizeram, ontem, (dia 16/10) um movimento em frente da prefeitura, e depois rumaram para a Câmara onde usaram a Tribuna Livre para pedirem ajuda do legislativo, no sentido de que a classe seja reconhecida em seus direitos profissionais.

Acima de tudo, as monitoras querem aumentos salariais através de um plano de cargos para a categoria, argumentando que o profissional da educação trabalha hoje com um planejamento pedagógico, muito além de brincar e cuidar das crianças, e que muitas têm até formação de pós-graduação. Falaram da responsabilidade que exercem nas creches, sem o devido reconhecimento por parte do poder público.

Logo após expor suas carências nas escolas municipais, com atividades cansativas durante o dia a dia, as monitoras entregaram uma minuta de solicitações ao presidente da Câmara e seguiram em protesto para a sede da Secretaria da Educação, com o mesmo objetivo.

Saudação aos professores

Como terça-feira (15 de outubro) foi comemorado o Dia do Professor, os vereadores, que usaram da palavra, aproveitaram a sessão dessa quarta-feira para saudar a classe, hoje tão desprestigiada no país diante das dificuldades postas pelo sistema educacional deficitário, sem contar a violência existente nas salas de aula. Com já se sabe, o Brasil tem hoje um dos piores índices no ranque da educação, em relação a outras nações do mundo, principalmente as mais civilizadas. O ensino tem uma baixa qualidade, sem levar em conta que os professores ainda são mal remunerados e penam muito para dar conta de seu árduo ofício.

DEPOIS DAS CHAMAS, O ÓLEO

É, o Brasil virou um território de tragédias e uma sucessão de absurdos por conta dos governantes que tivemos nos últimos anos, com roubalheiras e escândalos. O povo sempre leva a pior num completo cenário de impunidades. Uma catástrofe vai roubando a cena da outra, como a Amazônia em chamas, e agora o desastre do óleo nas praias do Nordeste e o desabamento num prédio de sete andares em Fortaleza, no Ceará.

Não dá para acreditar nessa de que Deus é brasileiro. Aliás, Ele não tem nada a ver com as trapalhadas dos trapalhões que há séculos fizeram do nosso país uma terra de ninguém. Criminosos mais procurados em outras nações entram em nossas fronteiras, e só muitos anos depois é que descobrem. Agora vem o óleo do mar sujar nossa costa nordestina e ninguém sabe detectar qual navio despejou essa carga poluidora e destruidora do meio ambiente.

SEM PROTEÇÃO

A sensação que temos é que o nosso Brasil não tem vigilância e proteção. O tráfico de drogas e armas corre solto nos limites do Paraguai, Bolívia e Colômbia, principalmente. Gostaria de saber, qual o papel fundamental das forças armadas (exército, marinha e aeronáutica)? Defender o país de ações maléficas externas, ou ficar combatendo marginais e bandidos nos morros e apagando fogo nas florestas?

Na época da ditadura civil-militar de 1964, que durou mais de 20 de terror, o maior inimigo era o interno, chamado pelos generais de comunistas e terroristas. E agora, os brasileiros continuam ainda sendo os maiores inimigos? Temos hoje uma pátria desalmada e não amada, como diz o slogan.  Uma pátria que não cuida de seus filhos, não merece ser chamada de amada.

Mas, vamos ao caso do óleo derramada no mar que atingiu todo o Nordeste, sempre essa região sofrida levando a pior, porque ninguém mais comenta o fogo que destruiu milhares de hectare da Amazônia. Depois de mais de um mês do ocorrido, todos órgãos e instituições, chefiados por incompetentes, ficam a bater cabeça, e só dizem que o produto tem procedência venezuelana. Cadê a nossa briosa marinha que até o momento não conseguiu descobrir qual navio cometeu o ato criminoso, que nem isso tem certeza se foi, ou um acidente.

