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Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

AS TRIBOS QUE FORMARAM ROMA E CONSTRUÍRAM O MAIOR IMPÉRIO

NA VISÃO ANALÍTICA DO HISTORIADOR M. Rostovtzeff

Pouco se conhece da história primitiva romana dos mil anos a.C.. Da sua fundação, por volta dos anos 753 a.C. até os séculos IV e III, algumas informações foram compiladas dos gregos que exerceram grande influência no desenvolvimento político, social e religioso de Roma, através dos historiadores e filósofos da helenização grega. No século IV a. C. se deu a unificação política italiana com as conquistas contra os etruscos, équos volscos, samnitas e tribos gregas.

A Itália conseguiu criar um poder único, o que não foi possível com a Grécia com suas cidades-estados, apesar do seu gênio criador. Historiadores como Políbio procuraram encontrar explicações para este fato. De acordo com o autor do livro “História de Roma”, de M. Rostovtzeff, os filósofos atribuíram o êxito de Roma à virtude de seus cidadãos e a perfeição da Constituição. Os romanos colocaram em prática o ideal criado muito antes pelos filósofos gregos, a partir de Platão.

Sobre a história de Roma, os dados mais precisos foram os copiados pelos escritores romanos, entre 100 a.C e 100 D.C. do historiador grego Timeu, natural de Tauromenium, na Sicília, que viveu em fins do século IV e primeira metade do século III a.C.. Na Itália havia a raça etrusca que pode ter criado uma tradição histórica mais antiga, cuja língua e escrita eram ininteligíveis.

ORGULHO NACI0ONAL

Explica o pesquisador do livro que o orgulho nacional romano e o papel que Roma começava a desempenhar na família dos impérios helênicos exigiam que ela tivesse uma história própria que contasse suas origens. Helenizados no sul da Itália, Ênio e Névio escreveram sobre as guerras púnicas. Entre os romanos que tiveram papel importante em fins do século III a.C., se destacaram Fábio Pictor, Cíncio Alimento, Caio Acílio e Cássio Hemina.

Os próprios gregos fizeram uma ligação fantasiosa entre a história antiga de Roma e a mitologia grega. Eles conseguiram uma narrativa mais ou menos completa, desde a chegada de Enéias, quando este herói fugiu para a Itália após a captura de Tróia, até a época em que já se podia utilizar fatos mais autênticos, preservados de uma forma legendária pela tradição oral. Para os tempos mais remotos, as obras dos historiadores romanos, segundo Rostovtzeff, são praticamente inúteis. Os resultados das pesquisas arqueológicas na Itália foram de grande valor em se tratando das eras primitivas, desde a Antiga Idade da Pedra.

Em termos geográficos, a Itália se assemelha à Grécia. A península apenina é uma continuação da Europa Central que se prolonga pelo Mediterrâneo. Os grandes rios da região, o Ródano a sudeste, e o Reno ao Norte, nascem nos Alpes e era possível seguir-lhes o curso até os desfiladeiros que levam  à Itália, e descer dali pelos vales dos rios, na maioria tributários do Pó.

Na parte do Ocidente existe uma cadeia de vulcões, principalmente na Etrúria, Lácio, Campânia e nas ilhas adjacentes, inclusive na Sicília com planícies muito férteis, cortada de rios que correm da cadeia central para o mar Tirreno. O maior deles é o Tibre que divide um dos vales em duas partes, o Lácio e a Etrúria.

Essas condições tornaram a Itália mais acessível às tribos da Europa Central e aos navegadores do Oriente. Ambos se sentiam atraídos pelas riquezas naturais. Os pastores e agricultores eram tentados pelas pastagens excelentes e campos férteis. Os imigrantes do leste procuravam os portos do sul.

Os povos da Europa Central e Oriental e da Ásia Menor atingiram o país pelo norte e pelo sul. Os mais antigos habitantes eram os ligúrios e iberos, ligados aos aborígines da Espanha e da Gália. Segundo o autor do livro, os mais antigos colonizadores da Europa Central eram lacustres que viviam em palafitas e lagos. Os povos dividiram-se em três grupos, cada qual com um dialeto diferente de uma língua semelhante ao celta. Tratavam-se dos úmbrios, no norte, os latinos, no curso inferior do Vale do Tibre, e os samnitas, que se fixaram nos montes e vales do sul da península.

No sul, toda a faixa da costa, inclusive a Campânia, no oeste, foi ocupada após o século VIII a.C. por imigrantes da Grécia. Os últimos invasores foram os celtas, a quem os romanos chamavam de gálios, vindos da região que hoje é a França e do Vale do Danúbio. No século VI ocuparam o Vale do Pó, expulsando os etruscos.

A ITÁLIA DE 800 A 500 a. C.

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A CARRANCA E O TEMPO

Foto do jornalista Jeremias MacárioEm pleno agreste do sertão, Juazeiro nos recebe com esta arte secular da carranca, símbolo da terra dos vapores e barcos que sobem e descem o Velho Chico, transportando passageiros e mercadorias. O pássaro contempla a paisagem seca da caatinga que, com a água do rio e a mão do homem, produz frutas para o Brasil e o exterior. A seguidão é triste para o homem forte do sertão na luta pela sua sobrevivência, mas dá esperança quando cai a chuva e faz brotar o verde. O triste é também belo, como o mandacaru que resiste ao tempo das estiagens.

SERTÃONESTE

De autoria do jornalista Jeremias Macário

macariojeremias@yahoo.com.br

A corda está cara

Couro cru não tem mais

Então, vai mesmo de pano,

Este corpo veio que virou vara

No Nordeste bíblico desumano.

 

Sertãoneste carrasco de aço

Do rachado chão do agreste

Cordel viola e compasso

Que renasce como a Fênix

E valente ergue o Sudeste.

 

Sertãoneste do bravo Corisco

Todo riscado de espinho

Que das cinzas rompe o verde,

Da serra corre o São Francisco

Pra irrigar o fruto e o vinho.

DE BRUMADO PARA A DINAMARCA

Carlos González – jornalista

A exemplo de milhares de garotos de sua idade, José Francisco dos Santos Júnior sentiu muito cedo, com apenas 13 anos de idade, a necessidade de tomar um rumo em sua vida. Com as bênçãos dos pais, o abraço dos irmãos e dos companheiros de peladas, e um beijo da namorada, ele partiu em busca de uma oportunidade num dos grandes clubes do país.

Júnior embarcou em um ônibus na Rodoviária de Brumado, distante 135 kms. de Vitória da Conquista, com destino a Belo Horizonte. Na sua pequena bagagem levava o sonho de um dia vestir a mesma camisa azul celeste do Cruzeiro, que projetou Ronaldo Fenômeno para o futebol no mundo. Afinal, com mais de 1,80 m. de altura tinha o porte de um centroavante goleador.

Baiano ou Brumado, como era chamado pelos seus companheiros de alojamento na Toca da Raposa, passou dois anos (2013 a 2015) no chamado “come-e-dorme” do Cruzeiro. Dispensado, não desistiu da carreira de jogador de futebol. Procurou o Bahia, que lhe promoveu ao profissionalismo e abriu o caminho para a convocação à Seleção Brasileira Sub 20.

Das altas temperaturas do sertão baiano ao frio e dos dias sombrios da região nórdica da Europa. Esse vai ser o longo caminho a ser percorrido pelo jovem sertanejo baiano, hoje com 19 anos, “vendido” pela quantia de R$ 9,5 milhões – uma parte fica com o empresário – ao Midtjylland, atual campeão da Dinamarca, sediado na cidade de Herning. Caso o jogador seja transferido para outro clube, o Bahia terá direito a 12% do negócio. Como será sua adaptação num país cuja população é acusada de xenófoba? Só o futuro dirá.

Um comércio desumano

Os clubes brasileiros, principalmente aqueles que estão nas primeiras posições do ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mantêm em áreas privativas, separados dos profissionais, crianças e adolescentes, oriundos de famílias pobres das mais distantes regiões do Brasil.

Como gado em regime de engorda, esses jovens sonhadores, com pouco tempo de frequência escolar, são acompanhados por treinadores, nutricionistas e médicos. Estão sendo lapidados para serem negociados, por milhões de dólares, com clubes da Europa, China, Japão e Oriente Médio.

Moram em alojamentos sem as mínimas condições de salubridade, com pouco espaço de locomoção e de fuga, dormindo em beliches. Essa conjunção de erros se adequam com os contâineres instalados pelo Flamengo, o clube de maior torcida do país, que, nos últimos dias, ocupou grandes espaços da mídia: o Brasil, cenário de tantas tragédias, chorou a morte, com requintes de homicídio culposo, de dez garotos, entre 13 e 17 anos.

Se a irresponsabilidade dos dirigentes mancha o pavilhão rubro-negro da querida agremiação brasileira, o leitor pode imaginar o que acontece nos clubes do Norte e Nordeste do país. Assistimos, no mês passado, à Copa São Paulo de Futebol Júnior, que reuniu atletas com menos de 20 anos de 128 equipes, representando todos os estados e o Distrito Federal.

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E AS TRAGÉDIAS CONTINUAM CEIFANDO VIDAS NO EMBALO DA IMPUNIDADE

Imagine mais de 300 vítimas agonizando num vale de lamas de minérios! Imagine jovens adolescentes sufocados pelo fogo e por uma nuvem de fumaça tóxica, numa luta de segundos, tentando salvar suas vidas!  Instantaneamente, as notícias de terror cobrem todo país deixando milhões em estado de choque. Em total desespero, os familiares choram seus mortos. Muitos desmaiam e um vazio se abate na alma que se dilacera em dor das mais profundas.

Em tempo simultâneo, imagine a mídia lhe entupindo de informações e explicações as mais diversas durante semanas! Depois vem o silêncio e outra tragédia anunciada lhe acorda repetindo a mesma agonia e sofrimento. Agora imagine o mais decepcionante, frustrante e revoltante de tudo isso! Imagine que os evidentes responsáveis de todas elas (as tragédias) nunca foram verdadeiramente punidos! Só multas que quase sempre não são pagas.

Se este país fosse sério, o presidente do Flamengo, Rodolfo Londim e sua diretoria já estariam na cadeia, a começar pelo seu desprezo ao se retirar dos “depoimentos” fajutos quando os jornalistas se propõem argui-lo com perguntas sobre as irregularidades no barracão do clube. O prefeito e seus fiscais deveriam também ser severamente punidos porque não interditaram o centro de treinamento e o “alojamento” improvisado de uma porta. Para tapiar, resolveram fazer vistorias no CT e a safadeza de proibir o acesso da imprensa. É um descaso total! São essas as nossas “autoridades” pagas pelo povo para prevenir tragédias e desmandos?

A lei é só usada para interditar bares, restaurantes pequenos, lojinhas, barracas e escorraçar ambulantes nas ruas. Não é para os grandes, quanto mais para um time que tem a maior torcida do Brasil. Como amar uma pátria tão desigual que maltrata e assassina em massa seus filhos? Como ter orgulho de uma nação onde as tragédias ceifam vidas e terminam em arquivos mortos, sem a prisão dos culpados?

Pouco antes de ser vítima de um desastre no ar, o jornalista Ricardo Boechat comentava que esta rede de tragédias tem seu respaldo na impunidade. Não falou nada de inédito que ninguém não já tenha consciência disso, mas sua voz tem peso. Só não foi ouvida pelos torcedores e as famílias dos jovens que não protestaram como fazem no futebol quando os resultados são negativos. Quando isso ocorre, brigam e até se matam nos estádios e nas ruas.

Estão agora preocupados com o Fla x Flu de quinta-feira. Ai, todos se posicionam em silêncio hipócrita e falso para homenagear os mortos e fazer suas condolências. Sobre o acontecimento que poderia ter sido evitado, ouvi nesta semana um torcedor simplesmente dizer que essas coisas ocorrem. É por isso que as tragédias não param.

O mesmo pode ser aplicado com relação ao rompimento da Barragem do Feijão, em Brumadinho. Você passa o tempo escutando o barulho de uma lama de explicações e nada de punição. Nos primeiros dias, fazem vistorias, fiscalizações e prometem rigor no acompanhamento. Muitos já se esqueceram da Boate Kiss e nem se fala mais em inspeções e fechamento de boates por estarem funcionando de forma irregular.

UM PÔR DO SOL COM O CRISTO

Fotos  e texto de Jeremias Macário

Mais um domingo no alto da Serra do Piripiri numa união com o Cristo, do artista Mário Cravo, e o pôr do sol deslumbrante se despedindo no horizonte do sertão. É uma imagem que tem atraído milhares de conquistenses num momento de relaxamento em preparo para as batalhas da segunda-feira, depois de um final de semana de diversas atividades.

É um bálsamo para a alma este encontro do povo com o Cristo. Foi uma junção de lazer com a cultura, com a apresentação de shows musicais, como o do cantor e compositor Evandro Correia que teve a prestigiosa ajuda do artista Mano Di Souza. Foi um espetáculo e o Cristo a todos abençoou.

A programação da Polícia Militar (parabéns coronel Ivanildo), em parceria com a Prefeitura Municipal, foi um sucesso, como no último domingo com mais de cinco mil pessoas que subiram à serra para ficar ao lado do Cristo e juntos contemplarem a cidade e suas luzes, mais parecendo uma parabólica estrelada. Ele agradece a companhia, pois sempre se sentiu isolado. Pena que essa iniciativa está com seus dias marcados para até 24 de fevereiro quando deveria ser permanente.

Fora os transtornos da subida e a falta de espaço para estacionamento de todos, coisa que podem ser contornadas, o projeto deu certo e deve ser repetido, com mais infraestrutura, inclusive abrindo condições, através da circulação de ônibus, para que todos possam participar desse aprazível lazer, não somente para quem tem condução própria.

Sempre tenho dito que a Serra é um potencial que pode ser explorado à visitação, incluindo trilhas nos pontos mais estratégicos, como o Cetras e o Poço Escuro no roteiro. Vitória da Conquista é uma cidade sem opção de lazer e cultura nos finais de semana, mas existem locais que podem ser bem urbanizados e humanizados para que as pessoas possam frequentá-los.

MAIS UMA E LOGO VEM OUTRA. QUAL SERÁ A PRÓXIMA?

As tragédias no Brasil começam com condolências, consternações e sentimentos dos irresponsáveis e sempre terminam sem a punição dos culpados. Aliás, no caso de Brumadinho, em Minas Gerais, o culpado foi a barragem que não se conteve e resolveu se arrebentar, sem mais, nem menos. No caso do Ninho do Urubu do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi o danado do ar condicionado que não aguentou a pressão da carga e provocou um curto-circuito.

Estão ai as respostas, e nem são mais necessários os rosários intermináveis de explicações técnicas de engenheiros, fiscais, ambientalistas e outros phds entendidos no assunto, com as defesas, do outro lado, nas versões dos armengueiros que burlam as leis porque no país das impunidades, as instituições são falhas no dever das rígidas fiscalizações. Na base do jeitinho brasileiro onde multas são para não serem pagas, o capital fala mais alto que o humano.

Nem bem terminaram as extensas e espetaculosas coberturas jornalísticas da mídia, recheadas de imagens e entrevistas repetidas por várias vezes, com choros e lágrimas no vale de lamas que soterraram centenas de pessoas, ai vem outra tragédia do Flamengo para roubar a cena, que dizimou uma dezena de jovens adolescentes que sonhavam pela fama de brilhar nos campos de futebol.

O presidente do clube aparece com a cara de consternado e nada fala sobre a irregularidade cometida de abrigar os meninos num barracão provisório de containers, totalmente irregular, que não tinha nem alvará da Prefeitura Municipal, a qual disse ter aplicado 30 multas contra o Flamengo. Nesta hora, o torcedor não aparece para criticar, protestar e se revoltar como faz quando o time tem resultados negativos.

Todos se calam e engolem o choro, inclusive pais e parentes porque  acham que foi apenas uma fatalidade. Neste fato específico da tragédia, não me refiro apenas ao Flamengo, mas também aos outros grandes times do Brasil que acumulam um monte de irregularidades, não somente em suas instalações físicas dos seus centros, mas também no âmbito financeiro, deixando de pagar INSS, IPTU, FGTS e outras obrigações de taxas e impostos por lei.

Agora mesmo, acabamos de saber que o Vasco e o Fluminense não possuem alvarás dos seus centros de treinamento. Pode investigar que a grande maioria dos clubes não funciona corretamente como devia. As instituições que fazem vistas grosas são também culpadas, mas desta vez foi o ar condicionado o vilão. Na próxima tragédia anunciada pode ser outro objeto, outro aparelho ou a própria natureza.

O nosso futebol é uma bagunça e uma vergonha no campo e através das cartolagens corruptas de viciados em desrespeitar e descumprir as leis. Os clubes comportam-se como se não fossem empresas jurídicas, como qualquer uma que tem obrigações e seguir normas de responsabilidade, A CBF e as federações são complôs suspeitos de grupos vitalícios que vivem a fazer seus conchavos para se perpetuarem no poder.

Não vou mais aqui repetir a enfadonha lista de tragédias do nosso país, nas quais o homem é o predador inconsequente e irresponsável, mesmo quando o fenômeno parte da natureza, como a tormenta nesta semana no Rio de Janeiro. No caso da Barragem do Feijão, em Brumadinho, existe uma insensatez secular.

A princípio, como entender a construção de instalações administrativas, inclusive um refeitório, abaixo de uma barragem de minério? Além de barramentos feitos com métodos antigos e inseguros, com custos mais baixos, deixam povoados próximos, na mesma direção. Se houvesse seriedade neste país, não deveria haver habitações abaixo e, se já existissem, a empresa deveria ser obrigada a desapropriá-las antes de montar a barragem.

É PURA POESIA

Foto do jornalista Jeremias MacárioPor si só, a imagem já diz tudo. Vale a pena parar para pensar na vida e agradecer as belezas da criação,

neste mundo tão corrido, ganancioso onde as pessoas deixaram de se conhecer. Não vale nessa paisagem

ligar o celular.

POETA SONHADOR

De autoria do jornalista Jeremias Macário

macariojeremias@yahoo.com.br

A dor do poeta sonhador

Rói sem pena seu coração

Como rato roendo couro

No subterrâneo do porão

Da Casa Grande senhoril

Com medo da bota do feitor.

 

É a dor do poeta sonhador

É a dor, é a dor, é a dor…

Com sua moléstia encruada

Pelas lidas vidas viradas

Nascido como caçador

Que depois virou caçada.

 

É a dor, é a dor, é a dor…

Do poeta sonhador

Do passado torturado

Pelo carrasco torturador

Que o seu sonho não matou.

 

É a dor do poeta sonhador

Que amou sem ser amado

Invadiu o vermelho sinal

Por uma carreta atropelado

E foi cheirar morfina e éter

Num corredor de hospital.

 

É a dor do poeta sonhador

No duelo com o barqueiro

Na malvada sociedade

Curvado pela dona idade

Que regateia a travessia

Pelo tenebroso nevoeiro

Até a outra margem do rio

Onde não existe noite e dia.

 

O poeta é um esgarçado

Em retículas fatiadas

Alvo certo das emboscadas

Por ser um eterno apaixonado

Ora inseto, ora pássaro Condor

Baixo ou alto um voador.

 

O poeta é lâmina de navalha

Fio da foice, enxada e martelo

Do machado e faca afiada

Espingarda do papo amarelo

Embornal, palavra e mortalha.

 

O poeta não tem fronteira

Município, nem país e Estado

E só carrega em sua mochila

Desde criança triste menino

A dor de um poeta sonhador

Que nasceu do vento seco

De um veio bem nordestino

Do mandacaru que dá flor.

CHAPADA DIAMANTINA: A CIDADE HISTÓRICA E A FESTA DOS GARIMPEIROS

  • Constituição Federal, Direitos Humanos, Ambiental e

o Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural Nacional

 

Alexandre Aguiar

Advogado

Sobre cultura, a trintenária Constituição Federal diz:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

  • 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

[…]

Sobre a vida dos Garimpeiros, na obra “Garimpo, devoção e festa em Lençóis, BA”, Maria Salete Petroni de Castro Gonçalves desempenhou o registro do acontecimento secular, que compõe o legado histórico, cujo recorte temporal compreendeu o conteúdo laboral, devocional e festivo local no período de 1844 a 1984.

Entre o surgimento de Lençóis até a interrupção dos garimpos, que efetivamente se deu em 1996, a economia, religião e cultura do lugar passaram por uma mudança de época, que sem a devida atenção da sociedade e do Estado, representa ameaça ao acervo material e fontes imateriais do patrimônio artístico, histórico e cultural nacional.

O emérito Professor Ronaldo de Salles Senna costuma dizer que “Lençóis deve tudo aos garimpos, porém os garimpos não devem nada a Lençóis”.

O fim do extrativismo mineral de diamantes levou Lençóis à condição de cidade turística, tendo a polis alcançado o perfil dos destinos indutores do turismo nacional, alavancando de forma pioneira a indústria turística na microrregião, do que é chamado de “Circuito dos Diamantes” e, que vem se expandindo pelas demais cidades da Chapada, gerando postos de trabalho e receita aos descendentes dos garimpeiros artesanais.

Na Chapada, como resultado do acervo patrimonial das lavras diamantinas, restaram Tombados pelo IPHAN, os conjuntos arquitetônicos das cidades de Lençóis (1973), Mucugê (1980) e a Vila de Xique-Xique de Igatu (2000), no Município de Andaraí. Desta maneira, nos dias atuais, todas as cidades lavristas contam com permanente visitação turística nacional e estrangeira, incluindo-se aí a cidade de Palmeiras, município que igualmente possui fluxo de visitação, no Distrito de Caeté-Açu (Vale do Capão).

A cidade de Rio de Contas também detém acervo arquitetônico, que despertou interesse do Instituto do Patrimônio e restou Tombado (1980), entretanto, situada ao sul do Parque Nacional da Chapada, no passado sua economia destinou-se a extração de ouro, o que lhe diferencia e destaca como “Circuito do Ouro”, inclusive, por distâncias e posição geográfica.

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