SEM RESPONSÁVEIS E PUNIÇÃO

Aqui é o reino da impunidade, principalmente agora que o homem psicopata e despreparado de extrema-direita deu a senha para a destruição da natureza e incentiva até crianças andarem armadas. Se estava ruim, agora piorou mais ainda. Na nossa “pátria amada”, sempre está desabando um prédio com inúmeras mortes, como agora, em Fortaleza. Aliás, como tantos outros, o edifício de sete andares nem existia, porque há 40 anos não tem registro e alvará na prefeitura.

Logo que a desgraça acontece, a mídia começa a entrevistar Corpo de Bombeiros, Conselho de Engenharia, prefeitura e outros órgãos, e nunca aparece os verdadeiros responsáveis porque um fica jogando a “batata quente” para o outro. Se não existe responsáveis, também não há punição, e logo ocorre outro desmoronamento com 10, 20 e até mais de 50 mortes. Aí começa o “blábláblá” de sempre.

Só para lembrar, meus amigos, o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal Superior de Justiça, a própria Câmara dos Deputados e o Governo juntos vão abrir as portas para soltar os poucos punidos pela Operação Lava Jato, acabando com a prisão dos julgados em segunda estância. Agora o criminoso vai poder recorrer “ad infinitum” até prescrever. Uma coisa é certa, só vai beneficiar os ladrões e bandidos de colarinho branco.

 

UM BRASIL VIOLENTADO E CENSURADO

Lá vamos nós outra vez nessa “gangorra desse vai e vem…” como bem expressou o poeta angustiado e profeta baiano Raul Seixas. A maior parte desses 519 de história, tivemos um Brasil proibido, violentado e censurado, no vai-vem do fechamento e da abertura de suas portas, com algumas janelas cerradas. Durante mais de 300 anos vivemos sob o jugo de Portugal que proibia até a instalação de uma gráfica nesse território de submissão e opressão.

Portugal proibia a instalação de tipografia e a publicação de qualquer material impresso, sem a permissão do rei. No entanto, em 1706, Pernambuco tentou montar máquinas tipográficas, mas sem sucesso por causa da proibição. Em 1747, no Rio de Janeiro, houve outra tentativa de Antônio Isidoro da Fonseca, que foi condenado, preso e exilado.

Veio D. João VI, em 1808, e trouxe em sua bagagem todo material tipográfico necessário para montar na colônia a Impressão Régia, visando divulgar atos e acontecimentos da corte. Aparecia aí uma réstia de luz da liberdade no fundo do túnel. A imprensa no Brasil surgiu mesmo em junho de 1808, com Hipólito José da Costa, com o Correio Brasiliense, cuja impressão era feita em Londres e entrava no Brasil de forma clandestina.

O país viveu a monarquia até 1889 e ingressou numa República atabalhoada de governantes ora liberais, ora ditatoriais, como dos 15 anos de Getúlio Vargas (1930 a 1945) e os mais de 20 do duro regime civil-militar, implantado pelo golpe de 1964. Quem ler a história vai perceber que a maior parte desses 519 anos foi de opressão e censura. O povo terminou incorporando o complexo de vira-lata de Nelson Rodrigues, e sempre baixa a cabeça para qualquer senhor-patrão.

A VOLTA DA CENSURA ESCANCARADA

Por volta de 1985 entramos numa fase da redemocratização lenta e gradual. As ideias se evoluíram e lá fomos nós se deleitar com a liberdade de expressão e criação até pintar agora, em 2019, o governo de um capitão despreparado e trapalhão que começa, aos poucos, a censurar novamente o Brasil, em nome moralizante dos bons costumes morais, da família, dos jovens e da pátria, com uma ideologia ultraconservadora, que ele próprio nega não ter.

Ai, meus amigos, volto ao nosso poeta-profeta Raul quando diz “essa estrada não tem saída”… e tem gente que “agrada a Deus, fazendo o que o diabo gosta”… “Fecha a porta, abre a porta”. …“quero saber o que você estava pensando”. …”Se você correu tanto e não chegou a lugar nenhum, bem-vindo a século XXI”. Não vou ficar aqui o tempo todo citando o poeta cantor e compositor. É só ouvir as verdades do cara, pois “quem sabe faz a hora, não espera acontecer, ” como bem desabafou Geraldo Vandré, nosso Bob Dylan do sertão que, junto com José Ramalho, falaram de povo marcado como gado, sendo conduzido para o curral da matança.

Novamente, em pleno século XXI, estamos sendo ferrados com a censura por inquisidores e defensores da tortura que acham que estão em plena Idade Média, quando milhares, a partir de 1184, pelo Papa Lúcio III, foram punidos, torturados e queimados na fogueira pela Igreja Católica, toda vez que alguém não aceitava os ensinamentos da mencionada instituição. Engana quem acha que a inquisição passou, e o pior ainda é o silêncio da grande maioria, principalmente, de artistas e intelectuais do Brasil, submisso e oprimido.

O cara começa cortando qualquer trabalho artístico que se refira à comunidade LGBT, ou, no seu conceito, seja imoral e fora do seu pensamento ideológico, cujo patrocínio venha de um órgão oficial ou empresa estatal, como se fossem propriedades dele e não do povo. Brotam, apenas, algumas meras tímidas reações. Foi dado o primeiro passo para ele introduzir, oficialmente, a censura geral a qualquer obra, mesmo que seja independente, ou promovida pelo setor privado.

NA SOLEIRA DA PORTA

Quem viver, verá a porta se fechar por completo. Alguém aí lembra do poema de Maiakovski que fala sobre o sujeito que invade seu quintal, seu jardim de flores e você nada faz, até que um dia ele entra em sua casa e leva tudo. O capitão-presidente Bozó e seus asseclas já estão na soleira da nossa porta, como fez o pastor-prefeito Crivela, censurando um quadro numa bienal de literatura, no Rio de Janeiro.

As provas do Enem não podem mais conter conteúdo ideológico, como se isso pudesse ser possível de alcançar. Como dar uma aula, ou realizar um concurso isentos de qualquer tipo de ideologia? Se não se pode expor o pensamento progressista de esquerda, socialista ou comunista, entra, então, o de direita liberal, ou o ultraconservador de extrema, que é o nosso caso atual, com viés fascista, embora o “comandante” e seus seguidores não assumem ser, ou têm vergonha de se identificar como tal, e partem para a violência verbal e até física.

O capitão-presidente quer estabelecer a barbaridade imbecil de que seu governo não tem ideologia. Isso não existe em nenhuma parte do mundo. É a filosofia do nada, o niilismo. Somos um ser, essencialmente político – como já falavam Platão e Aristóteles há mais de dois mil anos. Não podemos aceitar este absurdo de caráter falso e demagógico em nome da pátria, família e dos valores morais. Tudo isso soa a falsidade repugnante. Provavelmente ele está escondendo algo podre de nós, que um dia será revelado.

A verdade, meu caro, é que a censura está chegando para ficar, relembrando os tempos coloniais. Primeiro nas artes e na mídia, e depois na crítica política de oposição, que já está aparecendo com sua navalha cortante. O mais triste de tudo é que não está ocorrendo a indignação à altura por parte do ministério público, das entidades e instituições que se auto proclamam guardiãs da liberdade, para botar o povo nas ruas e protestar com rebeldia. Nesse barulho arrasador, o que mais nos incomoda é o silêncio dos bons.

 

 

SOU MAIS AS CAPELAS

Como bem diz o título, sou mais as capelas do que as catedrais. Nas capelas habita a simplicidade das pessoas que são mais autênticas e sinceras, enquanto as catedrais são mais frequentadas por gentes pedantes, hipócritas, moralistas e falsas que aparentam ser uma coisa, mas no fundo são outra. Nas catedrais existem mais lobos com peles de carneiros. Muitos nem são religiosos, e vão atrás de outros interesses, como acontece com os políticos, visando angariar votos. Só aparecem em épocas de festas. Quanto as capelas, são visitadas por pessoas honestas, mais fervorosos e que têm fé. Nelas pode-se confiar e ainda são prestativas e ajudam o próximo, sem outros interesses individuais. Nelas, existe o sentido de coletividade e irmandade. A foto desta capela, num povoado de Itaberaba, é mais uma, entre outras, do jornalista Jeremias Macário.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia